.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Distância entre Nós - parte 3




Quem já me visita há tempos, sabe da história da Gracinha que contei aqui e aqui, minha faxineira de todas as terças-feiras, gente boa, super trabalhadora, lutadora, mãe e acima de tudo uma sofredora.
Acho que sofre desde que nasceu naquele sertão paraibano, advinda de uma família pobre, sem instrução e pouca cultura. São as tais 'heranças' que o povo humilde recebe, sempre vindo e indo para novas gerações. Digo isso por perceber que sua história de vida já é vivida pela filha adolescente, de 17 anos e grávida. O mesmo aconteceu a ela, Gracinha, mas a mãe a botou fora de casa e deu este primeiro filho, nunca mais soube do paradeiro da criança. Sua vida continuou, foi trabalhar e viu que o mundo era muito grande e espaçoso, daí veio para o Rio e achou alguém que falava parecido, pensava parecido e tinha histórias de família semelhantes. Tiveram dois filhos e hoje estão aí, procriando e vivendo quase da mesma maneira miserável
que seus antepassados.

Só que viver numa cidade gigante e se envolver, ou melhor, ficar, como fazem os jovens atuais, pode ser ainda mais perverso para uma adolescente pobre nos dias de hoje, pois a filha da Gracinha não sabe nem quem poderá ser o pai deste filho que espera. Aliás, não quer nem saber e como diz a Gracinha; "saber pra quê, se deve ser um traste qualquer que não ajudará em nada?!"
Os bailes funks da periferia onde mora, esconderá a sete chaves este segredo. E quando chega de madrugada, cheirando a álcool e a mãe está indo para o trabalho, há apenas um olhar perdido dela encontrando-se ao mesmo tempo com de sua mãe que não sabe mais o que dizer diante desse fenômeno tão perturbador que atinge não só a sua filha, mas a milhões de outras moças nestas periferias abandonadas deste Brasil.
Coisa triste, né mesmo!

Bem, estou lhes contando esta história, mas não é nenhuma novidade, pois a Rede Record da vida, mostra todo santo dia algo parecido, agora até em horários que antes não eram permitidos mostrar certo tipo de reportagens, inclusive como a que estava passando hoje pela manhã sobre drogas e prostituição de adolescentes na Paraíba. Eu vi um pedaço e tratei logo de sair da cozinha, onde a Gracinha estava e via a tal reportagem. Coisas tão bizarras e tristes aquela hora do dia, sendo mostradas, não sei se para alertar, para ajudar ou fazer o sensacionalismo de sempre, atrás de audiência, enviando imagens terríveis de nosso caos social para o mundo inteiro.
Sabe-se que esta rede de televisão entra na Europa de graça, assim um português ou qualquer outro europeu que acessar este canal poderá ver estas e outra desgraças deste país que tem tantas coisas lindas e importantes para serem mostradas ao exterior, mas prefere enviar as desgraças deste povo desassistido e sem amparo.

Voltando à Gracinha e sua triste sina, agora perpetuada pela filha, fico sem ação diante da revelação que ela me faz e que suspeitava há duas semanas, de que a adolescente está grávida de 5 meses e que não era muito notado, pois a mesma sempre foi gorducha e ficava difícil perceber, mas diante de suas poucas saídas nas noites, a Gracinha começou a achar que algo estranho estava acontecendo e ontem, quando uma outra amiga de sua filha que também está grávida e levou-a a fazer um ultrasom, foi detectado que a moça está com todo este tempo de gravidez.

Rebelde e sem maturidade não consegue conversar com a pobre mãe, talvez ela (Gracinha) também não saiba conduzir o assunto, afinal em seu tempo não houve "papo" e sim uma ação cortante, na raiz, bem ao modo das pessoas daquela época no interior, mas que talvez tenha sido a saída para o amadurecimento da Gracinha, fazendo com que ela crescesse e fosse trabalhar ao invés de só namorar e engravidar.

E eu, tento conversar, jogar idéias, propor que a menina leia nas "lan houses" que frequenta na favela onde mora, alguma coisa em sites direcionados a moças adolescentes pobres e grávidas. Escrevi um site para que ela leia e se oriente.
Falei a ela também da necessidade que neste momento há em se entenderem como seres humanos que são e deixar de lado as críticas, mas pensar que dentro daquela menina está sendo gerada uma criança e que, mesmo nascendo na pobreza, se tiverem cuidados agora na gravidez e depois, evitando brigas, gritos e xingamentos, poderá trazer um bem-estar afetivo para todos e quem sabe um diálogo esclarecedor poderá salvar a cabecinha desta jovem tão sem rumo.

Gente, esse problema social dos dias atuais tem se alastrado de forma absurda e quase incontrolável, mesmo havendo tanta informação através das mídias, pois parece não alcançar estes lugares onde os bailes, as drogas, a permissividade nas formas de educação que foram mal interpretadas, levando milhares de jovens a terem comportamentos influenciados por filmes ou novelas, fatores esses que já foram até objeto de estudos e teses, mas que ainda não conseguem ser modificados nestes meios. Há uma linha tênue que faz com que misture-se progresso, modernidade, permissividade e liberalidade. Claro que não é só no meio pobre que isto existe, atinge também aos jovens e famílias que não conversam, que não orientam e que vivem num mundo supérfluo e de sonhos.

No caso da Gracinha e sua família, o mundo de sonhos deles é este, com pouca perspectiva de um futuro palpável e um total estado de abandono social. A filha reproduz os mesmos sentimentos e caminhos que sua mãe deixou como rastros nesta vida. Penso que quando estas jovens engravidam, teem a falsa impressão de que irão fazer um filho diferente, com vidas diferentes das suas, buscam inconscientemente aquele mundo tão sonhado para si mesmas.

Sinceramente, estou comovida e ao mesmo tempo desolada com tamanha miséria humana!



Se alguém tiver alguma boa idéia do que falar ou fazer nestes casos para orientar a Gracinha, deixe aqui seu comentário. Obrigada.


27 comentários:

Kálita disse...

Ai Beth, situação dificil de cortar mesmo a alma.
Crianças gerando crianças...gostaria mesmo de opinar mas quando leio ou vejo estas estórias fico meio pra baixo, penso em tantas coisas, na dor da mãe desta jovem, que já de antemão sabe que é mais um que dependerá dela, mas que eu sei que se ela olhar por outro angulo essa criança trará alegria a avó, e já ví isso tantas vezes.dor pela jovem que sabe-se lá porque enredou por estes caminhos...dor pela criança que já nasce num lar sem base, sem pai, sem condiçoes...
Sem querer ser egoista, mas sinto dor pelo meu berço vazio em casa...
Coisas de cabeça de uma tentante ansiosa, e que sabe que nao se tem resposta pra tudo, mas que tudo tem um para quê.
Que essa familia encontre entre tantos desencontros um para quê...e possam celebrar o dom dessa vidinha que está sendo gerada e que merece todo amor do mundo.

Renata disse...

eh muito triste saber de coisas assim... eu, aqui, as vezes tento nao pensar nesse assunto, mas nao adianta tapar o sol com a peneira...
sempre tem alguem falando pra que fulana ta gravida, mas nao tem onde cair dura...
fico triste e sei que nao posso parar de pensar nessas coisas, mas me parte o coracao...
nem sei o que dizer, como pode ver, o comment tah todo estranho...
:)
beijos!!

Wilma disse...

Dezessete anos!!! nem sei o que dizer. Mas isto é realmente uma realidade nos dias de hoje e não é por falta de informação, ela sabia do risco que corria, impossível não saber. Alguns "psi" dizem que estas pessoas são tão pobres que a única coisa que podem ter seu mesmo é um filho e esta é uma razão, pois assim ela deixa de ser uma Joana, Maria, e passa a ser MÃE, é o título que almejam, esta é uma explicação. Agora só resta ela procurar ajuda nestas instituições para grávidas, no momento não conheço nenhuma, mas a algum tempo conheci um abrigo, pensionato, só para meninas grávidas que a família não aceitava, mas hoje, isto nem acontece. Deve existir alguma instituição para esse fim. E em seguida, mostrar logo pra essa moça os meios para não engravidar senão é um atrás do outro. Beth, hoje é muito mais cruel, eu nasci pobre de marrédeci, mas tinha bons exemplos a seguir e hoje? o que se vê? Não tem escola, moradia indigna, todos trabalham na família, só se pensa em consumir tudo q aparece na TV, e se diverte com dança com cada nome!!! Aff!!

Luma disse...

Beth, eu sempre me coloco no lugar das pessoas quando é para sugerir solução de algo e sinceramente, neste caso não sei! A família não tem estrutura alguma e qualquer conselho, será como palavras ao vento! Gracinha já tem um filho transgressor, a menina vive sem autoridade, praticamente abandonada (porque a mãe trabalha o dia todo fora), sem se importar com ela e com os outros membros da família. Não sei se é viável essa menina ficar com o filho, talvez entregá-lo a uma instituição para que seja adotado. O primeiro passo é procurar o posto de saúde para acompanhamento da gravidez, principalmente se ela consome drogas. Não sei se a Gracinha frequenta alguma congregação religiosa, ela poderia pedir conselhos para pessoas da comunidade.
O que a garota diz disso tudo?

Ivana disse...

Beth que desafio!
Olha, acredito que referencial é tudo. Dificilmente, fazemos um caminho diferente daquela(e) a quem elegemos como tal... Essa moça tem sua mãe - com toda a sua história de vida - por exmplo a 17 anos. Como ser diferente? Mais ainda: COMO È ser diferente? Difícil explicar agora, com tudo enraizado, solidificado. É claro que acho que pode haver mudança, mas o processo nesta altura do campeonato é dolorido e muito, muito difícil. Poderia ter sido diferente se, por exemplo, a filha tivesse tomado VC como referencial. Se ela pensasse - a tempos atrás - ah, eu quero ser como ela é. E não falo somente de situação financeira, mas de valores, experiências... Talvez esta chance possa ser dada ao bb que vai chegar. Mas ele tb terá que achar o "norte" a seguir.
As vezes falar não é suficiente, eles simplesmente não compreendem.

ML disse...

Eu acho que só um "santo" para dar um jeito nisso, Beth.
O governo não tem o menor interesse em facilitar o controle de natalidade: e com o bolsa família só estimula a super população carente de tudo que voto nos mesmos sempre, os perpetua no poder, agindo da forma que agirem.
Essas gurias são muito independentes até a hora que engravidam. Depois, quem não ajudar é praguejado. A ignorância é o grande mal.
Como consertar? Com menos gente no mundo, só assim.

bjnhs

aminhapele disse...

Talvez,de forma demasiado radical,se continue a dizer:
Não se pode saír do sítio em que não se está.
Não sou de pedra,minha amiga,mas não tenho palavras.

Lúcia Soares disse...

Difícil, né, Beth? A gente, de fora, encontra tantas razões.
Seu post está ótimo, você focou no problema mas as respostas são tantas e as soluções tão poucas!Acho que esta juventude está perdida por falta de apenas uma coisa: a descrença ou até o desconhecimento por Alguém superior.
Não sei que nome dar, não falo de religião mas de uma espiritualidade.
Para mim ser pobre não é ser indigno. Dignidade todos deveríamos ter. Quantos casos de gente até miserável já se viu, onde a pessoa perde tudo, mas nunca a dignidade?
Falta orientação para esses jovens? Falta. Faltam professores que também dignifiquem a profissão, faltam salários que dignifiquem a vida dessas pessoas.
Muitas mães fazem de tudo pra criar bem os filhos, mas não dão o exemplo, levam namorados pra casa, dormem todos "amontoados".
Quando uma mãe desconfia de alguma atitude errada do filho, faz vista grossa, porque não tem tempo pra falar, não tem moral, sei lá o quê.
Meninas ricas não engravidam? Têm filhos aos 17 anos? Poucas...Porque num meio social mais "elevado" se faz aborto. Chocante? Só não sabe quem não quer...
No caso da Gracinha, que sofreu e se reergueu, é mais duro ainda, porque ela teve sonhos pra filha.
Mas as meninas pobres que engravidam, não sonham por uma vida melhor para seu bebê, Beth. Elas não queriam essa gravidez, só não abortam porque custa caro e têm medo - algumas - de serem pegas no ato.
Mas quando uma mãe deixa a filha de 17 anos na rua, pra "cruzar com ela chegando" e a mãe saindo pra trabalhar, tá fazendo o quê? No mínimo uma baita omissão. Como uma mãe, ou pais, não conseguem manter um filho dessa idade em casa? Em meus filhos mandava eu, eu é que determinava onde iam, com quem e quando chegar. Não foram santinhos, me enganaram muito, mas nunca fizeram nada que os prejudicasse.
Não há culpados. É a vida. Simples dizer isso.
Os bailes funks são um antro pra eles? E as have, frequentadas pela classe média, alta, rica, etc...
Não são menos perniciosas. Apenas as meninas mais "descoladas" sabem se prevenir...
Dar essa criança pra adoção, se fosse meu, nunca daria. Deixar a avó criar, sem poder parar de trabalhar?
Deixar com a filha desmiolada, que no mínimo vai levar até rapazes pra dentro de casa, ou se encontrar com eles junto com o bebê?..
Beth, é coisa demais pra se pensar! Precisamos agir!
Quem sabe encontrar um casal que queira a criança, dar a ela um lar, e nunca se afastar dela? Tudo previamente combinado, sei lá! Conheço uns casos assim. Pode dar certo. Os que conheço, deram.
Desejo que essa menina caia em si e pelo menos cuide bem do seu bebê!
E que Deus dê paz de espírito pra Gracinha! Beijo pra ela.

Lucia Cintra disse...

O que dizer a Gracinha? Isso eh algo dificil, pois por mais orientacao que podemos dar, lembre-se que ela foi criada de uma maneira, vive dessa maneira ate hoje e foram 17 anos que ja se passaram dela lidando e criando a filha dessa mesma maneira. Mas nao significa que eh algo impossivel de se fazer ou tentar melhorar a situacao.

A idade da sua filha faz ser algo meio complicado. Nao so pela idade, mas por sua atitude e maneira de ser, de acordo com o que fala aqui. Qualquer adolescente ja eh cabeca dura, tentar guia-la entao, sem ela querer se abrir a isso, ainda mais vindo de sua mae que nunca foi pe firme com ela, sera dificil.

Nao custa tentar. Se voce tem intimidade com a Gracinha pra orienta-la como conversar com sua filha, eu daria umas sugestoes. Quem sabe nao faria um pouco de diferenca na vida nao so da crianca a vir, mas na de todas elas?

bjos

Camila Hareide disse...

Dureza mesmo, Beth... Sem mais, vc disse tudo!

beijo

blogdoronaldo disse...

não tenho sugestão...
apenas reconheço que se trata de um grave problema. na maioria das vezes, pela construção incerta da identidade. nossos adolescentes crescem, mas nem sempre são preparados para a vida. os pais, por várias razões, estão distantes. ignoram a vida dos filhos. por desinteresse ou pelas barreiras criadas ao longo do processo de educação/formação.

Georgia disse...

Beth, eu nao entendo como uma menina dessa, assim como tantas outras nao aprenderam nada da vida. Olha, que eu tb tive essa idade, cresci numa das favelas mais conhecidas neste mundo a Cidade de Deus, que até já virou filme; mas eu aprendia só de olhar as minhas amigas se deixando engravidar e os caras caindo fora;

Nao é o lugar que faz as pessoas serem o que elas sao. É o que se recebe já dentro de casa. Eu nao acredito que a mae dela passou os valores dessa vida sofrida que ela passou. Conheci muita mae assim. Que nao queria falar prá filha o lado ruim da vida, como se a vida fosse cor de rosa; Minha mae nos mostrava o lado bem preto da vida e nos dizia que conosco nao seria diferente se entrássemos por aquele caminho.

Eu vejo tb que falta um diálogo muito aberto de mae para filha.
Eu conheci uma amiga que me dizia que a mae estava careca de saber que ela dormia com o namorado, mas dizia para familia toda que a filha era virgem.

É um caminho difícil esse onde as pessoas nao querem colocar os pés no chao.

Beth, parabéns pelo texto, embora seja um tema tao triste de se discutir mas você teve a aptidao de escrevê-lo com tanto sentimento que me pareceu estar ai pertinho de você minha amiga.

Um grande beijo

As aventuras de uma brasileira no Egito disse...

Sabe Beth, isso nao acontece com adolescentes ou com a classe baixa. Estou com um caso parecido proximo a mim. Mulher de 31 anos, engravidou de um "paquera" que sumiu no mapa. Detalhe, ela soh tem o celular do cara, nao sabe onde mora, quem eh a familia, nao sabe nada.....Uma pena.

O que dizer a esse povo????

Eu tbem estou sem resposta.

Beijos e fiquem com Deus

Barbrinha e Bebejinho

RoCosta disse...

Beth é bem difícil quando não há estrutura familiar.
Dá uma olhada no post do Fábio Mayer:
http://fabiomayer.blogspot.com/2009/09/o-que-explica-tanta-violencia.html
Beijos!

Barbie Girl disse...

Beth!!
É hoje!!
Meu blog completa um ano!!

Estou muito feliz e vim dividir essa alegria com você!

Afinal fizemos uma linda amizade e vc foi uma das primeiras a comentar!!

Obrigada por tudo e agora começa um novo ciclo!!

beijos

Isabel disse...

Beth,
esse problema da gravidez na adolescência é muito grave mesmo. Também me entristece muito ver essas famílias que, geração após geração cometem os mesmos erros, por falta de alguém que guie, que eduque, ou por falta de tempo ou simplesmente por não saber como educar.
Essa situação não acontece só no Brasil, aqui na Europa também é uma realidade preocupante, porque muitos adolescentes crescem sem qualquer padrão, sem educação. Muitas vezes os pais não têm culpa, limitam-se a repetir aquilo que já os seus pais tinham feito e por aí fora. É um ciclo vicioso.
Nem sei o que dizer para Gracinha, a não ser que tente apoiar a filha neste momento o mais que ela possa e tentar fazer com que a criança que vai nascer cresça de forma diferente e mais conciente dos riscos que corre.
Bjs

Anônimo disse...

Olá Beth, quanto tempo...O que dizer para essa família, o que podemos fazer???? é muito dificil.
Acho legal contar casos que deu certo, histórias reais que valeu a pena.
Eu por exemplo, me casei com 16 anos, tipo assim queria fugir daquele muito desastroso, alcolico e frio que era a minha familia...2 anos depois com 18 anos engravidei, tive uma filha linda Rebecca, hoje com 12 anos. Meu casamento é maravilhoso até hoje, estudei, sou formada ele tb estudou se formou hoje ele tem uma empresa de comunicação visual, minha filha é benção está na 7 série, faz aulas de musicas, curso de inglês, ocupa bastante seu tempo( cursos não pagos, o de música ela ganhaou na igreja local, o de inglês pagamos só a passagem, pois ela ganhou bolsa de 100% de um centro social da comunidade) pobre tb estuda e muito, basta querer, basta nós como pais incentivar que vale a pena, com coisas que realmente te dá um retorno, mais sei que futuramente filhos não são nossos e que bailes funks, gravidez inesperadas, drogas, sujeitos que não valem nada podem surgir em seu caminho e ela vai saber ver com seu próprios olhos que não valem a pena. Por isso o diálogo, as conversas são bem abertas e espero que eu como mãe consiga amenizar seu sofrimento ou algo que a faça sofrer, apesar que o sofrimento me engrandeceu muito, mais não desejo para ninguém.
Hoje sou realizada, feliz e espero que seja de grande ajuda. Não devemos agir com os nossos filhos da mesma forma que nossos pais fizeram conosco, por isso Deus nós dá a oportunidade de termos filhos e fazer tudo diferente e melhor do que foi conosco.
Boa sorte espero que vc consiga ajuda-lá e conte pra gente como foi.
bjs
ana

Vivian disse...

Olá Beth, aqui no município onde moro atualmente (minas gerais)uma cidadezinha de 6 mil habitantes, tem inumeros casos parecidos com o da Gracinha e a filha dela, e vou te dizer, aqui também acontece casos não só de famílias pobres não, tem gente que tem grana e ta na memsa situação.Eu acredito que as adolescentes de "hoje", pensam que tudo é fácil, elas ja nasceram na era do celular, do computador... enfim não enfrentaram a dureza sabe, aqui nesta cidade tenho um laboratório de analises clínicas, e faço exame de gravidez de adolescentes de 13 anos direto , e acredite, algumas vão ser mamães aos 13 anos, é difícil principalmente para os pais , pq estes sonham uma vida super diferentes para seus filhos , mas infelizmente eles escolhem um outro caminho e não dão valor no conselho do pai com a mãe e acabam perdendo a linda juventude que elas poderiam ter pela frente, è chocante mesmo, mas é a realidade a qual estamos enfrentando hj. Eu não tenho filhos ainda tenho 26 anos sonho muito em ter meu bebê um dia , mas as vezes paro e penso , será que dou conta ?
Bom quanto ao seu post, é isso que tenho a dizer, é dificil quem ta de fora da um conselho sabe, eles parecem não aceitar, é meio complicado. A unica coisa que resta agora é cuidar da saude da mâe e do bebe, pelo menos um acompanhamento médico, pq essa moça não sabe quem é o pai do bebe o risco de ter doenças aumenta e muito , isso me peocupa mais do que a propia gravidez dela.
Olha tenha uma boa semana !!!! Depois da uma passadinha no meu blog!!!

gabriela disse...

Olá amiga
Infelizmente existem muitos casos como esse, a vida por vezes é muito ingrata para certas pessoas.
A mim ás vezes revolta-me certas coisas por exemplo á casais que tentam e queriam muito ter um filho e não conseguem e depois aparece estes casos.
Desejo que tudo corra bem com a familia da Gracinha e que Deus lhe dê muita saúde para poder trabalhar para sustentar a familia, e você amiga um abraço beijo

Somnia Carvalho disse...

Querida Lilas,

o titulo de seu post me enganou a principio, figuei comovida com a historia da gracinha e com seu envolvimento nela...

eu nao estou escrevendo porque penso que posso ajudar, na verdade eu vivia isso de se sentir assim proxima a alguem cuja vida se perdia em sinas nunca melhoradas quando dava aula e era tao dificil conseguir intervir de forma concreta... embora nao seja, claro, impossivel.

Eu entendo voce e me solidarizo com voce... e acho que vc tocou num ponto muito forte: as filhas da miseria reproduzem isso, acaba sendo um circulo meio vicioso... no entanto, embora a menina tenha sua parcela de culpa ela esta tao envolvida no meio de uma situacao que nao dependeria so dela sair disso, assim como para os outras meninas.

informacao sobre como se prevenir e tal elas tem, o que nao tem e uma perspectiva de que a vida pode ser muuuito diferente daquilo... nao ha perspectiva de estudo decente ao qual elas possam pagar, nao ha na cabeca nem mesmo uma ideia de que o futuro poderia sr outro que nao esse.

como mudar isso? com ela nessa situacao? vou pensar mais no caso, mas eu nao sei o que dizer... desculpe amiga!

beijos e putz grila cabei de lembrar que nao te escrevi o email! sao 3 da matina aqui, fiquei com insonia e vou com certeza lhe responder de manha! meu Deus! que pessoa mais non sense eu sou, sorry qiuerida lilas!

Sonia H. disse...

Jesus...
É desolador mesmo, Beth.
Eu sinto muita pena das Gracinhas - não posso imaginar o que deve ser esse sentimento de derrota por não ter conseguido quebrar o ciclo de pobreza. É triste também perceber que hoje a pobreza tomou uma dimensão muito maior do que na época de nossos pais, avós.... Meus pais eram muito pobres, e no entanto, meus avós tinham valores que hoje parecem até nobres: davam valor à educação, ensinaram a ética, o respeito, os caminhos do bem, por que essa foi a herança que estava entrelaçada com seus antepassados. A pobreza nos dias de hoje está longe de ser somente material - a pobreza é hoje fundamentalmente de origem moral - e sem referências de valores, o que temos é uma sociedade de 'cabeça para baixo', como a de nossos dias.
Sinceramente, não saberia o que dizer a ela... sinto-me verdadeiramente impotente nessas horas.
Beijos, querida,

Ciça Donner disse...

Beth eu tinha 19 quando engravidei e apesar de ter uma certa estrutura (já trabalhava, já era quase dona da minha vida) foi um tapao da vida que só minha mae pode aliviar... mas ela nao aliviou. Com amor, carinho e toda a protecao ela me colocou para assumir meu filho e minha vida. tavles esses seja o caminho para a Gracinha. Ajude sua filha, mas a responsabilidade é dela. Vai ter de estudar, trabalhar e AMAR seu filho. nao deixe que ela se veja como "mais um caso"... ela é O caso.

É a unica forma que vejo de "quebrar essa sina"

ML disse...

No coment antigo esqueci de comentar que uma faxineira que tive descobriu que a filha estava grávida... na hora do parto!
Acredita nisso?
A história é parecida: como a menina era gordinha ninguém realizou!
Acho que a ignorância é tão grande que os coitados estão mesmos fadados a repetirem a mesma história geração após geração.

É um "probrema"...

bjnhs

Liza Souza disse...

Ai Beth, que situacao dificil! Tbm nao sei o que dizer ou fazer numa hora dessas. E é muito triste saber que essa é a realidade no nosso país e que muito pouco ou quase nada é feito para que tenhamos uma outra realidade. Acho que o que falta no Brasil é educacao. É dar oportunidade para pobre ou rico ir para a escola e ter perspectivas melhores de vida. É dar a eles oportunidades reais de escolherem um caminho diferente e de acreditarem que esse caminho existe. A gente acha que todo mundo sabe o que está fazendo, mas muitas meninas de 12, 13 anos fazem sexo e nao tem nocao que podem engravidar. Agora cobrar que os pais ensinem? Ok, cabe aos pais, mas se eles nao tiveram instrucao como vao ensinar aos filhos. Mudar o Brasil vai ser dificil demais, e quanto mais tempo eu passo aqui na Europa mais percebo e acho que nao tem jeito para o nosso país. Tomara que eu esteja errada! Agora uma coisa que foi dita nos comentarios ai de cima e que acho fundamental é AMOR. Ele sim pode fazer a diferenca para essa maezinha tao nova e que terá sua vida completamente mudada pela maternidade e por essa crianca que logo chegará nesse mundo.
Beijos

Dani dutch disse...

OI Beth, tudo bem?
Essa história de vida da Gracinha e de muitas outras pessoas me cortam o coração, parecem que não enxergam um futuro pela frente.. a familía do meu pai teve um problema parecido mas com o alcool, mas graças a deus essa geração minha e dos meus primos tudo já mudou.
Mas é tudo muito triste, as vezes tenho vontade de visitar esses lugares e tentar colocar um pouco de esperança na vida dessas pessoas.
Bjusss

Anônimo disse...

olá Beth, seu post está comovente. Infelizmente é a vida, é real, e como é difícil lidar c/ os filhos nos dias de hoje. É verdade q isso tb acontece nas famílias bem situadas mas nas periferias desse nosso país desgovernado a pobreza torna a situação bem pior.
Qto ao seu comentário sobre a Rede Record, digo q aprecio mto o jornalismo deles e acho q essas reportagens q eles veem fazendo talvez ajudem a chacoalhar os políticos e a fazer c/ q o povo q é quem escolhe os calhordas, abra os olhos e enxergue a necessidade de escolher melhor seus governantes. Essa situação não começou nesse governo claro, ela vem de mto tempo infelizmente e cada governo q chega parece q a deixa pior.
Pessoas como vc tb são excelentes p/ chacoalhar esse povo cordeirinho q aceita migalhas e ainda reelege a corja. As pessoas pensantes por aqui parece q são minoria e assim fica difícil mudar uma situação tão arraigada q já virou "cultura". Filmes como Cidade de Deus são sucesso (não assisti e não concordo c/ o tema). Os elementos de filmes como esse ficam realizados qdo deveriam ficar tristes c/ a dura realidade q vivenciam.
Bjo grande e obrigada parabéns pelo ótimo post. Bjs... judy kennedy

Fernanda disse...

Beth, esse ciclo eh muito dificil de ser quebrado. Achei seu site maravilhoso, uma otima iniciativa.
Beijos!