.....................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um beijo para proteger-nos na delicada engrenagem da vida.


Um beijo, como é bom, quem não gosta!? 
Um toque dos lábios que pode significar afeição, cumprimento, despedida ou prova de paixão. Pode ser também um beijo de respeito, lealdade, amizade, humildade, reverência.
O beijo é um movimento humano que remonta a 2.500 a.C. 
Penso que até os homens das cavernas tinham este hábito, talvez em lambidas, não sei, mas perpetuou-se até os dias de hoje, claro, com variações e milhares de imagens que traduzem o sentimento amoroso do ser humano, mesmo nas diversidades, guerras e nos ajustes de sexualidade que assistimos atualmente.

E assim os poetas falam sobre beijos de amor:


Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,    
Os beijos que sonhei pra minha boca!...


Florbela Espanca








Beijos mais beijos,
Milhões de beijos preferidos,
Venho de amores com a minha amada,
Insaciáveis.
Mário de Andrade



Os movimentos vivos no pretérito
enroscam-se nos fios que me falam
de perdidos arquejos renascentes
em beijos que da boca deslizavam
para o abismo de flores e resinas.
Vou beijando a memória desses beijos.

Carlos Drummond de Andrade
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...
Florbela Espanca
Beijos d'amor! Pra quê?!... Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!
Só acredita neles quem é louca!
Beijos d'amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!...


Florbela Espanca
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse !

Olavo Bilac

Ah! Quanto eu sofreria se alegrasses
Com teu beijos de amor, meus lábios tristes,
Com teus beijos de amor, as minhas faces!
Aluísio de Azevedo















Teus beijos são de mel de boca,
São os que sempre pensei dar,

E agora a minha boca toca

A boca que eu sonhei beijar.

De quem é a boca?

Da Outra.

Fernando Pessoa

O mundo é grande e cabe 
nesta janela sobre o mar. 
O mar é grande e cabe 
na cama e no colchão de amar. 
O amor é grande e cabe 
no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade


O beijo é uma forma de diálogo.
(George Sand)











quinta-feira, 7 de maio de 2015

América do sol da vida, uma homenagem.

América do Sul

Quando o mundo, se fez mundo
era um corpo em formação
os rios, se fizeram veias
correndo sem direção
de repente, uma guitarra
um povo cantando o chão
e o campo se fez poesia
e a terra se fez canção
e alguém gritou, viva América!
O mundo tem coração.
América do Sul querida
América do sol da vida
América do céu azul
América do Sul.
Minha América tão linda
para muitos diferente
somos povo imaginado
por um outro continente
primitivos, despilchados
índios, pelados, pingentes
América é cantiga
fruto, raiz e semente
minha América do Sul
com filhos de sol nascente
por ser coração do mundo
teu sangue é muito mais quente!
Minha América tão linda
para muitos diferente
somos povo imaginado
por um outro continente
primitivos, despilchados
índios, pelados, pingentes.
América do Sul querida
América do sol da vida
América do céu azul
América do Sul.
Diga ao Tio que nos visita
que somos todos parentes, somos negros, índios, brancos
federais, inconfidentes
somos a força do mundo
arrastando uma corrente
se as vezes nos faltam armas
temos a força da mente
só Deus pode calar
a voz de um povo valente
mas diga,
que antes de tudo
não temos cor, somos gente!




América do Sul querida
América do sol da vida
América do céu azul

América do Sul.
América do céu azul
América do Sul.

(América Coração-Os Serranos)



Imagens Tumblr.



quarta-feira, 29 de abril de 2015

Tempos difíceis para uma geração ávida por vencer.



Em junho de 2013, escrevi um post falando sobre as gerações passadas e seus comportamentos em sociedade.
São elas:

VETERANOSBOOMERSGERAÇÃO XGERAÇÃO Y
Nascidos entre
1922 e 1945
Nascidos entre
1945 e 1965
Nascidos entre
1965 e 1977
Nascidos entre
1977 e 2000
Cresceram entre duas guerras mundiais e foram educados para a disciplina rígida e o respeito às hierarquias. O amor à pátria é um valor absoluto.Otimistas em relação a mudança do mundo político, viveram uma fase de engajamento contra ditaduras e poderes tiranos.Céticos e politicamente apáticos, refletem as frustrações da geração anterior e assumem a posição de expectadores da cena política.Otimistas
em relação ao futuro e comprometidos em mudar o mundo na esfera ecológica. Têm senso de justiça social e se engajam em voluntariados.
No trabalho, valorizam o comprometimento e a lealdade.Workaholics, valorizam o status e o crescimento profissional. São políticos, formam alianças para atingirem seus objetivos.Gostam da informalidade no trabalho e buscam o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.São extremamente informais, agitados, ansiosos e impacientes e imediatistas. Acompanham a velocidade da internet.
Como consumidores, evitam parcelamento e privilegiam as compras à vista. Investem de forma conservadora, sem riscos.São responsáveis pelo estilo de vida que se tem hoje, de conquistas materiais, como casa, carro e acesso ao entretenimento.Sentem-se a vontade
com a tecnologia e já têm gosto pelo consumo de equipamentos eletrônicos.
Tecnologia e diversidade são coisas naturais na vida. Usam todos os recursos do celular e precisam estar conectados.
Como funcionários, sabem aguardar a hora certa para receberem a recompensa pelo trabalho.Funcionários fiéis às organizações em que trabalham, fazem vínculo com a empresa.Não se fidelizam às organizações, priorizam os interesses pessoais e não vêem com bons olhos um currículo de 20 anos numa mesma empresa.A falta de cerimônia com os pais leva à indiferença sobre autoridade. Admiram a competência real e não a hierarquia.
Acreditam na lógica e não na magia. Têm religião, mas sem superstição.Necessitam de justificativas profundas e estruturadas para tomar  decisões.Trabalham com entusiasmo quando possuem foco definido e têm necessidade defeedback.Vivem com sobrecarga de informações, dificultando a correlação de conteúdos.
(deste site aqui)
O texto abaixo é da escritora Ruth Manus e fala sobre uma geração que descobriu-se triste e escrava da própria carreira. Você consegue distinguir qual é esta geração, com base no quadro acima?



E a juventude vai escoando entre os dedos.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo seletivo dos melhores estágios.
Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.
O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.
Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando.
Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.