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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Vazio nas Mãos


-Bing-

Nem Água, Nem Lua

Por anos e anos
a monja Chiyono estudou
sem conseguir chegar à Iluminação.

Uma noite,
estava ela a carregar 
um velho pote cheio de água.

Enquanto caminhava,
ia observando a lua cheia
refletida na água do pote.

De repente,
as tiras de bambu
que  seguravam o pote inteiro
partiram-se
e o pote despedaçou-se.

A água escorreu,
o reflexo da lua desapareceu -
E Chiyono Iluminou-se

Ela escreveu estes versos:

De um modo ou de outro
tentei segurar o pote inteiro,
esperando que o frágil bambu
nunca se partisse

De repente, o fundo caiu.
Não havia mais água;
Nem mais lua na água -
O vazio em minhas mãos

Este poema acima foi escrito por um mestre indiano chamado Bhagawan Shree Rajneesh no livro com o mesmo nome do poema "Nem Água, Nem Lua".  
Há tempos atrás, quando eu lia coisas desse gênero, desde Lobsanga Rampa a Khalil Gibran, comprei o mesmo numa livraria que acho que nem mais existe em Copacabana e li estes e outros versos buscando a tal Iluminação que este mestre espiritual da Índia, orienta com suas palavras e ensinamentos, processos que nos levam à compreensão de que a resposta está em nosso interior e que não será através de lutas e esforços que nós progrediremos, mas sim pela aceitação, entrega e compreensão e isso, tanto interna como externamente.

Nesses dias de férias aqui na serra, voltei a ler este livro e fiquei sem entender o poema acima, até que no final de seu livro obtive a resposta. Tenho buscado algumas respostas para mim mesma sobre espiritualidade e também para ajudar a outras pessoas, mas em certos momentos, sinto que tenho muito a aprender e me desapegar. Se você também não entendeu porque a monja Chiyono iluminou-se depois que seu vaso quebrou-se, leia abaixo as palavras do autor Bhagwan Rajneesh e compreenda melhor toda essa estorinha que poderá nos servir para uma nova vida e uma outra dimensão do ser:

"Vá com o vazio em suas mãos, pois isto é tudo o que posso lhe oferecer e nada é mais do que isto.

Este é o meu presente.  Vá de mãos vazias. Se puder carregar o  vazio em suas mãos, tudo se tornará possível.  Não carregue possessões, conhecimentos, nada que encha o pote, porque senão você estará vendo apenas o reflexo.  Na riqueza, nas possessões, nas casas, carros, prestígio, você verá apenas o reflexo da lua cheia.  E a lua estará esperando por você.

Deixe o fundo cair.  Não tente deste ou daquele modo proteger o velho pote.  Não vale a pena!  Não se proteja, não compensa!  Deixe o pote quebrar-se, a água escorrer e a lua desaparecer da água, pois só assim você será capaz de levantar os olhos para a verdadeira lua.  Ela sempre estará lá no céu - mas é necessário ter as mãos vazias.  Torne-se mais e mais vazio; pense em você mais e mais como um vazio; comporte-se assim, como se estivesse vazio.  Aos poucos, você experimentará a sensação. E uma vez que tenha experimentado, tudo será maravilhoso.

Uma vez experimentado o vazio, você conhecerá o próprio significado da vida.  Carregue o vazio, deixe cair o pote de água que é o seu ego, sua mente e seus pensamentos.  E, lembre-se:  nem água, nem lua - o vazio nas mãos."







22 comentários:

Mery disse...

Maravilha de post, como fiquei a´té sem palavras, os indianos são sábios, e você soube colocar tão bem esse texto, as mãos vazias, ah, tenho que ler outra vez, e entender bem.
Desapego, é isso?
Não podemos viver do reflexo de outras fontes?
Já disse, fiquei confusa, não me envergonho de dizer que tenho que ler mais.
Voltarei, tô cansada, mas voltarei...Beth.
beijo, até, desculpe.

Como as Cerejas da Minha Janela... disse...

Ensinamentos profundos profundos profundos, que só poderão ser compreendidos no total silêncio e busca verdadeira pela espiritualidade que vêm do profundo de nossa alma...

Os ensinamentos orientais possuem verdades que às vezes são difíceis de serem absorvidas pelos ocidentais, mas com paciência, boa vontade e disciplina, conseguimos e elas nos transformam verdadeiramente...

Um dos seus posts mais lindos, puros e emocionantes, Beteh...

Beijos com carinho...
Liz

Bel Rech disse...

Como diz Alexandre o Grande, de mãos vazias viemos e de mão vazias partimos...
Grande sabedoria!
paz e bem

Celina Dutra disse...

Post maravilhoso! O desapego a ser conquistado. Difícil! Artigo para ser relido, trilido! sempre lido e apreendido.
Girassóis no seu dia. beijos.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

que lindo, Beth!

gosto muito dos ensinamentos da monja Chiyono, que viveu no século XIII aqui no Japão e seus ensinamentos são lembrados até hoje. Essa lenda-ensinamento é muito difundida em músicas, pequenas peças de teatro, é mto conhecida aqui no Japão.

bjs querida mãe Gaia.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

mãe Gaia, este é o local onde estão as cinzas de Chiyono
http://ameblo.jp/maisiwon/day-20110220.html

bjs

✿ chica disse...

Adoro essas coisas assim...Fico feliz ao ler!
MARAVILHOSO!!! beijos,lindo fds,chica

Márcia Cobar disse...

Oi Bethinha, antes de ler a explicação que veio posteriormente eu fiquei pensando se o desapego não seria a chave de tudo... E de certa forma, é mesmo! A gente consegue ser mais feliz quando se abre para as possibilidades, esvaziando a mente de tudo que já é verdade.
Um bjo, lindo o post!
Márcia

Mãe Terra, Estamos Aqui... disse...

Maravilindo este post, sabe eu pratico o autoconhecimento gnóstico, e aprendi muito sobvre isso, o vazio interior é a eliminação dos defeitos, só assim você vivera as visrtudes dentro de si, e assim verá a verdadeira lua no céu, não o reflexo do que ela seria tremulo pelo andar, maravilhoso parabéns pela sensibilidade menina, adoro esses assuntos...
beijos

Lu Souza Brito disse...

Bom dia Beth,

Que ensinamento lindo! Eu acho que estou sempre com um pote nas mãos, mas daqueles BEM grandes, rsrsrs.
Meus pensamentos me consomem. Quero sempre ter as respostas, saber o resultado antes da ação.
Obrigada por partilhar este belo texto.
Mesmo sem conhecê-lo, é algo que estou tentando fazer a algum tempo...as mãos vazias.
Tem sido muito doloroso, eu confesso, mas sei que será melhor para mim, para minha vida, para todos.
Um beijo

Beth/Lilás disse...

Lu querida e amigos!
Quando achei ontem este pequeno livro, li de novo e vi que era maravilhoso, precisava disso também, ler coisas para entender-me, melhorar meu próprio interior, pois também sou humana e cheia de imperfeições, vivo escorregando daqui e dali, portanto esses ensinamentos servem muito para todos nós.
beijos cariocas

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Orvalho do Céu disse...

OLÁ,QUERIDA


Também estou com as mãos atadas e vazias...
Deus nos dê sempre esse esvaziamento d'alma!!!
Bjm de paz

Valéria disse...

Oi Beth!
Que maravilha ler este texto tão profundo. Praticar o desapego e buscar a essência das coisas só nos faz melhor e mais saudáveis.
Beijos e um fds iluminado!

Paulo Rideaki disse...

Mamãe Gaia , antes que eu me esqueça desejo a vocês dois, ao casal ótimas férias.
E que as suas energias revigoradas nos alimentem com um pouco da sua relevante sabedoria!
Vou deixar um trecho, que achei que tudo haver com a sua postagem:
"Se o espírito já não se apega mais a nada, livre de todo e qualquer apego, então o mundo, tal como é, será completamente nosso, será Um conosco. Isso significa que agora nós o aceitamos, transcendendo o bem e o mal, a simpatia e a antipatia. Nada mais nos prende, e também a nada mais nos agarramos. Todas as oposições que nos aparecem, ganho ou perda, bem ou mal, alegria ou dor, provêm de nós mesmos. Por isso não há nada entre o céu e a terra que seja tão valioso para nós como o conhecimento da nossa própria natureza intrínseca."
Beijos e abraços fraternos do teu amigo, e aproveite bem as suas merecidas férias, pois o mundo precisa da tua maravilhosa disposição!
P.S.: Trecho tirado da "A História da Arte Maravilhosa de um Gato", que transmite uma visão única e vívida da dialética das cinco etapas.

Calu disse...

Não haverá palavra que possa agora, refletir a grandeza destas que aí estão, Beth.
Ir de mãos vazias, permite-nos enche-las de reais consistências que o mundo material não possui.Estes ensinamentos estabelecem um vínculo co o mito da Caverna;olhe para a luz e não para seu reflexo!
Não conheço a monja, mas vou reparar esse erro, logo.
Bjos amiga,
Calu

She disse...

Uau! Quantos ensinamentos! Beijo, beijo!
She

Beth/Lilás disse...

Alexandre querido!
Obrigada pelo link! Fui lá ver e como é simples seu túmulo, bem de acordo com o que apregoava; amei!
beijussssssss

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Lúcia Soares disse...

Ando muito de mãos vazias, Beth.
Mas ainda assim busco coisas que só me serão dadas pelo acaso, independentemente de querê-las.
Lindo o texto, linda a mensagem.
Bom fim de semana.

Maria Célia disse...

Olá Bety
Muito profundo o texto, nem sei se consegui entender tudo; o que sei, é que gostei muito do que li.
Bjo

Dulce disse...

E no final, Beth, ao fim do longo caminho, sempre estamos de mãos vazias... Nada levamos além do que aprendemos. Vamos como chegamos: de mãos vazia.

Um texto maravilhoso, minha amiga. Vai rondar minha cabeça por muito tempo. Obrigada.

Beijos

gabriela disse...

Lindo texto adorei, agora em tom de brincadeira nós os portugueses andamos cada vez mais de mãos vazias.
Beijinho amiga

Somnia Carvalho disse...

a lu brito indicou este seu post e vim conferir, ja que tenho perdido muita coisa nas ultimas semanas! lindissimo betona!

lindissimo!

e dificil a gente deixar os potes... nao se preocupar tanto! e muito dificil! tem dias em que parecemos ter aprendido, depois juntamos coisas nas maos de novo!

me sinto conectada a voce amiga nessas procuras!
e obrigada por partilhar!!!