.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os jardins da vida



“Todo jardim começa com uma história de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada
ou um lago construído, é preciso
que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, 
não planta jardins por fora e nem passeia por eles.” 
Rubem Alves
















quarta-feira, 29 de junho de 2011

Uma cozinheira nada perfeita



Ultimamente eu ando meio esquisita com a minha cozinha, ou melhor, com o ato de cozinhar.  Para começar não sinto a mínima vontade de encarar as panelas e busco sempre fazer coisas simples, rápidas, descomplicadas e neste inverno, procuro algo que não tenha que ficar lavando o tempo todo, como hortaliças ou legumes.  Por isso tenho comprado legumes cortados e picados em quadradinhos e embalados a vácuo. São ótimos para cozidos ou sopinhas que vão bem nas noites frias e ainda podem ajudar num pequeno regime, aliás, num pseudo regimezinho, porque onde já se viu sopa ou creme sem um pãozinho ou torradas para acompanhamento?!
Ah, não dá, né!  

E aí resolvi aproveitar os pães que sempre sobram no dia a dia.  Cortei em rodelas iguais e passei um cheirinho de manteiga.  Mas, vejam só, esqueci a fornada e vim espiar meus e-mails, blogs e o mundo virtual.
Taí o resultado na vida real:


Mas fiquei com tanta raiva de mim mesma que me penitenciei cortando mais rodelinhas e passando manteiga em cada uma delas. 
E não saí da cozinha, claro!  Vejam que beleza!


Cozinhar é uma arte e um ato de amor, assim considero, principalmente porque vamos ingerir aquilo que preparamos para nós mesmos e para os outros, por isso acho que eu não deveria ir para cozinha atualmente, nesta fase em que me encontro sem muita motivação culinária, acho que devo me abster, porque como  como já dizia Guimarães Rosa, cujas palavras se encaixam perfeitamente ao ato de cozinhar, por exemplo: "a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." e esta 'travessia' sem prazer não é legal, pois o preparo adequado deve valorizar a boa apresentação dos alimentos, o sabor deve ter um toque especial e diferenciado e as cores e seus pedaços devem despertar equilíbrio e atração.

Termino com as palavras do mestre Rubem Alves que diz:  
"Comer é a chegada. Passa rápido. Mas a travessia é longa. Era na travessia que estava o nosso maior prazer. A gente ia cozinhando, bebericando, beliscando petiscos, rindo, conversando. Ao final, lá pelas onze, a gente comia. Naqueles tempos o que já tinha sido voltava a ser. A gente era feliz.
Sinto-me feliz cozinhando. Não sou cozinheiro. Preparo pratos simples. Gosto de inventar. O que mais gosto de fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro... Você já ouviu falar em sopa de coentro? É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com muito azeite e pão torrado. A sopa desce quente e, chegando no estômago, confirma...A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras. Como a Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como água para chocolate)..."


"Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. "

"Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar."  
(Rubem Alves)







terça-feira, 28 de junho de 2011

Estrela Cadente



Quando eu estiver
com o olhar distante,
maninha,
com um jeito esquisito
de quem não está presente,
não se assuste,
ó maninha,
fui logo ali,
no quintal do céu,
colher uma estrela cadente.


Poemas de Céu, ed. paulinas
Roseana Murray
escritora e poetisa





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Adolescente sooooofre!

 Roy McMahon/Corbis

Só quem tem ou já teve filhos adolescentes sabe o quanto é complicada esta época na vida dos jovens.
Tudo têm vergonha, acham que 'pagam mico', que vão rir da sua cara ou se não estão de acordo com a galera que anda junto, que comunga dos mesmos pensamentos e hábitos, sentem-se até deprimidos. Pior ainda quando as espinhas insistem em aparecer a cada novo dia, fazendo da vida, principalmente das meninas, um horror, a pior de todas entre as demais, como se somente ela tivesse espinhas no rosto e vivesse aquele problemão.

Os meninos não suportam andar junto das mães, sentem vergonha de andar de mãos dadas e não querem beijinhos em público, isso poderá lhes trazer sérios problemas diante do seu grupo.  Estão numa fase de auto afirmação, de amar e ser amado, têm milhões de pensamentos e querem descobrir o mundo e entender tudo. 

Estes sentimentos adolescentes, principalmente de aprovação do olhar do outro, tornam os jovens nesta idade muito sensíveis à vergonha.  Eu mesma tive esse comportamento algumas vezes, como por exemplo, uma tarde que chovia muito e meu pai, preocupado com que eu pegasse aquele temporal pelas ruas, chegou à minha escola com capa, galochas e um guarda-chuva imenso, parecia uma barraca de praia, preto e com uma das varetas fora do tecido. Eu, boba e sem entender aquele sentimento tão amoroso de meu pai naquele instante, só faltei me esconder atrás de uma amiga para ele não me achar.  Ele achou, claro, e eu fui embora debaixo daquele imenso guarda chuvas, sentindo-me olhada por todos e morrendo de vergonha. Que bobeira, não é mesmo?  Mas quando somos adolescentes, estes sentimentos de que somos os únicos no mundo a serem observados em nossos defeitos ou comportamentos é muito comum  de acontecer e ainda bem que isso passa.

Agora, imaginem um adolescente de 16 anos que tem um pai que vai às raias da loucura todas as manhãs para dar tchauzinho pro filho na porta de casa.  Ele diz que faz isso por amor para que seu filho mais tarde lembre-se dele  pelo resto da vida.  Então todos os dias ele se prostra diante de casa com uma fantasia diferente e mais maluca que a outra, espera o ônibus da escola chegar, o filho sair e fica de pé dando seu tchauzinho constrangedor.  No início foi uma tormenta, disse o filho, mas depois foi se acostumando, assim como o motorista e os outros alunos seus colegas que se divertem a cada dia com uma nova fantasia.


O pai figuraça não repete fantasias, pede emprestado aos amigos e vizinhos e já se vestiu de Papai Noel, Abajur, Kung Fu Panda, Batman, Pirata, etc.







Se quiserem conhecer este pai embaraçoso, mas simpático e adorado pelos filhos, cliquem aqui .  Seu blog foi criado depois depois que o filho perdeu a vergonha e começou a curtir suas maluquices,
colocando fotos no Facebook e, incentivado pela irmã, resolveu então criar este blog para o pai.

Se você tem filhos adolescentes e quer entendê-los melhor, vejam este site interessante que explica quais são os principais micos que você comete e que seu filho odeiiiia.


-Imagens daqui-

domingo, 26 de junho de 2011

É disso que eu gosto



Final de semana na serra em fotos:


Logo na entrada da cidade ser recebida com flores, neblina fininha e a calmaria da montanha.


Cerejeiras em flor no Quitandinha


Tudo cor de rosa, delicadas flores, algumas ainda em botão.
Lembrei-me do amigo Alexandre lá no Japão e dedico a ele estas fotos.


Acima, alguns flashs da Bauernfest, tradicional festa alemã que está acontecendo em Petrópolis até o próximo domingo, dia 3 de julho. 
A comida típica alemã, chucrute, salsichão e a deliciosa cerveja Bohemia e seu chopp claro e escuro.
Palácio de Cristal enfeitado para as danças típicas alemãs.


E quem tem amigos de verdade, sempre é convidado para alguma coisa.
E foi assim que passamos a noite de ontem, com vinho, lareira, fondue de queijo e de chocolate com frutas.
Delícia de amigos e de sabores! Obrigada por existirem!


Petrópolis eu te amo, sempre voltarei!




sábado, 25 de junho de 2011

Alô, Comunidade!

Imagem Google

Gente amiga, estou por estes dias com uma conexão muito fraca e num lugar onde a recepção via satélite é difícil, às vezes oscila muito, não tenho como manter-me plugada, mas estou aproveitando para curtir os dias
de sol ameno e brilhante deste inverno na serra e as noites iluminadas pelas festas juninas e, principalmente da famosa festa alemã que acontece todos os anos aqui em Petrópolis. Está linda e se você mora no Rio ou próximo, não perca esta festa familiar, cheia de danças típicas, comidas alemãs e regada a muito chopp da cervejaria Bohemia, totalmente artesanal e que está fornecendo diretamente para a Bauernfest deste ano.

Peço um favor a todos os amigos que leem meu blog sempre e que estão comigo todos estes anos, pessoas as quais não posso e nem quero perder de vista, mas que não estou podendo visitar seus blogs por que sumiram de um dia pro outro da barra lateral do meu blog.  Então, se vierem me visitar este final de semana, deixem aqui nos comentários, o seu link completo para que eu possa restaurar minha lista tão preciosa de blogs que leio.

Bom final de semana a todos e muitos beijinhos!




quarta-feira, 22 de junho de 2011

As Dores

-Imagem Corbis-

Não é raro que a gente se medique quando tem uma ou outra coisinha nos atormentando e aqui no Brasil fica mais fácil ainda, já que as farmácias expõem seus medicamentos à vontade, você pode comprar até a granel se quiser, é só ir enchendo a cestinha, uma festa para os hipocondríacos.  Se temos dor de cabeça, a aspirina é o remédio quase certo, se for uma tosse fraquinha, um bom xarope a base de mel e agrião e para a garganta que arranha, nada melhor que pastilhas de hortelã; para gases, todo mundo conhece o luftal e por aí afora. O famoso ditado "De médico e de louco todo mundo tem um pouco" cabe muito bem para quem se medica por conta própria ou dá idéias pros outros.  Eu mesma conheço alguém que sabe muito sobre doenças e dores, de vez em quando até me 'consulto' com ela.  Mas, se a tosse não passa e aparece febre, o melhor é ir a um médico e não bobear para não evoluir em algo pior.

Os remédios da minha infância e que estão gravados na memória olfativa até hoje são: Biotônico Fontoura que era uma delícia,  Calcigenol todo rosinha e doce e o terrível e intragável Óleo de Fígado de Bacalhau. Hirrc!
Lá em casa todos os três tomavam e minha mãe não aliviava, todos os dias, em escadinha, a gente engolia este medicamento que, segundo ela e o médico, fortalecia os músculos e o cérebro.

A verdade é que detesto sentir dor, não sei administrar nenhuma dorzinha e fico até meio descontrolada.
Os tempos mudaram, felizmente, e já não se sofre de dores que no passado eram muito comuns, como dor de dente por exemplo.  Hoje, podemos tratar dos mesmos e evitar que cresça uma cárie ou tenha que retirar o dente, só em casos extremos mesmo.

Eu já experimentei dois tipos de dores grandes na vida.  Primeiro eram as cólicas menstruais da juventude que me deixavam de cama e tinha que tomar algum analgésico e minha mãe colocava bolsas de água morna em minha barriga para amenizar as benditas cólicas e depois, mais adulta, pedras na vesícula, que da terceira vez em que fui parar num pronto-socorro, resolvi que tinha mesmo que operar e retirá-la.

Quando a gente sente dor parece que o mundo inteiro desaparece e ficamos só nós ali, sofrendo e querendo uma resolução, pois nada interessa-nos, nem mesmo o doce mais gostoso,um sorvete, nada ... a gente não quer sentir dor, isto sim!

E ainda bem que a ciência evoluiu em suas descobertas para o domínio da dor, pois não adiantaria tanto progresso e tecnologia se nosso corpo sentisse dor e não pudéssemos usufruir de tudo isto.

No livro "Quando eu era menino" do meu querido Rubem Alves, ele fala sobre as dores que teve na sua infância e como era difícil naqueles tempos ser tratado e medicado, ele diz: "Na roça se sofria muito, sem esperança.  Na roça a dor mandava.  É por isso que se dizia, quando uma pessoa morria: "Descansou...""

Ao final deste capítulo Rubem Alves deixa alguns tópicos PARA PENSAR:

* Faça uma lista das dores que você já sentiu, das dores que você viu outras pessoas sentirem, das dores sobre que você ouviu.  Para ajudar vou começar: picada de abelha, espinho no pé, martelada no dedo, topada do mindinho do pé na ponta da mesa, encostar a mão na panela quente, beliscão, palmada ...


* As dores têm uma função importante.  São sinais de alarme.  Uma dor quer dizer que algo errado está acontecendo no organismo.  Por isso é importante descobrir a causa da dor.  Pode ser um apêndice inflamado...


* Há a dor que, acho, você nunca sentiu: a dor da fome.  Há milhões de pessoas que sentem a dor da fome, há milhões de pessoas que morrem sentindo a dor da fome.
Enquanto alguns morrem de fome, há outros que sentem a dor de ter comido demais.  Comer mais do que o corpo pede se chama gula.  Os teólogos diziam que gula é pecado.  Há alguma coisa errada num mndo em que uns morrem de fome e outros esbanjam comida.  Por que será que há pessoas que não têm o que comer?
O que se deveria fazer para que todos tivessem o que comer?


* Na sua casa faça um relatório sobre a comida que se perde: frutas que apodrecem, pão que fica velho, sobras de comida jogadas no lixo.


"No princípio era a dor ... Foi a dor que fez os homens pensarem.  Pensaram no que fazer para parar de sofrer.  A ciência começa sempre com a dor.  E todo o conhecimento científico que os homens criaram e acumularam através dos milênios tem um objetivo apenas: fazer com que soframos menos.  É preciso não sofrer para poder ter alegrias.  Assim, a ciência, que tira a dor, está a serviço da arte, que dá alegria."
Rubem Alves


Uma criança com sintomas de desnutrição chora ao ser examinada por um médico em uma clínica dirigida pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) no campo de refugiados de Dadaab no nordeste do Quênia, em foto tirada no último dia 17. O campo de refugiados de Dadaab, o maior complexo deste tipo no mundo, foi criado no início da guerra civil na Somália, em 1991, com capacidade para 90 mil refugiados.
                                                                          (UOL)















terça-feira, 21 de junho de 2011

Se você não pode ir à Paris agora, esta é uma boa saída.

-Imagens Corbis-

Peguei um ônibus hoje à tarde, logo ali na esquina, e fui parar em Paris.
Sério.
De repente passeava pelos jardins do Palácio de Versailles, ouvia Pablo Picasso,  Toulousse Lautrec, Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí e até a primeira dama, Carla Bruni, em pessoa, sendo guia de turismo da bela cidade luz.


E você também pode fazer o mesmo amanhã, se perto de sua casa tiver um cinema passando o último filme de Woody Allen  - Meia Noite em Paris.  Simplesmente adorável e recomendo, principalmente se você não puder ir agora, como eu, ver Paris nos dias de hoje ou aquela da década de 30, quem sabe da Belle Époque também, tudo isso entre o sonho e a realidade que um escritor apaixonado por esta cidade nos faz passear e a genialidade de Allen nos faz sonhar.  Eu amei, amei!




Sinopse: Escrito e dirigido por Woody Allen, Meia Noite em Paris é uma comédia romântica sobre uma família que precisa se mudar para Paris a trabalho, e sobre um jovem casal de noivos, com casamento programado para o Outono, que vêem suas vidas mudarem completamente. É também sobre um jovem que tem um grande amor por Paris e a ilusão que as pessoas tem que uma vida diferente da sua é sempre muito melhor. Estrelado por Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Kathy Bates e Carla Bruni, entre outros.


E o vídeo abaixo é uma crítica que corrobora o que eu disse acima, feita com humor e talento por alguém que sabe das coisas, Maurício Saldanha, não deixem de ver:






segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu sou normal, uai!


Jack Nicholson-ator-Google


Ultimamente eu ando lendo ou sabendo de cada coisa que acabo pensando que este mundo é dos loucos mesmo. Muito comum hoje em dia você estar sentado em algum lugar público, aeroporto, restaurante, rodoviária, qualquer lugar onde estejam pessoas num raio pequeno de distância um do outro, e você ouve toda a conversa do sujeito ao lado e isso sem ter a mínima vontade de ouvir.  Tem gente administrando coisas do trabalho através do celular, fora do lugar de trabalho, como se fosse a coisa mais normal deste mundo.
Um sujeito bem gordo, quase não dava na cadeira da sala de espera do aeroporto em Santiago, falava com a mulher, dizendo o horário da saída do voo, contando o que viu e o que fez, reclamando que ainda ia parar em Guarulhos e que só chegaria em Fortaleza bem de noitinha, mas antes ele resolveu uma possível venda de um terreno que ele tem não sei onde e contou vantagens daqui e dali sobre o que possuia e tals.  Na maior cara de pau, sem se importar a mínima com quem estava ali por perto.  Ainda terminou dizendo pra mulher que a amava muito também.  Menos mal!  Eu fiquei olhando para a cara do sujeito igual ao personagem do Nicholson aí acima, só faltei dar uma gargalhada meio sem noção assim também.

E noutro dia li sobre um outro sem noção, mas que faz o maior sucesso nas redes sociais mundo à fora, um tal de Sean Bonner que há mais de um ano não toma banho com sabonete e nem usa shampoo, somente água, e seu banho pode durar apenas 5 minutos. Ele jura que não tem cheiro ruim e que se quiserem conferir podem cheirá-lo quando o virem em público.  Ele diz que segue o relato de um paleontólogo que afirma que o corpo foi feito para se auto regular. Muito estranho, pois eu não conseguiria viver sem meu sabonete, shampoo, creme hidratante para o corpo, desodorante, pasta de dente, fio dental, creme para as mãos, perfume francês, esmalte para as unhas, creme para dia e noite para o rosto, maquiagem de uma maneira geral, spray para cabelo, ufa!  
Bem, mas eu sou normal, uai!





domingo, 19 de junho de 2011

Renovando a Felicidade



"A medida do amor é amar sem medida."
(Santo Agostinho)

Eu o admiro porque ELE soube se renovar, não fechou seu coração para a vida, buscou a felicidade e o amor, por esta razão procurou e achou tudo isto em outra pessoa, só não imaginava que ELA também fazia o mesmo movimento, procurava, não se fechou para o amor e foi assim que o mesmo se revelou para ambos. 

Quem quer amar e ser amado não pode se esconder, tem que estar disposto a revelar-se, não guardar seus segredos, nem esconder seus mistérios.  Já vi gente que exige do outro, mas não está disposto a abandonar-se na confiança, por isso não cresce nada, antes mesmo de nascer já murchou e morreu.  Mas se tiver vontade de viver, de fazer merecer para si a alegria em ter alguém ao seu lado todas as manhãs ensolaradas ou mesmo aquelas chuvosas e tristes, poderá sentir o gostinho da felicidade de novo.

Esta entrega generosa que meu primo Francisco fez, não se entregando à amargura e solidão, foi recompensada pelo amor vivaz, inteligente e cheio de ternura da querida Lecymar, e ontem selaram este compromisso diante de seus filhos, parentes e amigos, numa bonita festa onde Ele comemorou também seus 60 anos.

Acho muito triste quando vemos pessoas sofrendo porque não conseguem achar alguém que tire esta dureza de dentro de si, mas também não fazem um mínimo de esforço, transformação ou de generosidade gratuita para consigo mesmo.

Parabéns a Eles e a todos que descobrem que toda a beleza do coração se exprime na capacidade de amar!











sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Reverência Final

-Londres-

Apesar de meu nome ser mais conhecido porque é o nome da rainha da Inglaterra, sua origem é hebraica e o significado quer dizer,  'consagrada a Deus'. Pelos sites que dizem algumas coisas sobre meu nome, indicam o número 7 como sendo da sorte dentro da numerologia.
Tudo bem!  Eu não ligo muito para estes detalhes, mas fico chateada quando escrevem errado meu nome, principalmente se fizerem uma barbaridade como noutro dia num supermercado, quando um desses meninos que ficam atrás da gente, tentando ganhar clientes empurrando um cartão de descontos e resolve me seguir, quase implorando para eu fazer o tal cartão. Eu disse que não queria e que estava com pressa (estava mesmo), mas ele disse que poderia ir preenchendo o formulário enquanto eu ia colocando minhas compras no carrinho.  Eu disse ok e ele foi me seguindo com a prancheta nas mãos e começou com a pergunta do meu nome.
Respondi que era Elizabeth e aí ele me perguntou se era com s.
Como já sei que existe uma outra forma de escrever este nome, tive paciência e exortei-o que o meu era com z e th.  
Meio desconfiada de suas habilidades com a nossa língua, dei uma espiadela na prancheta e quase caio dura, quando vejo que ele separou meu nome nos quadradinhos, ficando assim - Eliza Beth -
pode ser até que hoje em dia já tenham inventado uma forma de escrever este nome desse jeito, mas eu juro que nunca vi.
Santa Carochinha, a quantas anda a educação em nosso país!
Para encurtar o papo, peguei a prancheta da mão dele e consertei tudo, ainda preenchi em menos de 5 minutos todos os outros campos restantes, senão estaria até agora lá com o bonitinho, todo trabalhado a 'la Neimar', com o cabelinho bem cortado, mas quase sem conhecimentos básicos.  Brinquei com ele que ia lhe dar um cascudo se continuasse fora da escola, que poderia trabalhar ali no supermercado, mas que não deixasse de se instruir, completasse sua educação e se formasse para ter um futuro melhor.
Ele sorriu um lindo sorriso branco na sua juventude cheia de esperança e sem medos, e agradeceu-me muito ter-lhe quebrado o galho, fazendo o cartão e poupado-lhe tempo e mais constrangimento naquele trabalho 'difícil' que arranjaram para ele.


Bem, mas voltando ao nome Elizabeth que me foi dado pelos meus pais em homenagem à rainha quando aqui esteve em 1953 e que, imagino, muitos pais fizeram o mesmo,  o que eu queria na verdade era falar-lhes sobre esta novidade que li noutro dia  no Jornal Daily Mail, sobre uma integrante do clã real inglês que está chamando a atenção da mídia no mundo todo, ao lançar um livro, uma autobiografia, chamada "The Final Curtsey" (A Reverência Final), cheio de fotos incríveis e curiosas da família real britânica. 
O nome dela é Margareth Rhodes e é prima e amiga de infância da rainha Elizabeth II. 
Ela tem 86 anos, mora numa casa nas cercanias do parque de Windsor e quem lhe deu esta propriedade foi a rainha mãe em 1980.
As cenas e a narrativa são deliciosas, por revelarem um lado tão íntimo da rainha Elizabeth e sua família, como podem ver nas fotos abaixo em que ela aparece em sua propriedade na Floresta Balmoral, comendo ao lado da prima Rhodes, com um pratinho no colo, num banco do lado de fora do chalé de madeira, completamente informais, descontraídas como duas senhorinhas de qualquer subúrbio londrino.


(Clique para ampliar)

Alguns trechos traduzidos do livro:

"A rainha-mãe tinha o incrível dom de fazer as pessoas acreditarem que durante uma conversa elas eram as únicas com as quais ela gostaria de falar no mundo. Uma mulher que nunca admitia uma doença e que “considerava a aspirina uma droga perigosa”.
Outra curiosidade é que a rainha-mãe não se importava com as pessoas fumando ao seu lado. Dizia que isso a fazia lembrar-se de seu marido, de seu pai e de seus irmãos, todos fumantes.
“À noite, enquanto jantávamos sozinhas, ela gostava de assistir TV – particularmente ‘Two Fat Ladies’ (‘Duas Senhoras Gordas’) e programas de humor”.  
Segundo Rhodes, a rainha-mãe recebia inúmeras correspondências – e nenhuma delas era ignorada. Além de responder a todas as missivas, a rainha tinha “uma caverna do Alladin de presentes”, um armário cheio de bibelôs que vez ou outra eram embalados e mandados juntos com a carta.












quinta-feira, 16 de junho de 2011

Suavidade

 -Corbis-


Florbela de Alma Conceição Espanca
Portugal - 1894//1930
Poetisa


Suavidade


Poisa a tua cabeça dolorida

Tão cheia de quimeras, de ideal,
Sobre o regaço brando e maternal
Da tua doce Irmã compadecida.
Hás-de contar-me nessa voz tão qu’rida
A tua dor que julgas sem igual,
E eu, pra te consolar, direi o mal
Que à minha alma profunda fez a Vida.
E hás-de adormecer nos meus joelhos…
E os meus dedos enrugados, velhos,
Hão-de fazer-se leves e suaves…
Hão-de pousar-se num fervor de crente,
Rosas brancas tombando docemente,
Sobre o teu rosto, como penas de aves…

E, definitivamente, o português tanto de Portugal quanto o daqui, é o mais lindo idioma que existe.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

A relativa beleza das coisas-Little Bee

Fotos by 52 Flea

Sim, eu gosto do belo, de admirar a beleza das coisas e da vida, mas nem sempre podemos ficar só neste mundo da beleza e do que gostamos, temos que sair da nossa zona de conforto.  Às vezes a realidade cruel entra em nossas casas, senta e come em nossas mesas e conta-nos coisas que estão muito distantes do nosso dia a dia, e aí, as pessoas, mesmo as desconhecidas, podem mudar completamente as nossas vidas.
 E não se trata de ser 'boazinha', mas se você tem um mínimo de decência e compaixão pelo humano, não pode fechar os olhos e tapar os ouvidos, acaba se envolvendo, dando um parecer, tentando ajudar, mostrando e clareando caminhos ou, quando necessário, uma ajuda financeira até, mas o fato é que o mundo de hoje é de um jeito que quando você menos espera se vê entrelaçado à pessoas e suas dores, cada uma  lutando contra seu próprio inferno pessoal, totalmente diferentes na essência, mas unidas pela fatalidade.


No aeroporto de São Paulo, ansiosa para ler um livro novo, já que tinha acabado por aqueles dias com uma linda estória sobre uma costureira e seus envolvimentos com a resistência inglesa  na época da segunda guerra, busquei então algo na livraria do aeroporto que não fosse pesado, para não ficar levando peso além da mala de mulher que, não sei porquê, é sempre mais pesada que a do homem.  Infelizmente, nossos livros editados aqui no Brasil ainda são pesados, usam matéria prima cara, capas lindas, mas papel muito denso e de peso absurdo, totalmente diferente dos livros que vemos no exterior, muitas vezes grossos, com centenas de páginas, mas levíssimos e fáceis de carregar até com dois dedos. Nesta minha busca por algo leve e interessante, dei de cara com um livro que já tinha ouvido falar, mas não sabia direito o conteúdo, entretanto gostei da capa e do peso principalmente. Acompanhou-me na leitura durante os vôos que me enchem de medo e acabei entrando na estória tão profundamente que até esqueci que estava voando a milhares de pés do chão.


A fatalidade une as pessoas sem querer, sem enviar aviso e as vidas acabam se chocando num dia fatídico.  
É assim que começa a descrição da contra-capa deste livro que me chamou atenção e me fez ficar curiosa em lê-lo: " Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola."


Eu confesso que não sou muito fã de livros com estórias pesadas, dramáticas, mas a fluidez de escrita deste talentoso escritor inglês e o modo como nos mostra essa pungente e incrível estória, algumas vezes narrada por Sarah, outras pela própria Abelhinha, envolve o leitor completamente.  Em certos momentos conseguimos sentir a dor desses personagens, ficando tão real que esquecemos que é uma obra de ficção.
Porém, o mais importante é a reflexão que ele nos leva a fazer, pois sua linguagem atual, assim como o mundo contemporâneo ali detalhado, o contraste das vidas das duas mulheres, a questão da etnia, o terror das guerras pelo petróleo que atingem povos africanos, dizimando-os, forçando-os à imigração ilegal,  ao convívio com um mundo novo e ultra moderno, chocante na constatação ao que a globalização influencia nos atos humanos e nas vidas desperdiçadas em mortes inexplicáveis ou misturadas ao conforto, riqueza, bons trabalhos e vidas fartas do mundo ocidental.


Força, coragem e, no fundo, a beleza na superação de tudo, uma obra de arte que realmente impressiona, fica em nosso pensamento quando fechamos a última página, levando-nos a repensar se nossas vidas são mesmo tão difíceis como imaginamos.


“Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: ‘Eu sobrevivi."
-Chris Cleave-





terça-feira, 14 de junho de 2011

Sonhando acordada

(Clique para ampliar)


Meus olhos sempre se desviarão para a beleza das coisas e da vida. Desde a infância que já demonstrava este olhar atento para cores, pequenos detalhes de enfeites, catava conchinhas em praia e florzinhas pelos jardins. O culpado era meu pai que tinha estes hábitos esquisitos também, mas o fato é que nós dois sempre embelezamos a casa. Ele com os objetos que volta e meia comprava no centro antigo do Rio, e eu com as arrumações, mexendo nos móveis pra lá e pra cá, mudando tapetes e vasos, feliz da vida nas sextas feiras em que ele chegava com flores para o final de semana e que eu corria a encher algum vaso com água e colocá-las no lugar que eu achava mais bonito.

Já ouvi e li certas pessoas dizerem que viveriam felizes se ficassem dentro de um determinado ambiente, como por exemplo; uma livraria para os amantes de livros, uma loja de discos para os apaixonados por boa música ou uma floricultura por quem adora flores, como é o meu caso. Como eu ficaria muito feliz se tivesse uma lojinha de flores charmosa, onde pudesse mesclar peças antigas como estas acima (algumas são minhas, com montagens que eu mesma fiz para brincar de fotografar).

Flores e antiguidades. Combinam, não é mesmo? Eu amo as imperfeições das marcas de idade que alguns vintage possuem, assim como a história que têm para contar.  Quem será que os possuiu antes de mim?  De onde será que eles vêm? E qual será sua próxima história?  
Quem sabe um dia realizo este sonho!