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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A palavra calada.



Antes do nome

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás",
o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível
muleta que me apóia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.


Adélia Prado
(1935)





13 comentários:

Silvana Haddad disse...

Beth:
Adélia Prado conseguiu expressar o poder da palavra.
Há quem consiga transmitir doces palavras e alegrar nosso coração.
Todavia, existem outros que deveriam manter a boca fechada.
Já diz o velho e bom ditado, que o silêncio vale ouro.
Sou da opinião que se não tenho nada de bom a acrescentar, melhor calar.
Que bom você ter gostado da dica sobre as assinaturas.
E melhor ainda, ter consigo fazer a sua.
Bjs.:
Sil

Maria Célia disse...

Ei Beth
O silêncio muitas vezes vale ouro, palavras mal interpretadas ou ditas num momento ruim, fora de hora, machucam muito.
Beijo.

Lúcia Soares disse...

Beth, sem palavras...
Ando meio caladinha, meditativa...
Em boca fechada não entra mosquito...
Beijo.

Marli Soares Borges disse...

Beth,
E eu aqui fazendo minhas conexões: o poder da palavra e o Verbo. Tudo está no seu lugar. Grande Adelia Prado, perspicácia e inteligência. Mais conexões! Bjs amiga.

Luma Rosa disse...

Oi, Beth!
O problema de ficar em silêncio, é que as palavras fazem muito barulho na cabeça de quem não fala muito!
:)
Beijus,

Bill Oliveira disse...

Amo Adélio Prado, grato pela partilha, este eu não conhecia.

Beijo amiga!

Will

Calu B. disse...

A palavra, este bordado da linguagem, registro do Ser que se fez Verbo,pronúncia precisa, pois mesmo calada ainda assim é expressa.
Adélia sabe preencher este bordado como ninguém.
Lindeza pura!
Um abraço carinhoso pra vcs aí, Betinha.
Calu

Silvana Haddad disse...

Beth:
Vim te avisar que tem surpresinha pra você, lá no meu blog.
Passa pra pegar, ok.
Bjs.:
Sil
http://meusdevaneiosescritos.blogspot.com.br/2013/12/ho-ho-ho-aqui-tem-surpresa.html

ML disse...

Exaro, Beth: como dizia minha bisa, "a palavra é de prata, o silêncio é de ouro" : > )

bjnhsssssssssssssssssssssssssss

✿ chica disse...

Adoro Adélia e essa poesia é linda!E esse silêncio se faz necessário!!!beijos,chica

Zizi Santos disse...

Beth

Quantas palavras benditas nessa poesia ! é de calar mesmo!
De Adélia Prado , recordo numa entrevista que ela deu, sobre o morrer, pois ela dizia lamentar perder a cor do céu do cerrado! Nunca esqueci!

bjs Zizi

Cristina Pavani disse...

Oi, Alfazema!
Esta questão, por vezes dicotômica, entre o que pensamos e o que expressamos oralmente (por necessidade, por fingimento, por respeito, por dissimulação) é sempre um incógnita.
Muitas pistas nos caem através de gestos, olhares, entre-linhas... contudo o pensamento limpo, real, é personalíssimo e intransferível!

Bela manhã procê.

Toninho disse...

Saber como usar e fazer delas nossa expressão maxima.
Bela partilha amiga sempre bem garimpada.
Carinhoso abraço amiga.
Bjo.