Eu estive estes 3 últimos dias em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, na casa de minha amiga de infância Lurdes e sua maravilhosa família, Eduardo (marido), Taísa e Thamara suas duas lindas jovens filhas. Somos amigas desde os 7 anos de idade, crescemos juntas, estudamos juntas e nossos elos de amizade são como o de uma grande família. Seu pai, sr. João, português bonachão e octogenário, ainda participa dos nossos encontros, sempre de carinha feliz e com um versinho ao estilo lusitano para contar seus casos passados. Na foto, a família toda, mais o namorado da filha mais nova e os filhos da irmã da Lurdes, a Tereza e sua família, com Raquel e Diogo que sou também madrinha. Então, como podem perceber é um verdadeiro 'nó familiar'.
Foram dias felizes de muito bate-papo em que tagalerei bastante e rimos um bocado, comidas gostosas que a Lurdes preparou para todos e dormindo bem tarde da madrugada.
Adoro todos eles!
(Da direita: Diogo, eu, Tereza, Raquel, Eduardo, Sr.João, Lurdes, Dalton e Thamara)Ao lado do condomínio que moram meus amigos, está situado o famoso e único lugar para onde vão os velhos e necessitados artistas do Brasil - O RETIRO DOS ARTISTAS - que existe há 91 anos e onde fui para conhecer e trazer esta matéria para vocês.

(Entrada do casarão que abriga hoje um brechó)A instituição tem 13.672 metros quadrados de área, com piscina, refeitório, lavanderia, salão de beleza, capela e teatro. Ali estão 40 casinhas com varanda que abrigam os residentes. Cada um na sua, decorada ao seu jeito. Parece uma cidadezinha do interior, com cadeiras na varanda, bibelôs por todos os lados, cães e gatos dorminhocos. Nada de luxo. Mas tudo limpinho e caprichado.
O ator Stephan Nercessian é o presidente da instituição desde 1999 e tem trabalhado bastante para a manutenção do lugar, corre atrás de doações, promove festas e peças e sonham com a expansão para abrigar mais idosos e, pelo que percebi, já tem uma nova ala recém-construída na parte de cima do terreno. Festas juninas famosas e badaladas e as vendas no brechó feito no casarão de entrada, com pecinhas vintage muito interessantes teem ajudado no orçamento do famoso retiro. E como o tereno é enorme, passou a abrigar outras atividades, como cursos de teatro, canto e dança e isso também gera receita para ajudar na manutenção deste lugar.
(O Teatro, que ganhou ar-condicionado, é alugado para terceiros e usado para
shows do próprio retiro, ainda oferece cursos de interpretação, canto e dança)


(Placas em bronze dos grandes artistas do passado) 
(As principais ruas do retiro com nomes de atrizes inesquecíveis)


(O estilo das casinhas do retiro e suas cores)
(Interior do Brechó com suas peças vintage)
(Algumas atrizes e bailarinhas famosas)A maioria dos residentes está ali porque não tem ninguém ou não pode contar com o apoio de parentes. Há artistas saudáveis e outros debilitados que são atendidos por uma unidade de apoio, onde ficam alguns artistas que precisam de cuidados especiais e são acompanhados por enfermeiras e, se preciso usam também uma UTI móvel para emergências.
Quando estive por lá 'xeretando', eu e minha amiga Lurdinha, conhecemos uma senhora residente que, segundo ela tinha 84 anos, mas parecia bem menos, pois de braços dados conosco, subiu a ruazinha principal do retiro, falando sem parar sobre sua vida e a dos outros vizinhos seus. Apresentou-nos como sendo de sua família e muito bem humorada, contou-nos algumas verdades que depois disse que eram mentiras, ficamos meio encafifadas com as histórias da velhinha, mas afirmou que tinha morado 37 anos em Paris e fora dançarina, conheceu um monte de gente, foi muito feliz e acabou ali, através de uma indicação de freiras amigas.
Uma simpatia irradiante era a dona Carmélia, mineira e muito engraçada. Rimos muito com ela e suas histórias mentirosas.
(Dona Carmélia na porta de sua casinha)
Todos parecem gostar muito deste lugar, que de triste não tem nada. E esta mistura de gente de todo tipo que lá está, desde antigos palhaços, atrizes e bailarinas, fazem parecer o elenco de uma novela que poderia ter o título "Em algum lugar do passado".
(Gatinhos dormem tranquilos em seus cantos prediletos)