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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Foi um Rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar...

-Copacabana-anos 50-imagem Google-

Morei ali, justamente nos anos 50, até meus 5 ou 6 aninhos, na Praça do Lido, lugar aprazível de Copacabana, de praia cheia, iluminada pelo sol que inundava suas imensas areias brancas e os carros da época, desfilando pra lá e pra cá, um pequeno laguinho no meio, uma escola pública talvez, não sei, não me lembro bem.  Só sei que tinha no ar o verdadeiro cheiro de maresia.  A brisa era leve e até mesmo no alto verão, não parecia tão quente como é agora, com tantos veículos, prédios e gente para todos os lados.

Eu e meus dois irmãos íamos a praia quase todos os dias, levados pelas mãos de minha mãe que ainda conseguia carregar uma bolsa com esteira, guarda-sol, baldinhos e toda sorte de brinquedos para que a gente se divertisse naquelas alvas areias desta praia tão espaçosa, bonita e cantada em verso e prosa até hoje.  Era tudo tão tranquilo e possível de se fazer levando as crianças a pé mesmo, sem babás, sem carro, sem medo.
-Praia do Lido-Copacabana-anos 50-Imagem Google-

Não me lembro de quase nada daquele tempo, afinal era muito pequenina, mas o cheiro ficou atávico, para sempre em minhas melhores lembranças. 
E, hoje, quando atravesso o túnel Santa Bárbara, abro o vidro do carro para ver se ainda percebo aquele cheirinho de ar delicioso. Que nada, o monóxido de carbono é mais forte do que qualquer maresia!  Mas noutro dia, uma amiga que veio de um lugar que não tem praia por perto, disse-me que assim que chega ao Rio, sente no ar um cheiro de mar ao longe, coisa que fiquei espantada. 
Será que estamos acostumados, pensei eu?!  Pode ser!
-Postal Praça do Lido-anos50/60-Flickr aqui-

Ali perto, tinha o primeiro Centro Comercial de Copacabana e para aquela época uma super novidade, cheio de lojinhas atraentes e o mais legal e que, nós, a garotada, ficávamos loucos para subir e descer,- a tal escada rolante,- que ficava bem no meio do pequeno shopping.
Centro Comercial de Copacabana

E numa bela tarde em que minha mãe saiu com seus três filhinhos para passear neste lugar e tomar sorvete Kibon, eu, esperta e espevitada que era, resolvi largar de suas mãos e sair correndo em direção à tal escada.  Mas, eu errei num pequeno detalhe, ao invés de colocar os pés na que subia, coloquei-os na que descia e saí em disparada, tentando subir os degraus e chegar logo lá em cima.  Embolei-me, escorreguei e atrás de mim vieram meus dois irmãos e minha mãe para salvar-nos de algo tão incrível, novo e diferente.
A confusão da família foi tanta e só paramos quando um funcionário do shopping desligou a geringonça.
O resultado desta 'embolação' em pleno shopping center, foram joelhos ralados, bem machucados mesmo e não teve mais passeio e nem sorvete, fomos direto para casa com os joelhos sangrando.
Toda vez que passo ali em frente lembro disso e da confusão que causei com minha alegria e impulsividade infantil.

Estas pequenas memórias vieram-me quando comecei a ler e dar risadas sozinha com esta paródia que encontrei na Net ontem, e que deixo abaixo para quem viveu estes bons tempos e sabe muito bem o que quer dizer cada referência que fez o autor, no rastro da Bandeira de Manuel.


“Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas “daqui, ó!”
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.

Lá dançarei Twist
Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.

No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.

Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
“Tá Com a Pulga na Cueca”
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas “quebrando”
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.

E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com gola de tafetá.

Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.

Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.

No passado é outra história!
Outra civilização…
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.

Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem bisqüit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.

Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.

Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem misse botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouve página sonora
Na voz de Ângela Maria
“— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!…”

Quando não querem a paquera
Mulheres falam: “Passando,
Que é pra não enganchar!”
“Achou ruim dê um jeitim!”
“Pise na flor e amasse!”
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de “tudo X”
E sai dizendo “Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado.”





23 comentários:

Nina disse...

Olha só a travessura, ahahaha. Eu amei isso aqui, só faltou uma foto da menininha levada, Beth, colooooocaaaaa!!!!
O poema é lindo demais, li com sorriso no rosto, "vou-me embora pro passado", eita coisa boa, né?
Amei Beth!

Bia Jubiart disse...

Bom dia querida amiga Beth!

Amei conhecer essas imagens!

Porquê sempre valorizamos mais o passado que o presente? Se ele em pouco tempo virará passado? E o presente fica meio muxoxo de lado?
Leia-se, não é crítica, só uma reflexão também do meu passado...Quantas saudades...

Beijos Tocantinenses!

✿ chica disse...

Lindas recordações, saudades... Também morei num RIo tranquilo e lindo, mas ainda o adoro até hoje!beijos praianos,chica

lolipop disse...

Bonita essa viagem pelas memórias dum passado feliz...
Ternurassssssssss

VELOSO disse...

Muito bom viajar no tempo e em boa companhia melhor ainda um post muito lindo cheio de vida!

RUTE disse...

É engraçado recordar costumes e peripécias antigas. Não lembro de quando a escada rolante surgiu em Portugal. Mas lembro da chegada da TV a cores e antes desta chegar, lembro dum painel de cores (um filtro) que colocávamos sobre a TV preto-e-branco.

Foi uma grande festa no dia em que a Televisão colorida chegou a casa da minha avó. Durante uns tempos era a única, em toda a familia. As restantes casas não tinham.

E hoje, nem pensamos nisso. Há familias que têm 3 e 4 TVs, uma em cada divisão da casa :)

Beijinhos pra vc.
Rute

Kálita disse...

Beth, eu quse pude ver voc~e pequenina passendo nas imagens mostradas dos lugares de sua infância.
Legal fazermos um passeio com você pelo seu passado.
Também gostaria de ver uma foto da beth menininha!

Beijos e fica com Deus

Toninhobira disse...

Beth,quando li este Voltar para o passado fiz uma linda viagem amiga.Há um saudosismo forte em todas fotos, cheiros e caminhos.Olhar fotos das cidades nas decadas de 50 ou mais,podemos medir o quanto perdemos e estamos perdendo cada dia.Ai vem esta vontade de voltar ao passado.
Muito bom amiga.
Um carinhoso abraço.

Calu disse...

Betinha,
que passeio mais bacana...uma volta ao passado em memória de risos e choros, praia, mar, avenidas, a belle époque carioca;ainda presente na gostosa narrativa de tuas travessuras tendo como cenário as imagens saudosas do Rio.
E,como fundo de cena, esta incrível paródia!Sensacional!
Viajei contigo nesta máquina do tempo versada e cantada com muita espirituosidade.
Adorei o passeio, amiga.
Vamos reprisar?

Bjos ao som de Pata Pata(rsrsrsrs).
Calu

Maria Célia disse...

Oi Beth
Incrível seu texto, achei o máximo suas lembranças, uma volta ao passado.
O poema é um espetáculo, diretinho do túnel do tempo.
Bjo e boa noite.

Orvalho do céu disse...

Olá, querida
E o RJ continua lindo!!!Fotos antigas eu aprecio demais... um retorno ao passado de algo que valeu a pena!!!
Tem festa no blog e selinhos pra vc.
Bjm de paz e alegria

Márcia Cobar disse...

Ah Beth, fiquei imaginando a cena de vocês 4 na escada, baldinhos rolando, desespero da Mamãe, empolgação traquina dos irmãos...
É uma pena que este Rio suave não existe mais na realidade. O lado bom é que ele ainda vive na sua memória!
Bjim
Márcia

Regina Rozenbaum disse...

Que viagem mais gostosa de se ler..."recordar é viver"! Eu sou como sua amiga: quando chego aí sinto o cheiro da maresia! Será coisa de gente que não tem mar?rsrs
Beijuuss, saudosistas, n.a.

Wilqui Dias disse...

só faltou vc pequetita passeando pelas ruas, rss FOTOS LINDAS. bjs

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Meu pai falava dessa época do Rio, que ele conheceu qdo era criança. E ficou tão impressionado com a beleza da cidade, a elegância, as paisagens.

esse centro comercial ainda existe? na minha infância era o Mappin, que eu adorava rs.

tb já tombei subindo escada ao contrário ahhaha

bom dia querida mae gaia

Dulce disse...

Que texto mais lindo, Beth! Saudosos "anos dourados, quando a vida era quase mágica...
E que viagem ao passado através dessa deliciosa paródia!... ADOREI!

Beijos e um lindo dia para você.

Cucchiaio pieno disse...

Que delicia! Que belos momentos você viveu!
Também tive dois episódios com escada rolante - acho que elas não gostam de crianças - hehehehe!
Um grande abraço
Léia

Mari Hart disse...

Esse centro comercial ainda tem né?! Me arrepiei com teu post! Meu marido é nascido e criado em Copa, amo ouvir as histórias dele! Sou da Lagoa e JB, mas vivi momentos muitos felizes por aí! =)

Bjão queridona!

Georgia disse...

Beth, tudo bem?

Vou-me embora para Passargada...lembra?

Me fez lembrar deste texto agora lendo o Vou-me embora para o passado.

Lindas as fotografia. Nao peguei muito o Rio assim nasci nos anos 60 e nós morávamos muito longe do centro do Rio. Naquela época umas 3 horas de buzao.

Que texto cheio de saudades e das boas, rs.

Me lembro de um menino de uns 5 anos uma vez na Mesbla ai no Passeio, ele fez a mesma coisa que vc, só que quebrou o tornozelo, ele gritava de dor e eu pálida de ver a perninha pendurada, nunca me esqueci disso e nunca quis brincar na escada rolante.

Vc era danada, rs.

Vem fazer parte do meme, corri o link de quem postou todas as perguntas do ano para as 52 semanas, acho que vc vai gostar. Vê lá no sidebar.

Bjao e uma linda semana

Elisa T. Campos disse...

Beth
Que bela recordação.A vida era mansa.
Não se falava em violência.Ia ao ginásio de saia plissada azul e blusa branca.Passeava de vestdo de bolinha.Ia á praia de maiô helanca.Comia em louça florida vendo pinguins sobre a geladeira. Tinha medo da escada rolante.E com a TV que meu pai acabara de comprar assistia Jovem Guarda todos os domingos.
Nunca morei no Rio, mas voltar ao passado é como disse tem muito mais futuro.
Bom final de semana

bjs

Palavras Vagabundas disse...

Beth
é tã bom se lembrar de coisas que, hoje, nos fazem rir!
Eu, quando não morava no Rio, associava a cidade ao cheiro do mar, hoje morando a 3 quadras da praia já não sinto o cheiro com tanta intensidade.
bjs
Jussara

She disse...

Ah Beth, que post mais gostoso, amei isso! ;)
Beijo, beijo

Brechique da Dodoca disse...

Texto delicioso e irretocável! Dá uma saudade, né não? Lembrança com mãe e irmão, então, nem se fala!
Quirino é muito bom!
Bjsssssssssssss