.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sábado, 22 de outubro de 2011

Um incentivo através da poesia


-Tiradentes-MG-

Aproveita os nós desatados
o silêncio das águas perdidas
as fendas nas montanhas
aproveita as violetas entrecortadas
de desejo
os sinos soltos pela chuva
como sonhos desencantados
aproveita as caravelas invisíveis
assombrando as noites
os pios das corujas solitárias
aproveita os caminhos recém-abertos
por cogumelos escarlates
aproveita as rendas dos luares
de agosto
os rostos pontuando as sombras
aproveita os cavalos engravidando a terra.

aproveita o peso escuro da terra
e tece teu poema.
 
Roseana Murray


Bom final de semana a todos!



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Vazio nas Mãos


-Bing-

Nem Água, Nem Lua

Por anos e anos
a monja Chiyono estudou
sem conseguir chegar à Iluminação.

Uma noite,
estava ela a carregar 
um velho pote cheio de água.

Enquanto caminhava,
ia observando a lua cheia
refletida na água do pote.

De repente,
as tiras de bambu
que  seguravam o pote inteiro
partiram-se
e o pote despedaçou-se.

A água escorreu,
o reflexo da lua desapareceu -
E Chiyono Iluminou-se

Ela escreveu estes versos:

De um modo ou de outro
tentei segurar o pote inteiro,
esperando que o frágil bambu
nunca se partisse

De repente, o fundo caiu.
Não havia mais água;
Nem mais lua na água -
O vazio em minhas mãos

Este poema acima foi escrito por um mestre indiano chamado Bhagawan Shree Rajneesh no livro com o mesmo nome do poema "Nem Água, Nem Lua".  
Há tempos atrás, quando eu lia coisas desse gênero, desde Lobsanga Rampa a Khalil Gibran, comprei o mesmo numa livraria que acho que nem mais existe em Copacabana e li estes e outros versos buscando a tal Iluminação que este mestre espiritual da Índia, orienta com suas palavras e ensinamentos, processos que nos levam à compreensão de que a resposta está em nosso interior e que não será através de lutas e esforços que nós progrediremos, mas sim pela aceitação, entrega e compreensão e isso, tanto interna como externamente.

Nesses dias de férias aqui na serra, voltei a ler este livro e fiquei sem entender o poema acima, até que no final de seu livro obtive a resposta. Tenho buscado algumas respostas para mim mesma sobre espiritualidade e também para ajudar a outras pessoas, mas em certos momentos, sinto que tenho muito a aprender e me desapegar. Se você também não entendeu porque a monja Chiyono iluminou-se depois que seu vaso quebrou-se, leia abaixo as palavras do autor Bhagwan Rajneesh e compreenda melhor toda essa estorinha que poderá nos servir para uma nova vida e uma outra dimensão do ser:

"Vá com o vazio em suas mãos, pois isto é tudo o que posso lhe oferecer e nada é mais do que isto.

Este é o meu presente.  Vá de mãos vazias. Se puder carregar o  vazio em suas mãos, tudo se tornará possível.  Não carregue possessões, conhecimentos, nada que encha o pote, porque senão você estará vendo apenas o reflexo.  Na riqueza, nas possessões, nas casas, carros, prestígio, você verá apenas o reflexo da lua cheia.  E a lua estará esperando por você.

Deixe o fundo cair.  Não tente deste ou daquele modo proteger o velho pote.  Não vale a pena!  Não se proteja, não compensa!  Deixe o pote quebrar-se, a água escorrer e a lua desaparecer da água, pois só assim você será capaz de levantar os olhos para a verdadeira lua.  Ela sempre estará lá no céu - mas é necessário ter as mãos vazias.  Torne-se mais e mais vazio; pense em você mais e mais como um vazio; comporte-se assim, como se estivesse vazio.  Aos poucos, você experimentará a sensação. E uma vez que tenha experimentado, tudo será maravilhoso.

Uma vez experimentado o vazio, você conhecerá o próprio significado da vida.  Carregue o vazio, deixe cair o pote de água que é o seu ego, sua mente e seus pensamentos.  E, lembre-se:  nem água, nem lua - o vazio nas mãos."







quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um dia seremos Estrelas

-Imagens - © Ignacio Torres, "Stellar" -

Existe em nosso universo uma enorme gama de crenças, filosóficas, científicas ou religiosas para se acreditar de onde viemos e para onde vamos.  Basta escolhermos uma delas e viver feliz.

Sempre quando eu olho pro céu estrelado, daqueles coalhado de estrelas que impressionam os olhos e fazem a alma levitar, fico pensando que uma ou outra  daquelas estrelas pode ser um ente querido ou amigo que se foi um dia. É minha forma tranquila de enfrentar a morte e o desaparecimento de quem amei.

Sinceramente, adoro este pensamento e ele me passa uma profunda paz.

Eis que lendo sobre este jovem fotógrafo do Texas, Ignacio Torres, descubro nele algo parecido com minhas crenças, pois ele tem uma curiosa teoria sobre como nós, humanos, 
surgimos e voltamos a ser, ou seja, somos feitos de matéria cósmica, resultado da morte de várias estrelas.

Ignacio criou então o projeto "Stellar", com imagens representativas deste acontecimento cósmico. Ele explica que utilizou pó reflexivo e confetes para simbolizar as galáxias já desintegradas e a sua posterior transformação em corpos humanos. 

"Ao inserir modelos reais nas suas imagens e adicionar-lhes movimento através de gifs animados tridimensionais, o fotógrafo queria “congelá-los no tempo entre as partículas que iniciam esta criação celestial”. Este seu pensamento, quase uma metáfora visual, pretende focar a ligação espacial existente entre nós e as estrelas, assim como o tempo que as separa a elas próprias."
-Imagens - © Ignacio Torres, "Stellar" -

Já que Somos Estrelas...


A ciência, com muita poesia, descobriu que somos feitos com a mesma matéria
das estrelas, e até nossos pensamentos brilham, estelarmente.
Por isso, convém andar com delicadeza e cuidados:  nossos gestos e palavras,
já que também somos estrelas, podem mudar o universo.

(Roseana Murray)






terça-feira, 18 de outubro de 2011

Da Kitanda à Quitanda

-Foto por Beth Q.-

"Cercadas por montes de ovos, laranjas, bananas, mangas, batatas, galinhas, patos vivos e uma infinidade de outros gêneros, vendedoras negras com trajes vistosos, agachadas sobre os calcanhares, fritam peixes e bolinhos de feijão, preparam petiscos de carne-seca ou carne de porco nas panelas colocadas em pedras sobre lenha. Enquanto isso, uma pequena multidão de fregueses aguarda ansiosa para comprar e comer as delícias saídas do fogo. E ainda aproveita para se servir dos jarros e cabaças com bebidas fermentadas, extraídas do caule da palmeira de dendê, do milho ou do abacaxi.

Cenas como esta poderiam ocorrer nas ruas de Salvador ou do Rio de Janeiro séculos atrás. Mas antes de aportarem no Brasil, as “quitandas” eram um fenômeno tipicamente africano. Espalhados por todo o continente, esses espaços de troca ficaram conhecidos, na região centro-ocidental da África, e mais especificamente entre os povos mbundu, como kitanda."



-Foto por Beth Q.-


"A aparente confusão daquele agitado comércio urbano escondia uma atividade bastante organizada. As quitandeiras se dividiam conforme suas especialidades: havia mulheres que só vendiam peixe, outras que ofereciam apenas comidas prontas e as que se dedicavam aos chamados “produtos da terra”, como amuletos, pemba (argila branca usada em rituais religiosos), liamba (cânhamo) e macânha (tabaco). As peixeiras formavam uma espécie de cooperativa com profundos laços de solidariedade e conseguiam prestar auxílio às colegas menos afortunadas. Na época do parto, as mães podiam ficar um tempo com os filhos e só depois retornar ao trabalho. Assim como elas, havia outras associações por ramo de negócio, como as que reuniam as vendedoras de batata-doce (Akua-Mbonze), as de tabaco (Akua-Makanha) e as “coleiras”, que vendiam gengibre e cola – uma fruta com efeitos estimulantes consumida em todo o continente africano. Dependendo da origem étnica, elas se diferenciavam pelo colorido de seus adereços e roupas. Os tipos de tecidos usados também demarcavam as diferenças entre as quitandeiras mais ricas, proprietárias do negócio (mukwa) e suas funcionárias (mubadi). 


-Foto por Beth Q.-

"Os territórios das quitandeiras logo viraram pontos de referência nos centros urbanos. Em Salvador, no século XVIII, ficou conhecida a Grande Quitanda – que ocupava um belo prédio com o nome de Morgado de Mateus e era o centro da vida comercial da cidade. Até hoje, na Baixa dos Sapateiros, podem ser vistos os vestígios da Grande Quitanda. Em São Paulo, os tabuleiros enchiam a Rua da Quitanda Velha, enquanto no Rio, já no século XIX, a maioria das casas varejistas situava-se na Rua da Quitanda. No Mercado da Praia do Peixe ficavam as negras que vendiam angu, que seriam descritas pelo francês Jean-Baptiste Debret. "


Tanto em Angola como no Brasil, o mau cheiro e o barulho das quitandas passaram a ser vistos como incômodos a serem superados. Aos poucos, elas tiveram que deixar os largos, becos e travessas para se abrigar em espaços demarcados. Desde o século XVII, a Câmara de Luanda tentava regulamentar esse comércio, obrigando as quitandeiras a tirar licenças e cobrando multas das ilegais. No século XIX, foram erguidos prédios modernos para o funcionamento do pequeno comércio. "


Toda esta matéria pode ser lida neste site aqui.




Fiz estas fotos de uma pequena Quitanda aqui no bairro em que moro.  Sempre considerei este comércio bonito, atraente e de certa forma interessante, pois além da rica e tradicional  história que tem, sabemos que não é comum em todo nosso território e muitos turistas ficam admirados e atraídos pela beleza de nossas frutas e legumes assim expostos.  E, para quem é brasileiro e mora fora do país, um presente que trará saudade.


-Foto por Beth Q.-









domingo, 16 de outubro de 2011

Começar de novo


Tom Hanks e Julia Roberts estão andando em uma velha moto azul. - Larry Crowne Filme
A crítica no jornal não dizia grandes coisas a respeito deste filme "Larry Crowne", mas senti-me atraída para vê-lo, porque dois excelentes atores como Tom Hanks e Julia Roberts, não poderiam fazer algo medíocre.
O filme é bem dirigido pelo próprio Tom e a trilha sonora, com rocks agradáveis, muito boa também.
Embora o tema seja o habitual de comédias românticas hollywoodianas, percebe-se diversos recados à sociedade americana atual; a hipocrisia na relação corporativa, as dificuldades que o americano médio vive  neste momento de difícil acomodação financeira, a crise criada pelo sub-prime que levou milhares e milhares de americanos a perderem suas casas, a condição ainda complicada para os 'not whites' e a máxima que me fez sair de lá pensando e comentando com o marido sobre o recado geral que o filme passa - o recomeço - o difícil recomeço de uma vida e a capacidade de dar a volta por cima.  Coisa que muitos ao conseguirem podem vivenciar um futuro bem mais feliz do que era no passado.

Um filme quando é bom a gente sai e comenta sobre os detalhes.  A atuação de ambos é excelente, como sempre, mas a mensagem contida no filme, que poderia ser, talvez, mais apimentado, dá margem a muitas reflexões, principalmente porque às vezes insistimos em dar murros em ponta de faca!

Não é um tema novo, mas vale a pena sempre ser relembrado, pois reforça e dá incentivo a todos nós de acreditarmos no amanhã e em nossa força interior.


"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode (re)começar agora e fazer um novo fim."
Chico Xavier



Sinopse daqui:
amável Larry Crowne (Tom Hanks) era um líder nato na equipe daempresa em que trabalhava, mas a criste bateu à sua porta. Afundadoem dívidas e precisando pagar a hipoteca de sua casa, ele volta à salade aula para começar uma nova  vida. Na aula de oratória, Larrydesenvolve uma paixão inesperada por sua professora Mercedes Tainot (Julia Roberts), uma mulher que perdeu tanto a sua paixão por ensinarcomo a que sentia pelo marido. Este cara simples e carismáticoaprenderá uma lição: quando você pensa que tudo o que vale a penajá passou pela sua vida, descobrirá que sempre vai existir uma novarazão para viver.