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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

As Pedras-Obstáculos pelos caminhos.

-Pinterest-

Eu sempre achei que medir, avaliar, fazer juízo de valor de alguém ou mesmo de todo um povo, não é justo, não é sensato. A história existe para isso, para desmistificar paradigmas criados ou não deixar cair no esquecimento, a memória daqueles que foram um dia injustiçados.

No ano passado, escolhi o livro A Menina que roubava Livros para presentear pelo Booking Crossing uma pessoa desconhecida, e  que me acenou ter vontade de ler e conhecer esta história. Mas, não me foi atraente até o meio e, com toda alegria, dei-o aquela pessoa que ansiava por lê-lo.  Eu não havia gostado do livro, nem cheguei até o final do mesmo e fiquei com aquilo na cabeça, pois não era possível eu desistir de ler algo que tantos elogiavam, isso nunca havia acontecido antes. No entanto, fui ver o filme e aí me encantei com o final da história, pela primeira vez, achei o filme melhor do que um livro. 
A história do mesmo é uma reafirmação do que eu disse no primeiro parágrafo desse texto, ou seja, não devemos julgar todo um povo pelos crimes cometidos por seus governantes.

A arte em comunhão com a história faz homenagens bonitas para registrar a verdade que sempre vem à tona em algum momento desta nossa vida, seja em filmes, livros, quadros, óperas e até de um jeito surpreendente, como o artista alemão, Gunter Demnig  vem sendo reconhecido em seu país e outros da Europa, por seu projeto criativo e reflexivo, relembrando como o nacional-socialismo alemão fez tantas vítimas no Holocausto.

O projeto desse artista plástico, procura relembrar, na verdade,  todas os povos e minorias banidos pelo nazismo:  judeus, ciganos, homossexuais e Testemunhas de Jeová, entre outros. O projeto chama-se Stolpersteine"Pedras-Obstáculo" - são pequenos blocos de latão encaixadas na rua em frente de prédios, onde viviam ou trabalhavam vítimas dos nazistas. Até hoje há mais de 20.000 pedras em toda a Europa, sendo um dos maiores projetos de comemoração no mundo, fazendo com que as pessoas se inclinem para ler o que nelas está inscrito e com isso, prestem também uma reverência involuntária de respeito a cada um desses que perderam suas vidas pela intransigência ideológica de um povo e de uma época.


O Artista e sua homenagem eterna a todos que sofreram as injustiças humanas.



"Imagine não existir países
Não é difícil de fazer
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz.
Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo"

John Lennon




12 comentários:

✿ chica disse...

Adorei a poesia de Lennon e esse PROJETO, com maiúsculas mesmo... Linda reverência às tantas vítimas. Excelente post e imagino que as pessoas ao passar pelas pedras e se abaixarem para ler o que ali está escrito, fazem um gesto de saudação aos que se foram, nem que seja em pensamento!


bjs, tudo de bom,chica

Ivone disse...

Bom dia linda amiga Beth, "imagine" seria maravilhoso, mas como não é assim, acredito que deva ter uma razão maior para que tudo seja como é!
Não li o livro mencionado, mas assisti ao filme, também achei o final feliz, muitas vezes queremos que tudo seja assim, viver sempre com finais felizes, mas como a Vida é eterna, podemos ter a fé de que tudo está no seu devido lugar, só precisamos acreditar, só isso!
Amei ler e é lindo o gesto das homenagens às vítimas do holocausto!
Abraços!

Calu B. disse...

Betinha,
já era fã do livro e estendi minha admiração ao trabalho realizado no filme inspirado na obra.Gostei muito.Acho que o assistimos no mesmo dia e fomos deitar com as questões postas orbitando n'alma.Agora diante de tua aguçada garimpagem fico sabendo desta comovente atitude do artista plástico e aplaudo com reverência tamanha sensibilidade.
Na abertura do post vc definiu maravilhosamente os aspectos que devem ser sempre perseguidos: jamais generalizar avaliações/ responsabilidades e preconceitos.

Belíssima postagem, amiga, aliás como é de teu feitio:)
Bjkas mil,
Calu

Beth/Lilás disse...

Só pra complementar o meu pensamento sobre 'julgar um povo pelo seu governo', quero lembrar e reafirmar minha gratidão ao país Alemanha que me atendeu com o maior carinho e presteza, quando fiquei lá doente e internada por uma semana, no ano passado. As pessoas que me atenderam no primeiro momento, eram alemães, e foram simplesmente super gentis e prestativos. No hospital alemão, de primeiríssimo mundo, todas as enfermeiras e médicos altamente capacitados e gentis. Portanto, julgar um povo é algo bastante incipiente. (Só para a gente pensar mais sobre isso.)

Ahhhh o mesmo digo dos Estados Unidos, país em que todas as vezes que pra lá viajo, desfruto das mesmas boas condições que eles oferecem ao seu povo.

Luma Rosa disse...

Oi, Beth!
Todo povo tem qualidades e defeitos. Mas não podemos colocar o defeito de um em todo o povo. Os alemães carregaram um estigma por décadas por causa de Hitler, no entanto, a reconstrução dos territórios e interação entre os povos, além é claro, do conhecimento da história, fez com que a verdade viesse esclarecer que Hitler apenas foi um dos que se destacaram por estar à frente de um exército e responder aos anseios de multidões. Não somente os alemães eram antipáticos com outros povos, assim como uma boa parte da Europa. Na Inglaterra, antes de tudo degringolar, eles não davam empregos para os judeus e muitos passavam fome nas ruas. Pedir perdão pelos erros através de atitudes que repercutam na sociedade e as faça lembrar de seus males é super louvável. Aplausos para Gunter Dennig, que ajuda a mostrar para a juventude atual, o retrocesso que a humanidade sofreu por conta de radicalismos e cerceamento da liberdade do outro.
Quanto aos livros, nem sempre estamos preparados para eles ou mesmo motivados. É fechar e esperar a vontade voltar... rs.
BookCrossing? Hum... faltam 3 dias!
Beijus,

Ana Paula disse...

Que gesto lindo do artista plástico, uma delicadeza, uma lembrança para que nunca volte a acontecer, um aceno para a paz, uma reflexão para o não julgamento.
Parabéns pela postagem. Beijo!

Maria Célia disse...

OLá Beth
Li o livro muitos anos atrás e vi o filme recentemente, gostei de ambos.
É uma verdade julgar todo povo pelas atrocidades ou leviandades de seus governantes, mas infelizmente, temos o péssimo hábito de fazer isto.
E estas plaquinhas são o máximo, muito interessantes.
Um beijo, querida.
Obrigada pelo seu carinho sempre comigo.

Lúcia Soares disse...

que bonito, Beth! Há pessoas que realmente nascem para fazer a diferença! Um gesto nobre do artista. E sempre é tempo das gerações futuras não deixarem de conhecer as verdades da história. Infelizmente o que sabemos hoje é que há, pelo menos no Brasil, uma grande deturpação do que foi realmente a nossa história, mas acho que ela não vai mudar, pelo menos não nos livros didáticos.
Ponho-me a pensar, agora, o que estará nos livros sobre esse momento que estamos vivendo...
"Imagine" é uma das mais lindas canções de todos os tempos.
Beijo.

Dra. Cristiane Marino disse...

Oi Beth, que lindo post!
que idéia maravilhosa desse artista, reverenciar a memória das vítimas da intolerância, que exemplo…
Fiquei profundamente tocada.
Bjs e ótimo final de semana
P.S. Acho que você vai adorar o filme, é especial.

Beatriz disse...

Bela homenagem Beth! Embora não tenha lido o livro, vi um pedaço do filme outro dia na TV e achei muito bonito! Concordo com o que disse. Acredito que a arte seja capaz de perdoar muita coisa nessa vida. Também sou contra certos clichês, como "cada povo tem o governo que merece". Poxa, não acredito que seja assim na Síria, em outros países do Oriente Médio ou do resto da África, da Coreia do Norte.....Infelizmente, esta é uma lista interminável. Todos sofrem com as guerras e o ódio dilacerado. Ninguém, em sã consciência, quer isso na sua vida! Realmente seria muito bom se todo o planeta vivesse em harmonia!

Beijinhos e um ótimo domingo de sol!

<°))))< Bia

Bia Hain disse...

Olá, Beth, como vai!
Tenho o livro mas ainda não consegui ler. Achei muito interessante o formato do texto, mas acabei não conseguindo ir em frente. Interessante a dica de ter assistido o filme, e gostado, acho que irei tentar, embora o drama não seja minha categoria preferida, sempre acab me tocando demais. Interessante o projeto dos cubos, uma forma de chamar a atençao para o caso. Um abraço!

Toninho disse...

Fantástico Beth, os horrores da violência seja ela contra quem for, deve ser sempre criticada e banida da face da terra. Aqui um belo ato da arte de reconhecer a participação de cada ser nos movimentos da historia e de uma pagina suja.
Grato pela partilha amiga.
Desejo uma semana bela e lilás para voce com a harmonia no lar.
Abraços amiga.
Beijo de paz.