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quarta-feira, 15 de junho de 2011

A relativa beleza das coisas-Little Bee

Fotos by 52 Flea

Sim, eu gosto do belo, de admirar a beleza das coisas e da vida, mas nem sempre podemos ficar só neste mundo da beleza e do que gostamos, temos que sair da nossa zona de conforto.  Às vezes a realidade cruel entra em nossas casas, senta e come em nossas mesas e conta-nos coisas que estão muito distantes do nosso dia a dia, e aí, as pessoas, mesmo as desconhecidas, podem mudar completamente as nossas vidas.
 E não se trata de ser 'boazinha', mas se você tem um mínimo de decência e compaixão pelo humano, não pode fechar os olhos e tapar os ouvidos, acaba se envolvendo, dando um parecer, tentando ajudar, mostrando e clareando caminhos ou, quando necessário, uma ajuda financeira até, mas o fato é que o mundo de hoje é de um jeito que quando você menos espera se vê entrelaçado à pessoas e suas dores, cada uma  lutando contra seu próprio inferno pessoal, totalmente diferentes na essência, mas unidas pela fatalidade.


No aeroporto de São Paulo, ansiosa para ler um livro novo, já que tinha acabado por aqueles dias com uma linda estória sobre uma costureira e seus envolvimentos com a resistência inglesa  na época da segunda guerra, busquei então algo na livraria do aeroporto que não fosse pesado, para não ficar levando peso além da mala de mulher que, não sei porquê, é sempre mais pesada que a do homem.  Infelizmente, nossos livros editados aqui no Brasil ainda são pesados, usam matéria prima cara, capas lindas, mas papel muito denso e de peso absurdo, totalmente diferente dos livros que vemos no exterior, muitas vezes grossos, com centenas de páginas, mas levíssimos e fáceis de carregar até com dois dedos. Nesta minha busca por algo leve e interessante, dei de cara com um livro que já tinha ouvido falar, mas não sabia direito o conteúdo, entretanto gostei da capa e do peso principalmente. Acompanhou-me na leitura durante os vôos que me enchem de medo e acabei entrando na estória tão profundamente que até esqueci que estava voando a milhares de pés do chão.


A fatalidade une as pessoas sem querer, sem enviar aviso e as vidas acabam se chocando num dia fatídico.  
É assim que começa a descrição da contra-capa deste livro que me chamou atenção e me fez ficar curiosa em lê-lo: Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola."


Eu confesso que não sou muito fã de livros com estórias pesadas, dramáticas, mas a fluidez de escrita deste talentoso escritor inglês e o modo como nos mostra essa pungente e incrível estória, algumas vezes narrada por Sarah, outras pela própria Abelhinha, envolve o leitor completamente.  Em certos momentos conseguimos sentir a dor desses personagens, ficando tão real que esquecemos que é uma obra de ficção.
Porém, o mais importante é a reflexão que ele nos leva a fazer, pois sua linguagem atual, assim como o mundo contemporâneo ali detalhado, o contraste das vidas das duas mulheres, a questão da etnia, o terror das guerras pelo petróleo que atingem povos africanos, dizimando-os, forçando-os à imigração ilegal,  ao convívio com um mundo novo e ultra moderno, chocante na constatação ao que a globalização influencia nos atos humanos e nas vidas desperdiçadas em mortes inexplicáveis ou misturadas ao conforto, riqueza, bons trabalhos e vidas fartas do mundo ocidental.


Força, coragem e, no fundo, a beleza na superação de tudo, uma obra de arte que realmente impressiona, fica em nosso pensamento quando fechamos a última página, levando-nos a repensar se nossas vidas são mesmo tão difíceis como imaginamos.


“Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: ‘Eu sobrevivi."
-Chris Cleave-





25 comentários:

Elianne Goff disse...

Fiquei curiosa,eu gosto de ler mais ja faz um tempao que nao me dedico a ler . Pq sou do tipo que qdo gosta passo horas lendo para saber o final , claro eu sou assim curiosa mesmo. Boa dica !!! Ah! Eu tb gosto de admirar as belezas e a simplicidade das coisas as vezes e que tornam elas tao fascinantes e belas.

ps.. Voltei apos longa pausa...

bjs,

orvalho do ceu disse...

Olá, querida Beth
E como sobrevivi, amiga!!!
Só Deus sabe... uma enorme cicatriz tenho em meu ser... mas ela é o meu troféu!!! Não morri... venci!!!
Que belíssimo post!!! Parabéns!!!
Aprecio demais as hortênsias petropolitanas...
Bjs de paz

Rafeiro Perfumado disse...

Livro pesado e história pesada até tiveste sorte em não pagar excesso de peso no avião.

Lizete Delmonte Ferraz disse...

Oi, Beteh! realmente quando nos vemos diante de sofrimentos e dores externas, longe de nós, percebemos o quanto a nossa vida é boa e o quanto temos a agradecer...linda matéria...muito sensível...
Um dia lindo para vc!!! amo hortências! como elas deixam a nossa vida mais bela!!

Bjs! Liz

✿ chica disse...

Fizeste uma bela apresentação desse livro.Lindas hortências a ilustrar.beijos,tudo de bom,chica

Lorena Viana, disse...

Olá,

Ótima indicação... já li esse livro, também recomendo!
Um estória envolvente, que nos faz refletir muito!

Adorei seu cantinho!
Voltarei aqui mais vezes...

Bjo!
http://vinculomamaeebebe.blogspot.com/

Márcia Cobar disse...

Puxa Beth, fiquei arrepiada com a citação! Fiquei interessada e vou comprar o livro quando estiver no Brasil e te dou um feedback depois.
Bjs
Márcia

Beth/Lilás disse...

Pois é, meninas, o livro é bom e até a atriz Nicole Kidman resolveu filmá-lo, mas algumas pessoas não gostam, acham que certos capítulos são grandes demais sem necessidade, porém penso que um livro tem que ter conteúdo, senão fica parecendo redação de escola, contando rasamente o que vai acontecendo. Este, justamente, tem até flash backs e reflexões que enriquecem muito a leitura. Eu gostei, mas se você não gostar é um caso à parte, cada um tem seu estilo e gosto,ok.
beijos a todas

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Valéria disse...

Oi Beth!
Não conhecia o livro, ams deve ser sensacional!
De muita sensibilidade!
Cicatrizes, significa que sobreviveu, sobrevivi!

Beijos!

Maria Luiza disse...

Olá Beth/Lilás, sua presença no meu blog irradiou-me muita alegria. Obrigada por esse carinho e veja, já havia visto pela manhã, vendo no painel o blogue dessas hortênsias que você postou e o que eu gostei foi da renda caindo do vaso. Não conheço o livro que você descreveu mas deve ser bom. Aceite meu abraço amigo, e saiba que eu sou aquela quequando vê uma árvore corre para abraçá-la. Bjbjbj!!!

Lu Souza Brito disse...

Olá Beth,

Também me despertou curiosidade...mas ultimamente nao tenho conseguido ler (prestar atenção ao que estou lendo, seria o certo).
Belissimas as hortensias. E que frase para fechar o post hein?
Um beijo

Calu disse...

Betinha,
vc sabe combinar com maestria sutileza e clamor, sonho e realidade.Contrapondo as duas faces que permeiam a vida.Fiquei curiosíssima a respeito do livro, tão bem resenhado por Vc.
Preciso me conter senão minha pilha de espera via alcançar o teto(rs).
O que dizer;mais um post maravilhoso!
Bjnhos,
Calu

manuel marques disse...

Humm,a não perder,já anotei.

Beijo meu.

Paulo Rideaki disse...

Bom dia "mamãe Gaia, saudações de um amigo, que curte o teu espaço de montão!
Quanta energia sinto em seu espaço, mas mais do que as vibrações, sinto a força e a energia das tuas palavras!
É verdade que não podemos ficar alheios aos sofrimentos das pessoas a nossa volta.
Pois todos compartilhamos e vivemos dentro da mesma sociedade.
E existe uma relação entre as pessoas, entre as coisas e as diferentes situações de cada uma delas, de um jeito ou de outro, elas se convergem.
Portanto quando ajudamos os nossos semelhantes, fazendo bem ao próximo, estamos fazendo um bem para nós mesmos!
Mas tem as suas exceções, olha como estamos sintonizados, adoro ajudar as pessoas, e faço o meu melhor para elas, dentro das minhas possibilidades.
Algumas pessoas, confundem este ato de ajuda, e se escoram na gente.
Pensando que temos a obrigação de sustenta-los ou algo do tipo.
Faço a minha parte, quero dizer orientações, a minha amizade, e quando posso, ajudo financeiramente, mas não sempre!
Por causa destas atitudes de algumas , hoje tenho mais cautela em ajudar determinadas pessoas.
Quanto ao livro fiquei muito curioso, e muito provavelmente vou le-lo!
Muito obrigado por este texto, reflexivo e agregador, a qualidade dos teus pensamentos e sensibilidade tem me agregado valores!
NAMASTÊ!

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

(tá tão bonito esse post, as hortênsias. são as flores da época aqui)

não dá pra viver só de doce ou salgado, o segredo é o equilíbrio de sabores. e rosa tem espinho, fazer o que...

aqui os livros são de papel fino, bem levinhos. qse todos tem tamanho de bolso, práticos. e baratos tb, pq custam o equivalente a um mcdonalds com batata frita e coca.

esse livro, eu queria ler. lembro de ter visto sobre ele no blog , se não me engano era o da querida Elaine Gaspareto, há um bom tempo... e me interessou bastante.

bom dia querida mãe Gaia!

Telma Maciel disse...

Adoro ler! Gostei do enredo, de como vc o descreveu... vou anotar para procurar depois!
Beijo

Luciana disse...

Beth, que post lindo esse. Fiquei aqui doida de vontade de também ler este livro, vou procurar por aqui ou quem sabe pela internet.
Uma coisa interessante que você observa é realmente o peso dos livros no Brasil, interessante, nunca tinha pensado sobre isso mas já tinha percebido.

Também gosto do belo, mas o mundo não é só feito disso e não podemos nos deixar cegar pela realidade. E uma pena que nem todos podem apreciar algo belo, nem que seja por um breve momento nessa vida, e somente lendo o seu post pude constatar isso, tanta gente neste mundo jamais terá acesso a qualquer forma de belo. Triste.

Lindas as hortências das fotos. Estou em 'love' com as hortências.

Beijo

ML disse...

Mas que linda essa frase final, Beth!

Eu sou daquelas que só lê "histórias adocicadas", bobinhas, final feliz, etc. Poucas vezes li algo "denso" porque a gente se envolve, né?

Outra coisa: começo sempre lendo o último capítulo, então por mim podem contar a história à vontade ; > )

bjnhs

Somnia Carvalho disse...

Uia Lilas que fiquei com a maior vontade de ler! terminei um esse dias e to louca pra comecar algo novo, embora eu ja esteja relendo zaratrustra.. rs...

quando estava lendo este ultimo livro eu pensei como voce... parecia que estava num mundo distante, de repente angelo entrava e me falava algo ou renato e ai eu voltava a realidade...

livro bom e assim, tira a gente do nosso mundo, ensina, da muito para a gente dar de novo depois! bjsss

Maria Célia disse...

Oi Beth, boa noite
Parabéns pelo primor de texto sobre o livro.
Você é mágica com as palavras, você deveria escrever um livro.
Que espetáculo suas hortênsias.
Vou anotar o nome do livro, próxima oportunidade comprarei.
Bjo

Teresinha Ferreira disse...

Olá Beth,
Hummmmm....Adoro hortências!!!!
Sempre que as vejo fico encantada.
A superação é algo que sempre nos acompanha e nos fortalece para novos episódios em nossas vidas, né?
Hoje, estou precisando de livros com temas mais animadores, mas, fiquei interessada e curiosa.
Você não me respondeu, né???rsrs
Bjs mil

Luma Rosa disse...

Fechou o post com uma frase de ouro!!
Não podemos carregar as dores do mundo, mas também não podemos fechar os olhos; essa janela que transporta as impressões e as cola na alma "E não se trata de ser 'boazinha' - e daí, o que há de errado em sentir compaixão?
Beth, vivemos uma patrulha! Você não pode ser bom, não pode ter fé, acreditar nas pessoas e muito menos em Deus. Esse mundo está ficando muito esquisito!
Beijus,

pensandoemfamilia disse...

Oi Berth querida
Foi este livro que ganhei naquele primeiro encontro e, assim que li, fiz um post. Como vc fiquei fascinada pela leitura e sensibilizada com tanta dor.
É um livro que nos leva a refletir muito.
bjs

Lúcia Soares disse...

Beth, boa indicação. Confio em seu bom gosto e discernimento.
As flores são lindas.
A frase final do seu texto é muito bonita mesmo.
Muitas vezes trazemos em nós problemas que aos olhos de outros podem parecer pequenos, mas cada um sabe da sua dor, com certeza.
Beijo!

Cláudia M. disse...

Beth, vc bem que poderia tb escrever um livro, ia ser como esse que vc refere, no aspecto de prender a atenção. Eu fiquei aqui lendo o texto totalmente absorta pelas suas palavras, estava quase hipnotizada. :)
Isto é sério mesmo, ao ler o que escreve, eu sinto "é isso mesmo", mas eu não seria capaz de o escrever dessa maneira. Não é para todos... :)
O livro deve ser muito interessante, concordo plenamente que não podemos viver alheados dos problemas do próximo, afinal somos seres humanos, se não ficamos tocados com o sofrimento dos outros, pouco de "humano" haverá em nós...
Ah, e para quem tem medo de avião (como eu), uma leitura dessas que prende, é mesmo o ideal! :)
Bjs