.....................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

quarta-feira, 16 de abril de 2014

E lá se foi mais um livro! 8o. BookCrossing Blogueiro



E mais uma vez a querida Luma Rosa capitaneando o BookCrossing Blogueiro, um movimento que leva cultura, desprendimento, alegria a quem encontra ou recebe um livro e mais do que isso, esperança de que nosso país desperte-se para a leitura e o conhecimento.

Este ano foi meio diferente a minha participação, pois ao conhecer uma mulher muito simpática, inteligente e que demonstrou vontade de ler tal livro, resolvi entregá-lo na sua própria loja que conheci no final de semana passado.  Conversávamos lá sobre filmes, os novos do Oscar deste ano, e eu falei a ela que já tinha visto quase todos, inclusive o baseado na história do Livro "A Menina que Roubava Livros", o qual gostei muito mais do filme do que do livro que eu tinha e que não consegui ir até o final, coisa quase impossível para mim, pois não gosto de deixar um livro pela metade.  No entanto, o filme me surpreendeu, me prendeu, superou minhas expectativas e acabei admirando o autor do livro. 
Ela, não tinha visto o filme e nem lido o livro e disse-me que adoraria ler o mesmo antes de ver o filme.
Pronto, ali estava minha próxima "vítima", pensei!  Na mesma hora enxerguei a oportunidade de realizar o desejo dela e ao mesmo tempo libertar mais um livro da minha estante.  Assim, deixei hoje, com um atendente da sua loja, sem que ela me visse,  o livro escolhido para a minha participação neste 8o.Book Crossing Blogueiro.
Imagino que ela tenha levado um susto ao abrir o mesmo e ler o que deixei escrito na contra-capa, pois deverá lembrar-se de mim, mas não saberá como encontrar-me, só se um dia eu lá voltar para efetuar uma nova compra em sua loja.

Como é gostoso este ato de dar, fazer outra pessoa feliz!  Participe você também, acesse o link do Blog Luz de Luma  e entre neste movimento bacana.


Fotos do livro que deixei e a dedicatória.












segunda-feira, 14 de abril de 2014

Wabi Sabi pra ser feliz.

Todas as coisas são impermanentes
Todas as coisas são imperfeitas
Todas as coisas são incompletas.(*)

No decorrer da vida, buscamos a perfeição, bobinhos somos, esquecemos que ela só está contida em Deus, somente Ele é perfeito. 

Como é difícil para nós aceitarmos e reconhecermos que nossas vidas são efêmeras e frágeis nesta tola condição humana!

Nem mesmo os mais maravilhosos tapetes persas são perfeitos, diz a lenda que sempre têm um pequeno erro no ponto, um defeito minúsculo, apenas para mostrar que só Deus é perfeito.


Aprendi há poucos dias o conceito budista chamado Wabi Sabi, você conhece?
A jornalista Adília Belotti, editora do site Árvore do Bem, traduz em poucas linhas o que é este conceito::


Wabi sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível. Na verdade, wabi sabi é um jeito de "ver" as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade.

Se não entendeu ainda muito bem como agir de modo Wabi sabi, veja esta historinha:

Contam que o conceito surgiu por volta do século 15. Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.

-Pinterest-

Tem gente querendo tanto que tudo saia perfeitinho, nos trinques, e isto só vai corroendo as forças, exaurindo os dias, matando as alegrias, não permitindo que sejamos felizes por completo. De certo, muitas das vezes só aprendemos isto com o tempo e experiência de vida, por isso estou passando este lembrete por aqui, pois tenho assistido pessoas que não têm se atentado para este detalhe da imperfeição humana.
Nada é perfeito, como já disse, somente Deus.

-Pinterest-


(*)-Leonard Koren.
_*_*_*_*_*_*_


Amigos, estarei viajando nestes próximos dias, mas pretendo visitá-los sempre que puder.  Desejo uma linda Páscoa a todos vocês e o desejo de que o renascimento seja pleno e alegre em seus corações.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Poesia nos muros da cidade.



Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.


Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

(Leminski)


Poesia é coisa séria, bonita, faz o mundo mais interessante e é recomendável a qualquer hora e em qualquer lugar.  Precisamos dela para entendermos com mais serenidade os dias. 
Uma das admirações que tenho por este poeta - Paulo Leminski - é a simplicidade com a qual emprega poucas palavras, e pode criar imagens encantadoras como essas dos versos acima.
Devíamos ler poesias em todos os cantos da cidade; nos pontos de ônibus, nos restaurantes, cafeterias, muros, edifícios ...
E, por falar em muros ou paredes, olhem que projeto incrível feito de 1995 a 2005 na cidade de Leiden na Holanda, famosa por ser a cidade dos estudantes.
Há espalhado por toda Leiden, pinturas de poesias do mundo inteiro. Nâo é coisa pequena, não.
São feitas em paredes enormes e estão no idioma original (alguuas têm uma pequena plaquinha com a tradução para o holandês).

E. claro, não poderia faltar, um brasileiro muito admirado aqui e lá fora:


Carlos Drummond de Andrade na Middelstegracht, nº 87:


 Em língua portuguesa, além de Camões, há também Fernando Pessoa:


 A de Jorge Luis Borges, poeta argentino:


A de Apollinaire, em francês;

 vários poetas holandeses, como J. J. Slauerhoff:

 o russo Aleksandr Blok:

O georgiano Shota Rustaveli:

O japonês Matsuo Bashõ

 o paquistanês que escrevia em urdu, Nasir Kazmi:










segunda-feira, 7 de abril de 2014

Um pintor, seu jardim e sua cozinha num belo livro.


Quem nunca ouviu falar do maravilhoso pintor impressionista, Claude Monet? Suas pinturas admiráveis são obras que nos transportam para a suavidade dos campos, da vida bem vivida, das cores das flores e das plantas em meio à natureza exuberante. Mas, poucos sabem que sua inspiração vinha do próprio lugar onde escolhera para viver com sua querida esposa. 
Ali, em Giverny, ele desenhou seu próprio jardim e com seu grande conhecimento de paisagismo, orientou para que ninféias e diversas outras plantas, flores e ervas, fossem colocadas de maneira estratégica a dar um verdadeiro show de cores e harmonia, levando a quem o visitasse a extasiar-se com tamanha beleza natural. O pintor dedica-se então a criar um ambiente harmonioso como a atmosfera de seus quadros e a oferecer almoços memoráveis a seus amigos famosos, como Clemenceau, Renoir e Cézanne.
Ele amava tanto aquele lugar que nem mesmo os convites de amigos ricos que moravam no exterior, em palacetes até, o atraiam e faziam-no sair dali, era em Giverny que ele pintava e era plenamente feliz.
A intimidade familiar e algumas particularidades do mestre são contadas em um livro lindo, que ganhei no meu aniversário, e que apresento aqui para vocês com algumas fotos que fiz do mesmo.


Monet gostava de boa comida e era exigente com os produtos e as peças servidas em sua mesa, tudo tinha que ter um toque de classe e graça, e apesar dele não cozinhar, nem mesmo chegar à sua bela cozinha de azulejos azuis, gostava que os pratos fossem preparados com maestria. Sua mesa tem por única ambição servir pratos maravilhosamente executados com os produtos da horta ou do galinheiro.


A família era apaixonada por corridas de automóveis e piqueniques. Por ocasião dos numerosos piqueniques são postas as mesas ao ar livre. Monet e sua mulher Alice decidiram morar no campo e não no interior.  Giverny não é uma casa de campo onde se vem descansar do turbilhão devorador da cidade grande, ela o completa na arte de viver e do pintar.


Esta era a mesa de domingo na exuberante sala amarelo-cromo. Todos os dias o almoço é serviço às onze e meia em ponto.


A vida ao ar livre era refletida em muitas de suas famosas telas. Delicadeza e familiaridade.


Os arranjos florais das mesas vinham do seu próprio jardim, agapantos, hortências, estrelinhas brancas sobre a louça azul cobalto.

Como não gostava de dormir tarde, Monet preferia receber as pessoas para o almoço.  Assim, no dia seguinte, podia acordar cedo e se entregar ao trabalho. Os dias luminosos da primavera e verão, o atraiam para seu jardim repleto de cantinhos românticos e delicados.

A partir da descoberta de seus cadernos de receitas, a historiadora de arte Claire Joyes pode reproduzir minuciosamente o estilo de viver e receber do artista. As receitas apresentadas neste livro, originalmente adaptadas pelo famoso chef Joël Robuchon foram transportadas para a nossa realidade com o cuidado do chef francês, Claude Lapreyre, radicado há anos no Brasil.

O livro À mesa com Monet nos leva a uma deliciosa volta ao passado, à Giverny da virada do século XIX, habitada pelo talento e o gênio de Monet.


Entrada da casa de Monet.
Google




_*_*_*_*_*_














domingo, 30 de março de 2014

50 anos do Golpe Militar, a Casa da Morte e eu quase entrei pelo cano.

-Facebook-

Em 31 de março de 1964 eu tinha recém feito meus 11 anos e, imaginem, não sabia de nada do que ocorria pelos bastidores da política e nem queria saber, afinal o meu mundo era cor de rosa, usava uniforme da rede estadual e meias três quartos com sapato boneca para ficar mais bonitinha. Eu odiava o tal sapato preto que era obrigada a usar, o nome era Sete Léguas da marca Vulcabrás e todos usavam, até mesmo as meninas, mas eu sempre gostei de andar na moda e ia com aquele sapato horroroso na mala, mas quando saia da escola, enfiava meus pezinhos no lindo sapato boneca de verniz preto que meu pai me dera de presente no aniversário daquele ano.

Os ares da ditadura militar começaram a ser sentidos nos anos seguintes, quando eu e todos os alunos da rede pública, como soldadinhos bem treinados, cantávamos com ufanismo e mãozinha no peito o Hino Nacional todos os dias antes de subirmos para as as salas de aula. Alternávamos com o Hino à Bandeira, Hino da Marinha, hino disso e daquilo, sem contar as aulas de Educação Moral e Cívica que tínhamos no curriculum escolar. No entanto, apesar de odiarmos aquela matéria, vejo que aprendemos muito com ela, e poderia ser até reimplantada nos dias atuais, de uma forma menos pragmática,  para que os jovens entendessem melhor o que são estas duas coisas na vida em sociedade.
Um dos lemas da época era este abaixo:  
ameooudeixeo-brasil
Meu pai era um pacato cidadão, trabalhador e confuso com a política, gostava de um tal de Carlos Lacerda, mas não era engajado a nenhum partido, não sobrava-lhe tempo para isto, pois tinha que alimentar uma família de 5 bocas num período difícil até mesmo para aqueles mais abastados. Embora não tivesse nenhuma relação com a política da época, sentíamos em casa que algo tinha mudado, não podíamos falar certas coisas em voz alta, nossos pais tinham medo que repetíssemos na escola o que poderia ser interpretado como conspiração e ele, meu pai, sempre dizia que isso ou aquilo a 'censura' não admitia. E eu lá sabia o que era censura?
Tava tudo muito legal pra mim e meus amigos. Os Beatles abriam caminho para uma música e postura mais descontraídas, nos domingos tinha a turma da Jovem Guarda e o máximo de irreverência que fazíamos era gritar 'Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo o mais vá pro inferno!" música do Roberto que impulsionou minha geração romântica e alienada.
Com o passar dos anos, descobrimos através das letras veladas de músicas dos festivas da canção, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gonzaguinha ... e aí uma luz acendeu lá dentro de nossas consciências, então cantávamos em coro "Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"
Entretanto, nos 20 anos que se seguiram depois de 1964, período que ceifou vidas, roubou mentes inteligentes, exilou, sequestrou, torturou, prendeu e arrebentou, matou tantos que poderiam dar o seu melhor para este país, restando, enfim,  um grande gap para todos nós que vivemos aquele período de chumbo, dali nada se aproveitou e os reflexos estão até hoje na democracia ainda engatinhando e agora em crise.

Nunca estive perto do perigo como tantas pessoas daquele tempo, mas um fato que me aproximou um pouco do horror daqueles dias, da maldade e da tortura que viveram os que reagiram à ditadura militar, foi 
já com a abertura, quando estive num dos calabouços deste horror, numa casa chamada "Casa da Morte", em Petrópolis e que, por pouco, não morei na mesma. A história é a seguinte:

Em 1992 meu marido veio transferido para o Rio de novo e não queríamos retornar à cidade, pois tínhamos filho pequeno e queríamos dar a ele a liberdade de morar num lugar tranquilo, numa casa espaçosa e que fosse próximo ao centro do Rio para ficar mais facilitado para meu marido se deslocar todos os dias.
Escolhemos então Petrópolis, cidade serrana dos meus amores, lugar onde fui feliz e tenho até hoje meus vínculos afetivos e uma casa à minha espera nos finais de semana.
Mas, na época, sem conhecermos bem a cidade e se iríamos nos adaptar ao clima, procuramos primeiramente uma casa para alugar e meu marido perguntou aos colegas de trabalho,  se conheciam alguém que tinha casa para alugar na serra.
No dia seguinte, um colega dele, se aproximou e disse-lhe que soube da sua procura e que tinha uma casa para alugar, justamente em Petrópolis. Deu a ele as chaves da casa e no final de semana, subimos a serra, eu, marido, filho e minha irmã para conhecermos a tal casa que estava uma pechincha no aluguel do momento.
No bairro de Caxambú, em meio à linda vegetação do que restou da Mata Atlântica, estava a casa branca de janelas avermelhadas, um muro alto com portão de ferro. Tinha vaga para uns quatro carros na garagem  e uma varanda aberta, debruçada para o verde das altas árvores e virada de costas para a rua principal, o que causava uma certa intimidade para quem estivesse dentro dela. Um lugar lindo, meio isolado e já começando a se cobrir de neblina naquela tarde de verão da serra, coisa muito comum nos lugares bem altos de lá. Os quartos eram amplos, bem decorados, suítes e confortáveis; lembro-me bem da suíte principal com uma cama enorme emoldurada por uma cabeceira em couro vermelho, a cozinha também ampla e o mais intrigante, dali partia uma escada que descia para o porão, meio escuro e que o marido foi na frente para acender a luz para que pudéssemos descer.
Não gostei nada daquela parte da casa, era meio úmido e eu só pensava que nunca desceria ali sozinha, pois tenho medo de escuro, mas o marido gostou, achou que poderia ficar à vontade naquele porão, mexendo na tão sonhada moto BMW que pretendia comprar para fazer as trilhas pela cidade. Minha irmã, talvez mais sensitiva, disse-nos que sentiu-se mal quando desceu aquele lugar, mas ela só falou isso muito depois que a gente contou pra ela o que tinha sido aquela casa no passado.
No dia seguinte, antes que meu marido entregasse as chaves para o colega dono da mesma, um outro colega o chamou em particular e contou tudo sobre a casa e o que ela tinha sido, a tal Casa da Morte, a casa onde os militares torturaram e mataram muitas pessoas naquele período triste da ditadura militar no Brasil. De uma certa forma, eu estive nos porões da ditadura um dia.
Conclusão: ele entregou as chaves ao dono e disse-lhe que eu, sua mulher, não gostou do local porque era meio distante do centro e que não era bem o que procurávamos. Ficou tudo assim acertado e resolvido, mas quando penso que entrei naquele lugar onde tantas almas foram torturadas e mortas, agradeci aos céus por ter nos livrado de ter alugado aquela maldita casa que, somente em 2012 foi finalmente desapropriada e criado ali o "Centro de Memória, Verdade e Justiça".

Não é uma data para ser comemorada e sim lembrada para que nunca mais se repitam atos insanos como estes sobre nós e à democracia tão duramente conquistada.


 A casa hoje, meio desgastada com o tempo.

-Casa da Morte-Google-



O depoimento da única pessoa que sobreviveu à casa, Inês Etienne Romeupermitiu, com a ajuda de amigos e jornalistas, a localização do imóvel e de seu proprietário, Mario Lodders, que emprestou a casa, em 1971, para o ex-interventor de Petrópolis, Fernando Ayres da Motta, que a cedeu para a repressão.
Veja mais aqui.





_*_*_*_*_*_*_






sexta-feira, 28 de março de 2014

À mesa como convém.


-Pinterest-

O momento da refeição familiar é, talvez agora em menor escala, a hora estratégica onde se opera há séculos a aprendizagem das boas maneiras.
Na minha infância era assim que os pais ensinavam os filhos, mesmo porque a gente sentava-se à mesa para as principais refeições do dia e cabia, principalmente à minha mãe, orientar estes códigos sociais.

- Lave as mãos antes de vir para a mesa!
- Sente-se direito menina, olha as pernas abertas!
- Tire os cotovelos da mesa!
- Menino, não fale com a boca cheia!
- Não faça barulho enquanto está comendo!
- Coma tudo que está no prato, lembre-se que tem gente que passa fome!
- Você tem os olhos maiores que a barriga, ponha pouco no prato, repita se quiser!
- Não ponha as mãos no alimento!
- Não coma de boca aberta!

Estes e outros ensinamentos pareciam mais com um adestramento de animaizinhos domésticos, mas era só o pai ou a mãe virarem as costas que nós, irmãos e cúmplices, agíamos como um animal dissimulado. Até guerra de bolinha com miolo de pão, fazíamos longe dos olhares críticos do meu pai que era o mais severo nestas questões sociais.
Meu pai não gostava que falássemos às refeições, ele é quem falava, contava coisas de sua infância e juventude, mas a gente só ouvia e comia, só levantávamos da mesa quando ele terminava. Eu o achava muito chato nestas horas, mas ficava na minha e respeitava, por outro lado as suas histórias eram sempre diversificadas e interessantes. 
Hoje, comemos entre nós aqui em casa e é, geralmente, um espaço de discussão, um espaço de troca, descontraído, mas sempre evitando conflitos nestes momentos. Aquelas regrinhas básicas e chatas, serviram para alguma coisa e assim passei para o filho, mas pegando leve e de acordo com os novos tempos, afinal eu aprendi lá na década de 60 que "era proibido proibir", e que seria bem mais inteligente colocar certas práticas gradualmente e sem traumas. 

Esta semana eu vi uma família de quatro componentes, os pais e dois filhos, comendo de uma maneira muito estranha no restaurante em que eu estava. A menina mastigava absorta e de boca aberta, sem olhar para o prato enquanto teclava no seu IPad, vez ou outra caia alguma coisa fora do prato. O menino quase não comia, reclamava de alguma coisa e choramingava, quem sabe querendo usar também o aparelho da irmã, mas tinha as pernas dobradas sobre a cadeira e comia as batatas fritas com as mãos, indolentemente, fazendo birra. Os pais, em frente a eles, não utilizavam de nenhuma orientação neste sentido para transformar aquele jantar em algo decente e agradável. O pai comia sem largar os talheres e a mãe não se impunha de maneira nenhuma, só mandava ele calar a boca e comer o que tinha no prato. Foi chato presenciar uma cena dessas!

Num certo momento de nossa civilização, perdemos estas e outras boas maneiras, e temos que aceitar a falta destas referências sociais de pais sem tradição ou que não dão mais importância a estes hábitos?  
Mas, como ficarão estes filhos sem a tal memória para o futuro desses momentos que poderiam ser relembrados e até mesmo sentidos com nostalgia, associando sabores, gostos, odores, os utensílios usados na casa da família, os gestos carinhosos, as conversas trocadas, lembranças e deleites!?

Não acho que seja normal para os dias atuais, proibir ou impor com rispidez e sem explicações às crianças de como deve-se respeitar certas regras que fazem parte dos costumes, afinal eles são bem mais inteligentes do que fomos em minha época, é bem mais necessário que os pais reforcem o sentido de transformarem seus filhos em seres respeitosos do espaço do outro e mesmo neste mundo tão ameaçado por tantas formas de intolerância e absurdos, antes de mais nada, a família perdura e ainda é a célula mater de nossa existência neste universo, portanto ainda vale a pena educar antes de irem para a escola, fazê-los se abrirem para o mundo e ao que os cercam, pois assim estarão colocando em primeiro plano os valores de autonomia e de adaptação, e ademais - é tão bonito ver uma família bem educada!

-Pinterest-




*_*_*_*_*_*_*







terça-feira, 25 de março de 2014

O que é bom para uns e a outros incomoda ...

-Tumblr.-
...
Chove.
A chuva chove molhada,
No teto dos guarda-chuvas.
Chove.
A chuva chove ligeira,
Nos nossos olhos e molha.
O vento venta ventado,
Nos vidros que se embalançam,
Nas plantas que se desdobram.
Chove nas praias desertas,
Chove no mar que está cinza,
Chove no asfalto negro,
Chove nos corações.
Chove em cada alma,
Em cada refúgio chove;
E quando me olhaste em mim,
Com os olhos que me seguiam,
Enquanto a chuva caía
No meu coração chovia
A chuva do teu olhar.

Ana Cristina Cesar

(1952-1983)



E é assim a vida, a chuva pode incomodar a uns e fazer acontecer o melhor a outros, como nesta poesia e no curta metragem O Guarda-Chuva azul, que conta a história de um guarda-chuva azul que se apaixona por um guarda-chuva vermelho. Na trama, é apenas mais uma noite de volta para casa quando a chuva começa a cair e a cidade ganha vida ao som das gotas que pingam nos canos, nos assobios dos toldos e no borbulhar dos bueiros. Em meio a tudo isso, dois guarda-chuvas— um azul, outro vermelho, se olham, se encontram — e se apaixonam para sempre. Ahhh o amor!


E porque hoje estou mais romântica que nunca.