.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Foi um Rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar...

-Copacabana-anos 50-imagem Google-

Morei ali, justamente nos anos 50, até meus 5 ou 6 aninhos, na Praça do Lido, lugar aprazível de Copacabana, de praia cheia, iluminada pelo sol que inundava suas imensas areias brancas e os carros da época, desfilando pra lá e pra cá, um pequeno laguinho no meio, uma escola pública talvez, não sei, não me lembro bem.  Só sei que tinha no ar o verdadeiro cheiro de maresia.  A brisa era leve e até mesmo no alto verão, não parecia tão quente como é agora, com tantos veículos, prédios e gente para todos os lados.

Eu e meus dois irmãos íamos a praia quase todos os dias, levados pelas mãos de minha mãe que ainda conseguia carregar uma bolsa com esteira, guarda-sol, baldinhos e toda sorte de brinquedos para que a gente se divertisse naquelas alvas areias desta praia tão espaçosa, bonita e cantada em verso e prosa até hoje.  Era tudo tão tranquilo e possível de se fazer levando as crianças a pé mesmo, sem babás, sem carro, sem medo.
-Praia do Lido-Copacabana-anos 50-Imagem Google-

Não me lembro de quase nada daquele tempo, afinal era muito pequenina, mas o cheiro ficou atávico, para sempre em minhas melhores lembranças. 
E, hoje, quando atravesso o túnel Santa Bárbara, abro o vidro do carro para ver se ainda percebo aquele cheirinho de ar delicioso. Que nada, o monóxido de carbono é mais forte do que qualquer maresia!  Mas noutro dia, uma amiga que veio de um lugar que não tem praia por perto, disse-me que assim que chega ao Rio, sente no ar um cheiro de mar ao longe, coisa que fiquei espantada. 
Será que estamos acostumados, pensei eu?!  Pode ser!
-Postal Praça do Lido-anos50/60-Flickr aqui-

Ali perto, tinha o primeiro Centro Comercial de Copacabana e para aquela época uma super novidade, cheio de lojinhas atraentes e o mais legal e que, nós, a garotada, ficávamos loucos para subir e descer,- a tal escada rolante,- que ficava bem no meio do pequeno shopping.
Centro Comercial de Copacabana

E numa bela tarde em que minha mãe saiu com seus três filhinhos para passear neste lugar e tomar sorvete Kibon, eu, esperta e espevitada que era, resolvi largar de suas mãos e sair correndo em direção à tal escada.  Mas, eu errei num pequeno detalhe, ao invés de colocar os pés na que subia, coloquei-os na que descia e saí em disparada, tentando subir os degraus e chegar logo lá em cima.  Embolei-me, escorreguei e atrás de mim vieram meus dois irmãos e minha mãe para salvar-nos de algo tão incrível, novo e diferente.
A confusão da família foi tanta e só paramos quando um funcionário do shopping desligou a geringonça.
O resultado desta 'embolação' em pleno shopping center, foram joelhos ralados, bem machucados mesmo e não teve mais passeio e nem sorvete, fomos direto para casa com os joelhos sangrando.
Toda vez que passo ali em frente lembro disso e da confusão que causei com minha alegria e impulsividade infantil.

Estas pequenas memórias vieram-me quando comecei a ler e dar risadas sozinha com esta paródia que encontrei na Net ontem, e que deixo abaixo para quem viveu estes bons tempos e sabe muito bem o que quer dizer cada referência que fez o autor, no rastro da Bandeira de Manuel.


“Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas “daqui, ó!”
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.

Lá dançarei Twist
Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.

No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.

Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
“Tá Com a Pulga na Cueca”
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas “quebrando”
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.

E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com gola de tafetá.

Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.

Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.

No passado é outra história!
Outra civilização…
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.

Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem bisqüit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.

Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.

Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem misse botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouve página sonora
Na voz de Ângela Maria
“— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!…”

Quando não querem a paquera
Mulheres falam: “Passando,
Que é pra não enganchar!”
“Achou ruim dê um jeitim!”
“Pise na flor e amasse!”
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de “tudo X”
E sai dizendo “Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado.”





terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Porque a vida é assim.




Vivemos todos, neste mundo, a bordo de um navio saído de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos; devemos ter uns para os outros uma amabilidade de viagem. 

Fernando Pessoa










domingo, 15 de janeiro de 2012

Poesia Portuguesa



As janelas do meu quarto




Tenho quarenta janelas,
nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas,
posso ver através delas,
o mundo em que me reparto.


Por uma entra a luz do sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas,
que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea,
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.


Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza,
que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança,
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.


Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa.


E o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio,
a que se chama poesia.

E a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade.


E o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro,
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.



Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra,
nas minhas quatro paredes.



Oh janelas do meu quarto,
que vos pudesse rasgar,
com tanta janela aberta,
falta-me a luz e o ar.



-Antonio Gedeão-
poeta português








(Linda poesia enviada pela amiga Fátima-Bombom de Portugal)






sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fragmentos




A vida não pára pra gente descansar!
Se fosse só ruim ninguém aguentava e morria logo,
fosse só bom ninguém reclamava, mas é bom e ruim,
é despedaçado, contínua e infinita fragmentação .

Adélia Prado




quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vizinhos a gente não escolhe


-Frans Lanting-

Que tal se um belo dia você descobre que seu vizinho é um cara meio troglodita, gosta de baixarias e não liga a mínima para as leis da boa convivência urbana e então, você acorda numa manhã e dá de cara com um buraco que este vizinho abriu para fazer uma janela que dá para o seu terreno?!

Ainda bem que isso não é comigo, graças a Deus!  Trata-se de mais um excelente filme, desta vez uma comédia argentina que vocês vão adorar e, quem sabe, sentir que já estiveram na mesma condição, ou seja, a do vizinho incomodado. Mostra a difícil convivência urbana que se estende por todas as grandes cidades deste mundo. É o tipo de filme que você assiste, ri, se vê em algumas situações e não esquece quando ele acaba.
E para mim este é o sinal de que o filme é bom, quando termina e ficamos pensando sobre ele, sobre as várias cenas insólitas que marcam verdadeiramente um bom trabalho cinematográfico.

O filme é "O HOMEM AO LADO",- dos diretores Mariano Cohn e Gastón Duprat.

Quem gostaria de ter uma janela aberta para o lado de dentro de seu terreno e um vizinho que não está nem aí para as convenções sociais, um bruto, de mau gosto e que observa seus passos, de sua esposa e da filha adolescente?

Este é o mundo entre os dois personagens da trama, evidenciando as diferenças irreconciliáveis, já que existe de ambos os lados, pessoas de personalidades e vidas antagônicas.  Um é o típico classe média argentina, que pode ser comparado à nossa própria sociedade, intelectual, renomado designer, com trabalhos reconhecidos no exterior, e que vive com a família nesta casa que é a única na Argentina projetada pelo famoso arquiteto Le Corbusier, decorada com obras de arte e fino gosto, mas passa a beleza e frieza entre o comportamento isolado de cada membro de sua pequena família.  
O outro, o vizinho que abre o buraco a fim de 'obter um pouquinho de sol' em sua casa,- é um homem grandão, 'parecendo' ser meio louco, à vontade com a vida, simples em seus gostos e que, mesmo tentando agradar o vizinho, só o deixa mais indignado com suas atitudes intempestivas.
A figura sem classe do mesmo, intriga desde o início até o final, e em alguns momentos sentimo-nos na pele do vizinho burguês, pois o comportamento do mesmo vai se tornando duvidoso e odioso.

Como sempre acontece, busco temas que mostram o comportamento humano no mundo atual, pois não devemos ver e analisar somente sob a nossa própria ótica.  O mundo tornou-se globalizado em todos os sentidos e, ao construirmos nossos castelos, com paredões, grades e segurança, não quer dizer que estejamos isolados dos problemas à nossa volta.  Eles existem e podem se tornar um profundo abismo social, caso não tenhamos um olhar mais amplo do que está acontecendo fora de nosso casulo.

É um ótimo filme de humor negro, que valoriza as relações humanas tão desgastadas hoje em dia, os problemas do cotidiano de cada um, e a invasão de privacidade que pode levar uma pessoa a perder completamente o raciocínio lógico e humano.
Não sou Emerson Fittipaldi, mas RRRRRRRRRRRecomendo.






terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Em Um Mundo Melhor


-Imagem Google-
Ontem à noite assistimos um filme em DVD e gostaria de falar sobre ele com vocês, assim como aproveito para indicar-lhes algo diferente e de bom conteúdo, que se visto junto à família, poderá render conversas a respeito das várias situações ali formadas e ajudar a lidar com a complexidade das emoções humanas, como a dor, a perda, as desigualdades sociais, a miséria, a exploração e a violência, que culminam em guerras.

"É assim que as guerras começam" foi a frase que o pai utilizou para expressar ao filho sobre o bullying que vinha sofrendo na escola e a forma como ele reagiu.  O filme EM UM MUNDO MELHOR quer mostrar que a violência que se alastra com a vingança, assim como a ausência de comunicação entre as pessoas, é que propiciam o crescimento do ódio, intolerância e as guerras.

A autora norueguesa Suzanne Bier, demostra com clareza,  o tema de ausência de comunicação e da incapacidade dos pais em identificar as insatisfações de seus filhos e de se fazerem entender em suas posições sobre fatos que, na cabeça das crianças não têm sentido porque vão de encontro contra tudo aquilo ao que vêem e aprendem de violência no cotidiano da vida - através da televisão, no videogame, nas ruas ou na escola.  Mas, será que temos que fazer como o pai neste filme, em que para provar que violência gera violência, apanha de um homem na frente de seus filhos e não faz nada, gerando neles, os filhos, a vontade de vingar, de não tolerar abusos e revidar.

No filme há um paralelo interessante entre a existência no mundo de hoje,  numa África devastada pelas guerras civis, onde líderes tribais não respeitam nada e até as crianças, meninas, são esfaqueadas e violentadas pela facção de criminosos dominantes, enquanto do outro lado do mundo, depois da globalização da violência,  onde crianças sadias e loiras, num país em que não se espera jamais um ato de violência, através da arma possante da internet e da pouca relação familiar e humana, criar mentes que podem fabricar bombas e destruir também o ser humano. Seria isto um sintoma das doenças gerais da humanidade?

Bem, você poderá ver esta trama inteligente e que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2011 e depois tirar suas próprias conclusões. 
De minha parte, digo-lhes que fico muito satisfeita em ver que existem pessoas como esta diretora dinamarquesa,  mostrando que a realidade global está chegando a todos os cantos do mundo e atinge até mesmo os povos desses países maravilhosos, onde tudo parece tão equidistante, mas depois da desgraça que aquele atirador norueguês levou ao seu país no ano passado e espantou o mundo, temos que ter os olhos bem abertos a todas estas questões e o filme é  um belo exemplo a mostrar como a mesma violência presente na escola européia, ganha proporções colossais em países subdesenvolvidos.





sábado, 7 de janeiro de 2012

Nunca esquecendo a Poesia



Vocês gostam dessa música?  Eu adoro!
Ela está hoje como fundo musical de uma bela poesia na primeira semana deste Ano Novo, portanto 
não deixem de visitar o Me and You - ouvir e ler poesias faz bem, dá leveza à alma, expressa sentimento e emoção naquilo que acontece na natureza e em nós mesmos. Enfim, nos surpreende com o amor, deixando de lado a rotina e a massificação dos dias. 


"Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra". A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo."
-Rubem Alves-














sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Isto é bacana!



Mais uma vez, artistas posam ao lado de crianças e adolescentes com Síndrome de Down para compor o tocante Calendário Happy Down 2012. Este ano foi a vez dos apresentadores da televisão brasileira.
Vejam que bonitinhos:


Conheço um jovem com Síndrome de Down e que trabalha na Academia onde eu fazia ginástica lá em Petrópolis.  Sempre alegre, sorridente, disposto a fazer algo produtivo e solidário.  Todos o adoravam e tinham por ele um carinho imenso.  O dono da Academia, pessoa muito distinta e profissional maravilhoso, sempre reconheceu as necessidades que um jovem com esta alteração cromossômica pode ter, por isso deu a ele esta oportunidade de participação social, servindo de modelo de apoio e respeito aos direitos da pessoa. 
Fato interessante é que alguns anos depois, seu último filho, um menino que ele tanto acalentou com sua mulher, veio com a SD e ele dedicou-se plenamente a criar e curtir seu filho, não se intimidou, nem o rejeitou, pelo contrário, sempre o vemos passeando de mãos dadas com ele ou levando-o a participar de brincadeiras ao ar livre, feliz e realizado com seu filho amado.

"Devemos olhar a pessoa com SD em sua singularidade, para que possa ter um pleno desenvolvimento enquanto sujeito."


A média de vida da pessoa com síndrome de Down, no entanto, cresceu muito. Em 1910, o portador vivia só 9 anos. Já em 1947, a média era de 12 anos, alcançando 18 em 1949 e 25 em 1983. Hoje, já atinge 56 anos.
As dificuldades intelectuais enfrentadas por quem tem a síndrome variam de pessoa para pessoa. Assim, algumas conseguem aprender tarefas rotineiras e desenvolver habilidades mais cedo do que outras. De qualquer maneira, a estimulação precoce, ainda no berço, é fundamental, diz Silvia Bragagnolo Longhitano, mestre em genética clínica pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). "A criança precisa desenvolver a autonomia desde cedo." Os pais também devem trabalhar para integrar os filhos especiais na sociedade, sem isolá-los. "Se forem colocados em redomas, não aprenderão a se defender e haverá menos sucesso no seu desenvolvimento", defende a especialista. 


(FSD-Fundação Síndrome de Down)
(Ser Down)
(Imagens Caras-Uol)













quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Gostaria de saber mais sobre o conteúdo da sua sacola.


-Corbis-

Sempre gostei de escrever ou pesquisar temas para meu blog a respeito de comportamentos, não só os de humanos, como de animais e da própria natureza.  Penso que é uma forma de refletirmos conjuntamente sobre os diversos aspectos da nossa existência neste mundo. E o melhor de tudo é quando aprendemos nesse processo de crescimento com nossos próprios erros ou de outros, transformando-nos em pessoas melhores.


O texto abaixo é de Gilberto de Nucci e ele expõe claramente o comportamento humano, como se andássemos em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás, mas estamos sempre olhando a parte de fora das sacolas, por isso falamos uns dos outros, sem saber o conteúdo verdadeiro que há em cada uma delas.



"Na mochila da frente, estão as nossas qualidades. Na mochila de trás, todos os nossos defeitos. Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas ao nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos, impiedosamente, nas costas do companheiro que está adiante e em todos os defeitos que ele possui. E julgamo-nos melhores que ele – sem perceber que a pessoa andando atrás de nós está pensando exatamente o mesmo a nosso respeito."


E complemento esta maravilhosa reflexão acima, com alguns trechos do texto da jornalista Sonia Belotti sobre os diversos conteúdos destas sacolas:


". . .Muitos carregam alguns sonhos importantes, até mesmo grandiosos: sonhos de sucesso, de alcançar grandes objetivos, como formar uma família, viver 100 anos,ou de realizar antigos projetos, como ter seu próprio negócio. Ou reinventar-se totalmente.

Muitas vezes são sonhos normais e até parecidos para quem olha de fora, mas únicos e fundamentais para quem os carrega dentro de si.

Alguns carregam memórias alegres como cantis de água para serem usadas em situações de emergência, quando a mente está seca, cansada e o coração triste. Ou quando se precisa de um bom banho para lavar a alma. E assim funcionam para seus amigos e colegas. Alguns dos valores que essas pessoas carregam em sua sacola: lealdade, otimismo e confiança acima de tudo . 

Outros carregam memórias densas, escondidas, como uma caixa preta  daquelas de avião – um compartimento secreto onde guardam suas experiências, boas ou más. A caixa vai ficando pesada e ninguém pode mexer nela. Um dia finalmente fica tão pesada que é abandonada. Ou explode. ...

Melhor enfrentar isso e não fugir? Abrir a caixa preta de vez em quando, ou arriscar   a tornar-se distantes, isolados ou difíceis de lidar.

Todos carregamos alguma coisa na sacola. Em lugares diferentes, de formas diferentes, do jeito que nos parece fazer mais sentido, dependendo do momento de vida pelo qual passamos.

Alguns carregam quilos a mais. Cabelos a menos. Hormônios descontrolados. Fantasias. Acessórios supérfluos, coisas desnecessárias, símbolos de status. Mas também fotos dos filhos, dos amados, dos netos, do cachorro, da viagem que fizeram, do lugar que ainda vão conhecer. Moedinha da sorte, talismã, santinho. Nota de dólar para atrair fortuna. Trevo de 4 folhas para boa sorte.

Alguns carregam celular, palm top, bip e agenda eletrônica. Outros o vale-transporte, ou o dinheiro do pão. Uma pasta desorganizada com papéis, projetos e preços.  Orçamentos, contas a pagar, entradas para o cinema, documentos para carimbar, lista de tarefas, não esquecer de pagar a conta.
Mas em determinado momento da viagem, só carregaremos a nós mesmos, porque a sacola será aberta de qualquer maneira! Que seja pela nossa  disposição de participar,de entender e de viver a vida!

A vida  chama, orienta, dirige o horário,? Permita-se ser levado! São muitos os sinais?Transforme-os em âncoras de significado: uma música, um cheiro, uma pessoa, uma emoção podem ser sinais que  lembrem, que a partir de um momento especial, estaremos no aqui e agora, inteiros, sem pesos exagerados na sacola, porque ela foi aberta, olhada de frente e incorporada como uma parte de força em nós! 

Não existe quase nada que o ser humano não carregue, desde que acredite que isso vá ajudar de alguma forma. E geralmente carrega coisas demais, principalmente dentro da  cabeça. Nos ensinam desde crianças como lembrar, decorar,mas ninguém nos ensina como esquecer, arquivar direito. Tem gente com arquivos tão grandes na memória, que as vezes o programa roda sozinho, e volta  e volta na nossa mente, sem controle.

E você: o que anda carregando ultimamente? Como seria sua vida se pudesse andar um pouco mais leve?

Que tal marcar um encontro com o primeiro minuto do primeiro dia do resto da sua vida?"



(Se tiver interesse em ler o texto na íntegra, acesse aqui.)






terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sem palavras

(Cici escondendo-se entre os bichinhos de pelúcia)


A pesquisadora Kate Miltner (aqui no G1), estudou em Londres o fenômeno dos LOLCats, e segundo ela, as pessoas trocam textos por fotos de gatos para se expressar.
Uma das conclusões que ela chegou em seu estudo é de que as fotos dos gatos permitem que nós possamos rir de nós mesmos. “Nós atribuímos os nossos pontos fracos aos gatos nas fotos e, pelo fato de serem gatos fazendo aquilo e não humanos, conseguimos rir com maior facilidade.”


E agora que tenho um bichano destes lá em casa, comecei a reparar que a gente perde um tempão olhando pra ele e rindo das estrepolias que inventa. São fofos, fotogênicos e engraçados, principalmente se ainda são filhotes e estabanados, correndo de um lado pro outro, brincando com um ratinho de mentira, subindo nos móveis ,agarrando-se às cortinas ou enfiando-se no meio de um vaso de plantas.


Para quem queria conhecer a minha Cici, aí está ela abaixo, bem à vontade dentro e fora de casa.

E a pesquisadora tem razão, não necessitam palavras para expressar tanta fofurice, concordam?






















domingo, 1 de janeiro de 2012

Bem-vindo 2012


Muitas mudanças ocorrendo neste momento em todo o mundo, a começar pela estação em cada hemisfério, a passagem do ano, o ciclo maravilhoso de nascimento e renovação de todas as coisas e que é sempre um grande milagre. E aqui estamos nós, à beira de um novo ano, um novo você, quem sabe podemos começar de novo!


 “As pessoas em geral acham que andar sobre a água ou elevar-se no ar são milagres. Mas eu acredito que o verdadeiro milagre não é caminhar sobre a água ou no ar, mas é andar sobre a terra. Todos os dias nós realizamos um milagre do qual mal temos consciência: um céu azul, nuvens brancas, folhas verdes, os olhos negros e curiosos de uma criança — nossos próprios olhos… Sim, tudo isso é um milagre!”

-Monge Thich Nhat Hanh-




sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um Ano Novo Iluminado


Acendi esta vela no Natal para iluminar a noite feliz em família.  Comprei-a num bazar alemão aqui de Petrópolis e coloquei-a na frente da janela, pois ela é um dos símbolos natalinos, além da árvore de natal, guirlanda e presépio.  A vela significa nesta data, a fé, o amor e a vida.


Ela será acesa novamente amanhã à meia noite e sua chama evocará a iluminação de nossos caminhos por todo este novo ano.
E ao acendê-la estarei lembrando de todos vocês que fizeram parte da minha vida, dos bons e maus momentos que vivenciamos neste ano que se finda.


Portanto, seja lá qual for a sua tribo, una-se a mim neste momento, com pensamentos de luz e amor a todos que habitam esse planeta. Afinal, o Universo trabalha com a gente e não para a gente. Vamos banir a escuridão e chamar a luz em nossas vidas,  nos ajudando a superar os momentos difíceis e enfrentar o futuro com esperança.


Feliz e abençoado 2012 a todos meus amigos queridos!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Aguardando 2012


O que estou fazendo por estes dias?  Nada.


Exatamente isto: descansando, relaxando, renovando baterias, pensando e sonhando com um Ano Novo cheio de esperança, paz, harmonia e muita saúde para todos nós. 


E nas palavras e versos da maravilhosa poetisa portuguesa, Sophia de Mello Breyner Andresen, deixo o que gostaria de pedir por todos nós:


A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS


Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sejamos reluzentes neste Natal


Enfeite a árvore de sua vida
com guirlandas de gratidão!
Coloque no coração laços de cetim rosa,
amarelo, azul, carmim,
Decore seu olhar com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante

 Em sua lista de presentes

em cada caixinha embrulhe
um pedacinho de amor,
carinho,
ternura,
reconciliação,
perdão!


Tem presente de montão no estoque do nosso coração e não custa um tostão!
A hora é agora! Enfeite seu interior! Sejas diferente! Sejas reluzente!



(Cora Coralina)