.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

quinta-feira, 10 de março de 2011

Temos todo o tempo do mundo

A vida é o que acontece quando estamos demasiado ocupados a planejá-la. 
(John Lennon)



Tempo.  

O seu tempo é igual ao meu, são exatamente 24 horas por dia que todos temos para desfrutar e realizar coisas nesta vida.  Mas, porque será que algumas pessoas insistem em dizer que 'não tenho tempo' ou 'se eu tivesse tempo' ou ainda pior 'até parece que eu tenho tempo como você'?

A gente só não tem mais aquele tempo que passou, como já dizia Renato Russo, pois o que ainda temos é todo o tempo do mundo, basta que a gente faça aquilo que nos dá prazer.


"Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo . . .

Um dos meus prazeres é este, escrever este blog, alimentá-lo sempre e ler os comentários aqui deixados, assim como visitar outros espaços interessantes na Internet,  como o seu,  querido amigo blogueiro.

Só quem tem um blog pode entender melhor sobre o que estou falando. Para muitos de nós é uma espécie de hobby, um delicioso passatempo em que descobrimos este tal 'tempo' para realizá-lo. O blog é um mecanismo fantástico de comunicação e quem o subestima, conhece quase nada do que anda acontecendo pelo mundo.

Portanto, o tempo que eu tenho e dedico a este espaço é tão igual ao tempo que você tem e dedica ao que lhe dá prazer.  E tem mais, sabia que blogueiros são considerados artistas, verdadeiros artesãos da internet!

Pois é, mas o engraçado é que muita gente diz não gostar desse tipo de coisa ou que não tem tempo, mas vive lendo, mesmo 
que seja para criticar ou. . .  simplesmente invejar.















segunda-feira, 7 de março de 2011

Crônica de humor carioca

  (imagem Corbis)

Nestes dias de carnaval, algumas pessoas, como eu por exemplo, buscam o prazer do descanso, da leitura, do cinema e da tranquilidade.  Deixei a folia do Rio para o filho que é jovem e ainda não viu tudo e está louco para ver e conhecer as delícias do carnaval de rua e o barulho dos tambores que mexem até com quem é muito tímido.

Então, hoje já vi o belíssimo filme ganhador do Oscar - O discurso do Rei - já visitei amigos, comi a pizza deliciosa no restaurante predileto e agora à noite descobri, num cantinho do escritório, um livro que há tempos já li e que valeu a pena relembrar algumas crônicas daquele que foi um grande jornalista, radialista, teatrólogo, humorista, publicitário e compositor brasileiro.

Stanislaw Ponte Preta era seu pseudônimo e como ficou conhecido para sempre, seu nome verdadeiro era Sérgio Porto e suas crônicas satíricas e críticas à época da ditadura militar que, inteligentemente fazia piadas corrosivas contra a mesma e ao moralismo social vigente nesta época.

Morreu cedo, aos 45 anos de infarto, mas deixou suas marcas em crônicas deliciosas como esta que transcrevo abaixo:


A velha contrabandista

 Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta.  Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta.  O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.

Um dia, quando ela vinha de lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar.  A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela: 
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás.  Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!

Aí quem sorriu foi o fiscal.  Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco.  A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia.
Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente.  Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.

Mas o fiscal ficou desconfiado ainda.  Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco.  No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez.  Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai!  O fiscal examinou e era mesmo.  Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço.  Manjo essa coisa de contrabando pra burro.  Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

- Mas no saco só tem areia!  - insistiu a velhinha.
E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar.  Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.

- Juro - respondeu o fiscal.

- É lambreta.







* Não deixem de ler mais sobre este incrível carioca, Stanislaw Ponte Preta, aqui.





sexta-feira, 4 de março de 2011

Variações sobre o prazer

Em tempos de BBB poesias soam como algo antiquado! Muitos não gostam, não leem e quando abrem um blog que tem alguma postada, imediatamente se retiram e não deixam comentários. 

Mas vejam o que diz o grande pensador e filósofo Rubem Alves, meu preferido, a respeito disso:


"Faz alguns anos que um grupo de amigos se reúne comigo para ler poesia.  Para que ler poesia?
Para a gente ficar mais tranquilo e mais bonito.  Mas não me entendam mal.  Já observaram os urubus - como eles voam em meio à ventania?
Eles nem batem as asas.  Apenas deixam-se levar, flutuam.  Esse jeito de ser chama-se sabedoria.
A poesia nos torna mais sábios, retirando-nos do torvelinho agitado com que a confusão da vida nos perturba.
Drummond, escrevendo sobre Cecília Meireles, disse: "Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos.  Por onde erraria a verdadeira Cecília, que, respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal defeito 'uma certa ausência do mundo'?  Do mundo como teatro, em que cada espectador se sente impelido a tomar parte frenética no espetáculo, sim; mas não, porém, do mundo das essências, em que a vida é mais intensa porque se desenvolve em um estado puro, sem atritos, liberta das contradições da existência".

Pois é isso que a poesia faz: ela nos convida a andar pelos caminhos da nossa própria verdade, os caminhos que mora o essencial.  Se as pessoas soubessem ler poesia é certo que os terapeutas teriam menos trabalho e talvez suas terapias se transformassem em concertos de poesia!
... encontramos essa afirmação de Ghandi: "Eu nunca acreditei que a sobrevivência fosse um valor último.
A vida, para ser bela, deve estar cercada de vontade, de bondade e de liberdade.  Essas são coisas pelas quais vale a pena morrer".  Essas palavras provocaram um silêncio meditativo, até que um dos membros do grupo, que se chama "Canoeiros", sugeriu que fizéssemos um exercício espiritual.  Um joguinho de 'faz de conta'.  Vamos fazer de conta que sabemos que temos apenas um ano a mais de vida.  Como é que viveremos sabendo que o tempo é curto - tempus fugit?

Aí eu comecei a pensar nas coisas que amo e que abandonei - vejam só: neste exato momento me dei conta de que, por causa desta crônica, não liguei a fonte que faz um barulhinho de água e nem pus nenhuma música no meu tocador de CDs, a pressa era demais, a obrigação era mais forte.

Tudo bem agora, a fonte faz o seu barulhinho e o Arthur Moreira Lima toca minha sonata favorita de Mozart, em lá maior, KV 331 - coisas que amo e abandonei.  Eu, mau leitor de poesia!  Poesia lida e não vivida!  Não levei a sério o dito pelo Fernando Pessoa: "Ai, que prazer não cumprir um dever.  Ter um livro para ler e não o fazer! Grande é a poesia, a bondade e as danças ... Mas o melhor do mundo são as crianças..."


(Livro Variações sobre o Prazer-
Rubem Alves - pág.11 e 12)


Portanto, se não quiser ler, ouça, e deslumbre-se com as palavras.



Reinvenção


A vida só é possível reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas. . .
Ah! Tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... – mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcança...
Só - no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.
Só - na trevas fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Cecília Meireles



Línguas

 (Corbis)



Contenho vocação pra não saber línguas cultas.
Sou capaz de entender as abelhas do que alemão.
Eu domino os instintos primitivos.

A única língua que estudei com força foi a portuguesa.
Estudei-a com força para poder errá-la ao dente.

A língua dos índios Guatós é múrmura: é como se ao
dentro de suas palavras corresse um rio entre pedras.

A língua dos Guaranis é gárrula: para eles é muito
mais importante o rumor das palavras do que o sentido
que elas tenham.
Usam trinados até na dor.

Na lingua dos Guanás há sempre uma sombra do
charco em que vivem.
Mas é língua matinal.
Há nos seus termos réstias de um sol infantil.

Entendo ainda o idoma inconversível das pedras.
É aquele idioma que melhor abrange o silêncio das
palavras.

Sei também a linguagem dos pássaros - é só cantar.











quinta-feira, 3 de março de 2011

Nyepi, um dia em silêncio


(Imagem do lembrete Nyepi em Kuta-Indonésia)

Uma coisa que eu reconheço gostar muito é de falar, adoooooooro!  Gosto de conversar e trocar idéias. Mas também tenho o lado ouvinte e ouço, sei ouvir bem.  A necessidade de escrever por aqui e trocar idéias e comentários com um e outro amigo virtual, foi algo que descobri de sensacional na minha vida e já reparei que virou uma rotina quase normal, a qual vem suprindo bastante esta vontade de falar. Na verdade, falo através das palavras escritas. 


Quando vi o filme que Julia Roberts  faz a autora do livro homônimo "Comer, rezar, amar", uma das cenas que fiquei mais impressionada e até pensei em mim naquela situação, foi quando ela, na Índia, numa tentativa de buscar conforto espiritual,  vê-se obrigada a ficar sem falar, não podia abrir a boca o dia inteiro para pronunciar uma só palavra.  Ufa, acho que eu não conseguiria!  Mas ela e outros conseguiram, portanto não deve ser impossível e penso que deve ser algo do tipo, libertador, decisivo em nossas vidas, pois limpamos a mente e a recarregamos para novos pensamentos e mais força interior.

Eu ainda não tentei fazer isso, provavelmente seria meio difícil ficar um dia inteiro sem abrir o bico, só se eu saisse da minha casa, ficasse longe dos meus afazeres, filho, marido, telefone, amigas, etc.



Acontece que neste dia 5 de março, na distante Indonésia, em Bali, o povo balinês estará comemorando o Dia Nyepi, que é o Ano Novo. É uma festa muito interessante, onde o país inteiro será desligado ... sem eletricidade, sem vôos, sem sairem fora de suas casas. É um dia de reflexão e de auto-purificação. É o dia do silêncio.


Estas proibições ajudam as pessoas a controlarem seus sentidos pela Terra através da mente e sabedoria, a fim de aumentar a qualidade de vida para o próximo ano. Para as pessoas com maior habilidade espiritual ou dispostos a ter vida espiritual mais elevada, são esperados ainda que se mantenham em jejum  sem  comer ou beber, ficar quieto, não falar, meditar, concentrando a mente a Deus e rezando.


Achei legal e interessante esta celebração do Nyepi, onde o governo balinês incita as pessoas do mundo todo,  através deste link aqui,  a participar de alguma forma, mesmo que não fazendo silêncio total, mas ajudando a reduzir o consumo mundial de combustíveis, ainda que seja por um dia.


Estamos muito longe de Bali e suas crenças, ficar um dia inteiro sem falar é quase impossível para a maioria de nós, comer ou beber também, mas podemos nem que por algum minuto fazer um pensamento positivo neste dia 5 em prol dessas realizações.  Portanto, marquem aí, no dia 5 de março, que tal aderirmos aqui mesmo, pela blogosfera, fazendo um post pela vida, pelo planeta ou pela paz mundial!


(Corbis)


 "A liberação de poderosas energias podem afetar poderosamente a humanidade e que, se liberadas, estimularão o espírito de amor, de fraternidade e de boa vontade na Terra."

















quarta-feira, 2 de março de 2011

Nos olhos do jovem arde a chama. Nos do velho brilha a luz. (Victor Hugo)

 (imagem-© Michael Bishop/Illustration Works/Corbis)


Cena comum de se ver por aqui é gente idosa.  Geralmente velhinhas, sendo acompanhadas por uma cuidadora a passear vendo vitrines ou sentadas batendo papo com outras da mesma idade nos diversos bancos que têm espalhados por uma badalada rua aqui do bairro.  Muitas ainda carregam seu cãozinho de estimação para estes passeios diurnos e como adoram uma conversa!  
E eu, como sempre, sou a vítima da vez, mas deve ser porque também já estou ficando uma delas, só que ainda sem cuidadora no meu pé, assim passo mais disfarçada.  Abafa!

Well, mas estou lá no meu hortifruti predileto, agora todo renovado, com apetitosas frutas suculentas que este nosso país tropical nos dá, entre um melão amarelo e outro verde, provando de um e do outro para ver qual deles é mais docinho. Sim, provando!  É que neste maravilhoso hortifruti tem recipientes fechados em acrílico com palitinhos descartáveis também em acrílico, para a gente provar e ficar tentado a levar a fruta até sem ver o preço.
Era um sábado pela manhã e um cara bem apessoado tocava um saxofone reluzente e dourado sendo acompanhado pelo seu teclado eletrônico em sintonia completa com a música. E ele soprava Tons Jobins, Vinícius, Djavans, Chicos e eu só enchendo o carrinho e cantando junto, nem via preço nenhum mais, completamente enlevada com a música e a beleza das frutas, legumes e verduras.  Um truque de marketing muito bem bolado para a gente se perder completamente  e não perceber  os elevados preços que estão as verduras depois das enchentes de janeiro.
Mas, tá bom!  Com uma boa música e um ambiente climatizado recheado de delícias eu fingi que não vi.

Quando noto ao meu lado uma velhinha, simpática, bem arrumada, de chapéu com aba branca e furado na cabeça, de bermuda clara e blusinha cor de rosa, uma fofa!   Disputava comigo os quadradinhos de melão amarelos e verdes.  
Olhamos uma pra outra e começamos a rir da cena.  Pronto, já começou o papo! 

- Ah, eu adoro vir aqui!  Tanta coisa gostosa e fresquinha não é?
- Hummmmm, eu também!
- Sabe quantas vezes eu venho por dia?
- Não! 
- Duas vezes.
- !!! 

E aí começou a me contar sua rotina diária com a maior naturalidade.  Disse-me que tomava seu café, geralmente pelas 8 da manhã, depois assistia a Ana Maria Braga, pegava seu chapeuzinho e descia um quarteirão em direção à praia e ao hortifruti.  Só levava a quantidade para o dia e, geralmente pouco por causa do peso.  Então, era 1 mamão papaya porque é pequeno, meia dúzia de bananas e algum legume ou verdura.  
Ia de volta à casa, tomava seu banho, almoçava e dormia um pouco, depois via a novela da tarde e quando o sol dava uma trégua neste horário de verão brilhante, descia novamente à rua e lá ia em direção ao hortifruti de novo.
Talvez para comprar algo para o lanche ou a janta, mas nunca comprava muito por causa do peso e, principalmente, porque no outro dia queria voltar ao local que tanto gostava.

Dos melões partimos para a seção de pães, conversamos mais um pouco e nos despedimos.

Idade: 82 anos - o nome não perguntei, só me lembrei desse detalhe depois que ela se foi, mas o importante foi o embalo da conversa e a impressão tão viva que ela me passou e me inspirou, para que num futuro eu faça igual, caminhe com as minhas pernas e possa ter o prazer de escolher meu próprio alimento, converse com as pessoas com o coração pleno, sem medos ou vergonha de expor minha velhice no contato com outros seres humanos e que nunca me deixe levar pela melancolia que nos arrebata para a desesperança.



Para entendermos, valorizarmos e ajudarmos nossos idosos, uma excelente dica é acompanhar o Blog Longevidade da amiga Silvia Masc. O link é este aqui. 



"Para o ignorante, a velhice é o inverno da vida; para o sábio, é a época da colheita." 


(Talmude)


"A idade não depende dos anos, mas sim do temperamento e da saúde; umas pessoas já nascem velhas, outras jamais envelhecem." 
(Tyron Edwards)


"Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma." 
(Albert Schweitzer)







terça-feira, 1 de março de 2011

Relação Custo X Benefício


(Imagem-Peter Essick/Aurora Photos/Corbis)

Gente, tem um assunto que eu queria levantar por aqui há tempos, mas calhou de acontecer comigo o mesmo que aconteceu a um amigo de meu marido que mora há muitos anos nos Estados Unidos e, que por mais que ele esteja envolvido com a cultura americana, tem filhos americanos também, mas ainda fica assustado com o nível de consumo elevado do povo e a facilidade que têm em trocar um aparelho eletrodoméstico de suas casas sem muita cerimônia.

Ele contou ao meu marido que no mês passado a máquina de lavar louça da família apresentou um problema e, com a cabeça de brasileiro ainda, procurou e ligou para a assistência técnica daquela marca. O homem que o atendeu foi logo dizendo quando custaria a visita, depois quanto seria o trabalho que seria cobrado por hora, e o valor das peças que teriam que ser trocadas. O amigo de meu marido ouviu tudo, fez as contas, agradeceu e desligou. Imediatamente, entrou na internet e viu o preço de uma mesma máquina novinha em folha e, para seu espanto, ficaria bem mais em conta do que todo aquele processo para restaurar sua atual máquina.
Conclusão: comprou uma nova que chegou em poucos dias e a outra, com uma aparência ainda muito boa, foi colocada na rua num determinado momento em que o caminhão de lixo passou e com um pequeno guindaste o motorista do caminhão elevou a máquina e apertou-a como uma latinha de refrigerante, transformando-a em lixo amassado e que provavelmente serviria como material reciclável. Ali era o final da máquina de lavar com cara de nova e que em nada foi reaproveitada.  A máquina capitalista substituiu-a rapidamente. E é muito comum uma cena destas por lá onde ele mora, no Texas, disse ele.

E comigo está acontecendo quase a mesma coisa, pois o telefone que compramos há dois anos, americano e de uma marca muito conceituada, simplesmente resolveu não funcionar da semana passada para cá e, hoje, meu marido ligou para um sujeito da assistência técnica que, muito franco e direto, disse-lhe que não via muita possibilidade de restaurar o aparelho e que talvez fosse mais interessante que ele comprasse um novo.
Mas, como meu marido é daqueles que não aceita fácil uma argumentação, resolveu deixar lá na loja do homem o aparelho para uma avaliação detalhada.  Acho que espera que seja substituída alguma pecinha e tenha a agradável notícia de que seu aparelho ressuscitou, mas não estou com muitas esperanças, pois já espero um preço absurdo pelo serviço.

Não sei se com vocês o mesmo está acontecendo, de repente um aparelho novo com pouco uso estraga e tem que ser jogado fora, nada se aproveitando do mesmo ou quando substitui alguma peça é um preço daqueles bem salgados.

Estou vendo que caminhamos a passos largos para esta relação perversa de custo X benefício em que somos obrigados a substituir um aparelho por um novo do que repará-lo, e fico muito intrigada para onde vai tanto lixo eletro eletrônico, já que no Brasil pouco se sabe sobre o que acontece com um aparelho quando ele não tem mais utilidade.

Ninguém, nem mesmo muitos dos respeitáveis recicladores, parece saber o destino desse desperdício, e está claro que muitos nem querem saber.

O que eu sei mesmo é que tudo isso termina nos problemáticos lixões das grandes cidades.

Já imaginaram como será o mundo quando chegar a 10 bilhões de pessoas previstas para 2050?  Será que estaremos enroscados nos fios de tantos aparelhos eletro eletrônicos que usaremos até lá? 
Já observaram quantos aparelhos obsoletos de telefonia, por exemplo, vocês tem em alguma gaveta de suas casas?
E para onde vai tudo isso, já que a terra consome o que é orgânico, mas plástico, fio, vidro, todo esse lixo produzido pelo progresso e que nos livramos dele através de inocentes sacos plásticos, vai pra onde?  O lixo vai para um outro lugar, longe dos nossos olhos, mas não desaparece.  Até quando as montanhas de lixo poderão crescer?

Este é um assunto para se pensar e dialogar, trocar idéias, buscar soluções e esperar, como eu estou agora, que o homem da assistência técnica dê um bom diagnóstico para a vida de meu bonito telefone sem fio com cara de novinho, mas que poderá acabar em mais um fundo de gaveta de um momento para o outro.

Eita mundo moderninho e complicado este!



Atualização:


Hoje, 2 de março, quarta-feira, o rapaz da lojinha me ligou e deu a notícia de que não tinha condições de reparar o telefone lindo, branquinho e novo que eu possuia há apenas dois anos. Para consertar a tal pecinha, precisaria trocar toda uma placa e isso ele não tinha aqui no Brasil. 
Mais um que vai pro fundo da gaveta.







domingo, 27 de fevereiro de 2011

Nossa casa, nosso porto seguro.

(Londres)

De uma maneira geral, interpretamos nossas almas como sendo nossas casas, nossa morada interior. E na vida real uma casa de verdade é o nosso refúgio sagrado, seja ela como for construída ou decorada. Não importa. Aquele é o nosso lar, o lugar onde descansamos, ficamos à vontade, despidos das roupas e do cansaço das ruas e onde podemos encontrar o ponto certo no universo para recuperar nossas forças.

Quando entramos em um ambiente caseiro, sentimos a energia do lugar emitida pelo toque que cada morador coloca, geralmente é muito energético e demonstrativo, pois ali está a essência da pessoa, do seu modo de ser, de sentir o seu canto e de se expressar na vida.
O fato é que quando nossos antepassados há muitos milhões de anos, sofrendo com sol forte, chuva, frio, e se resguardando dos animais selvagens, descobriram que numa caverna estariam protegidos foi aí então  inventada a casa, aquilo que abriga , dá descanso, nosso porto seguro.
(S.João del Rey-MG)
Já estive em ambientes de casas muito humildes, mas com uma gostosa sensação de bem estar, de aconchego, de  harmonia, de cheiros que cativam e ficam pra sempre na memória.

Era assim a pequena casa de um casal de velhinhos que por alguns anos acompanhei todos os meses para ajudá-los a retirar seu rendimento mensal no banco e depois levava-os ao supermercado para as compras. Não, eu não pagava nenhuma promessa, mas adotei-os como avós postiços, já que eu morava numa cidade em que não conhecia ninguém a princípio.
Ao final de todo este  percurso, cansativo para ambos os lados, pois eles não ouviam muito bem e o velho às vezes arranjava encrenca com a moça do caixa no banco, dizendo que estava errado seu rendimento e que ela o estava roubando, acho que já estava um pouco esclerosado e complicava com certas coisas, mas o fato é que ao chegarmos em sua casa humilde, a senhora fazia questão que eu me sentasse e ela 'passava' um café, daqueles de roça, coado no pano, com bule de ágata e servia com um simples biscoito que ela tivesse na lata.  E quando meu filho pequeno ainda ia comigo visitá-los, deixava para ele a água final que dava um café ralinho e doce que ele bebia e gostava muito.
A casa era muito humilde, mas tinha personalidade e vida principalmente, além das plantas vistosas que ela plantava em latas de óleo ou qualquer vaso que enfeitasse o terreno,  por isso vez ou outra lembro-me deles e daqueles tempos.
(Imagem Antoni Gaudi)

Uma outra passagem também inesquecível, foi quando certa vez eu e meu marido fomos levar minha sogra a revisitar o local onde nascera.  Ficava numa área de montanha, numa localidade em que nos velhos tempos era uma roça, mas um lugar de beleza singular e marcante pela vegetação e riachos.
Não achando mais a casa onde ela havia morado quando criança, paramos em frente a uma modesta casa
de pessoas que conheceram no passado a família dela e, como era pela manhã e não tínhamos encontrado nenhum hotelzinho ou lanchonete para tomarmos um café, a dona da casa nos convidou que entrássemos, e numa cozinha simples, de roça,  nos instalou, pedindo que esperássemos um pouco enquanto iria preparar um pequeno café para todos nós.
Passados uns trinta minutos, a filha da mulher entrou na tal cozinha antiga, com fogão à lenha e uma mesa tosca e chamou-nos para um outro ambiente que, na verdade, era outra cozinha, só que toda de azulejos e mais moderna, com uma mesa retangular, cheia de delícias, desde a manteiga feita por ela própria, biscoitos caseiros, pão caseiro e um café  plantado e moído por ela mesma. Simplesmente maravilhoso!
Comemos e conversamos com aquelas boas pessoas por muito tempo ali naquela casinha agradável, misturada de cheiros, sabores e afetuosidade.  Isso não dá pra esquecer nunca.  São coisas que cativam o espírito e o coração da gente.
(Tiradentes)

Sempre quando viajo gosto de observar as moradias dos habitantes locais e, confesso, alguns lugares fico super curiosa de saber como seria lá dentro daquela casa, principalmente quando o lugar é no exterior.
(Portobello Road-England)

Este assunto me veio hoje à cabeça porque visitei nestes últimos dias algumas casas para comprar, de famílias diferentes e com vibrações também diferentes. Vi uma ontem que tinha um ar de desleixo geral, mal cuidada, precisando de muita reforma, mas o dono da casa era uma simpatia e mostrou-nos tudo com muita amabilidade e ele parecia muito feliz em morar ali.  Depois vimos outra que era toda decoradinha, impecável, nada fora do lugar, mas o marido da dona da casa, parecia que estava noutro mundo e não ali, fechado numa sala íntima jogando play station e nem nos cumprimentou direito, havia uma certa ausência naquela casa.

Descobrimos também com o tempo que uma casa precisa bem mais do que mobília e objetos para enfeitar,  precisa de gente que habite com vida, calor humano, alegria de receber, sorrir e emitir boas vibrações., seja ela feita de madeira, de pedra, de gelo, de barro, de adobe, tijolos, metal, couro, sobre as águas ...

(Imagem Google)
Esta casa, feita de PET flutuante e que fica fundeada no Canal do Cunha, próximo à Ilha do Fundão, na área mais poluída da Baía de Guanabara, mas que segundo seu morador e idealizador, “é a Monalisa da Maré, uma obra de arte que todo mundo quer ver”. 






sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Você é responsável por aquilo que cativas - 4 anos na Blogosfera





"Hoje, na crise do projeto humano, sentimos a falta clamorosa de cuidado em toda parte. Suas ressonâncias negativas se mostram pela má qualidade de vida, pela penalização da maioria empobrecida da humanidade, pela degradação ecológica e pela exploração exacerbada da violência. Que o cuidado aflore em todos os âmbitos, que penetre na atmosfera humana e que prevaleça em todas as relações! O cuidado salvará a vida, fará justiça ao empobrecido e resgatará a Terra como pátria e mátria de todos".
 (Leonardo Boff, 1999, p. 191)


(© Sean Justice/Corbis)

Há quatro anos fiz meu primeiro post e inaugurei este pedacinho neste mundo gigantesco que se transformou a blogosfera.  Usei as palavras acima de Leonardo Boff que me ajudou na inspiração para criar este espaço.

Dali até hoje fui abençoada com a aproximação de pessoas do bem e de assuntos de interesses comuns, resultando no bom relacionamento, pautado na boa educação e troca de conhecimentos e vivências pessoais.

O ano de 2010 foi especial, pois nasceram muitos blogs e mais pessoas interessantes reuniram-se na rede para este intercâmbio de idéias, algumas que me proporcionaram sorrisos e muita alegria. Fiz novos e maravilhosos amigos e consolidei o carinho dos amigos de sempre. 

..."Que o cuidado aflore em todos os âmbitos, que penetre na atmosfera humana e que prevaleça em todas as relações!..."

Espero que as palavras de Boff continuem a nos inspirar para este convívio amigável e respeitoso de sempre. E agradeço imensamente a todos amigos que por aqui fiz neste tempo, dizendo-lhes que tenho por cada um de vocês muita estima e consideração e que meus dias hoje são marcados na espera feliz dos comentários diários que deixam neste meu humilde espaço, assim como o prazer que tenho nas visitas cotidianas a todos vocês que me encantam com coisas lindas, interessantes e emocionantes.  

Obrigada pelo 'cuidado' que tiveram por mim e pela nossa amizade nestes 4 anos!





Fev.2008-Fev.2011