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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Na era do Rádio.




Eu costumo dizer que não sou velha, sou assim, um pouco, antiga.

Mas, peraí!  Quem de vocês que me lê todos os dias, nasceu neste século?  Ninguém, certo!
Todos, naturalmente, nasceram no século passado, ou seja, são de outro século, como eu, somos do século passado e isto quer dizer que estamos no mesmo barco, a diferença é que um ou outro nasceu numa década diferente, mas o que nos iguala é o século.  Caramba, já pensaram como isto pesa, ser do século passado!? Lembrem-se disto para o que vou contar abaixo.



Quando eu nasci, na década de 50, a televisão era raridade ainda no mundo, poucos a possuiam na América e era assim um grande sonho de consumo para todos, mas enquanto isto o que imperava mundialmente era o Rádio

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Vocês, mais novos, já devem ter visto este estranho objeto em filmes antigos ou de guerra, geralmente uma caixa de madeira retangular de onde advinha um som não muito claro, parecendo bem distante, às vezes entrecortado pelas ondas sonoras interrompidas.  As famílias costumavam parar numa determinada hora  para ouvi-lo em conjunto, pois tinha o tal Repórter Esso que era igual ao Jornal Nacional de hoje da televisão, só que narrado, sem imagens.  A gente ouvia tudo quietinho para não interromper as notícias que vinham pela BBC de Londres e que um locutor nacional, com voz postada expunha os acontecimentos do dia e nossos pais queriam ouvir atentamente.
Isto, geralmente acontecia às 20 horas, antes era o horário de telenovelas açucaradas e que até mesmo os mais velhos gostavam de acompanhar. Quem não se lembra do Jerônimo, o Herói do Sertão; As aventuras do Anjo ou o O Moleque Saci?!  Tinha por trás das vozes dos atores a sonoplastia, sons emitidos, feitos por outras pessoas que faziam a gente imaginar todo o cenário, música de suspense, barulhos de cascos de cavalo, música incidental para um dramalhão como as tais novelas O Direito de Nascer e Redenção que duraram um tempão e tinha dias que fazia a gente chorar, noutros deixava um suspense incrível para o próximo dia.  Tudo isto trabalhando só a imaginação, afinal a gente não via nada, nem sabíamos a cara dos atores, já que não havia tanta revista como hoje que só mostra a vida ou besteiras que um atorzinho qualquer faz e acontece.




Mas, este fenômeno ocorria também na América, pois Orson Welles foi precursor das mesmas com uma radionovela  intitulada A Guerra dos Mundos, uma visão infernal de ataques alienígenas e que deixou o povo na época apavorado e hipnotizado diante do aparelhinho.

A gente aqui neste país despreza muito a história, ela acaba-se perdendo com o tempo, pelo desinteresse coletivo, porque as pessoas sentem vergonha de contá-las e serem chamadas de velhos.  Pois eu não, não tenho vergonha dessas lembranças, pois elas fizeram parte da minha vida e da minha história.  E acho que deveríamos fazer como os índios que contam suas histórias passadas para seus filhos, para seus netos e bisnetos, na tentativa de manterem vivos os acontecimentos, feitos e tradições.

Sentávamos todos numa mesma sala para ouvirmos histórias ou programas que hoje seriam considerados bobos por suas temáticas simples,  de entretenimentos saudáveis, mas que faziam a família  trocar idéias, rirem ou se emocionarem juntos.  A televisão é muito legal, mas está tudo ali conforme eles querem que vejamos, tudo explícito, mastigado e do jeito que nos impõem.



Foram momentos preciosos e que adoro relembrar hoje e contar para que todos saibam como era a vida naquela época, e para que fatos assim tão interessantes não se percam na escalada rápida do tempo.


(Imagens Corbis)

16 comentários:

Heloísa disse...

Beth,
Que recordações boas!
Adorei as fotos. Essa última é primorosa. Mostra com perfeição a realidade da época. O pai, em casa, mas de terno, e com um jornal no colo. As crianças, arrumadinhas, assim como a mãe (com um livro ao seu lado). No meio, a figura importante do rádio.
As mudanças foram tantas, que parece que somos de outro século. Quer dizer, somos mesmo.
Mas da metade do século passado, para seus últimos 30, 40 anos, a mudança foi impressionante.
Beijos.

Uma Mae das Arabias!!! disse...

Fiquei me imaginando, deitada na cama, com as pernas dobradas, viajando ao ouvir as historias que saiam do radio!!!!

Beijos e fiquem com Deus

Barbrinha e Bebejinho

Lu Souza Brito disse...

Pois é, somos do século passado. Mas que importa isso?rsrsr.
Beth, sou da decada de 80, mas tive o prazer de ter em casa um aparelhinho desses (minha mãe o tem até hoje). Não tinha este costume como você descreve no post, de ouví-lo com a familia reunida, mas era a melhor maneira de nos mantermos informados, mesmo porque, até inicio dos anos 90, nao tinha tv em casa e recorriamos a tv da praça pública (que é outra coisa muito interessante e existe até hoje no vilarejo em que nasci, lá nos cafundós de Minas Gerais).

Mas sabe qual a minha melhor lembrança do Radio? Ouvir as novelas. Eu amava "Poliana e o Jogo do Contente".
Fala a verdade se não era uma época em que as pessoas eram bem mais criativas? Elas exercitavam-na com mais assiduidade, rsrs.

Beijinhos

Glorinha Leão disse...

Oi Beth...te confesso que não me lembro da era do rádio apesar de tb ser do final dos anos 50...lembro dos primórdios da tv p&b....mas claro que ouvia falar dos cantores do rádio...e acho que naquele tempo as pessoas deviam ter muito mais imaginação que hoje...pois rádio era igual livro...vc tinha que imaginar as cenas contadas e isso é muito mais legal do que ver...
Mas, tudo muda...e nós somos mulheres antenadas com nosso tempo, certo?
Beijos querida!

Lúcia Soares disse...

Beth, que post bom! Realmente a gente viaja no tempo...Na minha casa o rádio ficava na sala de visitas, depois foi para o quarto dos meus pais, e era quase que exclusivo do Papai. Foi um tempo bom demais, quem não o viveu não tem ideia do quanto era bom! Nem toda a tecnologia que existe hoje pode nos fazer mais felizes do que éramos, a vida valia muito, tudo era simples, quase sem ostentação. Mas nos interiores do Brasil ainda há muita gente que não troca o rádio por TV nenhuma!
E aquele modelinho de rádio, lá na sua estante, o quinto, primeira prateleira, da esquerda para a direita, ainda o temos em casa de Mamãe, e será do Erick, meu filho, que já pediu pra ela há tempos. Nós tivemos um outro, maior, escuro, bonitão (quase como o da 1a foto), mas nem sei que fim levou.
Também não me acho velha, mas "antigamente" tudo era mais encantador...
Bj

Georgia disse...

Que boa história Beth. Realmente o rádio fez uma reviravolta na vida das pessoas e mais ainda a Tv quando chegou.

Menina, eu tenho um filho no século passado e outro no novo século que beleza pensar isso!!!

Beijao

Lucia Cintra disse...

Isso pra mim eh facinante! Eu ja passei e continuo passando horas conversando com meu pai sobre como era naquela epoca, pois ele tb se lembra dos radios, tv preta e branco, etc... Nao canso de ouvir as historias cheias de detalhes!

Se nao posso voltar no tempo pra experienciar esse tipo de coisa, pelo menos tenho pessoas que podem me contar detalhadamente com era tudo. Acho o maximo!

Bjos

Natália disse...

Preste atenção:

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Você pode ter 10 amigos
Rir com 9
Conhecer 8
Conversar com 7
Festejar com 6
Se abrir com 5
Contar com 4
Chorar com 3
Precisar de 2
Só não pode esquecer de 1
EUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU...
Beijossssssssssssssssssssssssssss..

Longevidade disse...

Me lembro de um livro, aonde em uma tribo africana aonde não havia escrita, e as hostórias eram transmitidas por "grios" óbviamente idosos e durante as noites a tribo inteira ficava ao redor de uma fogueira ouvindo histórias dos seus antepassados, através desse griot, devia ser algo delicioso, pois até as crianças ouviam com atenção.
Muito boa essa história Beth.
No último apagão, senti uma super falta de um radinho de pilha.

beijos

Isabel disse...

Beth,
Nesses tempos que você relembrou o rádio tinha outra magia e enchia uma casa, mas eu ainda hoje gosto de ouvir rádio. Durante a semana ligo logo pela manhã para me fazer companhia na hora do café!
Adorei as fotos, são lindas.
Bjs

Ana disse...

Fotos maravilhosas!

Minhas avós acompanhavam novelas pelo rádio e meu pai, as notícias.

Lembro dele sintonizando a rádio, em frente à nossa casa, lá fora, em noites quentes de verão...

Lara disse...

Foi bom ler isso, fiquei imaginando minha meu avô ouvindo o rádio com minha vó e os filhos mais velhos. Como minha mãe é a mais nova, já tinha tv em casa quando ela começou a se intender por gente. Nós deviamos fazer igual aos índios mesmo, pois ninguém sabe pra onde vai sem saber de onde veiu. Eu também sou do século passado, nossa, me sentir velha, mesmo sendo da última década. A imaginação faz ocm que eu prafira os livros do que as novelas, as vezes quando assisto um filme de um livro que já lí, me descepiciono com os personagens, sempre imagino eles de forma diferentes...
Beijão.

Bia Mendonça disse...

Eu acho que nasci na época errada, Beth, mas mesmo assim essa época sem tb não é pra mim! heheh!!

bjs

Dani dutch disse...

OI WEb-mãe, tudo bem?
Eu as vezes sinto que o futuro que nos espera será cada vez mais a Era da tecnologia ) Eu brinco que será a Era do Gelo, pouco contato físico, individualismo.
E o ser humano está sendo deixado de lado... nós eramos todos felizes e n§ao sabiamos.... bjusss

Osinete disse...

Que legal,Beth!Obrigada por me fazer percorrer no túnel do tempo.Sou de 1951,então já viu que vivenciei tudo isso e foi muito bom.Tenho lembranças ótimas desse tempo.Meus vizinhos compraram TV bem antes do meu pai,então me lembro com carinho de um vizinho que deixava algumas crianças ficarem na janela dele para assistirem o "Rin-tin-tin" e a esposa dele ficava com pena e até dava uns biscoitinhos feitos por ela.
Quando a TV chegou na minha casa,só meu pai ligava e desligava,não tinha essa de querer ver o que quizesse não.Quando chegava visita e não tinha ainda uma TV,meu pai ligava e mostrava os canais,mas depois desligava e iam conversar na varanda.Hoje,acho graça de tudo isso,mas na época eu ficava chateada porque queria ver TV mais vezes e ele ficava irredutível.Meu pai viveu 76 anos e até o final ele tinha junto dele um radinho que ele ligava ao acordar e só desligava para ver os "noticiários" da TV.Também tenho boas lembranças das "paradas de sucesso" onde a turma da jovem guarda tinha lugar cativo.
Valeu pelo post,Beth.
Bjs

Beth/Lilás disse...

tentei postar o comentário abaixo no seu blog... não deu.
então vai por email mesmo.

que delícia ler seus comentários... vc sabe, sou um apaixonado pelo rádio. minhas primeiras experiências nesse veículo de comunicação aconteceram quando tinha apenas 14 anos. de lá pra cá, aprendi muita coisa e descobri que, apesar de ter tentado viver apenas do jornalismo impresso, o rádio não me deixou escapar. por isso, é bom encontrar textos como o seu que revelam a beleza, o encanto da comunicação radiofônica.


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Ronaldo Nezo