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segunda-feira, 14 de março de 2011

Ruazinha em Lisboa - Blogagem do Dia da Poesia



(Vídeo por Beth Q.)


Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...


Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, Poema III, in Obras de Fernando Pessoa, vol. I, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1986



Escolhi este vídeo que fizemos da viagem à Portugal em 2009 porque esta simples ruazinha, iluminada pelo sol e o canto do pássaro, são coisas que ficaram em minha memória e me agrada rever, e é isso que gosto mais de observar quando viajo. Coisas simples do cotidiano, mas que marcam o meu espírito e chamam minha atenção, simplesmente por que sou parecida com este poeta de alma camponesa que só tinha olhos para a natureza e de onde buscava a força inspiradora que a Mãe-Terra transmitia e que lhe oferecia.  [Talvez eu seja, lá no fundo do meu íntimo, uma simples camponesa revestida de ares citadinos.]

Conheça Cesário Verde aqui.


Este post faz parte da Blogagem Coletiva sugerida pela Glorinha e Lu Souza para celebrarmos juntos o Dia da Poesia.









26 comentários:

Pitanga Doce disse...

Ai Beth, que maldade! E logo em 2009? Também andaste pelas vielas do Porto?

Saindo de fininho...

Cris França disse...

Ai Beth, hoje o dia promete ser cheio de belos momentos como este. bjs

chica disse...

Que delícia de ver !Lindo,Beth!Ótima participação e semana!beijos,chica

Cacá - José Cláudio disse...

E não é à toa que o Caieiros disse que "o meu olhar é nítido como um girassol."
Que escolha mais feliz e maravilhosa para a homenagem, Beth. Meu abraço. Paz e bem.

Misturação - Ana Karla disse...

Beth há lugares que por mais simples que sejam, são lugares que marcam para sempre.
Eu, as vezes até penso em alguns que me marcaram, mas nunca saberei explicar o por que.
Portugal, que chique!
Xeros

pensandoemfamilia disse...

Que delícia! Parabéns por sua sensibilidade que transborda como poesia. Há poetas na alma e não apenas em palavras.
bjs

Lu Souza Brito disse...

Oi Bethinha, bom dia.
A simplicidade da rua com o canto dos pássaros traz mesmo uma mensagem de saudade, do campo, da vida em liberdade.
Amei a poesia e o video. Obrigada por sua participação.
beijos

lolipop disse...

Bom dia Beth!

Sabe que essa ruinha parece um rua de Aveiro, a cidade onde vivo?

Uma escolha duplamente bela, Caeiro e Cesário.

Uma simplicidade rupestre que casa muito bem com vc!

Beijos muito carinhosos!!


PS Adorei o vídeo!!!!

Cantinho She disse...

Minha querida, que participação mais original, AMEI! E que lugarzinho gostoso e tranquilo, adoro!
Amei tudo, parabéns pela participação!
Beijo, beijo! ;)
She

orvalho do ceu disse...

Olá, Beth querida
Gostei muito do modo de ser do que embalou sua poesia... ele era transparente... muito bonita a sua escolha...
ANDAR NA CIDADE COMO QUEM ANDA PELO CAMPO... não se pode matar a essência do ser humano...
Hoje vai ser um dia de muita ternura...
Tenha um dia cheio de sentimentos poéticos!!!
Bjs festivos pelo dia de hoje

Élys disse...

Oi Beth
Como é bom ser simples!...
Gostei muito desta sua participação.
Beijos.

Glorinha L de Lion disse...

Ai que saudades me deu de Portugal! De suas ruas, de sua gente, de seu sotaque. As lembranças que guardo de lá são tb impossíveis de esquecer...Um dia, sei que voltarei lá para abraçar meus amigos portugueses e caminhar pelas ruas cheias de estórias e história, beijos,

Cucchiaio pieno disse...

Que ruazinha mais gostosa, parece com as que temos aqui na Itália!
Bjos
Léia

Maria Célia disse...

Boa tarde, Betty
Muito bacana sua participação nesta blogagem coletiva.
Que delícia de ruazinha em Portugal.
Gostei muito.
Bjos

Renata disse...

Minha amiga,

Viajei com você agora...engraçado tbm costumo reparar muito nessas ruazinhas lindas com suas janelas floridas...nos levam longe à qualquer estação...

Essa cidade por acaso é Óbidos? Se não for me conta onde fica? rsss

Lindíssima a sua participação!

Abraço,
Renata

Marli Borges disse...

Olá Beth,
Ruazinha aconchegante essa, nos embala e nos evoca lembranças. Gostei muito do video.
A poesia? Só posso dizer que é muito bela. Sabes, também me atraem as belezas da natureza: são simples e ao mesmo tempo sofisticadas. Mas há que ter olhos para ver. E você tem. Acho que tenho também, pois essas "simplicidades" me atraem.
Parabéns pelo post.
Bjsssssssss
Bjsssssssss

Bordados e Retalhos disse...

Beth que lindo vc ter em seus arquivos um vídeo para ilustrar um poema. Lindo demais. Adorei. Bjs

Nilce disse...

Ah Beth
Como eu queria passear por esta ruazinha, de mãos dadas com a vida e ouvindo você declamando essa e outras poesias.
Parabéns pela postagem. Linda!

Bjs no coração!

Nilce

manuel marques disse...

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés de fel como um sinistro mar!

Cesário Verde.

Beijo.

welze disse...

agradeço o comentário lá no bloguinho e só posso dizer que foi uma delícia estar por aqui e ler tudo isso. ô coisa boa demais da conta! beijos

Nina disse...

Simplesmente sem palavras, é assim que estou diante desse poeminha, que coisa tao bonita de se ler Beth!

O video tbm foi reconfortante :-)

Luma Rosa disse...

Doce lembrança, Beth! A ruazinha de pedras com casas com sacadinhas floridas, tendo como música de fundo, passarinhos!! Uma lembrança como essa pode-se confundir com sonhos facilmente e a poesia escolhida foi de grande causalidade. Beijus,

ML disse...

Nunca fui, mas minha mãe gostou muito de Portugal (embora, nem todos por lá tenham sido tão "amáveis" com os "patrícios").

bjnhs

Lu Cavichioli disse...

Oi Beth, que lindo poema e esta imagem então...

Nossa, eu lia e parecia que estava passeando pela rua, ouvindo flores e encontrando poetas.

Maravilha de participação a sua!

Obrigada pela visita ao Escritos na Memória!
beijos lilases pra ti, menina!

Leila Brasil disse...

Eu , de alguma forma virei aquela esquina logo ali no video e depois voltei saltitante e leve sem a pressa da cidade . Acho que ao contrário da hora que escrevo aqui , fui de manhã cedinho na minha imaginação.
Beth, foi um passeio incrível , delicioso e leve . Como gostei de estar aqui lendo o que você escreveu. Muito mesmo!
Aproveitei outras postagens e como me engrandeci , por exemplo, visitando poetas e mais abaixo descobrindo o seu olhar em fotos , a música de Caetano ...
Um achado ter vindo aqui.
Obrigada pela comentário lá no meu Blog. Que presente!
beijos

Lúcia Soares disse...

"E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros..."
Viu que tenho razão? Também não gosto de plantas em jarros...Gosto delas na natureza ou em vasos onde podem continuar vivas.
Buquês, corbeilles, não me dêem... rsrs
Lindo!
Bj