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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O êxodo do passado que se repete no presente.

Refugiados sírios caminhando em direção à fronteira da Grécia com a Macedônia - Setembro/2015 (The Guardian)

“Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me vós, senhor Deus, se é loucura ou se é verdade tanto horror perante os céus”.
(Castro Alves em Navio Negreiro)


As imagens a seguir são do jornal britânico The Guardian, 14/09/2015, e fazem a comparação com imagens de refugiados migrantes do passado na Europa, com os dos dias atuais. Pelo que podemos notar, pouca coisa mudou desde então neste mundo.
São viagens árduas, com perigos para todos os lados e uma infindável barbárie da qual fogem não só mulheres e crianças, como homens, forçados a andarem milhares de quilômetros para bem longe destes assassinos que os submetem violências físicas terríveis ou à escravidão e miséria, confinando-s em campos de concentração à espera da morte.

Até mesmo o Papa Francisco vem, juntamente com a premiére Angela Merkel da Alemanha, abrindo os braços a estes desvalidos, mesmo com sua religião diferente, mas sendo respeitados como seres humanos que, no momento, precisam ser entendidos e salvos. Entretanto, algumas religiões com base cristã e jornalistas políticos, analisam a crise sob a ótica de que está havendo também um proveito da situação caótica, para infiltrar milhares de homens ligados ao EI fundamentalista e que defendem a 
Jihad, uma espécie de guerra santa e retomada de territórios para o Islamismo.

O fato é que o mundo civilizado não pode assistir a tantas mortes no Mediterrâneo (mais de 2000 até os dias de hoje), sem nada fazer para ajudar a esta gente que vem lutando com todas as forças para ultrapassar fronteiras e livrar-se da morte.

Inspirados nos direitos humanos, vários países, inclusive o Brasil, tem recebido estas pessoas, tanto sírios como africanos, haitianos, seguindo a tradição humanista.
Como ficará o mundo só Deus sabe, cabe a nós, ter compaixão e solidariedade com outros da mesma espécie, sendo ou não da mesma religião que professamos.

Se interessar ler o excelente artigo que a escritora Rosiska Darcy de Oliveira deixou ontem no jornal O Globo, falando sobre esta solidariedade que o Papa e Merkel veem disseminando na Europa, leiam AQUI.

Na imagem acima, Médicos sem Fronteiras no Mediterrâneo salvando em Ago/2005 centenas de pessoas vindas da África onde pelo menos 55 corpos foram encontrados mortos.
Na imagem abaixo, refugiados judeus ao largo do Mediterrâneo, em Dez/1947 na costa italiana, mas detidos pela Guarda da Marinha Inglesa e rebocado para Haifa, sendo os refugiados enviados para campos de detenção em Chipre.
Acima, emigrantes africanos, num barco de madeira em Maio/2005 resgatados na costa da Itália.
Abaixo, em 1937, apoiantes da Frente Popular Republicana da Espanha, chegam em Pouillac, França.
Acima, crianças em Setembro/2015 que chegaram num bote inflável vindas da Turquia, subindo uma ladeira ao chegar às margens da Ilha grega de Lesbos.
Abaixo, União Soviética, centenas de crianças caminhando ao leste após a invasão alemã em 1941.

 Acima, refugiados, crianças inclusive, no campo de refugiados na cidade Síria de Kobani na Turquia em Novembro/2014.
Abaixo, Chipre, Nov/1946, campo de refugiados de judeus europeus que tentavam chegar à Palestina e que foram tomados pelas Forças Armadas Britânicas.


Acima, Hungria, Setembro/2015, refugiados na Estação Keleti em Budapeste.
Abaixo, França, Maio/1940, milhares de pessoas deixando a França quando da invasão do exército alemão que avançava.

Na imagem acima, Macedônia, Agosto/2015, refugiados na estação ferroviária Gevjelija, esperam por um trem que vai levá-los à Sérvia.
Abaixo, mulheres e crianças polonesas que andaram de Lodz à Berlim esperam por um comboio do exército britânico, em Dezembro/1945, Alemanha.
Na imagem acima, crianças na Macedônia em Setembro/2015, olham para fora da janela de um trem que as levará à Sérvia.
Abaixo, Tchecoslováquia em 1946, trens com famílias judias que fogem da Polônia para campos da ONU na Áustria e Alemanha.



Acima, sírios desesperados, passando por debaixo de cercas de arame farpado para atravessar para Turquia, em Junho/2015.


Abaixo, França/1939, refugiados espanhóis que fugiam da guerra civil de Franco na fronteira com a França.

 Acima, refugiados que chegam da Hungria em Setembro/2015 na Áustria.
Abaixo, Alemanha Ocidental em Dezembro/1989, refugiados tchecos.

13 comentários:

Toninho disse...

Que boa postagem Beth, troquei o bela por boa, pois é preciso escancarar esta realidade que demorou para acordar a sociedade em geral e os governantes do mundo. A imagem daquela criança morta na praia foi uma bomba na consciência mundial.Desde que o mundo foi mundo estes êxodos acontecem com seus horrores.As fotos falam per si.
Aqui nas décadas 50 e 60 o dos sofridos da seca e que ainda sofrem onde famílias foram destroçada, largadas à toda sorte.
Muito bem inserido o Castro Alves no inicio da postagem.
Mais um belo trabalho Beth na conscientização.
A voce uma bela semana.
Meu abraço com carinho amiga.
Bju de paz.

✿ chica disse...

O teu post está lindo , mas pena que a situação seja real e exista.

Pena estejamos vendo isso todos os dias acontecendo. E muito bom o texto trazido ,as fotos, realmente mostram que isso não é novidade...

A diferenças apenas nas cores das fotos... Que tristeza isso! Tantos reflexos, tantas incertezas!


Lindo dia, beijos, tuuuuuuuuuudo de bom,chica

Ivone disse...

Bom dia Beth, ótima postagem, essa é a realidade, lamentável que ainda se repita coisas assim, nem parece que o tempo passou para certas coisas, antigamente a mídia não nos mostrava tanto, mas hoje há plena consciência dessa miséria humana, sei que não é fácil para os países precisarem dar apoio para tanta gente que chega, assim de repente, é mais competitividade para se ganhar a vida, mas é assim, é a realidade e o mínimo que se tem de fazer é dar abrigo, pelo menos para se evitar as mortes!
Enfim minha amiga, vamos indo, o Brasil é de grande coração, por aqui eles podem chegar que vão ser bem recebidos!
Abraços apertados!

Maria Célia disse...

Ei Beth
Seu texto é primoroso, como sempre suas palavras são repletas de bom senso, sabedoria e solidariedade.
É deplorável a situação destes refugiados, meu Deus, é muito triste, a que ponto chegou a humanidade.
Grande abraço, querida, obrigada pelo seu carinho sempre deixado no bloguinho.

Bia Hain disse...

Olá, Beth, como vai? Obrigada por sua visita em meu espaço! Que imagens impressionantes... de fato, a solidariedade é o que salva os povos de seu abandono e medo. Fico tocada especialmente quando vejo a imagem de crianças, uma vida tão dura quando deveriam estar cercadas de carinho e segurança... que as pessoas tenham empatia e coração grande para acolher essas pessoas e ajudarem-nas a recuperar sua vida e dignidade. Abraços!

Ana Paula disse...

São estarrecdoras essas imagens, que infelizmente só se farão aumentar. Hoje a guerra e teremos muito ainda a enfrentar com o aquecimento global.
Para além das religiões, o amor, sempre.
Beijo!

Cristina Pavani disse...

Que apanhado documental importantíssimo você fez, Alfazema!

Sempre os conflitos, sempre as lutas de poder...
Tudo que as possoas mais querem é viver em paz no seu local de origem. Ninguém jamais almejaria ser refugiado.
Um empenho maior da ONU para que elas possam ficar no seu próprio mundo com o mínimo de dignidade se faz urgente.
Desesperadas fugas geográficas até quando?

Abreijos indignados procê!

Tina Bau Couto disse...

Um horror
Parede uma volta congênita aos primórdios
Violência primata, falta de alimentos, guerras religiosas, êxodo
Zero de evoluídos os seres humanos que de humanos cada dia tem menos e pouco se faz em prol de mudanças e soluções reais, sem politicagem e interesses pessoais
Vou me cobrar vir mais aqui
Beijos baianos

Tina Bau Couto disse...

Esqueci de mencionar a terrívelmente atemporal colocação primordial de Castro Alves

Vou tirar uma foto da estátua dele que tem aqui em Salvador belíssima e postar no blog e ou Instagram com esse pesar, pergunta em busca de respostas e emanando conscientização e mudanças

Pitanga Doce disse...

Boa noite Betinha. As imagens são sempre tão assustadoras que parecem retiradas de um filme, que não são reais. Não de novo!

Mas como toda a história tem sempre dois lados vou usar aqui palavras da minha avó que não deixam de ter sentido: "no meio de toda essa gente, há filho de muita mãe". O que quer dizer que nem todos se adaptarão, se esforçarão para uma existência tão diferente da que nasceram e outros até virão com terríveis intenções. Isso não se pode negar nem fechar os olhos.

Que venham procurando a paz...em paz!!!

beijos pitangueiros

Beatriz disse...

Querida Beth
Vivemos numa eterna repetição, até nas piores situações...
O que me entristece é ver tamanha desumanidade por conta de alguns governos, como o da Hungria, que acaba de promulgar uma lei que prende qualquer pessoa que entre ilegalmente no país! Isso é só uma desculpa para encarcerar refugiados "aos olhos da lei", um absurdo! E a ONU, onde é que está mesmo??? Seu representante Mor só sabe dizer que lamenta muito e que isso é uma atrocidade, e bla, bla,bla... Ainda bem que ainda restam pessoas do bem, que oferecem suas próprias casas para receber famílias inteiras que fogem de um país destroçado e sem esperanças! Alguns já conseguem ver um final feliz, que bom!!!

beijinhos e um lindo fim de semana!

Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Beth
Tenho vivido 'tristonha' por causa da situação a qual vc se refere... será que tem alguém que não esteja incomodado(a) e irriquieto(a) emocionalmente?
Por mais que viaje e tente distrair-me, o caos reinante no mundo todo (não só no Brasil) me deixa atônita...
A História se repete a cada tempo... é pena!
Apelar pra Deus é o jeito pra muitos enquanto outros tantos se revoltam com Ele, com até certa razão, diga-se de passagem, tendo total empatia com quem pense assim... têm inúmeros motivos... Pena!
Um excelente post e se estivesse estudando, faria assim também, gosto do seu jeito de perceber as coisas... lembrei-me que no colégio fazia pesquisas brilhantes que eram muito bem-quistas e a mim também contemplava... Escrevia o que sentia e como sentia... como vc fez...
Bjm fraterno de solidariedade com todas as nações do Universo por tudo que estamos vivendo...

Lúcia Soares disse...

Não há muito o que dizer, é preciso mesmo ação para abrigar a tantas pessoas. Tenho minhas dúvidas se esses mesmos países que os recebem agora não vão "cobrar" deles um preço muito alto! Não acredito em bondade humana nesse caso, Beth. Há muito mais coisas envolvidas do que podemos imaginar.
Deus abençoe que cada refugiado fique junto a sua família, que juntos reconstruam suas vidas, da melhor maneira possível e que a paz se restabeleça e, quem sabe, um dia possam voltar?
Não é bom ser um estranho em outro país, o coração nunca se aquietará, pensando nos que ficaram para trás.
Desejo que os homens de poder deixem de exercitá-lo e pensem nos seus semelhantes, não os obrigando a uma vida de eternos refugiados, refugos, quase.
Beijo, Beth