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domingo, 15 de janeiro de 2012

Poesia Portuguesa



As janelas do meu quarto




Tenho quarenta janelas,
nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas,
posso ver através delas,
o mundo em que me reparto.


Por uma entra a luz do sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas,
que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea,
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.


Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza,
que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança,
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.


Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa.


E o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio,
a que se chama poesia.

E a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade.


E o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro,
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.



Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra,
nas minhas quatro paredes.



Oh janelas do meu quarto,
que vos pudesse rasgar,
com tanta janela aberta,
falta-me a luz e o ar.



-Antonio Gedeão-
poeta português








(Linda poesia enviada pela amiga Fátima-Bombom de Portugal)






18 comentários:

Renata disse...

Oi minha querida!!!
Fico sempre feliz qdo recebo um coment seu lah no blog...
eu sei que tenho sumido da blogosfera, mas continuo "passeando" de vez em quando pelos blogs queridos!!
beijao!!!
Feliz 2012!!!
Vamos ver se a gente se encontra esse ano!!! Vou visitar familia em Teresopolis... quem sabe, neh?

aminhapele disse...

Boa noite,Beth.
Gosto muito deste poema,bem como de outros do mesmo autor.
Até lhe sugiro a "pedra filosofal",musicada e interpretada por Manuel Freire.
Durante 3 anos,tive o privilégio de ser aluno deste poeta que,na realidade,se chamava Rómulo de Carvalho e era um grande professor de Física.
Um abraço.

Georgia disse...

Belíssimo poema do poeta português.

Tudo bem contigo?

Bjao

Dulce disse...

Bom dia, Beth

Muito linda a poesia, mas as janelas!... Ah, essas janelas que suas fotos nos apresentam, são lindas demais... Na verdade, as fotos são lindas. Assim, toda a postagem é linda...

Beijos e uma linda semana para você.

Márcia Cobar disse...

Bethinha...
Que poesia linda... As ilustrações também foram muito bem escolhidas... Belas as janelas que você clicou mundo a fora...
Vou abrir minha janela agora, e deixar o vento fresco trazer um dia bem feliz!
Bjim
Márcia

Orvalho do céu disse...

Olá, querida Beth
Como gosto de apreciar à janela o mundo "lá fora"... vejo o que me revela o interior meu...
Lindo o seu post... encanta os olhos de quem o vê!!!
Bjm de paz e alegria

lolipop disse...

Linda esta "fome sem remédio"...belas as janelas escolhidas. Que seja uma semana de janelas abertas para a esperança, a quietude e a paz.

Beijos grandes

Marilac disse...

Beth,
Bom dia!
Que lindo esse poema, e as imagens de janelas floridas me encantaram.Sabia que existia um concurso em Portugal para a janela mais bonita?

Abraços,
com carinho,
Marilac

Pitanga Doce disse...

Beth, desculpa se não tenho vindo aqui, mas precisava "sair do ar" um pouquinho.

Ah essas janelas! Já tive uma "redonda". Na mesma terra do autor.

beijos da Pi.

✿ chica disse...

Poesia maravilhosa e tuas fotos idem! beijos de férias e praianos,chica

Teresinha Ferreira disse...

Olá Beth,
Que poesia linda!
E essas fotos? UAU! Maravilhosas.
É gratificante essa associação. Ainda mais quando postamos fotos dos lugares que já fomos. Hummm...Em julho sou eu!!!
Bons fluidos
Bjs mil

Socorro Melo disse...

Olá, Beth!

Maravilhosa! Linda inspiração! E as imagens estão encantadoras.
Sabe que adoro imagens de janelas? Elas realmente têm um significado todo especial, são uma ponte entre a vida e os sonhos...

Um grande abraço, amiga
Socorro Melo

Calu disse...

Betinha,
que passeio fantástico através de teu olhar pelos espaços permitidos destas lindas janelas.
O passado e o presente, a simplicidade e o arrojo, a natureza e a arquitetura, tudo de par em par, acompanharam a suave poesia que nos fez sonhar com cada imagem, cada lugar.
Obrigada, amiga.
Bjkas,
Calu

Lúcia Soares disse...

Linda demais!
Janelas são especiais na nossa vida, adoro uma bem aberta, deixando o sol e a luz entrarem.
As que vc fotografou são todas muito lindas.
Queria uma casinha branca com as janelas azuis, cortinas leves de renda e paninho branco no parapeito, "que nem" a da foto.
Beijo!

Maria Luiza disse...

Amei, amei, amei e c'est fini! beijos!

Wilma disse...

Linda poesia,mas as janelas são minhas paixões, essas azuis com um vaso bem pequeno, é de uma expressão enorme, adorei todas!!!!

Toninhobira disse...

Ainda bem que gosto de passear pelo blog e que coisa linda de poetar voce nos presentou tambem,quer dizer que maravilhosa partilha.
Lindas imagens amiga.São de Petropolis ou de alguma viagem a Portugal?
Linda pagina esta sua.
Abração mineiro de flor.
Bju.

Elisa T. Campos disse...

Delicadeza de postagem
Fotos e poesia com trechos encadeados bem a moda portuguesa.
Lindos.

Beth, sempre me atraso nas postagens
mas não deixarei de vir até aqui para apreciar o teu lindo trabalho.

Bjs