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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Contra a caça no Zimbabwe e a morte do leão Cecil



Eu amo e respeito animais assim como os seres humanos, porque acho que estamos neste planeta azul, juntos, respirando o mesmo ar e dividindo a natureza, e não é por mero acaso, mas por sermos um único conjunto, sem parênteses ou interseções, colocados aqui para desfrutar a vida que nos foi concedida por algo maior, invisível e divino. Portanto, não acho justo que nós, animais racionais, subjuguemos ou maltratemos os irracionais.

Acreditar que os humanos são os filhos eleitos, e qualquer outra vida existente não passa de mera criatura sem alma, é um dos maiores equívocos do pensamento humano.
(autor desconhecido)

A morte absurda e sofrida do leão Cecil no Zimbabwe, suscitou muitos comentários e argumentações, algumas inclusive que eu discordo plenamente, como a comparação com a morte do leão e de tantos africanos que vem morrendo a cada dia na difícil travessia que fazem do continente africano para a Europa. Para mim, toda a vida neste universo tem valor e dor em sua perda.
Mas, o que interessa mesmo, não é a minha opinião e sim a constatação de que, apesar disso, evoluimos ao longo do último meio século e, graças à Internet, a indignação e interação nas redes sociais, o ato e seu autor foi imediatamente condenado.

Um escritor que me chamou a atenção e que li seu primeiro livro no mês passado - José Eduardo Agualusa - (escritor angolano), escreveu um excelente artigo em sua coluna, hoje em O Globo, que vale a pena ler na íntegra, por sua clareza de raciocínio e sensibilidade. Deixo abaixo o link e seu último parágrafo.


"...A relação do homem com os restantes seres vivos parece-me uma boa medida para aferir o grau de sofisticação moral e ética de uma sociedade. Bem sei que um sujeito pode ser cruel com os seus semelhantes e amar os passarinhos. Hitler era vegetariano e promulgou diversas leis destinadas a combater a crueldade contra os animais. Os talhos e os matadouros horrorizavam-no. Haverá por aí torturadores incapazes de matar uma mosca e assassinos profissionais que nos tempos livres se dedicam a salvar baleias. Também é possível ser toureiro e humanista, caçador e democrata, domador de leões e filantropo. Não falo, pois, de casos individuais. Falo de civilizações. Uma sociedade que se comove com a morte de um leão está provavelmente melhor preparada para amar e compreender o próximo. Em todo o caso, olhando para trás, para o abismo convulso por onde se precipita a história da humanidade, fico com a impressão de que o nosso progresso moral vem correndo em paralelo com o reconhecimento dos direitos dos outros seres vivos e o aumento da percepção de que estamos todos ligados.
Ao longo da História, aqui e ali, temos assistido a inúmeros momentos de refluxo civilizatório, alguns deles breves e brandos, outros longos e muitíssimo violentos. No fim, porém, sempre avançamos."





"A força da vida que pulsa nas árvores, nas plantas e nos animais é a mesma força de vida que pulsa dentro de nós. A mesma energia de vida que nos dá o poder de falar e cantar é o poder do canto do pássaro e do rugido do leão. A mesma consciência que flui internamente e através de cada ser humano concede sua energia ao movimento do vento, ao fluir do rio e à luz do sol. Como pode existir qualquer sentido de diferença após compreender esse princípio sutil?" - Amma (Mata Amritanandamayi)


Nota: Infelizmente, o Zimbabwe suspendeu ontem a proibição de caça a leões, leopardos e elefantes, menos de 10 dias após a morte do leão Cecil que causou esta comoção internacional. A matança continua.









12 comentários:

✿ chica disse...

O que te dizer desse morte?Triste fato ocorrido! Ficamos espantados ! Triste demais! Lindo e reflexivo texto nos trazes,Beth! Lindo dia! bjs, chica

Ivone disse...

Amiga Beth, é inadmissível que ainda aconteça isso, não devemos nos calar mesmo, concordo com a postagem esclarecedora!
Abraços apertados!

Maria Célia disse...

Olá Beth
Menina, você acredita que não sabia sobre este acontecimento pavoroso, tadinho do Cecil.
Você, querida, sempre antenada com fatos importantes que nos falam diretamente na alma, apesar do horror, você mandou muito bem nas palavras.
Um beijo, Beth.

ONG ALERTA disse...

Impressionante ainda existir permissão de caça nos dias de hoje, bj Lisette.

Regina Rozenbaum disse...

Sempre tive horror a essas caçadas (safári?tôfora!)tanto quanto com as touradas e assim por diante...muito triste o que fazem com todos os animais ao redor do mundo. E tudo obviamente para satisfazer os egos vaidosos e os bolsos!
Beijuuss Bethita

Cristina Pavani disse...

Olá, Alfazema!
Cecil virou um ícone de uma ideologia ética, onde a baixesa do (des)humano se revela perante os indefesos.
Nesse planetinha superlotado de humanos, a esperança das outras espécies está na diminuição atual da natalidade, visto que a mentalidade retrógrada persiste.

Beijo procê

Bombom disse...

José Eduardo agualusa é um escritor de grande sensibilidade e humanismo. Obrigada por partilhares o seu artigo no Globo.
É importante reflectirmos neste tema das agressões aos animais e esta tua comunicação aborda bem o problema.
Enquanto não tomarmos consciência de que Animais, Plantas, Rochas (seres vivos e seres inanimados)e Astros, somos parte do mesmo "corpo", da mesma Energia Cósmica e por isso não temos o direito de destruir o outro, continuaremos a assistir a estes episódios bárbaros que tanto nos chocam.
A minha Esperança é que com a divulgação destes actos na Comunicação Social e nas Redes Sociais da net, façam as pessoas acordar para o problema e mudar as atitudes.
Bem Hajas por teres trazido este tema à consideração dos teus leitores (as).
Bjs. Bombom

Beatriz disse...

Querida Beth
Sim! Toda forma de vida vale a pena. Ninguém, nenhum animal ou ser humano merece passar por crueldades, como as que vemos na África árabe todos os dias, e também na África selvagem... Infelizmente muitos desses ditadores africanos que estão no poder há décadas, não têm a menor piedade de seu povo, nem dos animais. País amigo do Zimbabwe, como a Guiné Equatorial ainda investiu em escola de samba aqui no Brasil, que vergonha! A corrupção toma conta e a riqueza só vai para os próprios bolsos, nunca para a população ou para a preservação da vida selvagem. Muito triste... Porém, continuo na torcida por um verdadeiro avanço!

Beijinhos e uma ótima semana carioquíssima!!!!

Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Calu B. disse...

A soberba da espécie humana só traz destruição e sofrimento.A história de nós todos tem capítulos extensos sobre os fatos e o pior é que o enredo continua repetidamente, reproduzindo-se feito erva daninha consumidora de vida.A corrupção, o poder, a vaidade estão a exterminar os reais valores da humanidade.Vergonha! Desrespeito!

Bjos minha amiga,
Calu

Obs: Adorei os lindos e novos lilases por aqui.
:)

Toninho disse...

Pois é Beth, um fato que abalou o mundo. Não tem como confiar no ser humano, que mata pelo prazer. A violência contra qualquer animal deveriam causar repugnância geral. O paragrafo em questão do Globo é muito bom e engloba o pensamento correto desta relação.
Vamos gritar sempre contra toda e qualquer violência contra todos os seres.
Um lindo fim de semana com um abraço mineiro de flor.
Grato sempre pelo carinho e atenção.
Beijo no coração.

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Beth
Saudade de passar por aqui pois uma pane na região me deixou ilhada até ontem... mais de quinze dias...
Sabe, gosto muito de animais e já tivemos alguns mas, hoje em dia, não dá pra me prender neles... deixo pros netinhos curtirem e a filha ter o trabalho... rs...
Mas, jamais maltratar é questão de dignidade e nunca vou permitir isso em sã consciência... seria uma maldade...
Crueldade é uma dó imensa!
Eles merecem tudo de bom como nós... são extremamente carinhosos e fiéis...
Bjm fraterno

Lúcia Soares disse...

Para mim, matar até uma barata, que acham tão nojenta, é difícil...Às vezes deixo-a ir, nem consigo exterminá-la. Mas não é este o caso.
O caso é que me parece inadmissível alguém entrar no habitat do animal e o matar. Não há o que dizer, é simplesmente fora de razão, para mim.
Só acho que as pessoas andam exagerando nos seus castigos, todos se arvorando em matadores em potencial. Se pudessem, teriam atirado nesse "caçador", ensandecidos. Uma forte punição para quem comete esses atos é necessária, mas não palavras de ódio, que colocam quem as pronuncia no mesmo patamar do "caçador". É possível mostrar toda a nossa indignação com palavras sensatas e calmas, como a do Agualusa.
Beijo.