.....................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Escuta o trem de ferro alegre a cantar..."

(Pode clicar, são apenas 4 segundos)

Em dias como hoje, friozinho, chuvoso e calmo, propício para rever fotos antigas, encontro-me aqui, perdida olhando as belezas da nossa terra, quase sentindo o cheirinho do bolo de fubá da pousada em Tiradentes nas Minas Gerais, dos caminhos de pedras, dos artesanatos e do trenzinho que sempre me aguarda nos trilhos quando eu lá vou. 

Ahh o trem de ferro, a Maria Fumaça! Aposto que muita gente ainda não andou num trem de ferro, as crianças e jovens então, talvez nem saibam o que vem a ser tal máquina!
Aquele apito estridente, jogando fumaça branca no ar, algo tão antigo, mas que toca os corações daqueles que o veem, sentem-se na alegria,  transportados para aquilo que inspirou poetas, fotógrafos, compositores. "Com o compositor Villa-Lobos virou música de orquestra: "O trenzinho do caipirira".  Com Adélia Prado virou poema: "Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida, virou só sentimento."  E, com Milton Nascimento virou canção: "Maria-fumaça não canta mais para moças, flores, janelas e quintais. . .".

E o que é um 'Trem de Ferro"?  Ninguém melhor do que um bom mineiro, nascido na Serra da Boa Esperança, sul de Minas Gerais, nosso querido Rubem Alves para dizer-nos. Vejam a descrição de forma quase infantil que ele fez sobre o trem de ferro, numa coletânea de suas memórias dedicadas às suas netas, mas que nos faz visualizar perfeitamente uma Maria Fumaça em pleno funcionamento:

". . . Meu pai não respondeu. Foi até a prateleira onde se encontrava a enciclopédia . . . Aí ele me mostrou fotografias de locomotivas. Mostrou e explicou.  Disse que eram feitas de ferro. Que eram muito pesadas.
Que suas rodas eram enormes.  De tão pesadas não podiam andar nas estradas comuns, de terra:  afundariam.  Andavam sobre trilhos de aço presos no chão.  Dentro delas havia uma fornalha com fogo aceso.  O fogo aquecia a água, presa dentro de uma caldeira.  Me explicou o que era uma caldeira. . . Uma caldeira era uma chaleira enorme que não deixava o vapor escapar.  O vapor preso ficava muito poderoso.  Tão poderoso que fazia girar as rodas da locomotiva. . . . Disse que o vapor, passando por um cano, fazia a locomotiva apitar.  O maquinista puxava uma corda para fazer a locomotiva apitar.  O apito era a buzina da locomotiva.  Quem estivesse sobre os trilhos que fugisse, pois a locomotiva não podia desviar.  Na cabina ficavam o maquinista, encarregado de controlar a locomotiva, fazê-la andar, frear, apitar.  E o foguista, que jogava lenha na fornalha, para que o fogo estivesse sempre aceso..  Engatados na locomotiva vinham os vagões onde ficavam os passageiros.  Da chaminé da locomotiva saíam brasas aos milhares, em virtude do fogaréu que havia lá dentro.  De noite era uma beleza!  Era como se dentro da barriga da locomotiva saíssem milhares de estrelas!  Mas era preciso ter cuidado.  Vez por outra uma dessas brasas entrava pela janela do vagão onde estavam os passageiros e ou fazia um buraco no terno de um homem ou iniciava um pequeno incêndio na cabeleira de uma mulher . . .   Por isso aqueles que viajavam de trem se protegiam com casacos chamados "guarda-pó", vestidos sobre os ternos, e usando chapéus ou bonés . . ."

E para terminar este post nesta tarde de agradáveis lembranças, uma música desse grande mineiro que ficará para sempre em nossas memórias e corações.  - Milton Nascimento e Boca Livre - Toada -.



Ô trem bão!





segunda-feira, 13 de maio de 2013

Uma imagem, 140 caracteres - 6ª Edição



Alguns acham que somente através das drogas ou da bebida pode-se criar. Ledo engano! Nada sairá de sua mente perturbada, a não ser a dor, o vazio e o prematuro fim.

Para saber como participar e conhecer o projeto, segue o Link.






domingo, 12 de maio de 2013

Oração das Mães

-Imagem Pinterest-
No dia de hoje deixo para cada uma de nós, mães desta querida blogosfera, uma oração que aborda o lado, às vezes um tanto quanto esquecido nesta relação intrínseca e imensurável de mãe e filho(s) __  o lado espiritual.


Oração das Mães

Que eu possa alcançar meu mais elevado e melhor potencial divino como mãe;
Que eu possa permanecer sempre amorosa e atenta, sem perder a mim mesma;
Que eu possa esculpir uma vida de amor e apoio para meu filho sem pressões, nem controle;
Que eu possa superar meus medos e limitações para ajudar a criar um lar onde convivam a magia e o encantamento;
Que eu possa “empodeirar” meu filho com amor;

E que eu possa sentir o círculo do amor me envolver e elevar meu espírito.

Amém!



Mimi Doe - autora do site http://www.spiritualparenting.com/
tradução livre de Adília Belotti.


Com todo amor do mundo desejo vida longa à minha amada mãe e à todas as amigas mães e suas mães.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mães, filhas e o Facebook

-Imagem Corbis-

À propósito da BC lançada pela amiga Norma com o tema Família e Impactos Tecnológicos, trouxe o  texto abaixo, da escritora Thalita Rebouças, que reflete o comportamento de muitos adolescentes em relação às suas mães também inseridas no mundo digital, mas que pela vontade deles poderiam permanecer invisíveis, não só na vida real quanto na virtual. 
Se você tem filhos adolescentes, com certeza, já terá passado por algumas situações semelhantes ou, prepare-se para passar.

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Todo mundo sabe que quando chega a uma certa idade  o adolescente (ou a criança, já que a infância está cada vez mais curta) tem um sonho muito definido em sua doce cabecinha:  que os pais sejam invisíveis _
principalmente na hora de buscar na escola, nas festas e nos sociais da atribulada vida infantojuvenil.

Outro dia, fazendo uma matéria com mães de leitoras  (devidamente acompanhadas das filhas), percebi que, em tempos digitais, a invisibilidade é muito almejada, talvez até mais que no mundo real.

__ Quantas vezes já disse para não falar comigo no Facebook, mãe? - perguntou a menina de 15 anos.
__ Mas é muito abuso, mesmo!  Falo com você quantas vezes eu quiser, garota!
__ Não pode! Já te expliquei mil vezes, no Face eu não tenho mãe! - argumentou a superfofa.
__ Ah, tem, sim!  Tem mãe no Face, no Twitter, no Orkut e na vida.
__ Ai, nem tenho mais Orkut, como você é desatualizada! - rebateu a filha, pouco antes de dirigir a mãe para a foto.
__ Esconde o braço na hora de fotografar, hein? Está muito gordo.

Outra menina logo se meteu também:


__ E você deixa o queixo paralelo ao chão, hein?  Nada de sair com papo no jornal.
__ Como vocês são carinhosas!  É muito amor, gente! - brinquei.  __ Pois eu acho, mães, que vocês não só podem como devem interagir com elas no mundo virtual.
__ Não, Thalita!  - chiou outra leitorinha. - Mãe no Face é mico.
__ Mãe é mico, ponto - disse outra.
__ E no Twitter?  Mãe é a morte!  Ela pede para todos os famosos me mandarem beijo.  E tem uns famosos que eu nem gosto!  - completou a terceira adolescente.
__ A minha mãe se acha engraçada na internet - condenou uma.
__ Pior a minha, que se acha amiga dos meus amigos - comentou a outra.
__ Mas os seus amiguinhos me amam;  o que eu posso fazer se eles me pedem em amizade?
__ Ai, que horror!  Eu não tenho amiguinhos e ninguém "pede em amizade"; que frase bizarra é essa?! - estrilou a filha.
__ Todos os seus amiguinhos querem ser meus amigos.  Eu sou a tia simpatia da turma, filha.  Você quer o quê?  Que eu recuse?
__ Claro. Fica amiga só dos seus amigos.
__ Ah, mas aí não tem graça.  O bom é bisbilhotar o que vocês andam dizendo na internet - argumentou outra mãe.
__ Mas a gente não é criança para ser vigiada!  - chiou a mais novinha do grupo.
__ Voxê vai xer xempre a minha quianxa . . . - implicou a mãe, muito bem implicado.
__ Ai, mãe, fala sério!  - reclamou a quianxa.
__ Pior é a minha mãe, que no Facebook e no Twitter é @DivaSuzana.
__ Mas eu sou uma diva.  Diva da paciência, porque aturar filha adolescente não é mole, não.

E assim, entre farpas e risos, deu-se a foto, a entrevista e a certeza de que ser mãe é mesmo padecer no paraíso.


Thalita Rebouças
jornalista por formação, autora, entre outros, 
da série "Fala sério", tendo vendido mais
de um milhão de exemplares.

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