.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

terça-feira, 12 de julho de 2011

O que eu penso, o que eu sinto e outras cositas más.


Durante todo este período que escrevo aqui no meu bloguinho, fiz alguns posts que podemos chamar de abobrinhas gerais, outros de reflexão e filosofia de vida, meus pensamentos e o que percebo por aí afora e alguns poucos sobre política e história, algumas coisas baseadas em livros que li ou filmes que vi. 
Como sabem e eu sempre deixei claro, não sou escritora nem tenho esta aspiração, mas aqui é um espaço que encontrei para expressar meus pensamentos e interagir com outras pessoas com os mesmos ou diferentes pensamentos, numa proposta sempre de conhecimento e engrandecimento social e espiritual.

O total de 1400 posts no decorrer destes 4 anos, geraram frutos de grandes amizades, de conhecimento mútuo, de fidelidade, de respeito, de mudanças, de reflexões e idéias que fui trocando com um e com outro amigo blogueiro que talvez tenha tido a mesma vontade que eu, compartilhar e acrescentar algo em suas vidas.

Tenho lá minhas tendências para posts bonitos e alegres, coisas que falem de amor, poesia, natureza, amigos, vida de uma maneira geral. Não sou muito de assuntos trágicos ou notícias que podem ser encontradas na mídia, mas que em blogs não tem nada a ver. Aqui nunca foi um espaço triste, não me lembro de ter trazido minhas tristezas pessoais, pode ser que tenha falado da indignação diante de certos atos que vejo grassar pelo mundo, mas de mim pouco falo neste sentido, embora não ache nada demais quem assim o faz, pois cada um tem uma forma e necessidade de se expressar neste mundo virtual e é através de relacionamentos significativos que construímos uns aos outros e encontramos a energia profunda para promover nossa própria transformação. 

Aqui estão portanto todas as minhas idéias, meio desarrumadas, como numa caixa destas que a gente tem em casa, com guardados preciosos e alguns fúteis, mas que não queremos perder nem deixar ninguém arrumar nem mexer.  Fica lá, guardada pro futuro.

E hoje então, para comemorar esta marca atingida, deixo mais um post da minha visão sobre um problema social crescente em nosso país e que escrevendo sobre ele aqui, talvez possa ajudar a construir  algo melhor, trazer a esperança de que juntos vamos poder influenciar na mudança sobre este e outros problemas,  gerando fóruns de debates que serão lidos não só por nós que estamos sempre interagindo uns com os outros no mundo blogueiro, mas de uma maneira geral, fazendo desta praça um mundo de convergência para todos aqueles que sentem a vontade de fazer a unidade geral da humanidade.

                                         

Eu gosto do friozinho deste pseudo-inverno que faz aqui no nosso estado, não chega a ser tão gélido quanto as terras do sul, pelo contrário, fica até agradável uma temperatura que de dia bate os 20 e poucos graus e à noite cai para 13 ou 15.  Eu gosto e me sinto confortável nesta temperatura.
Mas acontece que para muitos, principalmente os alérgicos ou asmáticos, esta época do ano é muito sofrível e, principalmente as crianças são severamente atingidas.

Hoje, minha passadeira comentou um fato que ocorreu com ela e que me encheu de  indignação, pelo que posso chamar de falta de humanidade ou compaixão pelo humano.

No meio da noite, o filho com crise de asma, tosse e chama a atenção para o seu quarto. Ela não dorme, sempre atenta com estas crises que o acometem todos os anos neste período.
Reparou que sua respiração era profunda e dificultosa, formando um buraco na faringe para tentar respirar e a criança quase desfalecendo, buscando o ar e deixando-o trêmulo e desesperado.
Ela também se desespera diante do quadro, acorda o marido que dormia profundamente, e diligentemente leva o filho para o Hospital das Clínicas de sua cidade.

Lá chegando, o atendente do setor de Emergência deste hospital de aparência moderna e luxuosa, pega o nome do menino, anota e refere-se a ela assim: "Senta, mãezinha e espera!"

Mas ela é pobre, mas não é burra nem pateta e reage com a seguinte pergunta: "Esperar o quê, o menino não pode ficar sem respirar, aqui não é a Emergência?!"

O marido que nada fala, apenas segura o filho ao colo, olha pra ela com olhos de medo e reprovação e fala baixinho: "Assim, desse jeito, eles vão tratar mal do garoto lá dentro!",
mas ele sabe também que ela não aceitará esta situação, sabe que ela é de luta e de decisão, além do mais era o seu filho que estava ali, sem ar, sofrendo e esperar o quê, afinal?

Ela, tal qual uma leoa na defensiva, levanta-se, sai abrindo portas que levam até o interior do grande hospital e numa dessas, bateu antes e abriu, lá encontrando uma médica, pediatra de plantão, dormindo numa cama destinada ao descanso desses profissionais à noite.
  
[Engraçado, no meu prédio o porteiro da noite não tem cama para dormir, tem que ficar sentado ali, no hall, sempre atento! Mas, eu esqueci que aqui em nosso país, somos diferentes demais e não se pode comparar porteiros com médicos, né mesmo! Só na Suécia!]

A mãe bateu na porta antes e ela não acordou, então ela abriu devagarinho, olhando a semi-escuridão do quarto e viu então a médica ali deitada.  Dirigiu-se a ela baixinho e com cuidado, intercedendo por seu filho, dizendo-lhe que ele estava muito mal lá fora e se ela poderia atendê-lo naquele instante.

A resposta da médica foi imediata e precisa; "Aguarda um pouquinho, já estou indo!" e foi, demorando apenas uns 3 ou 4 minutos até ajeitar os cabelos e sua roupa.

Chamou-os até seu consultório e, sem olhar para o menino e nem ao menos tocá-lo, dirigiu a mãe a seguinte pergunta: "O que ele tem, mãezinha?"

A "mãezinha" disse-lhe: "Eu acho que ele está com uma das crises de bronquite e reclamou que não consegue respirar direito."  E o menino ofegante, continuava no colo do pai.

A médica então prescreveu uma injeção e do mesmo jeito continuou, sem olhar e nem tocar o menino, dizendo à 'mãezinha' que o levasse ali atrás, a fim de que aplicassem no menino a tal injeção.

Aí a mãe leoa falou: "Boa noite, doutora, meu nome é Flávia, o nome do meu filho é Igor, a cor dele é preta e a senhora não me perguntou nada disso e nem se ele é alérgico a esta ou qualquer outra injeção!"

A médica, assustada e rogada, responde-lhe: "Quem é médica aqui, eu ou você ...  mãezinha?"

A mãe responde: "A senhora é médica, mas eu sou a mãe dele e se eu não quiser deixar que lhe apliquem esta injeção sou eu que decido."  Rasgou a receita, jogou em cima de sua mesa e saiu arrastando o pai e o filho no meio da noite fria da baixada fluminense.
O marido, numa atitude bovina a que todos os pobres e oprimidos deste enorme país assumem numa hora dessas, ainda briga com a mulher, dizendo-lhe que ela é muito nervosa e apressada.

Terminam em casa, fazendo nebulização no menino com o aparelhinho que compraram faz tempo, onde ela mistura os medicamentos que achou da última receita que lhe foi aplicada numa situação de crise como aquela.
                                                  
                                                              
Ao ouvir este relato hoje enquanto ela passava a roupa na minha varanda e eu tomava meu café da manhã, me indignei junto com ela, dei-lhe meus parabéns pela sua determinação e conduta e percebi que, mesmo ainda nosso povo, em sua grande maioria, agir como o marido dela, pacata e abnegadamente, alguma coisa está mudando, rompendo paradigmas, barreiras no falar e no comunicar-se, pois, paradoxalmente neste caso, enquanto uma pessoa com formação superior e que deveria justamente mostrar capacidade de entendimento, de acolher com compaixão e fazer seu trabalho bem feito, foi confrontada pela sabedoria simples e inteligente de uma mãe, trabalhadora, quase analfabeta, mas extremamente observadora e sensível.



segunda-feira, 11 de julho de 2011

O melhor das artes na serra

(Cadeia de montanhas de Petrópolis)

Para esquentar o frio que faz nesta época lá em Petrópolis, além das várias casas com lareiras acesas, vinho e fondue, o Ministério da Cultura e o Sesc inventam todos os anos um Festival de Inverno com música e o que há de melhor nas artes, envolvendo literatura, artes visuais, orquestras, sopranos, palestrantes, enfim, trazem para a cidade artistas renomados e o frio não é empecilho para quem aprecia e está disposto a ver tudo isso.

Eu, claro, fui conferir neste final de semana, no antigo e remodelado Theatro D.Pedro que é uma mescla do art-déco e art-noveau, conjugando motivos geométricos e um meticuloso trabalho nos gradis de ferro trabalhado como podem ver abaixo com ele vazio.

(Theatro D.Pedro-foto Google)

E adivinhem quem eu vi de pertinho?


Este, acima, para quem não sabe, é Yamandu Costa, o maior violonista revelação do Brasil da atualidade, um virtuose.
Realmente incrível como toca este gaúcho de Passo Fundo, entre um gole e outro de chimarrão.  Na verdade, eu não estava com muita vontade de ir a este show, mas meu marido que já conhecia seu trabalho antes e meu filho que viu noutro dia o Yamandu no Aeroporto Santos Dumont, antes de pegar seu vôo, juntamente com um grupo de amigos, dando uma palinha ali mesmo, no aeroporto, antes de viajar, e deixou a todos atônitos com a capacidade de dedilhar tão rapidamente seu belo violão de 7 cordas.
E foi assim que eu fiquei durante a hora de show deste talentoso rapaz, com os olhos bem abertos e impressionada com sua apresentação perfeita.  Vejam que show!

Mas ainda tinha o sábado que prometia de um lado e de outro na cidade. Enquanto no Palácio Quitandinha o cantor e compositor Léo Jaime se apresentava, à tarde no Museu Imperial rolava um concerto à luz de velas com o violonista Romain Garioud e a pianista Liliane Kans, agitando a cidade de gente louca para ver os shows que ficam por preços muito baratinhos se você levar junto 1 kg de alimento.
Mas, nós optamos por ir à noite de volta ao Theatro D.Pedro para assistir ao mais famoso intérprete de Johann Sebastian Bach, o pianista e maestro mais amado do Brasil,  João Carlos Martins,que teve como um dos pontos altos de sua carreira a gravação da obra completa para teclado deste gênio da música.  Devido a problemas físicos, tempos depois teve que abandonar a carreira pianística, passando a fazer uso da regência para expressar a sua paixão pela música.  Ele veio acompanhado de sua Camerata Bachiana, uma orquestra de Câmara que faz parte da Fundação Bachiana Filarmônica, contando com músicos selecionados nas melhroes orquestras do Brasil, constituída por 2 violinos, 1 viola, 1 cello, 1 oboé, 1 clarinete, 1 fagote, 1 flauta e 1 percussão.

Uma apresentação inesquecível com músicas de Mozart, Rachmaninoff, Enio Morricone, o tema Cine Paradiso, Astor Piazzolla, tudo isso entremeado com sua história, contada por ele mesmo, refletida num grande telão no palco do teatro. 


A figura simpática e bem humorada deste grande pianista e maestro cativou a todos e foi aplaudido de pé por alguns segundos.  Saímos dali em êxtase, felizes por poder assistir tão belo espetáculo, o qual ofereci de presente de aniversário a minha querida amiga de longa data Heloísa.

O Festival de Inverno de Petrópolis continua ainda esta semana, recheado de eventos deliciosos e imperdíveis, como Fafá de Belém e Wagner Tiso nesta próxima sexta-feira. Cliquem aqui e vejam tudo.

Para terminar, deixo a todos a história e a música deste brilhante pianista - João Carlos Martins:




A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte.



Só para compartilhar com os amigos esta alegria, mas acabo de reparar no meu marcador de posts ao lado que, este é o meu post 1400. Fico feliz em poder interagir tanto tempo com tão bons amigos. Obrigada a todos que me acompanham nestes 4 anos. beijos.








sexta-feira, 8 de julho de 2011

Porque hoje é sexta-feira





Algumas pessoas se assustam ou não se interessam quando abrem um blog e vêem lá postado um poema.  Eu digo, calma! Não precisa achar que é o único na vida que não consegue interpretar de forma real a subjetividade de uma poesia. Há poetas difíceis, herméticos, complicados em seus neologismos que para uns são interessantes e para outros um afastamento completo de suas obras. Vejam, por exemplo, poetas, escritores como Guimarães Rosa que inovou em sua linguagem, com influência do jeito de falar popular, mesclado à sua erudição própria.

Mas é claro que você não pode ler uma poesia como se estivesse lendo a bula de um remédio, corridamente, sem sentir as palavras, sem respeito por elas, sem ouvi-las verdadeiramente.  Por isso eu digo que a melhor forma para se compreender uma poesia é lê-la em voz alta, fazendo paradas para as vírgulas, respirando, dando espaços entre estrofes e pontuações e unindo corretamente as palavras para dar sentido à frase e mensagem, finalmente.


"Não basta saber ler para ler poesia. Ler poesia é uma arte. Exige que o leitor se coloque numa posição especial de alma. O segredo da poesia está na música da leitura. Mais do que uma arte: é um ato de bruxedo. O leitor invoca um mistério que se encontra nos interstícios das palavras do poeta. Essas palavras estão dentro dele mesmo. O poema faz-me ouvir um poema que está dentro de mim. Esse poema que está dentro de mim é um pedaço de mim."


Rubem Alves

Escolhi estas duas poesias abaixo e fiz uma leitura das mesmas com entonação e pontuação, procurando fazer corretamente, creio que você também conseguirá se ler pausadamente, sentindo cada bela palavra que os poetas criaram para nosso deleite. Clique, me ouça e leia junto comigo.

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente. 

Vinícius de Moraes

Música Enya




 O Sono das Águas - Guimarães Rosa by Mãe Gaia 

Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d’água,
nos grotões fundos
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…

Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folhagem
e adormece.
Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…

Mas nem todos dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…


Relax Music 

Nas duas poesias acima, dois grandes poetas de nossa língua e maneiras diferentes de dizerem as coisas.
Agora, experimentem ler esta poesia com pausas, respeitando a pontuação e, principalmente os sentimentos da poetisa.




Bom final de semana a todos!








quinta-feira, 7 de julho de 2011

É feio, mas eu também fiz.

 (Imagem Corbis)

É isso mesmo que vocês estão vendo!  Como assim, nunca colou?!  Nunca escreveu algumas fórmulas numa tirinha de papel ou na borracha?  Ah, não acredito!  Pois eu confesso: colei!

Nós, meninas, até debaixo da saia escondíamos algum papelzinho para puxar naquela questão tenebrosa de matemática que tinha uma fórmula que insistia em não colar em nossa cabeça, então estava lá no papelzinho colada: D = b²-4ac. 

Eu não sei se eu era boa em colar, com certeza não, mas era boa em fazer a cola.  Perdia tanto tempo escrevendo em letrinhas miúdas numa tirinha e depois ela virava uma sanfoninha que eu levava em todas as provas. Por desencargo de consciência, pois na verdade, de tanto escrever e ler sobre a matéria, acabava decorando ou estudando a mesma e na hora H eu nem puxava o tal papelzinho, pois lembrava de tudo, e acabava ficando lá, na barra da saia ou dentro do estojo de canetas e às vezes até escrito na perna ou numa borracha.  Ahhh, fala sério!  Eu nunca soube pra quê eu tinha que decorar tanta fórmula ou aqueles nomezinhos infames nas provas de Ciências!

Mas eu também era boa de dar cola e assim fazia em português ou francês numa permuta amigável com algum coleguinha que não era lá essas coisas nessas matérias, mas entendia muito de Ciências ou Geografia.

Colar tem arte, perspicácia e de um certo modo inteligência, pois nada adiantaria se algum colega me falasse baixinho a resposta da questão no.9 de uma prova de História, por exemplo, se eu não tivesse lido nada sobre a matéria, na certa deixaria em branco a resposta.  E inteligência foi o que faltou a um colega nos tempos de segundo grau, quando ao colar diretamente de um livro debaixo da carteira escolar, completamente absorto no que estava copiando, colocou tudo conforme lá estava, ficando assim no final: 'conforme descrito no capítulo III, página 159 do livro tal."
Ganhou um zerão da professora e a gozação de toda a turma depois.  

Esses pequenos "lembretes" que eu fazia nos tempos de ginásio vieram à minha lembrança há pouco, vendo um filminho bobo, desses de adolescentes americanos, puro passatempo para uma noite insone e fria como esta.

Nos dias de hoje em que abominamos ver as fraudes em todos os segmentos públicos, inclusive nas provas de exames escolares importantes pelo país, este ato perdeu aquele tom quase ingênuo praticado pelos alunos de antigamente.  Dizem até que jogadas sofisticadas, utilizando mecanismos tecnológicos como minicelulares ou canetas que fotografam a tela da prova do aluno ao lado, ou coisas desse gênero, já são hoje aplicados na forma de grandes golpes e que têm e devem ser combatidos veementemente.  E nos Estados Unidos já fazem monitoramento de provas, diretamente de uma sala, onde um fiscal acompanha os gestos de algum aluno suspeito, e de lá mesmo direciona um zoom sobre o espertinho e grava o delito em CD.   Uia, que fria!

Pois é, meus amigos, eu colei!  E atire a primeira pedra quem nunca o fez ou, pelo menos, tentou e não conseguiu, ou espichou o olho para a prova do colega do lado!

Tempos bons de colégio, mas o que eu contei ... por favor, abafa!







terça-feira, 5 de julho de 2011

Aviso



O poema abaixo, intitulado Aviso foi escrito em 1961 pela inglesa Jenny Joseph e considerado como o mais popular poema pós-guerra em uma pesquisa feita em 1996 pela BBC. 


E eu estou pensando seriamente em me afiliar a um grupo assim desde já, menos cuspir no chão por que sempre achei feio e porcaria, mas já estou treinando só que ainda em outras cores.  




"Quando ficar velha, quero vestir roxo com chapéu vermelho, que não combina e fica ridículo em mim.


Vou gastar minha pensão em uísque, luvas de verão e sandálias de cetim e dizer que não tenho dinheiro para a manteiga.

Vou sentar-me no meio fio quando estiver cansada, comerei todas as ofertas do supermercado, tocarei as campainhas dos vizinhos, arrastarei meu guarda-chuva nas grades da praça, e só assim me sentirei vingada por ter sido tão séria durante a minha juventude.
Vou andar de pantufas na chuva, arrancar flores do jardim dos outros, e cuspir no chão.

Vou usar roupas horríveis, engordar sem culpa, comer um quilo de salsicha no almoço, ou passar uma semana só na base de pão e picles.
Vou juntar caixinhas, lápis e rótulos de cerveja.

Mas enquanto ainda sou jovem, preciso de um tipo de roupa que me proteja da chuva, tenho que pagar o aluguel, não posso dizer palavrão na rua, devo dar bom exemplo às crianças, preciso ler jornal, estar informada,convidar meus amigos para jantar.

Por isso, quem sabe...
Eu não deva começar a treinar desde agora?
Assim ninguém vai ficar chocado quando de repente, eu ficar velha e começar a usar roxo."


Por que tem dias que dá vontade de jogar tudo
pro alto e fazer como queremos, 
a começar pelas roupas ou pequenas coisas que não fizemos por este
ou aquele motivo, por tantas convenções em que estamos
envolvidos e principalmente pelos padrões
pré-estabelecidos desde a nossa juventude.
Portanto, quem já passou dos 50 ou quem esteja com vontade de mudar algo em sua vida, pode ir começando a pensar numa virada, que tal a idéia da Jenny, hein?









segunda-feira, 4 de julho de 2011

E o mundo vai ver uma flor ...

 

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.
Versão Chico Buarque e Ruy Guerra/1972
Para o musical O Homem de La Mancha, de Ruy Guerra.

                               

Esta letra é um hino à esperança, aos sonhos que todos temos de ver realizados projetos ou atitudes que embalem e incentivem outros. Um hino de amor e luta, por isso coletei nestes últimos dias, grandes exemplos para ilustrar este post e acreditar na grandeza do ser humano.  

Em um gesto coletivo de apoio a um amigo que faz tratamento contra um câncer, estudantes do ensino médio de uma escola de Governador Valadares (MG) decidiram raspar o cabelo.
Arthur Gonçalves, de 17 anos, foi surpreendido nessa semana ao chegar para aula no Colégio Genoma, onde cursa o terceiro ano. Ao entrar na sala, se deparou com todos os alunos do sexo masculino, inclusive o professor, com os cabelos raspados.
“Fiquei sem palavras. Eu só conseguia sorrir. Me senti acolhido”, afirma Arthur, que foi diagnosticado com Sarcoma de Ewing, uma forma rara de câncer, está em tratamento e pretende prestar vestibular para engenharia no fim do ano.Fonte: Último Segundo / IG / MGTV / UOL Notícias / Globo.com


Se você tem algo para falar, eles estão lá para escutar. Como um velho amigo: a qualquer hora, sem cobrar nada, com toda a disposição.


É o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma organização criada há 49 anos para prevenir o suicídio e dar apoio a quem precisa.
“O projeto nos ensina a importância de saber ouvir, com respeito e sem julgamento. Na maioria das vezes, a pessoa que liga para o 141 só quer ser ouvida e nós temos uma satisfação grande em escutar”, afirma outro voluntário.
Fonte: Revista Sorria / Superinteressante / IG / Bom Dia DF


Uma biblioteca sem livros, mas com muitas pessoas, experiências de vida, pontos de vista e histórias.
É essa a proposta da Human Library, um projeto criado há 11 anos, na Dinamarca, por um grupo de jovens da ONG Stop the Violence.
A idéia é simples: eles criaram uma biblioteca com um catálogo de pessoas disponíveis para conversar por alguns minutos com leitores dispostos a ouvir e a enfrentar os próprios preconceitos. São os chamados livros vivos.
São cegos, ex-presidiários, imigrantes, muçulmanos e outras pessoas que, por causa dos estereótipos, sofrem com a discriminação e o preconceito.
“Porque você usa o véu?”, “O que levou você a cometer um crime?”. O leitor pergunta, o livro responde e se estabelece um diálogo, que pode ser o primeiro passo em direção a uma sociedade mais tolerante.
“As pessoas são diferentes e não precisam mudar. É preciso apenas respeitar o outro. Muitas vezes a discriminação ocorre devido à falta de conhecimento. Nós vivemos em uma época em que precisamos de diálogo. Só com o diálogo poderemos ter mais compreensão, tolerância e paz”, afirma um voluntário do projeto.

Fonte: Revista Vida Simples / Library Journal / Time To Change / Human Library


Durante a semana, Sávio Teixeira trabalha em um banco no Rio de Janeiro. No final de semana, ele exerce sua maior vocação: plantar árvores.
Na cidade, ele é pai de várias espécies nativas. O trabalho voluntário começou há 9 anos. De lá para cá, ele já plantou mais de mil árvores.
“É importante as pessoas participarem para ver o trabalho de recuperação e colocar a mão na terra. Esse engajamento muda o olhar delas em relação ao meio ambiente”, afirma Sávio.
Fonte: O Globo / Folha do Meio Ambiente / O Estado de S. Paulo / Recuperação Ambiental no Pão de Açucar



O senhor Hideaki Iijima, de 60 anos, acorda todos os dias cedinho e, de vassoura em punho, vai limpar a calçada da agitada rua Manuel da Nóbrega, no Paraíso.
Dono de uma rede de salões de cabeleireiro, o empresário acredita que assim está cuidando do planeta, a casa de todos nós.
"Varrer ruas é um gesto de humildade e de consciência da nossa responsabilidade com o planeta. Quando cada um cuida de sua parte, por menor que seja, faz diferença", afirma.
Com a ONG, ele conseguiu reunir voluntários para sair por aí limpando e espalhando cidadania. No Brasil, o movimento organiza atividades como varrições em parques das cidades, limpeza de locais públicos e palestras sobre educação ambiental e responsabilidade social, além da Grande Limpeza Anual, que já conseguiu reunir 2 mil pessoas.

Fonte: Revista Vida Simples / Veja SP / Limão / Planeta Sustentável / Globo.com


"E o mundo vai ver uma flor
brotar do impossível chão."





sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma brincadeira gostosa


Esta brincadeira bacana e que ao mesmo tempo espalha literatura pela Blogosfera, vi no Blog do amigo Manuel, o Constância, e resolvi participar também.  Se quiserem entrar nessa, é só seguir o preceito abaixo:


Escolher um livro, abrir na página da sua idade e escolher um trecho, ilustrando o post com uma bela imagem. 
Quem for participar é só levar o selo, que está aí em cima.

E adivinhem que livro e autor eu escolhi?  Sim, ele, porque está sempre ao meu lado aqui na mesa do computador - Rubem Alves - e veja que lindo ele diz na página no. 58 do livro Quando eu era Menino:

-Parque-Inglaterra-

(...)" Fui a Santiago de Compostela, no norte da Espanha.  Dizem que Deus, em Santiago, é mais forte que em outros lugares.  Por essa razão os que acreditam fazem longas peregrinações a pé para chegar até lá, onde se encontra uma gigantesca catedral.  Não fui a pé.  Fui de carro.  Visitei a catedral.  Não me senti mais perto de Deus.  Senti-me mais longe.  Uma construção feia, pesada, escura.  Deu-me tristeza.  Mas, saindo triste da catedral, entrei nos imensos parques que há por lá.  Tudo era luz, cor, leveza, pássaros voando e cantando, a vida explodindo em todos os lugares.  Fiquei inundado de alegria.  O Criador não fez nenhuma catedral no Paraíso.  Se gostasse teria feito.  Plantou árvores.  Camélias ... Nos parques fora da catedral havia camélias por todos os lados - árvores enormes, cobertas de flores.  Sempre que vejo a beleza surgindo me sinto próximo de Deus. Deus é beleza mansa."(...)

(Rubem Alves-Quando eu era menino-página 58)



Eu costumo dizer aos meus amigos que nas viagens que faço, o que mais me atrai é a natureza viva, a beleza dos jardins, dos tons de árvores, as diversidades de plantas e flores que cada lugar apresenta, o oceano e suas nuances, a diferença entre o que estou acostumada a ver por aqui e o que estou percebendo por lá, a flora e fauna me interessam sobremaneira. Sinto-me como R.Alves, inundada de alegria em poder ver de perto aquilo que considero o Deus vivo, manifestado através da natureza de nosso universo.

Abaixo, algumas formas diferentes de vida que pude ver de perto nesta viagem ao Chile.  

-Lhama - Focas e Leão Marinho em Viña del Mar-Oceano Pacífico-