.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sábado, 7 de maio de 2011

Vida longa para todas as mães



Um presente de 
Rubem Alves
e meu
para todas 
as mães.

-Clique na seta e escute-

(Clique, amplie e leia as palavras de Rubem Alves)








sexta-feira, 6 de maio de 2011

Receitinhas deliciosas para o dia a dia




Receita de olhar
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Nas primeiras horas da manhã
desamarre o olhar
deixe que se derrame
sobre todas as coisas belas
o mundo é sempre novo
e a terra dança e acorda
em acordes de sol
faça do seu olhar imensa caravela.





Receita de espantar a tristeza
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Faça uma careta
e mande a tristeza
pra longe pro outro lado
do mar ou da lua

vá para o meio da rua
e plante bananeira
faça alguma besteira

depois estique os braços
apanhe a primeira estrela
e procure o melhor amigo
para um longo e apertado abraço.


Roseana Murray





quarta-feira, 4 de maio de 2011

Trânsito e Monstroristas

(Google)



De alguns anos pra cá o número de carros cresceu muito nas ruas de todo este Brasil, reflexo da economia estabilizada e com os bancos emprestando a longo prazo. Assim, pessoas que não têm renda podem pagar em até 60 meses e comprar um carro ou, comprar aquele carrinho velho do amigo do cunhado do vizinho. Em geral, estes carros mais antigos, sem a devida manutenção, acabam pifando e atravancando o trânsito e como não há consequência sobre estas infrações, a turma relaxa e até aproveita-se do transporte do reboque gratuito que há nas principais vias ou estradas aqui do Rio de Janeiro, sendo então rebocados, gratuitamente, até uma oficina mais próxima.
Não há punição ou observação para isto como deveria ser em qualquer outro lugar civilizado, já que pretendemos ter uma frota tão numerosa como a nossa.

Nesta última sexta-feira meu marido teve que se esquivar em muitas situações perigosas no trânsito desde aqui de Niterói até a serra de Petrópolis.  O número de carros era assustador sobre a ponte, na Av.Brasil, na Linha Vermelha e só aliviou um pouco no meio da estrada para Petrópolis.  Ufa!  Ok, era a hora do rush, mas nunca havíamos visto tantos veículos e motos.

Devido a toda esta retenção e ao mesmo tempo ansiedade que ficam os motoristas para ter uma estrada livre, alguns quando encontram espaço, pensam que receberam o espírito do Airton Senna e desembestam, tresloucados, querendo aproveitar o tempo perdido no engarragamento.  

E assim, enquanto meu marido prestava atenção ao tráfego que fluía livremente, numa certa altura da estrada, eis que de repente, um desses doublê de piloto de terceira categoria,  vinha 'costurando' (em zig zag) em alta velocidade lá atrás, e meu marido que estava de olho no retrovisor  viu o dito cujo aprontando de longe e se preparou para a aproximação dele que, numa ousada e desastrada operação entrou à nossa frente a mais ou menos 130km/hr.  Tinha espaço para ele entrar, mas não para continuar naquela velocidade absurda e, vocês não vão acreditar, mas ele enfiou o nariz do carro na traseira de um caminhão que nem aí para ele, continuou na sua rota e velocidade como se tivesse sido picado por um besouro.
O homem ao volante, mais ou menos 30 e poucos anos e uma mulher ao seu lado, segurou o carro para não capotar, o que seria desastroso para nós que estávamos logo atrás dele e assistíamos a tudo sem piscar um segundo sequer nossos olhos, incrédulos com tamanha imbecilidade.
Ele conseguiu frear, gastou pneus, deixou um cheiro horrível de borracha queimada no ar e desesperado, colocava as mãos na cabeça e a mulher também, sentindo a tremenda burrice que havia feito, levando o carro para o acostamento e parando em seguida.

Não preciso nem dizer o quanto fiquei feliz de constatar o carro dele, novinho, amassadinho que nem uma sanfona na frente.  Bem feito, disse eu!  Ainda bem que eles não se machucaram ou morreram, pois seria aterrador assistir uma morte assim tão brutal na minha frente, ainda mais no início do meu final de semana.
Mas, juro, precisava acontecer aquilo com aquele idiota, pois quem sabe aprende que o carro é uma ferramenta de locomoção e também de lazer, mas não para ser usado nas vias públicas colocando em risco as suas vidas e de outras pessoas.  São estes os verdadeiros "monstroristas".

Nosso tráfego está ficando cada dia mais violento e conturbado. Permite-se o emplacamento de milhares e milhares de carros novos por mês sem criarem a infra-estrutura para tudo isso. Muitas coisas contribuem para isto, tais como:  a falta de consequência sobre os atos; a falta de vias mais largas; a falta de exigência nas vistorias dos veículos e principalmente a falta de educação do nosso povo.
Vejam como é a realidade atual:














O filtro da vida



Definitivo

“Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…”


Carlos Drummond de Andrade 


Tenho lido tanto por aí sobre dor, a dor do viver. E pensado muito sobre o assunto,  até porque sou humana e tenho meus dias difíceis e carrego minhas dores que só eu sei.
Então encontrei um bálsamo ou a melhor definição para o enfrentamento da dor: "A tristeza é o filtro da vida, que transforma a dor em lembrança e faz com que exista um continuar, para que o próximo momento possa ser repleto da verdadeira felicidade. Eu desejo a todos que amo um pouco de tristeza que fortalece e cura de verdade a dor. Espero que seja breve, mas suficiente para que encontrem a verdadeira felicidade."
(Humberto)





terça-feira, 3 de maio de 2011

Tanta coisa pra se desvendar

(Urban Sketchers)


"Se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve."
(William Shakespeare) 

Faz tempo que eu não sei como é andar sem destino, sem lenço nem documento, sem hora de partir ou chegar, sem medo de andar por caminhos desconhecidos, sair por aí fazendo o que me desse na telha.  

Já fiz coisas assim em algum tempo da vida. Certa vez queria saber onde era o ponto final de um ônibus que pegava sempre no bairro em que eu morava, mas não sabia de onde ele vinha. Os ônibus do Rio naquela época tinham um letreiro bem em cima que diziam o local de saída e chegada. Assim, por exemplo: Méier-Campo Grande ou Lins-Laranjeiras ou Engenho Novo-Copacabana,  e por aí afora.
Resolvi então saber onde ficava um tal lugar chamado Marechal Hermes e peguei um ônibus que fazia a linha Méier-Marechal.  
Nossa, como era longe aquele tal de Marechal Hermes!
Mas quando a gente é jovem e não tem compromisso, tudo é divertido e permitido. Olhando pela janela do ônibus  pode-se descobrir coisas incríveis, casas diferentes, gente diferente, vidas que passam como num filmezinho por aquela fresta de janela.  

Hoje parece um museu guardado em minha mente, mas gosto de remexer estes guardados, pois isso me faz ter a sensação de que vivi e fui jovem realmente, querendo descobrir e explorar as coisas novas na vida.

Ah, sim!   Querem saber o que eu vi lá em Marechal Hermes, não é?

Bem, pra dizer a verdade não vi nada, porque não saltei do ônibus, continuei dentro dele e paguei a passagem de volta pro Méier, afinal eu era uma exploradora muito pouco ousada e no fundo, fiquei meio preocupada em estar tantos quilômetros longe de casa e sem meus pais saberem de nada.  Naquele tempo não havia telefones celulares para eles monitorarem a gente, então minha consciência dizia que eu não devia me arriscar tanto e que deveria retornar, afinal eu tinha apenas meus 15 anos. Mas, à noite fiquei pensando na minha aventura solitária e no gostinho bom da irreverência e descompromisso.

Hoje, eu bem poderia fazer uma coisa dessas, afinal quem manda no meu nariz sou eu, mas cadê a coragem para entrar num ônibus e ver o que tem lá no final dele, como é o bairro naquele trajeto de linha ou como são as pessoas de lá.  A gente leva tudo tão a sério quando envelhece, não tem coragem de ousar fazer caminhos diferentes, mudar rotas, sentir a vida sem compromissos, sem tempo e sem medo.

Tanta coisa pra se desvendar, como diz o maravilhoso Lenine na música abaixo.




segunda-feira, 2 de maio de 2011

As mulheres são assim mesmo.



Aula de Hidroginástica

Piscina aquecida.  Vão chegando senhoras da terceira idade para mais uma aula.  O professor, jovem, atlético, se prepara psicologicamente para o encontro.  Três vezes por semana, às oito horas em ponto, elas chegam em bando e já começam a tagarelar antes mesmo do início da aula.  Ele tenta organizar a confusão que elas causam, mas ninguém o escuta.  Trocam receitas de bolo, comentam a novela, falam mal da colega que faltou e, às vezes, conseguem conciliar o movimento de braços e pernas.  Ele desiste de gritar.  Suaviza o tom de voz.  Conta uma piada.  Todos caem na risada.  Quando termina a aula, ele as olha com ternura.  Continuam flácidas e barrigudas, mas estão tão felizes . . .



 O pequeno conto acima é de autoria de minha amiga Sylvia Regina Marin e está em seu livro Encontros Possíveis-contos da Editora Multifoco.



sábado, 30 de abril de 2011

Lugar de homem é na cozinha

 (Corbis)

Já reparei que neste novo século, a presença masculina na cozinha é bem diferente do tempo do meu pai, porque já não chegam só para a hora do almoço ou jantar e sim para 'botar a mão na massa', literalmente falando.

Sinceramente, acho isso ótimo! Não só porque nos tiram um pouco dessa rotina, como também fica um charme ver o sexo chamado 'forte' mexendo as colheres de pau, amassando um alhozinho e picando cebolas. Não é o caso do meu marido, pois não sabe nem fritar um ovo.

Entretanto os que sabem e gostam, são até bem mais exigentes do que nós, pois querem sempre as melhores marcas, tanto das comidas quanto dos acessórios, apetrechos para tudo, até pinça para tirar um tomate fervendo, enquanto nós, simples mulheres, usamos o garfo mesmo. São assim, um tanto quanto detalhistas neste sentido, mas fazem muito bem feito e dão um sabor mais acentuado, robusto e apetitoso à comida.
Talvez seja psicológico, mas a verdade é que acabamos por achar que as comidas ficam mais saborosas e diferentes das nossas. Eles gostam de se mostrar um pouco, querem sempre fazer coisas de um jeito mais complicado. O pior é quando deixam a louça para a gente! E é prato sujo que não acaba mais!

Aqui em casa, vez em quando, o filhão gosta de mostrar seus dotes na cozinha, vejam como ele fica charmoso preparando o tal molho de macarronada que ele próprio criou e fez para nós outro dia.
Ficou muito gostoso, por sinal.  Mas, usa tomates que não acaba mais, não tem nada de econômico, entretanto eu relaxo, finjo que não vejo e aproveito, quem sabe ele toma o gosto e faz o almoço e janta todos os dias! E para completar, o pai que não sabe cozinhar, lavou todos os pratos, enquanto eu fui para o computador. Coisa boa gente! Incentive os machos de sua casa para isto, verão que sobrará mais tempo para blogar, que tal?!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Perder, Ganhar

(Búzios)

Com as perdas, só há um jeito:
perdê-las.
Com os ganhos,
o proveito é saborear cada um
como uma fruta boa da estação.

A vida, como um pensamento,
corre à frente dos relógios.
O ritmo das águas indica o roteiro
e me oferece um papel:
abrir o coração como uma vela
ao vento, ou pagar sempre a conta
já vencida.


Lya Luft








quarta-feira, 27 de abril de 2011

Velhice e cuidados

 (Imagem Gerald French)

Sobre a Velhice 

Por oposição aos gerontologistas, que analisam a velhice como um processo biológico, eu estou interessado na velhice como um acontecimento estético.  A velhice tem a sua beleza, que é a beleza do crepúsculo.  A juventude eterna, que é o padrão estético dominante em nossa sociedade, pertence à estética das manhãs.  As manhãs têm uma beleza unica que lhes é própria.  Mas o crepúsculo tem um outro tipo de beleza, totalmente diferente da beleza das manhãs.  A beleza do crepúsculo é tranquila, silenciosa - talvez solitária.
No crepúsculo, tomamos consciência do tempo.  Nas manhãs, o céu é como um mar azul, imóvel.  Nos crepúsculos, as cores se põem em movimento: o azul vira verde, o verde vira amarelo, o amarelo vira abóbora, o abóbora vira vermelho, o vermelho vira roxo - tudo rapidamente.  Ao sentir a passagem do tempo, nós percebemos que é preciso viver o momento intensamente.  "Tempus fugit" - o tempo foge -, portanto, "carpe diem" - colha o dia.  No crepúsculo, sabemos que a noite está chegando.  Na velhice, sabemos que a morte está chegando.  E isso nos torna mais sábios e nos faz degustar cada momento como uma alegria unica.  Quem sabe que está vivendo a despedida olha para a vida com olhos mais ternos . . .

(Rubem Alves)




Sobre a velhice e os cuidados que deve-se ter com as pessoas neste estágio da vida, não deixem de acompanhar o blog da Dra. Luciana Pricoli Vilela que trata de Geriatria:Medicina e Humanismo.





terça-feira, 26 de abril de 2011

O livro da amiga e escritora Glorinha Leão


Embora eu seja muito amiga da Glorinha e tenha acompanhado seu esforço, trabalho e dificuldade para colocar seu primeiro livro na praça, não sabia do conteúdo e pormenores nele inseridos e todas as personagens que criou ou se inspirou para fazer o mesmo, por isso ao terminá-lo hoje, fiquei muito impressionada com sua capacidade criativa e literária, quase sempre poética no decorrer de cada conto ali escrito.
Me vi retratada em alguns deles, afinal os 50 já correm longe nesta época para mim, mas qualquer mulher, mesmo ainda não estando nesta casa da vida, irá se enxergar em algum aspecto, ou, poderá pelo menos, entender-se melhor quando lá chegar, quem sabe visualizará de uma forma mais humana e amorosa sua mãe, sua tia, irmã, avó ou amiga.

Vejam que linda forma poética a autora emprega neste trecho abaixo:

(Clio-musa da história na Mitologia Grega)

- Clio -A Guardiã de Memórias Engarrafadas -pág.95 - Cap.17

Desde pequena, tenho uma mania: guardar momentos...

Explico melhor: Não sei se pequena ainda já tinha a noção de que perderia meus entes queridos cedo, ou se já era ensimesmada por natureza...Fui uma criança muito sensível, escrevia desde pequena, pensava muito nas coisas e também na morte...Mas de modo intuitivo...Sabia que se guardasse alguns momentos para sempre na memória, de certa maneira, aquelas pessoas sempre me pertenceriam, seriam minhas para sempre...


... E momentos, como esse, de sonhos realizados, com a família unida, todos ali, juntos, não se sabe até quando...Momentos pra se guardar...
Mas, continuo fazendo isso, congelando na memória pequenos instantes, que por vezes, parecem desimportantes, mas que para mim, representam algo profundo e único...Eu os engarrafo na lembrança...E eles ficam ali para sempre e, a qualquer momento os tenho disponíveis só para mim...E eu os sorvo, muitas vezes chorando, como agora, pois todos são pura emoção.
Às vezes, um segurar a mão, um abraço apertado, uma carícia no rosto...Nada muito passional nada muito marcante...Mas basta decidir guardá-lo para sempre, e ele se tornará parte de nossas relíquias, daquele pequeno acervo, do mais radiante tesouro que nunca, ninguém nem nada tirará de nós: o que faz a vida continuar a ter sentido...
Pequenas fotografias de pequenos momentos...Garrafinhas guardadas cada uma com lágrimas e alegrias...Mas minhas...Só minhas...

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Outro trecho que me encantou demais pela forma direta e sem subterfúgios ao qual ela se expõe totalmente, não só como mulher frágil diante da vida e do tempo, mas pelo ser que atravessa as incertezas da vida com os olhos abertos, fazendo indagações a si mesma, desejando ainda a paixão e a ajuda mútua entre os da mesma espécie, ora atormentada, ora realizada. Um misto de sentimentos que todo ser humano um dia enfrentará no decorrer de sua existência.

As Nereidas eram veneradas como ninfas do mar, gentis e generosas, sempre prontas a ajudar os marinheiros em perigo. Por sua beleza, as Nereidas também costumavam dominar os corações dos homens.



- Nereida - A Mulher Loba - pág. 141 - Cap. 21

... Se nada era simples numa mulher como ela, chegara a hora de saber se era assim com todas.
Precisava achar seu grupo, juntar-se a elas, fazer de todas, uma só fortaleza.
Uma matilha de mulheres lobas.  Todas famintas.  Esfomeadas de vida.
Queria saber-se acompanhada em suas dúvidas e reflexões.
Queria saber que não estava enlouquecendo, muito menos divagando sobre o nada.
Sabia, num instinto ancestral, que somente quando se juntasse a elas, unissem suas forças e seu lado animal, procurariam e achariam uma forma de ajudarem,-se mutuamente.
Companheiras, lado a lado, não uma contra a outra, mas juntas, pela sobrevivência de todas.
Sôfregas e sedentas, sabia e sentia-as assim.  Buscando e procurando juntas.
Ansiosas para achar suas razões para viver e saber que não estavam sós nessa procura.

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Como sabemos, o poeta ou escritor quer ser lido, comentado, chegar nas livrarias ou  estantes de muitas casas, assim como ser tratado e reconhecido pelo seu talento e esforço empreendido, por isso estou aqui, fazendo o relato do que li, dando meu parecer sobre sua obra e dizer-lhe que continue seu caminho de escritora, porque tens talento, alma e literatura de valor para enriquecer nosso país e juntar-se aos melhores.
Parabéns amiga Glorinha!

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Não deixem de acessar o Blog Café com Bolo e deixar lá também seu comentário a respeito do Livro Na Esquina do Tempo no. 50.

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Minha Páscoa paulista

(Estação da LUZ)

Sempre fiz a mão contrária nos feriadões, ou seja, vou para onde poucos querem ir, porque a maioria quer mesmo é sair, pegar a estrada rumo às praias ou lugares distantes das grandes cidades.  Mas, as grandes cidades são cheias de atrativos e belezas que só podem ser vistas e desfrutadas numa ocasião como esta, de um grande feriado, ainda por cima ensolarado, com ares de veranito.

Fomos pra São Paulo, eu e maridex.

"É sempre lindo andar na cidade de São Paulo,de São Paulo

O clima engana, a vida é grana em São Paulo

A japonesa loura, a nordestina moura de São Paulo

Gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo, de São Paulo"


E é assim mesmo como diz neste pequeno trecho da música São Paulo, São Paulo.  Uma cidade sempre surpreendente a cada esquina, a cada estação de metrô, nas manifestações artísticas de rua, de museus, teatros, comércio, comidas, restaurantes, uma variação tão grande, tão rica, que temos impressão que viajamos para fora do Brasil.  Mas quando chegamos na muvuca que é o centrão ou a 25 de Março enlouquecida pelo enxame humano e 'os mano e as mina' com suas roupas coloridas sem combinar com nada, bonés falsificados e a fauna oriental que predomina nas milhares de lojinhas daquele comércio pulsante, aí sim, vemos a cara do Brasil e sua capacidade de se envolver com tantos outros povos num só lugar.

Começamos visitando o Museu da Língua Portuguesa, indicação perfeita que a amiga Silvia Masc nos deu e que vale a pena conhecer de perto, pois é algo de primeiríssimo mundo que mostra a grandiosidade de nossa língua e as diferentes formas, aspectos, neologismos, sotaques, literatura e complexidade que a língua portuguesa insere. O museu fica na antiga Estação da Luz, totalmente reformada e reluzente à espera de milhares de pessoas que se dirigem para vários pontos desta super cidade, orgulho do Brasil.

(Museu da Língua Portuguesa)

Segui algumas dicas de minha querida amiga paulistinha Lu Souza e fui assistir o maravilhoso canto gregoriano no sábado de páscoa pelos freis do antigo Mosteiro de São Bento, coisa linda. Uma pausa para o relax antes de mergulhar na confusão histriônica da 25 de Março.  Não sem antes, tomar um delicioso café com torta no tradicional Café Girondino ali em frente.

(Mosteiro de São Bento-SP)

(Café Girondino)


Caimos na 25 de Março como dois ETs, não sabíamos se olhávamos as vitrines ou a fauna humana, os carros e camelôs misturados nas ruas, uma confusão de tirar o fôlego e não deixar raciocinar direito sobre o que estávamos fazendo ali.  Mas, logo em frente, numa rua lateral, a cúpula do Grande Mercadão de São Paulo nos atraia, nos chamava para as gostosuras que tem ali dentro e rumamos pra lá, ávidos pelo pastel de bacalhau e sanduiches indecentes, recheados de frios, queijos e sabores.  Uma multidão nos esperava também naquele sábado de aleluia, mesclado com pimentas, frutas exóticas, queijos, bacalhau importado, vinhos e toda a sorte de maravilhas gastronômicas.  Comemos o pastel de bacalhau que é simplesmente o máximo, regado a azeite espanhol e cerveja gelada. De sobremesa, doces portugueses que me entreguei de corpo e alma.

(Grande Mercado de S.Paulo)

Nestes três dias, vimos e revimos aquilo que gostamos sempre e que é a essência de S.Paulo.  Os japoneses, chineses, todos os orientais da Liberdade e suas comidas deliciosas.

(Um grupo de japoneses em papo animado numa praça da Liberdade)


Passeamos pela Paulista e admiramos sua arquitetura e o céu azul que nos brindou estes dias.


(MASP)

Visitar o MASP é sempre um prazer cultural, ainda por cima com a exposição da existência humana que reunia 78 países, com temas como família, amor, religião, guerra, sentimentos e olhares que o ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand montou com o nome de 6 Bilhões de Outros e que se você quiser conhecer um pouco sobre este magnífico trabalho entre aqui neste site. Simplesmente, incrível!
E no segundo andar, centenas de quadros dos maiores expoentes das artes como: Van Gogh, Manet, Cézanne, Toulouse Loutrec, Renoir, Modigliani, Henry Matisse, Picasso e esculturas de Auguste Rodin e Degas. Meu Deus, que país rico o nosso, pensei!  Só nos falta mesmo educação, pois não é qualquer país que possui e pode expor um acervo como este. Saimos de lá maravilhados com tanta beleza desfrutada por tão pouco a pagar.  Imperdível!

Mas, este passeio a Sampa não poderia ficar perfeito se não tivesse o contato humano que sempre prezei na minha vida. E foi assim que encontrei-me com duas antigas amigas aqui do Mãe Gaia, desde o princípio, pessoas queridas e que eu teria que um dia vê-las pessoalmente, abraçá-las e transmitir meu apreço, carinho e toda a admiração que sinto por elas.

(Um jantar maravilhoso com Barbrinha, marido e filhote)

A Bárbara escreve o Blog Uma Mãe das Arábias e é mesmo uma mãe sensacional, atenta, carinhosa e que junto com seu maridex, como ela o chama, criam esta belezinha de menino, esperto, inteligente e fofo, o tempo todo interagindo conosco e comendo todas as delícias árabes que nos foram servidos num dos melhores restaurantes típicos da cidade. Foi emocionante vê-la, abraçá-la e passar horas tão agradáveis com sua linda família. Ficamos honrados e felizes com nosso encontro.

Na noite de sábado fomos convidados a comer uma pizza na casa da Somnia, querida borbletinha que eu acompanho desde a Suécia e que escreve o Blog Borboleta Pequenina na Suécia.
 

Foi uma noite encantadora, na companhia dela, seu marido Renato, sua cunhada Adriana e do pequeno e lindo Ângelo.  E o mais interessante é que parecia que já a conhecia pessoalmente, era exatamente como eu a idealizava; engraçada, bem humorada, bonita, sem frescuras, descalça e de cabelos molhados. Uma pessoa de verdade, simples e inteligente no ambiente colorido de seu apartamento com suas telas vibrantes e que uma delas eu comprei há tempos e só pude pegar agora nesta viagem. Um encontro alto astral e carinhoso.

E no domingo, tomei café da manhã com a minha amiga querida e que já conhecia pessoalmente, a
Silvia Masc que escreve o Blog Longevidade. Um encontro cheio de carinho e de emoção. Sílvia é uma pessoa de respeito, grandeza e luta, muito a admiro e torço por ela. 

Ahh, São Paulo, querida cidade que guarda pessoas igualmente queridas e fantásticas!

Adorei estar por lá esses dias e com estes seres humanos tão intensos,cheios de nuances, tradições, filosofias de vida, histórias e sentimentos tão multi quanto esta multi e mega cidade.