.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

terça-feira, 22 de março de 2011

Mil e uma Utilidades

(Seu "Coisa" é a fantasia do Daniel, lá em cima de bigode e óculos escuros,  com sua turma no Carnaval do Rio este ano)


O texto abaixo é de Francicarlos Diniz, Revista Língua Portuguesa 12/2006 e pode servir de esclarecimento para amigos portugueses ou de outros países de mesma língua que a nossa, pois o substantivo "COISA" assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações do cotidiano brasileiro.




A palavra "coisa" é um bombril do idioma.  Tem mil e uma utilidades.  É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma ideia.  Coisas do português.

A natureza das coisas gramaticalmente, 'coisa' pode ser substantivo, adjetivo, advérbio.  Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma 'coisiificar'.  E no Nordeste há 'coisar':  "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?"

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado.  Já as 'coisas' nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio.  "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego).  Na Paraíba e em Pernambuco, 'coisa' também é cigarro de maconha.  Em Olinda, o bloco carnavalesco "Segura a coisa", tem um baseado como símbolo em seu estandarte.  Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado/Que eu chego já".(...)

Na literatura, a 'coisa' é coisa antiga.  Antiga, mas modernista. Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943.  A Coisa é título de romance de Stephen King.  Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem.  Menos o trem, que lá é chamado de 'a coisa'.  A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

Mas que coisa!?!
Polivalente, 'coisa' é uma palavra-objeto que encontra as mais diversas serventias no cotidiano, da política à música popular, das drogas ao sexo.

Devido Lugar
"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)", a garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro.  "Mas se ela voltar/Que coisa linda/Que coisa louca."  Coisas de Jobim e de Vinícius, que sabiam das coisas.
Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo:  pode ser masculino ou feminino.  Coisa ruim é o capeta.  Coisa boa é a Juliana Paes.
Nunca vi coisa assim!  Coisa de cinema!  A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico.  Extraído dos quadrinhos, na Tv o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70.  E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus".

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, 'coisa nenhuma' vira coisíssima".  Mas a "coisa" tem história na MPB.

No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras:  Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração/pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar/cantando coisas de amor")(...)

Cheio das Coisas
As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas.
Tem coisa que a gente não tira do coração.  Todas essas coisas são títulos de canções intrepretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas.  Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coias.  Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas").  Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("Ô Coisinha tão bonitinha do pai").  Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal.  "Esse papo já tá qualquer coisa . . . Já qualquer coisa doida dentro mexe."  Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora de ordem."
(. . .)
Coisa à Toa
Se você aceita qualquer coisa, logo se torna uma coisa qualquer, um coisa-à-toa.  Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa.  Eu sou a coisa, coisamente."  E, no verso do poeta, 'coisa' vira 'cousa'.

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas?  Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas.  Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.  Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas".  Entendeu o espírito da coisa?

Se não entendeu, desculpe qualquer coisa.









O olhar e o sorriso

(Corbis)


Há coisas que acontecem com a gente que depois nos pegamos a lembrar em como tudo se desenrolou, e o pensamento remete a um pequeno sorriso no canto da boca,  talvez de felicidade e esperança de que o mundo ainda é um bom lugar para se estar.

Quando você manifesta através de seus atos, a verdade em que vive, a base, os conceitos e ensinamentos que teve lá, no berço, com sua mãe quando era pequeno, depois na escola e na própria vida, receber um agradecimento junto com um olhar de admiração é simplesmente ganhar o dia e constatar que tudo valeu a pena.

Somente porque eu não aceitei o troco errado que a mocinha da cafeteria me deu.  Era a mais e eu não poderia ficar indiferente diante daquilo, porque não fui forjada no aço sujo daqueles que se calam ou roubam de seus próprios conterrâneos, irmãos e trabalhadores.  Não foi assim que me ensinaram um dia. Cinco reais a mais para ela tem um peso muito grande no final do dia e um peso maior ainda na minha consciência na hora de pousar a cabeça no travesseiro.

Tal olhar direto e a voz séria ao me agradecer, expressando o quanto importante foi aquele momento para ela, talvez a salvação de seu emprego, ficaram em meu subconsciente e só agora é que pude formar todo o desenrolar daquela cena e o que representou para ela e para mim também.

Obrigada, mãe!



segunda-feira, 21 de março de 2011

Outono e um sopro de alegria

 (Google)

A semana começa com a brisa de nova estação no ar, o Outono que vem amenizar os dias e noites tórridos do verão carioca.

Fui ver a lua enorme e brilhante nesta noite agradável e fresca.
(Foto por Beth Q.

A lua sempre me atraiu, gosto de encará-la, fico hipnotizada por ela, parece que realmente tem um feitiço sobre nós, pequenos e insignificantes seres humanos.
E olhar a lua nos deixa um pouco românticos ou nostálgicos, lembramos de coisas boas do passado, como quando éramos crianças e nestes dias de lua cheia minha mãe vinha sempre com as estorinhas criadas por ela, sobre lobisomens ou mulas sem cabeças.  Coisas das Minas Gerais. Nós, os filhos, ouvíamos e depois íamos lá no quintal dar uma espiada na lua que iluminava o pátio com sua luz prateada e magnetizante.
Logo em seguida era hora de ir pra cama e aí é que ficava estranho pro meu lado, porque a estorinha aumentava de tamanho na minha cabeça infantil, tanto quanto a imensa lua lá fora brilhando e então eu recorria à minha parceira de quarto, corajosa, destemida e irmã caçula que, depois de algumas gozações com a minha cara, deixava eu dormir agarrada com ela.

Nesta segunda feira, dia 21, primeiro dia de outono, minha irmãzinha caçula faz aniversário e gostaria imensamente de estar com ela e dar-lhe um beijo e um abraço, no entanto não será possível desta vez, mas queria deixar aqui registrado meu eterno carinho e amor pela minha parceira daqueles momentos difíceis e alegres de nossas vidas.
(minha irmã Rosane)

Quero aproveitar e lembrar aos amigos blogueiros que hoje também, no programa Hoje em Dia da rede Record, a querida Barbrinha do Blog Uma Mãe das Arábias será a estrela, juntamente com seu lindo filhotinho Kassem.  Ela é uma pessoa muito interessante, divertida, engraçada e determinada.  Não percam, hoje a partir de 9:30hs!

Barbrinha Das Arabias
(Barbrinha)












domingo, 20 de março de 2011

Proposta relax



Cantinho Zen 
Faça você também.
Coisas simples: algo aromático, incenso e incensário, velas perfumadas ou normais, flores,
mandala, bule para chá verde, uma fonte de água.
Ou, se preferir, clique no áudio acima e fique à vontade através da imagem.
A semana não foi fácil, portanto . . .
Sente, olhe e relaxe!
Bom Domingo!








sexta-feira, 18 de março de 2011

A Mãe Gaia agradece






Lembram que noutro dia falei aqui sobre o descarte de nosso lixo eletrônico e que eu nem desconfiava o que poderíamos fazer com ele, nem para onde ele vai se o jogarmos diretamente na lixeira?

Pois bem, São Paulo, esta megalópole que nunca pára e que é o orgulho nacional do Brasil, mesmo diante das complicações e tragédias urbanas de uma cidade de seu tamanho, abriga centenas de iniciativas exemplares, além da cultura sempre borbulhante.  
E é lá que nasceu a idéia deste site, da empresa CIDADÃO ECO, que há mais de um ano coleta gratuitamente o lixo eletrônico, bastando que qualquer pessoa que more em Sampa, se cadastre e agende a coleta. A empresa se compromete em recolher computadores, mouses, telefones sem fios e celulares, fios e todo tipo de eletrônicos que você está guardando no fundo da gaveta (como eu).


Então, se você mora em São Paulo, quer cuidar com responsabilidade do meio ambiente e de nossa Mãe Gaia,  pode ficar com a consciência tranquila a respeito disso, basta acessar o site - http://cidadaoeco.com.br.


Agora é só esperar que a idéia se alastre por todo país. Torçamos para isso.











quinta-feira, 17 de março de 2011

Para você, amiga.



Para minhas amigas, mulheres, mães, filhas, avós, a todas nós enfim, que estamos nos preenchendo neste momento e até mesmo a partir do modo pelo qual nos formamos antes que cheguemos a envelhecer muito. Não importa quanto tempo tenhamos vivido, mas podemos começar desde já a nos preparar para a travessia que nos levará ao poder que contém a velhice e a sabedoria que adquirimos com a idade madura.



Apesar de nossos apegos atuais,
nossas mágoas, dores,
choques, realizações, perdas, ganhos, alegrias,
o local que almejamos é aquela terra psíquica
habitada pelos velhos,
aquele lugar onde os humanos ainda são 
tão perigosos quanto divinos,
onde os animais ainda dançam,
onde o que é derrubado 
cresce de novo,
e onde os ramos
das árvores mais velhas
florescem por mais tempo.
A mulher oculta
que preserva o estopim dourado
conhece esse lugar.
Ela conhece.
E você também.




Do livro A Ciranda das Mulheres Sábias - Clarissa Pinkola Estés - pág.84






quarta-feira, 16 de março de 2011

Esperança e Força para este momento difícil



Nestes dias em que assistimos assombrados às notícias tristes sobre as enchentes no sul e sudeste do nosso país, perdas e dor, assim como as mortes e destruição de tantos nas cidades do admirável Japão, vendo e ouvindo tudo isso, sem muito como poder ajudar, falar de afeto e esperança é o que devemos, a fim de levantar o moral dessas pessoas tão drasticamente atingidas.
  
Certa vez, perguntei ao meu amigo japonês lá na serra se tinha mendigos no Japão e sua resposta foi simplesmente esta:
- Não, não temos mendigos jogados na rua como facilmente vemos no mundo ocidental, porque o japonês cai sete vezes, mas  levanta-se oito. Depois soube que este é um antigo provérbio japonês muito usado para expressar a força desse povo milenar.


Então, ofereço estas flores que nasceram lá em casa e que vieram direto do Japão, trazidas em pequenas raízes, escondidas numa caixa de maquiagem que a esposa do amigo japa colocou  na bagagem e que brotam hoje, tão distante, como um símbolo a nos lembrar que tudo nasce e floresce de novo, basta que tenhamos amor e dedicação.  


E o texto abaixo, dedico a todos aqueles que estão envolvidos de perto  neste momento difícil, torcendo muito para que tenham Força, pois o exemplo do povo japonês, desde sempre, deveria ser seguido por todos nós.





Levante-se e comece de novo!
“Ninguém pode dizer que nunca experimentou fracassos na vida. A vida significa altos e baixos: às vezes você está no alto e às vezes está em baixo – nunca é a mesma coisa. O essencial é que se deve lutar o tempo todo, quaisquer que sejam os resultados. Você tem de continuar sua luta mesmo após um sucesso, pois sempre é possível aperfeiçoar o sucesso obtido. Tente sempre fazer algo melhor ainda e nunca diga que já fez o suficiente. Não há nada melhor do que o sucesso.
O que você realiza externamente pela sua luta pode ser importante, mas o que você realiza internamente, isto é , em relação ao seu caráter e personalidade, é ainda mais relevante. Por isso é essencial que você continue lutando mesmo quando alcançou o que desejava. Um eventual fracasso não é motivo para desistência.
Mesmo que você falhe repetidamente, deve continuar lutando até o último alento. O Gita ensina que devemos trabalhar sem nos preocupar com a recompensa: o próprio trabalho é a sua recompensa e não existe nenhuma outra a ser buscada. Qualquer eventual recompensa será meramente incidental. A recompensa é um incentivo, mas ela pode revelar-se ilusória e pode até vir a desencorajar esforços posteriores. Por isso o trabalho é mais importante que a recompensa.
“Cuide dos meios, que o fim cuidará de si mesmo”. Ou seja, dê o melhor de si: essa é a única coisa que você pode fazer e é também o único segredo para o sucesso. O fato de você se esforçar ao máximo não é garantia de sucesso. Também aprendemos no Gita que não devemos trabalhar levados por nenhuma ilusão quanto aos resultados de nossos esforços. Pode ocorrer que o sucesso não venha, apesar de tudo o que você tenha feito; mesmo assim, você deve continuar lutando, pois é desse modo que sua força interna se desenvolve, e isso é muito mais relevante do que aquilo que almejava ganhar externamente. O que conta é a experiência que se adquire pelo esforço continuado. Você pode fracassar aqui e ali, mas isso é um preço muito pequeno comparado ao que ganha em termos de personalidade: seu discernimento se desenvolve, sua visão fica mais clara, você se torna mais forte e corajoso, uma pessoa infinitamente melhor em todos os aspectos. Visto desse modo, o ditado “O fracasso é o pilar do sucesso” faz sentido. Nunca desistir diante dos fracassos: essa é uma das lições do Gita.
O verdadeiro teste de uma pessoa ocorre quando ela é confrontada com a adversidade. Quando tudo é favorável fica fácil seguir em frente; mas persistir quando há dificuldades, quando se é vencido pela falta de sorte, requer muita coragem. Os hindus acreditam que é possível desenvolver uma grande força interior capaz de desafiar todas as forças hostis internas e externas, de modo a perseverar rumo ao objetivo com incansável dedicação. Um modo de construir tal força é pensar que a vida é um esporte e a regra do jogo é que, aconteça o que acontecer, devemos sempre seguir em frente, aceitando na corrida tanto o sucesso quanto o fracasso. Não deixe nada ao acaso, conte apenas com seu próprio esforço. O covarde se detém diante das dificuldades; o corajoso as recebe com prazer porque deseja medir forças com elas. Ousar sempre e nunca temer as dificuldades é a lição mais importante a ser lembrada.”
Swami Lokeswarananda, Pratical Spirituality-fonte aqui





terça-feira, 15 de março de 2011

Quando o chefe não é chefe





Descobri nesta sexta-feira um genial reality show pelo canal GNT a cabo, e digo-lhes que nem se compara a este lixo televisivo que a Globo insiste em colocar no ar todos os dias e que Pedro Bial  chama de heróis seus participantes.


O programa em questão é o Undercover Boss e muito interessante, pois a cada semana o dono ou presidente de uma grande companhia americana, sai de suas salas confortáveis e refrigeradas e se disfarça de empregado em sua própria empresa, tendo assim a oportunidade de descobrir e tentar resolver problemas que somente podem ser percebidos por quem está ali com a mão na massa, mas que foram causados por decisões dele e de seus conselheiros no ato de suas administrações.

O programa desta semana mostrava o Presidente de uma enorme e luxuosa rede de hotéis americana que ao se passar disfarçado por um simples funcionário em um cargo menos qualificado de um desses hotéis, passa a conviver de perto com a realidade de seus funcionários, o que eles enfrentam no seu dia a dia, o que aspiram e até mesmo o que sonham.  Então ele coloca algum disfarce, como um novo penteado ou barba, junto com um  vestuário propício e pronto. Chega ao setor e é logo apresentado ao seu novo chefe e equipe. As câmeras não são escondidas, alegando-se que as imagens serão aproveitadas para um próximo treinamento.

Imaginem um alto executivo fazendo o trabalho de um reparador predial, arrumando um telhado quebrado, subindo e descendo, andando de um lado pro outro em grandes distâncias num mesmo dia para consertar coisas e tudo isso a pé, debaixo de sol ou chuva.  Assim como,  fazendo o trabalho de camareiros, arrumando, dobrando, limpando dezenas de quartos e banheiros por dia e tudo rapidamente e bem feito.  Claro que ele se viu enrolado muitas vezes, afinal não tinha preparo físico para tais 
funções e estava sempre esbaforido e cansado no final do dia.


No final de cada episódio, o chefe revela a sua verdadeira identidade e premia alguns dos funcionários com promoções e aumentos. Já outros, não tão bem avaliados, recebem mais treinamento e melhores condições de trabalho.


Fiquei pensando como as pessoas ao subirem na hierarquia das empresas, tendem a distanciar-se de seus subalternos, de seus clientes e fornecedores.  Reuniões, viagens e eventos fazem parte da rotina desses altos funcionários e com isso perdem a noção de como a coisa, lá na ponta, realmente funciona.  Neste momento ele avalia também as metas, a produtividade e o crescimento da empresa, através do comportamento de seus funcionários envolvidos neste processo.


Muitas vezes é preciso mudar de posição para enxergar com nitidez as oportunidades de melhoria que existem nas empresas, pois a essência do sucesso está nas mãos de quem faz, afinal as mesmas nada são  se não puderem contar com uma equipe entusiasmada e comprometida.  


Tomara que um dia este programa americano seja filmado aqui no Brasil e aí, cuidado, seu colega de trabalho poderá ser o tal 'chefe espião'!










*Undercover boss - O chefe espião: reality exibido no canal GNT por assinatura - sextas feiras às 22:20hs.







Fases da minha Vida - Blogagem Coletiva



Estão vendo esta moça de lábios carnudos aí em cima, sou eu, aos 32 anos, uma fase incrível na minha vida, talvez a mais importante, num dos intervalos de amamentação logo após o nascimento de meu filho Daniel Ely em janeiro de 1985.

Pois é, tive meu filho aos 32 anos de idade, dois anos após ter me casado, pois queria curtir um intervalo de tempo com meu marido, interagir, conhecer melhor,  como é quando a gente junta as escovas de dentes definitivamente e para sempre até que a morte nos separe.

Naqueles tempos, eu ainda trabalhava fora e fui assim até meu bebê completar 8 meses e meio na barriga, só parando quando ele nasceu para entregar-me de corpo e alma neste projeto lindo e sublime de ser mãe.

E sabem, eu não fui criada nem direcionada para o casamento e nem para  ser mãe, mas sim para estudar e trabalhar fora, ser uma mulher independente , coisa que minha mãe não teve oportunidade nem tempo, logo
vieram os filhos e o trabalho de casa que absorveu-a durante toda a vida.

Mas, voltando à foto, a esta imagem de moça  que vocês estão vendo e que eu não via e que não achava nada legal, estava à beira de uma depressão,  mesmo ouvindo do marido e dos amigos que não aparentava ter aquela idade que eu estava ótima, não adiantava, nada disso me convencia, porque lá dentro da minha cabecinha eu era velha, principalmente por ter tido um filho naquela idade toda – 32 anos – imaginem só!

No dia em que meu marido fez esta foto eu estava meio sonolenta, nem queria ser fotografada, lembro-me bem, porque o Daniel não dormia a noite toda, sempre chorando de fome e eu não fazia outra coisa na vida a não ser pensar em alimentá-lo e fazê-lo ficar satisfeito, consequentemente engordá-lo que era o meu maior sonho, já que tinha uma vizinha no apartamento ao lado que havia tido neném quase na mesma data que eu e o  dela, só engordava e dormia como um porquinho feliz e rosado.
Então, eu vivia chorando junto com meu filho e naqueles idos não tinha esse monte de dicas dadas pela TV ou por revistas, como é o caso da tal
Encantadora de Bêbes que tem pela televisão e por livro, facilitando a vida das jovens mamães hoje em dia.

Para completar esse estado de ansiedade e canseira, meu marido havia recebido um convite super interessante e vantajoso para trabalhar em outra cidade e a gente tinha comprado um apartamento novinho e mobiliado com carinho, tudo bonitinho, escolhido a dedo e teria que deixar tudo isso.  Mas, tínhamos que seguir o que o futuro prometia e que, na verdade, era promissor.  Afinal, era a idade das realizações e não se deve desperdiçar esse tempo.
 
Só que ele foi antes e ficou uns três meses indo e vindo nos finais de semana, até achar um outro imóvel para levar a nós dois, sua pequena grande família.
Nesse ínterim, ficava com o filhote durante a semana e não dormia direito, sempre nas tentativas de todas as maneiras de amamentá-lo com saciedade, mas não sei se por causa desta minha ansiedade toda, da mudança em nossas vidas, dos palpites que ouvia de um lado e de outro da família me atazanando, tanto para enfiar logo uma mamadeira bem cheia no biquinho dele ou então que eu não desanimasse e continuasse com o peito, pois era a melhor forma de se alimentar um bebê.  Era pitaco demais na minha vida!

Enfim, o que me resgatou disso tudo e, parece incrível, resultando na  solução imediata para este e outros probleminhas, foi a nossa ida para a tal nova cidade, longe de tudo e de todos, onde fomos então uma família, - papai, mamãe e filhinho – ficando assim mais unidos, desfrutando do prazer de morar numa cidade pequena e em crescimento, tranquila, onde fizemos novos e bons amigos que até hoje nos relacionamos.  Desse modo, pudemos fazer do nosso casamento um relacionamento sólido e amoroso, tudo o que uma mulher sonha, mesmo involuntariamente.

Hoje, olhando esta foto que achei no baú de fotografias em Petrópolis, vejo que eu era tão jovenzinha, que tinha ainda tanta vida e era saudável e que não fosse minha tolice e medo de engravidar novamente, poderia ter tido mais um ou dois filhos até, já que meu casamento só foi progredindo, tanto financeiramente quanto em amor.  Eu não sabia que teria ao meu lado alguém tão querido, tão precioso, tão cuidador, amigo e amante nestes 28 anos de casados.

Escrevo para incentivar a você que me lê e ainda não se decidiu a ter um filho, talvez por se achar velha quanto eu me achava, nada disso! Não desperdice nenhuma fase de sua vida. Muitas mulheres atualmente têm seus filhos a partir de mais de 30 anos, algumas até com 40 e poucos, priorizando o trabalho e suas realizações profissionais e, claro, tudo isso foi a partir de um processo de desenvolvimento técnico da Medicina, com bons exames e análises que propiciam mais segurança para as mulheres realizarem este maravilhoso sonho.  Procure seu médico e exponha suas ansiedades e sonhos neste sentido.

Boba eu, né!  E diz aí, eu tinha a boca mais bonita do que a Angelina Jolie, não acham?




-Este post faz parte da Blogagem Coletiva - Fases da minha Vida - que a amiga Rosélia está promovendo hoje na Blogosfera.

(Com o filhote no parquinho-1986)








segunda-feira, 14 de março de 2011

Ruazinha em Lisboa - Blogagem do Dia da Poesia



(Vídeo por Beth Q.)


Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...


Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, Poema III, in Obras de Fernando Pessoa, vol. I, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1986



Escolhi este vídeo que fizemos da viagem à Portugal em 2009 porque esta simples ruazinha, iluminada pelo sol e o canto do pássaro, são coisas que ficaram em minha memória e me agrada rever, e é isso que gosto mais de observar quando viajo. Coisas simples do cotidiano, mas que marcam o meu espírito e chamam minha atenção, simplesmente por que sou parecida com este poeta de alma camponesa que só tinha olhos para a natureza e de onde buscava a força inspiradora que a Mãe-Terra transmitia e que lhe oferecia.  [Talvez eu seja, lá no fundo do meu íntimo, uma simples camponesa revestida de ares citadinos.]

Conheça Cesário Verde aqui.


Este post faz parte da Blogagem Coletiva sugerida pela Glorinha e Lu Souza para celebrarmos juntos o Dia da Poesia.









sexta-feira, 11 de março de 2011

Com o olhar mais aguçado no mundo

(Mandala do meu cantinho Zen)


Descobri que gosto muito de fotografias e fotografar.

Tenho especial admiração por fotógrafos que conseguem chamar a atenção para problemas sociais com seus trabalhos competentes e talentosos.  Aqui mesmo na blogosfera já conheci alguns, como a Grace Olsson e seu trabalho solidário com as crianças  na África, suas lindas fotos e aventuras incríveis para fotografar o melhor ângulo em diversos países por este globo afora.

Ando na verdade apaixonada por fotografias e acabei de ganhar de presente uma nova máquina de modelo Canon como esta abaixo, mas estou na fase de adaptação e entendimento deste objeto que tanto queria.

(Canon PowerShot SX30 IS)

O que eu pretendo mesmo é documentar, contar histórias com minhas imagens, quer sejam bonitas, poéticas, líricas ou as que possam levar as pessoas à reflexão de assuntos pessoais ou sociais.

Nesta foto abaixo retratei o pequeno jardim que nosso vizinho japonês plantou em frente à sua casa.  São flores singelas, mas cultivadas sempre com esmero e grande entendimento de jardinagem e solo que nosso amigo executa a cada nova estação, e como são flores de relativa perenidade, fiz questão de começar este meu primeiro ensaio fotográfico, captando o trabalho carinhoso de mãos que ajudam a embelezar o mundo.  

(Tagets amarelos)

A simplicidade de certos momentos pode render imagens doces e expressivas e a gente nem precisa ser um grande profissional, basta ter o olhar atento para as coisas que trarão boas recordações desta vida. Um caminho de pétalas de flores, por exemplo.

(Caminho de subida de minha casa)

















Elegia


Muito se falou neste Dia Internacional da Mulher, mas o que mais me chamou a atenção foi a descoberta desta música abaixo, de Caetano Veloso, na voz de Simone. Um verdadeiro poema
dedicado à alma feminina. 
Ouçam e leiam como é linda:

Elegia

Caetano Veloso


Deixa que minha mão errante adentre
atrás, na frente, em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la