.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Porque hoje é sexta-feira





Algumas pessoas se assustam ou não se interessam quando abrem um blog e vêem lá postado um poema.  Eu digo, calma! Não precisa achar que é o único na vida que não consegue interpretar de forma real a subjetividade de uma poesia. Há poetas difíceis, herméticos, complicados em seus neologismos que para uns são interessantes e para outros um afastamento completo de suas obras. Vejam, por exemplo, poetas, escritores como Guimarães Rosa que inovou em sua linguagem, com influência do jeito de falar popular, mesclado à sua erudição própria.

Mas é claro que você não pode ler uma poesia como se estivesse lendo a bula de um remédio, corridamente, sem sentir as palavras, sem respeito por elas, sem ouvi-las verdadeiramente.  Por isso eu digo que a melhor forma para se compreender uma poesia é lê-la em voz alta, fazendo paradas para as vírgulas, respirando, dando espaços entre estrofes e pontuações e unindo corretamente as palavras para dar sentido à frase e mensagem, finalmente.


"Não basta saber ler para ler poesia. Ler poesia é uma arte. Exige que o leitor se coloque numa posição especial de alma. O segredo da poesia está na música da leitura. Mais do que uma arte: é um ato de bruxedo. O leitor invoca um mistério que se encontra nos interstícios das palavras do poeta. Essas palavras estão dentro dele mesmo. O poema faz-me ouvir um poema que está dentro de mim. Esse poema que está dentro de mim é um pedaço de mim."


Rubem Alves

Escolhi estas duas poesias abaixo e fiz uma leitura das mesmas com entonação e pontuação, procurando fazer corretamente, creio que você também conseguirá se ler pausadamente, sentindo cada bela palavra que os poetas criaram para nosso deleite. Clique, me ouça e leia junto comigo.

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente. 

Vinícius de Moraes

Música Enya




 O Sono das Águas - Guimarães Rosa by Mãe Gaia 

Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d’água,
nos grotões fundos
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…

Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folhagem
e adormece.
Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…

Mas nem todos dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…


Relax Music 

Nas duas poesias acima, dois grandes poetas de nossa língua e maneiras diferentes de dizerem as coisas.
Agora, experimentem ler esta poesia com pausas, respeitando a pontuação e, principalmente os sentimentos da poetisa.




Bom final de semana a todos!








quinta-feira, 7 de julho de 2011

É feio, mas eu também fiz.

 (Imagem Corbis)

É isso mesmo que vocês estão vendo!  Como assim, nunca colou?!  Nunca escreveu algumas fórmulas numa tirinha de papel ou na borracha?  Ah, não acredito!  Pois eu confesso: colei!

Nós, meninas, até debaixo da saia escondíamos algum papelzinho para puxar naquela questão tenebrosa de matemática que tinha uma fórmula que insistia em não colar em nossa cabeça, então estava lá no papelzinho colada: D = b²-4ac. 

Eu não sei se eu era boa em colar, com certeza não, mas era boa em fazer a cola.  Perdia tanto tempo escrevendo em letrinhas miúdas numa tirinha e depois ela virava uma sanfoninha que eu levava em todas as provas. Por desencargo de consciência, pois na verdade, de tanto escrever e ler sobre a matéria, acabava decorando ou estudando a mesma e na hora H eu nem puxava o tal papelzinho, pois lembrava de tudo, e acabava ficando lá, na barra da saia ou dentro do estojo de canetas e às vezes até escrito na perna ou numa borracha.  Ahhh, fala sério!  Eu nunca soube pra quê eu tinha que decorar tanta fórmula ou aqueles nomezinhos infames nas provas de Ciências!

Mas eu também era boa de dar cola e assim fazia em português ou francês numa permuta amigável com algum coleguinha que não era lá essas coisas nessas matérias, mas entendia muito de Ciências ou Geografia.

Colar tem arte, perspicácia e de um certo modo inteligência, pois nada adiantaria se algum colega me falasse baixinho a resposta da questão no.9 de uma prova de História, por exemplo, se eu não tivesse lido nada sobre a matéria, na certa deixaria em branco a resposta.  E inteligência foi o que faltou a um colega nos tempos de segundo grau, quando ao colar diretamente de um livro debaixo da carteira escolar, completamente absorto no que estava copiando, colocou tudo conforme lá estava, ficando assim no final: 'conforme descrito no capítulo III, página 159 do livro tal."
Ganhou um zerão da professora e a gozação de toda a turma depois.  

Esses pequenos "lembretes" que eu fazia nos tempos de ginásio vieram à minha lembrança há pouco, vendo um filminho bobo, desses de adolescentes americanos, puro passatempo para uma noite insone e fria como esta.

Nos dias de hoje em que abominamos ver as fraudes em todos os segmentos públicos, inclusive nas provas de exames escolares importantes pelo país, este ato perdeu aquele tom quase ingênuo praticado pelos alunos de antigamente.  Dizem até que jogadas sofisticadas, utilizando mecanismos tecnológicos como minicelulares ou canetas que fotografam a tela da prova do aluno ao lado, ou coisas desse gênero, já são hoje aplicados na forma de grandes golpes e que têm e devem ser combatidos veementemente.  E nos Estados Unidos já fazem monitoramento de provas, diretamente de uma sala, onde um fiscal acompanha os gestos de algum aluno suspeito, e de lá mesmo direciona um zoom sobre o espertinho e grava o delito em CD.   Uia, que fria!

Pois é, meus amigos, eu colei!  E atire a primeira pedra quem nunca o fez ou, pelo menos, tentou e não conseguiu, ou espichou o olho para a prova do colega do lado!

Tempos bons de colégio, mas o que eu contei ... por favor, abafa!







terça-feira, 5 de julho de 2011

Aviso



O poema abaixo, intitulado Aviso foi escrito em 1961 pela inglesa Jenny Joseph e considerado como o mais popular poema pós-guerra em uma pesquisa feita em 1996 pela BBC. 


E eu estou pensando seriamente em me afiliar a um grupo assim desde já, menos cuspir no chão por que sempre achei feio e porcaria, mas já estou treinando só que ainda em outras cores.  




"Quando ficar velha, quero vestir roxo com chapéu vermelho, que não combina e fica ridículo em mim.


Vou gastar minha pensão em uísque, luvas de verão e sandálias de cetim e dizer que não tenho dinheiro para a manteiga.

Vou sentar-me no meio fio quando estiver cansada, comerei todas as ofertas do supermercado, tocarei as campainhas dos vizinhos, arrastarei meu guarda-chuva nas grades da praça, e só assim me sentirei vingada por ter sido tão séria durante a minha juventude.
Vou andar de pantufas na chuva, arrancar flores do jardim dos outros, e cuspir no chão.

Vou usar roupas horríveis, engordar sem culpa, comer um quilo de salsicha no almoço, ou passar uma semana só na base de pão e picles.
Vou juntar caixinhas, lápis e rótulos de cerveja.

Mas enquanto ainda sou jovem, preciso de um tipo de roupa que me proteja da chuva, tenho que pagar o aluguel, não posso dizer palavrão na rua, devo dar bom exemplo às crianças, preciso ler jornal, estar informada,convidar meus amigos para jantar.

Por isso, quem sabe...
Eu não deva começar a treinar desde agora?
Assim ninguém vai ficar chocado quando de repente, eu ficar velha e começar a usar roxo."


Por que tem dias que dá vontade de jogar tudo
pro alto e fazer como queremos, 
a começar pelas roupas ou pequenas coisas que não fizemos por este
ou aquele motivo, por tantas convenções em que estamos
envolvidos e principalmente pelos padrões
pré-estabelecidos desde a nossa juventude.
Portanto, quem já passou dos 50 ou quem esteja com vontade de mudar algo em sua vida, pode ir começando a pensar numa virada, que tal a idéia da Jenny, hein?









segunda-feira, 4 de julho de 2011

E o mundo vai ver uma flor ...

 

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.
Versão Chico Buarque e Ruy Guerra/1972
Para o musical O Homem de La Mancha, de Ruy Guerra.

                               

Esta letra é um hino à esperança, aos sonhos que todos temos de ver realizados projetos ou atitudes que embalem e incentivem outros. Um hino de amor e luta, por isso coletei nestes últimos dias, grandes exemplos para ilustrar este post e acreditar na grandeza do ser humano.  

Em um gesto coletivo de apoio a um amigo que faz tratamento contra um câncer, estudantes do ensino médio de uma escola de Governador Valadares (MG) decidiram raspar o cabelo.
Arthur Gonçalves, de 17 anos, foi surpreendido nessa semana ao chegar para aula no Colégio Genoma, onde cursa o terceiro ano. Ao entrar na sala, se deparou com todos os alunos do sexo masculino, inclusive o professor, com os cabelos raspados.
“Fiquei sem palavras. Eu só conseguia sorrir. Me senti acolhido”, afirma Arthur, que foi diagnosticado com Sarcoma de Ewing, uma forma rara de câncer, está em tratamento e pretende prestar vestibular para engenharia no fim do ano.Fonte: Último Segundo / IG / MGTV / UOL Notícias / Globo.com


Se você tem algo para falar, eles estão lá para escutar. Como um velho amigo: a qualquer hora, sem cobrar nada, com toda a disposição.


É o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma organização criada há 49 anos para prevenir o suicídio e dar apoio a quem precisa.
“O projeto nos ensina a importância de saber ouvir, com respeito e sem julgamento. Na maioria das vezes, a pessoa que liga para o 141 só quer ser ouvida e nós temos uma satisfação grande em escutar”, afirma outro voluntário.
Fonte: Revista Sorria / Superinteressante / IG / Bom Dia DF


Uma biblioteca sem livros, mas com muitas pessoas, experiências de vida, pontos de vista e histórias.
É essa a proposta da Human Library, um projeto criado há 11 anos, na Dinamarca, por um grupo de jovens da ONG Stop the Violence.
A idéia é simples: eles criaram uma biblioteca com um catálogo de pessoas disponíveis para conversar por alguns minutos com leitores dispostos a ouvir e a enfrentar os próprios preconceitos. São os chamados livros vivos.
São cegos, ex-presidiários, imigrantes, muçulmanos e outras pessoas que, por causa dos estereótipos, sofrem com a discriminação e o preconceito.
“Porque você usa o véu?”, “O que levou você a cometer um crime?”. O leitor pergunta, o livro responde e se estabelece um diálogo, que pode ser o primeiro passo em direção a uma sociedade mais tolerante.
“As pessoas são diferentes e não precisam mudar. É preciso apenas respeitar o outro. Muitas vezes a discriminação ocorre devido à falta de conhecimento. Nós vivemos em uma época em que precisamos de diálogo. Só com o diálogo poderemos ter mais compreensão, tolerância e paz”, afirma um voluntário do projeto.

Fonte: Revista Vida Simples / Library Journal / Time To Change / Human Library


Durante a semana, Sávio Teixeira trabalha em um banco no Rio de Janeiro. No final de semana, ele exerce sua maior vocação: plantar árvores.
Na cidade, ele é pai de várias espécies nativas. O trabalho voluntário começou há 9 anos. De lá para cá, ele já plantou mais de mil árvores.
“É importante as pessoas participarem para ver o trabalho de recuperação e colocar a mão na terra. Esse engajamento muda o olhar delas em relação ao meio ambiente”, afirma Sávio.
Fonte: O Globo / Folha do Meio Ambiente / O Estado de S. Paulo / Recuperação Ambiental no Pão de Açucar



O senhor Hideaki Iijima, de 60 anos, acorda todos os dias cedinho e, de vassoura em punho, vai limpar a calçada da agitada rua Manuel da Nóbrega, no Paraíso.
Dono de uma rede de salões de cabeleireiro, o empresário acredita que assim está cuidando do planeta, a casa de todos nós.
"Varrer ruas é um gesto de humildade e de consciência da nossa responsabilidade com o planeta. Quando cada um cuida de sua parte, por menor que seja, faz diferença", afirma.
Com a ONG, ele conseguiu reunir voluntários para sair por aí limpando e espalhando cidadania. No Brasil, o movimento organiza atividades como varrições em parques das cidades, limpeza de locais públicos e palestras sobre educação ambiental e responsabilidade social, além da Grande Limpeza Anual, que já conseguiu reunir 2 mil pessoas.

Fonte: Revista Vida Simples / Veja SP / Limão / Planeta Sustentável / Globo.com


"E o mundo vai ver uma flor
brotar do impossível chão."





sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma brincadeira gostosa


Esta brincadeira bacana e que ao mesmo tempo espalha literatura pela Blogosfera, vi no Blog do amigo Manuel, o Constância, e resolvi participar também.  Se quiserem entrar nessa, é só seguir o preceito abaixo:


Escolher um livro, abrir na página da sua idade e escolher um trecho, ilustrando o post com uma bela imagem. 
Quem for participar é só levar o selo, que está aí em cima.

E adivinhem que livro e autor eu escolhi?  Sim, ele, porque está sempre ao meu lado aqui na mesa do computador - Rubem Alves - e veja que lindo ele diz na página no. 58 do livro Quando eu era Menino:

-Parque-Inglaterra-

(...)" Fui a Santiago de Compostela, no norte da Espanha.  Dizem que Deus, em Santiago, é mais forte que em outros lugares.  Por essa razão os que acreditam fazem longas peregrinações a pé para chegar até lá, onde se encontra uma gigantesca catedral.  Não fui a pé.  Fui de carro.  Visitei a catedral.  Não me senti mais perto de Deus.  Senti-me mais longe.  Uma construção feia, pesada, escura.  Deu-me tristeza.  Mas, saindo triste da catedral, entrei nos imensos parques que há por lá.  Tudo era luz, cor, leveza, pássaros voando e cantando, a vida explodindo em todos os lugares.  Fiquei inundado de alegria.  O Criador não fez nenhuma catedral no Paraíso.  Se gostasse teria feito.  Plantou árvores.  Camélias ... Nos parques fora da catedral havia camélias por todos os lados - árvores enormes, cobertas de flores.  Sempre que vejo a beleza surgindo me sinto próximo de Deus. Deus é beleza mansa."(...)

(Rubem Alves-Quando eu era menino-página 58)



Eu costumo dizer aos meus amigos que nas viagens que faço, o que mais me atrai é a natureza viva, a beleza dos jardins, dos tons de árvores, as diversidades de plantas e flores que cada lugar apresenta, o oceano e suas nuances, a diferença entre o que estou acostumada a ver por aqui e o que estou percebendo por lá, a flora e fauna me interessam sobremaneira. Sinto-me como R.Alves, inundada de alegria em poder ver de perto aquilo que considero o Deus vivo, manifestado através da natureza de nosso universo.

Abaixo, algumas formas diferentes de vida que pude ver de perto nesta viagem ao Chile.  

-Lhama - Focas e Leão Marinho em Viña del Mar-Oceano Pacífico-











quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os jardins da vida



“Todo jardim começa com uma história de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada
ou um lago construído, é preciso
que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, 
não planta jardins por fora e nem passeia por eles.” 
Rubem Alves
















quarta-feira, 29 de junho de 2011

Uma cozinheira nada perfeita



Ultimamente eu ando meio esquisita com a minha cozinha, ou melhor, com o ato de cozinhar.  Para começar não sinto a mínima vontade de encarar as panelas e busco sempre fazer coisas simples, rápidas, descomplicadas e neste inverno, procuro algo que não tenha que ficar lavando o tempo todo, como hortaliças ou legumes.  Por isso tenho comprado legumes cortados e picados em quadradinhos e embalados a vácuo. São ótimos para cozidos ou sopinhas que vão bem nas noites frias e ainda podem ajudar num pequeno regime, aliás, num pseudo regimezinho, porque onde já se viu sopa ou creme sem um pãozinho ou torradas para acompanhamento?!
Ah, não dá, né!  

E aí resolvi aproveitar os pães que sempre sobram no dia a dia.  Cortei em rodelas iguais e passei um cheirinho de manteiga.  Mas, vejam só, esqueci a fornada e vim espiar meus e-mails, blogs e o mundo virtual.
Taí o resultado na vida real:


Mas fiquei com tanta raiva de mim mesma que me penitenciei cortando mais rodelinhas e passando manteiga em cada uma delas. 
E não saí da cozinha, claro!  Vejam que beleza!


Cozinhar é uma arte e um ato de amor, assim considero, principalmente porque vamos ingerir aquilo que preparamos para nós mesmos e para os outros, por isso acho que eu não deveria ir para cozinha atualmente, nesta fase em que me encontro sem muita motivação culinária, acho que devo me abster, porque como  como já dizia Guimarães Rosa, cujas palavras se encaixam perfeitamente ao ato de cozinhar, por exemplo: "a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." e esta 'travessia' sem prazer não é legal, pois o preparo adequado deve valorizar a boa apresentação dos alimentos, o sabor deve ter um toque especial e diferenciado e as cores e seus pedaços devem despertar equilíbrio e atração.

Termino com as palavras do mestre Rubem Alves que diz:  
"Comer é a chegada. Passa rápido. Mas a travessia é longa. Era na travessia que estava o nosso maior prazer. A gente ia cozinhando, bebericando, beliscando petiscos, rindo, conversando. Ao final, lá pelas onze, a gente comia. Naqueles tempos o que já tinha sido voltava a ser. A gente era feliz.
Sinto-me feliz cozinhando. Não sou cozinheiro. Preparo pratos simples. Gosto de inventar. O que mais gosto de fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro... Você já ouviu falar em sopa de coentro? É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com muito azeite e pão torrado. A sopa desce quente e, chegando no estômago, confirma...A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras. Como a Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como água para chocolate)..."


"Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. "

"Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar."  
(Rubem Alves)







terça-feira, 28 de junho de 2011

Estrela Cadente



Quando eu estiver
com o olhar distante,
maninha,
com um jeito esquisito
de quem não está presente,
não se assuste,
ó maninha,
fui logo ali,
no quintal do céu,
colher uma estrela cadente.


Poemas de Céu, ed. paulinas
Roseana Murray
escritora e poetisa





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Adolescente sooooofre!

 Roy McMahon/Corbis

Só quem tem ou já teve filhos adolescentes sabe o quanto é complicada esta época na vida dos jovens.
Tudo têm vergonha, acham que 'pagam mico', que vão rir da sua cara ou se não estão de acordo com a galera que anda junto, que comunga dos mesmos pensamentos e hábitos, sentem-se até deprimidos. Pior ainda quando as espinhas insistem em aparecer a cada novo dia, fazendo da vida, principalmente das meninas, um horror, a pior de todas entre as demais, como se somente ela tivesse espinhas no rosto e vivesse aquele problemão.

Os meninos não suportam andar junto das mães, sentem vergonha de andar de mãos dadas e não querem beijinhos em público, isso poderá lhes trazer sérios problemas diante do seu grupo.  Estão numa fase de auto afirmação, de amar e ser amado, têm milhões de pensamentos e querem descobrir o mundo e entender tudo. 

Estes sentimentos adolescentes, principalmente de aprovação do olhar do outro, tornam os jovens nesta idade muito sensíveis à vergonha.  Eu mesma tive esse comportamento algumas vezes, como por exemplo, uma tarde que chovia muito e meu pai, preocupado com que eu pegasse aquele temporal pelas ruas, chegou à minha escola com capa, galochas e um guarda-chuva imenso, parecia uma barraca de praia, preto e com uma das varetas fora do tecido. Eu, boba e sem entender aquele sentimento tão amoroso de meu pai naquele instante, só faltei me esconder atrás de uma amiga para ele não me achar.  Ele achou, claro, e eu fui embora debaixo daquele imenso guarda chuvas, sentindo-me olhada por todos e morrendo de vergonha. Que bobeira, não é mesmo?  Mas quando somos adolescentes, estes sentimentos de que somos os únicos no mundo a serem observados em nossos defeitos ou comportamentos é muito comum  de acontecer e ainda bem que isso passa.

Agora, imaginem um adolescente de 16 anos que tem um pai que vai às raias da loucura todas as manhãs para dar tchauzinho pro filho na porta de casa.  Ele diz que faz isso por amor para que seu filho mais tarde lembre-se dele  pelo resto da vida.  Então todos os dias ele se prostra diante de casa com uma fantasia diferente e mais maluca que a outra, espera o ônibus da escola chegar, o filho sair e fica de pé dando seu tchauzinho constrangedor.  No início foi uma tormenta, disse o filho, mas depois foi se acostumando, assim como o motorista e os outros alunos seus colegas que se divertem a cada dia com uma nova fantasia.


O pai figuraça não repete fantasias, pede emprestado aos amigos e vizinhos e já se vestiu de Papai Noel, Abajur, Kung Fu Panda, Batman, Pirata, etc.







Se quiserem conhecer este pai embaraçoso, mas simpático e adorado pelos filhos, cliquem aqui .  Seu blog foi criado depois depois que o filho perdeu a vergonha e começou a curtir suas maluquices,
colocando fotos no Facebook e, incentivado pela irmã, resolveu então criar este blog para o pai.

Se você tem filhos adolescentes e quer entendê-los melhor, vejam este site interessante que explica quais são os principais micos que você comete e que seu filho odeiiiia.


-Imagens daqui-