.....................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quem somos mesmo?

-Tumblr-

As notícias internas a cada dia surpreendem mais e mais. Como nosso povo está diferente em valores e atitudes! "Nunca na história deste país, vimos algo parecido!" O "ter" sobrepujou-se ao "ser", no meu entender, coisas de uma era insana de consumismo e corrupção.

Com isso, perdeu-se o respeito para com o cidadão honesto e comum, por exemplo; onde existe uma célula eletrônica para leitura de um documento, também faz-se necessário, que se coloque o dedo polegar para certificação biométrica de quem você é. Vejo pessoas idosas em ônibus, demorando-se para que esta leitura identifique suas marcas digitais, muitas vezes já desgastadas pelo tempo. E a fila crescendo!
Em alguns supermercados, além da maquininha fazer a verificação do código de barras, os caixas precisam digitar todo aquele número de identificação do produto, além de conferir se o peso está correto.
Nos bancos temos que deixar numa caixinha todos os nossos pertences e se você usa muletas, sentirá a porta travar para seu constrangimento, e terá que deixar a própria num canto e entrar arrastando a perna defeituosa. O mesmo pode acontecer com pessoas que têm pinos metálicos no corpo, passam pelo vexame de ter até que mostrar alguma parte do corpo para provar ser verdadeira sua explicação.
Estas coisas atingem diretamente as pessoas, causam danos morais, vexames, sentimentos de revolta e sensações negativas.

É muito triste viver num país onde os próprios irmãos em nacionalidade duvidam uns dos outros!

Esta semana, descobrimos estupefatos, que alguém usou o CPF do meu marido para abrir contas numa determinada concessionária de telefonia fixa. Existe no controle da concessionária, um débito de 1300 reais de três linhas em Santo André, SP, onde nunca  botamos os pés na vida.

A cada 14 segundos, uma pessoa está sujeita a uma tentativa de fraude no país. O ano de 2014 registra mais de dois milhões de tentativas de fraude de roubo de identidade. (Serasa)

O texto abaixo, que tenho guardado faz tempo, da Professora Janaína Amado, historiadora e escritora, aposentada da Universidade de Brasília, pode responder ao meu título acima:


Quem somos mesmo?

Uma conhecida anedota conta que, ao criar o Brasil, Deus caprichou: praias belíssimas, terra fértil, água abundante, paisagens de tirar o fôlego, vegetação esplendorosa, clima ameno ... Sentindo-se injustiçados, os outros países logo protestaram e se queixaram a Deus, que lhes respondeu:
- Calma, esperem só para ver o povinho que eu vou colocar lá!

A anedota desnuda uma das mais significativas representações da nação brasileira, presente tanto nas ideias, nos sentimentos e na imaginação populares quanto nas produções e nos círculos de intelectuais, artistas e profissionais da mídia.  O núcleo dessa representação, reside na profunda separação entre, de uma lado, a 'terra boa', o belo país 'abençoado por Deus e bonito por natureza' cantado por Jorge Benjor, de que nós, brasileiros, tanto nos orgulhamos, e, de ouro lado, o 'povo ruim', a gente brasileira que não está à altura da beleza e da fertilidade do país.  A 'ruindade' do povo (ou seja, a 'ruindade' de cada um de nós), dependendo de quem fala, de quando fala e para quem fala, é explicada pela mistura ou degeneração das raças, pela preguiça, corrupção, presença de degredados, falta de patriotismo, séculos de colonialismo, escravidão, superexploração econômica, herança católica ibérica, malandragem, preconceitos, atraso, etc.

Essa postura inferiorizada costuma vir alternada com efusivas, e igualmente obsessivas, afirmações acerca das maravilhas do país Brasil, não só da sua terra, mas do seu povo, apresentado como cordial, guerreiro, alegre, honesto, amigo, sem preconceito racial, inteligente, musical, obediente, capaz, heroico, patriota, atleta e trabalhador, um povo muito melhor do que qualquer outro existente no planeta.  Esse conjunto de ideias, afirmativas e orgulhosas, que com frequência descamba para o nacionalismo exaltado, representa a outra face da mesma moeda.

Os dois tipos de representação, tanto a que nos deprime quanto a que nos exalta, remontam ao início do período colonial e vêm, de muitas formas, se adensando entre nós.  Elas envolvem todos nós em suas teias invisíveis, a ponto de existir hoje no país uma obsessão nacional acerca da própria identidade, num grau e numa intensidade que não se manifestam nos Estados Unidos nem nos países europeus.

Como um pêndulo, nós nos movimentamos entre a sensação de que, no fundo, há algo de extremamente errado conosco, de que nunca 'damos certo' - incapazes que somos de construir a nação que desejamos; e, no polo oposto, a também persistente sensação de somos fantásticos, maravilhosos, capazes de estourar a boca de qualquer balão, e por isso exibimos esse imenso e desmedido orgulho de ser brasileiros.

Nos limites desse pêndulo - que é uma armadilha -, nós vivemos nos  perguntando obsessiva, agitada, angustiadamente que país é este e qual será nosso destino: um mítico abismo infalivelmente nos ronda, mas um pote de ouro e felicidade também nos espera logo ali, na esquina do futuro.
Deslocados, ainda vivemos em busca de nossa própria identidade.












sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

“De modo suave, você pode sacudir o mundo.” (Mahatma Gandhi)


 22.jan.2015 - Mulher espera por transporte com seus filhos em um dia frio, em Cabul, no Afeganistão Mohammad Ismail/ReutersMais

Imagem Google


Já li alguns livros sobre a vida no Afeganistão e Paquistão, dois países que me atraem por seu modo de vida extremamente primitivo em muitos sentidos e ao mesmo tempo, ricos em tradição cultural, convivendo com o terrorismo em grande escala.

Li "A Viagem ao Mundo dos Taleban" de Lourival Sant'Anna e me impressionei com o relato jornalístico e ousado do repórter ao ir aqueles países e sentir de perto, o medo, a intransigência e a ignorância dos homens que escondem-se nas cavernas das montanhas e ditam ordens sobre todo um povo, e aplicam as mais duras sobre as mulheres e crianças. 
Li também de Jean P.Sasson - Princesa - As Filhas da Princesa - Princesa Sultana - Mayada - livros que mostram a vida real de princesas do mundo árabe, suas submissões aos homens e riqueza inestimável à sua volta, mas sem a mínima chance de serem livres e felizes. Um retrato bem atual da fechada Arábia Saudita e seus monarcas.
Na mesma trilha da busca pelo conhecimento destes povos e sua religião, li o best seller de Khaled Hosseini - O Caçador de Pipas - um romance onde a beleza e tristeza andam de mãos dadas.
Do mesmo Hosseini - A Cidade do Sol - que nos aproxima dos personagens em suas dores diárias na dura vida de um país em guerra.

Todos estes livros mostram uma sociedade que privilegiam filhos e homens.  Traçam um paralelo entre o mundo ocidental que habita em nós desde sempre, e o mundo muçulmano crescente em todo o planeta, assim como a vertente fanática que ultrapassou as aldeias do Paquistão ou Afeganistão, e já se pronunciam na Europa atual através do que chamam Estado Islâmico.

O que estou lendo no momento é sobre MALALA, a corajosa menina paquistanesa que sobreviveu aos tiros do talibã, sua vida escolar, as asperezas dos dias em que a mudança que os talibãs traçaram e subjugaram sua aldeia, seu povo, especialmente mulheres e crianças, levando-as ao pavor e a tristeza diária. Estes homens interpretaram o Islam com ignorância e ódio e se espalharam pelo mundo através de vertentes como na África, os Boko Haram, igualmente sórdidos, sanguinários e violentos. Uma milícia fundamentalista que obriga a todos a viverem sob suas condições e leis.
Ao receber o Prêmio Nobel da Paz no final de 2014, Malala disse: “É para todas as crianças sem rosto que querem educação; para todas as crianças com medo que querem paz; para todas as crianças sem voz que querem mudança. Estou aqui para lutar pelos seus direitos, para fazer ouvir a sua voz. Não devemos ter penas delas. Devemos agir.”
Os relatos de sua biografia são tristes e absurdos, nos levam a indignação total e impressiona ainda mais por saber que nos dias atuais possam existir cabeças tão ignorantes para pensar o mal e executá-lo, tudo sob a capa do fanatismo religioso, obrigando as pessoas ao desespero e até a desejarem a morte. 

O homem que é o líder do Talibã no Paquistão até os dias atuais e que já causou a morte de milhares de pessoas, entre elas jovens, estudantes e professores, chama-se Maulana Fazlullah e sob sua ótica distorcida da religião que assume praticar, investiu contra a vacinação da poliomelite e destruiu 750 escolas à noroeste do Paquistão na tentativa de extirpar a educação de um povo.

Em 2012 esta criatura vil da foto abaixo, assumiu o atentado contra a vida de Malala, que escrevia, na época, um blog anônimo sob o pseudônimo de Gul Makai que significa "Flor de Milho", e é também o nome da heroína de uma antiga história de amor paquistanesa. Fazlullah mandou que seus homens atirassem na cabeça dela enquanto viajava em uma van escolar.


Google


Através de seu blog e diário, Malala contou dos absurdos que as mulheres foram obrigadas a ceder, como usar, por exemplo, a burka azul ou branca que cobre todo seu corpo e tem apenas uma tela nos olhos para enxergar a vida, não ir às ruas ou ao bazar para fazer compras, tem que ser através dos maridos ou irmãos mais velhos, até a simples compra de sapatos para si mesmas, e o cúmulo da proibição de todas as meninas irem à escola para adquirirem conhecimentos. E através da sua "Rádio Mulá", escondido nas montanhas de Swat, ele continua a enviar mensagens ameaçadoras ao povo, repetindo à exaustão seu discurso conservador, anti-americano, anti-tecnologia e anti-vacinação, tentando isolar aquele pedaço do resto do mundo sob a força e medo.


Malala sobreviveu, foi tratada num excelente hospital em Birmingham, na Inglaterra, os especialistas conseguiram que ela não perdesse os movimentos da face esquerda e depois de todo este sofrimento, foi indicada e recebeu o Prêmio Nobel da Paz e é considerada a pessoa mais jovem indicada até hoje.
Seu objetivo agora é discursar em nome das crianças e jovens para incentivar que recebam educação e que as mulheres do Paquistão tenham mais direitos. Estão em Birmingham onde há uma grande comunidade paquistanesa.
Google

O crime de Malala perante os talibãs foi se destacar entre as mulheres e lutar pela educação das meninas e adolescentes de sua região. Mas, seu livro hoje serve de inspiração para muitos jovens no mundo todo e sua figura viva, dá força a outras mulheres a lutarem, pegarem até em armas se for necessário para defenderem suas vidas e de suas famílias, como é o caso destas mulheres nigerianas da província de Borno, contra o temível Boko Haram que vem fazendo tanta desgraça pela África.

Tumblr.

A minha reflexão final diante de todos esses fatos ocorridos, tanto no distante Paquistão, na Índia, no Iraque, Afeganistão, na África e aqui no Brasil, é de que pode-se lutar até mesmo de um modo suave como pregava Ghandi, ou pegar em armas como estas mulheres acima, ou apenas assumir quem se é, como fez Malala. Focar na Educação é o que vai conduzir os seres humanos a viverem dignamente e raciocinarem melhor na interpretação dos fatos que leem. 
Em muitos desses lugares, meninas ainda são proibidas de estudarem e aqui, não, pois temos escolas, porém fracas, com educação pública carente e precária e onde muitas precisam trabalhar para ajudar suas famílias. Nossa educação tem esta fraqueza e precisa se fortalecer para que não sejamos sugados pelas ideias consumistas de um mundo que copia outro mundo rico, mas que não tem estofo para se sustentar. 

Que a história de vida de Malala chegue aos nossos jovens para que valorizem o estudo e façam valer uma boa educação!


Viva Malala!











sábado, 17 de janeiro de 2015

Festejando os 450 anos


O meu Rio de Janeiro completa 450 anos no próximo mês de março e muitos eventos já estão marcados e vão agitar mais ainda esta cidade que, além de linda e quente demais, tem um povo muito festeiro e disposto sempre a trazer alegria para as ruas e suas casas. Eventos não faltam, é só acompanhar por AQUI.

Já falei várias vezes da transformação que a cidade vem atravessando nestes últimos três anos, são obras para todos os lados, especialmente no centro, onde túneis estão sendo abertos e nas escavações tem sido encontradas valiosas marcas de um tempo em que o Império estabelecia aqui sua corte. Logo depois, a República representada no Palácio do Catete até os dias de Getúlio Vargas.

Vários posts apresentei neste blog sobre o tema cidade do Rio de janeiro e se quiserem conferir, aí estão os links:

- http://supremamaegaia.blogspot.com.br/2013/10/memorias-da-cidade.html
- http://supremamaegaia.blogspot.com.br/2014/09/a-ultima-chibatada.html
- http://supremamaegaia.blogspot.com.br/2014/08/os-saudosos-tic-tacs.html
- http://supremamaegaia.blogspot.com.br/2014/07/cade-confeitaria-que-estava-aqui.html
- http://supremamaegaia.blogspot.com.br/2013/09/os-tesouros-do-rio.html
- http://supremamaegaia.blogspot.com.br/2012/09/entre-dois-amores-de-paisagens.html
- http://supremamaegaia.blogspot.com.br/2011/02/escadarias-no-coracao-do-rio.html

Muitas novas obras estão sendo feitas e outras já entregues, a região do centro, perto do Porto, terá grandes modificações depois que derrubaram o viaduto da Perimetral. Um novo túnel Rio 450, equivalente a um prédio de 14 andares, está sendo preparado para quem estiver no centro possa acessar a região portuária e vice-versa. Um grande hotel do Holiday Inn próximo à Rodoviária Novo Rio, está sendo levantado e permitirá ver o Rio sob novos ângulos. O Museu do Amanhã já tem 76% das suas obras concluídas e é uma bela obra de engenharia que atrairá muitos visitantes, assim como 
a nova sede do MIS, de frente para o mar de Copacabana, com vãos livres espetaculares que permitem andar e ver o que acontece nos andares de baixo. São grandes novidades para o público de todas as partes do mundo.

A zona Oeste também de face mudada, novas vias de escoamento para o tráfego foram feitas, como os famosos BRT's que são rápidos e facilitam a vida de quem trabalha no centro e precisa atravessar a cidade. Infelizmente, o povo não está inserido corretamente nesta 'pseudo inclusão social' que os governos fizeram, pois sem educação para usar tais benefícios, acidentes acontecem a toda hora e preocupa o número de mortos em tão pouco tempo nestas vias.

Mas, a estrutura do Rio é complexa, cresceu rápida e desordenadamente, as mais belas vistas estão comprometidas com favelas enormes, erguidas de maneira vertical e dificultando que a lei faça trabalhos efetivos para o combate ao tráfico de drogas que assola não só a cidade, como todo nosso país.

Altivos e impecáveis, ainda estão lá os Morros do Pão de Açúcar e do Corcovado, embelezando e atraindo sempre mais e mais visitantes a esta cidade do coração e de resiliência de um povo que a adora, sofre, trabalha, estuda, diverte-se, canta, ri, samba, vibra, chora e começa tudo de novo sempre.



A seleção de fotos abaixo, diz o que somos e como estamos passados 450 anos.





























quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Menina de trança



"Dois horizontes fecham nossa vida: 

Um horizonte, — a saudade ... 

Do que não há de voltar; 

Outro horizonte, — a esperança 

Dos tempos que hão de chegar;" 

Machado de Assis. 

E para inaugurar o ano, deixo uma de minhas crônicas, lembranças de um passado feliz e dourado.

Menina de trança


Aos 15 anos a garota 'não queria saber de nada com a hora do Brasil".
Este era o jargão empregado por alguns pais ou pessoas mais velhas daquela década dos 60 para reclamar dos filhos alienados, ligados nas novas descobertas e vertentes musicais. E era assim a maioria dos jovens, que viam o mundo por uma janela mais ampla que a de seus pais, mundo este que se preparava para eles, para abraçá-los, com uma revolução musical e de costumes.

A menina estudava, voltava do ginásio, almoçava e já colocava o vinil de um dos ídolos que mexiam os corações das mais românticas, e um deles chamava-se Antonio Marcos. Um bonito rapaz nos seus 24 anos, cabelos longos, barbinha rala, um pãozinho e com um repertório que até mesmo as mães cantarolavam uma ou outra música quando ele aparecia nos programas das tardes de domingo do Chacrinha.
O pai vivia reparando na menina e rosnando baixinho, só pra infernizar, no ouvido da mãe: -Se esta menina se perder, se acontecer alguma coisa, você será responsável!
Coitada da mãe e coitada da filha! A menina nem pensava em namorar a sério, mas sonhava com príncipes cabeludos e de guitarra nos ombros.

A garota era tão pura que dormia às vezes ouvindo seus vinis, nas tardes mornas do verão carioca, e quem a olhasse em seu sono tranquilo,não dizia que já tinha 15 anos e sequer merecia ser chamada de senhorita, tal era seu semblante infantil. Dormia impune, podia o mundo desabar e ninguém a despertaria dos sonhos dos seus 15 anos.

O bairro em que moravam, longe do centro da cidade, não tinha muitos recursos, apenas cinemas e praças com coreto onde, geralmente, tinha um ou outro show de cantores desconhecidos.

A mãe ouviu falar que num dia daqueles, haveria show com o cantor Antonio Marcos e tentou se informar direitinho, para levar a filha à praça na tarde marcada. 
Quando a menina soube que um de seus cantores prediletos iria se apresentar logo ali, pertinho de casa, teve até o sono interrompido por alguns dias e agitada pela expectativa do dia.

Enfim chegou a tarde tão esperada, nem era só a menina que estava ansiosa, a mãe também, porque lá no fundo, era fã do rapaz bonitão e também queria vê-lo de perto.

Partiram rumo à praça, um pouco depois do almoço, para poderem achar um lugar bem pertinho do centro do coreto para ver melhor o ídolo. Sentaram-se no gramado, a mãe comprou dois guaranás e pipocas, e lá ficaram, um tempão esperando. Lá pelas 16:30hs, a praça já tinha um número considerável de pessoas, na grande maioria, mulheres e meninas e às 17 horas anunciaram a chegada do cantor Antonio Marcos.

Chega ao centro do coreto, um cara baixinho, cabeça chata, usando um chapéu de couro esquisito e segurando uma enorme sanfona. Junto com ele, dois outros, igualmente parecidos, com instrumentos de acompanhamento. O apresentador diz: -Pessoal, temos a honra de receber aqui hoje, Antonio Marcos, o novo rei do baião!

A garota se levantou empertigada, bem típica de sua idade, e abriu um bocão em direção à mãe, já perturbada:
- Mãe, este não é o Antonio Marcos!
Uma dona sentada ao lado, rapidamente corrige: -É sim, este é Antonio Marcos de Jesus e canta muito bem as músicas do Gonzagão!
A garota sai correndo, desembalada, decepcionada e chorosa. A mãe desce a praça atrás dela, preocupada com a desilusão da filha e com o jantar do marido e dos outros dois filhos que a esperavam fazia tempo.

Que rei do baião nada! A menina nos seus quinze anos queria rock, queria baladas românticas, um pouco do soul de Hendrix ... e nada com a hora do Brasil.



E quem quiser conhecer ou relembrar o bonito, clica no vídeo abaixo:








segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Um novo tempo para mim e para você.




"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. 

Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. 
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez 
com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente... "


Texto da Revista Crescer sem atribuição de autor.

E como estamos condicionados neste calendário, apesar de não acreditar que tudo possa mudar só porque mudou o ano, pois é preciso muita força de vontade pessoal, de muito esforço e trabalho, de forças conjuntas de uma sociedade em prol do melhor para seu povo, enfim, são muitos os fatores que podem interferir na mudança, ajudando ou prejudicando.
Venho deixar meus votos sinceros e fraternais aos amigos do Blog Mãe Gaia, de que seja um novo ano renovado de esperanças e muita saúde e paz de espírito! 
Obrigada pela companhia de vocês em mais este ano!

"Ser feliz é encontrar força no perdão, 
esperanças na batalha, 
segurança no palco do medo,
amor nos desencontros.
É agradecer a Deus, cada minuto, pelo milagre da vida..."

Fernando Pessoa

(Facebook)










sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Das pequenas Mortes diárias


 Cristina Troufa; Acrylic, 2011, Painting "Pedestal

A noite passada eu vi novamente o filme A menina que roubava livros, porque eu queria prestar mais atenção em alguns detalhes da filmagem e algumas falas, principalmente as que o narrador, a Morte, diz nos momentos finais da história. A mais intrigante talvez seja esta: "Está aí uma coisa que nunca saberei nem compreenderei - do que os humanos são capazes."

Os humanos realmente são capazes de coisas que até a morte se surpreende ou duvida, como o incrível poder de superação e de resiliência de algumas pessoas. Algumas sofrem tanto no decorrer de sua existência, mas vão em frente, resistem, buscam o lado luminoso da vida, reagem com garra, otimismo e conseguem viver muito, como foi o caso da personagem do livro, a menina, que viveu mais de 90 anos para contar sua história.

Porém, há os que são fracos, os que morrem cada dia absorvendo a mente com poluições que só fazem mal ao corpo, pois se não tivermos um perfeito domínio sobre isto, adoecemos ou vivemos morrendo a cada amanhecer.
Por isso estou na tentativa de não ser assim, tento espantar fantasmas da mente, tento viver os dias lendo e buscando, através do otimismo, não deixar que se instale em meus dias, o lado negro e desagradável dos pensamentos, que às vezes insistem em matar-nos um pouquinho.

"Quando a morte conta uma história, você tem que parar para ouvi-la." - Esta é mais uma das frases incríveis deste filme/livro - Por esta razão trago abaixo, um texto absolutamente incrível e inspirador para todos nós, a fim de combatermos com garra nossas 'mortes diárias'.
O texto é de Roberta Simão e está no Site Obvious, que transcrevo abaixo:



Ensaio sobre nossas pequenas mortes diárias


Há um mistério que intriga a maioria dos seres racionais desse planeta: a falta de controle sobre a nossa morte. Intelectuais e poetas sempre manifestaram sua admiração por este tema. Enxurradas histéricas de novas invenções tecnológicas são nossas cúmplices no sentimento cego de poder e controle sobre todas as coisas. Juntas e tacanhas convivem a era do controle, a era touch, a era glass e tantas outras histerias tecnológicas, que nos fazem sentirmos capitães das fragatas nas ondas da internet e de nossas vidas.
O fato é que muita gente já morreu alguma vez e nunca desconfiou disso. Inclusive você, não obstante eu. Porque a gente morre quando levanta da cama e já corre para olhar o celular. Morre de monotonia, de inércia, de marasmo, de falta de sonhos e de sonhos não realizados. A gente morre de medo de por o dedo em riste na cara do próprio medo e de pegar a coragem e seguir caminhando.
Morremos de medo de trocar hábitos, de mudar de ideias, convicções, de ver as coisas por outra perspectiva e damos um repeat automático nos comportamentos viciados e ranzinzas. Morremos de medo de olhar para o espelho da consciência e encarar os olhos nada atrativos das verdades de nossa alma, pois os reflexos geralmente são indigestos e desagradáveis. Morremos de medo de colocar em pratos limpos as mazelas de uma relação corroída, mas sustentada, apesar do visível desgaste, devido à insistência do amor que já não é mais o mesmo, mas que poderia voltar a ser ainda melhor se fossemos viscerais e honestos com nós mesmo e com o outro. Morremos na reincidência infinita de conhecidos ranços e defeitos, dos outros, e nossos. Morremos quando não somos coerentes com o que sentimos.
Chico Buarque já cantava sobre o tema em sua música Cotidiano: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me acorda às 6 horas da manhã”. Também na música Construção: “Beijou sua mulher como se fosse lógico. Ergueu no patamar quatro paredes flácidas. Sentou pra descansar como se fosse um pássaro. E flutuou no ar como se fosse um príncipe. E se acabou no chão feito um pacote bêbado. Morreu na contramão atrapalhando o sábado”.


Na verdade, vivemos cercados de óbitos commoditizados, sem cara nem desejos. E não sabemos de que forma sair de tão grande e paraplégica falta de competência de atitudes. Morremos de frio na alma e de falta de verdades. De amor encoberto e não depurado pela falta de coragem e por excesso de orgulho. De afeto endurecido e estancado. De gentileza não manifestada numa fala que deveria ser doce. Morremos de egoísmo e de falta de sensibilidade. Morremos de silêncios e escapismos. Não botamos para fora o que não nos agrada por medo de julgamentos. Morremos de preconceitos, de inveja, de ódios e opilações de fígado. E juramos que esses sentimentos, totalmente anti-civilizados e sem elegância, se manifestam e pertencem apenas aos outros. Também se morre de arrogância, de presunção, de soberba. Morre também quem permite que a paixão morra no sexo e que faz amor fingindo prazer, como quem come um mil folhas com o nariz completamente entupido.
Muita gente também morre de mediocridade. Pessoas que não são capazes de reconhecer o valor e os grandes feitos do outro. Sem saber que esta atitude só demonstra sua fraqueza comissiva de alma e que a mediocridade anda de mãos dadas com inveja. Muita gente morre de orgulho e nunca pensa na possibilidade de ceder. Gente que nunca conheceu a grandiosidade do ato de perdoar, do conforto de um abraço de perdão e do discurso sem máscaras.
Urgente! É preciso ter coragem e força de personalidade para olhar para dentro de si e, identificar essas pequenas mortes diárias. Fazer delas o combustível para catarses existenciais que melhorem cada um como ser humano. Que nos possibilite ver e ter uma vida com mais honestidade, ética, sensibilidade, poesia, densidade e amor. Ter a coragem de trocar nossas pequenas mortes de cada dia por sobressaltos cheios de cores, beijos úmidos e risadas altas, prontas para ocupar os palcos de uma vida mais verdadeira e se refestelarem soltas ao sabor do vento sem nenhuma amarra ou máscara. Vida longa e muito amor a todos que se dispuserem ao desafio.