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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quem somos mesmo?

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As notícias internas a cada dia surpreendem mais e mais. Como nosso povo está diferente em valores e atitudes! "Nunca na história deste país, vimos algo parecido!" O "ter" sobrepujou-se ao "ser", no meu entender, coisas de uma era insana de consumismo e corrupção.

Com isso, perdeu-se o respeito para com o cidadão honesto e comum, por exemplo; onde existe uma célula eletrônica para leitura de um documento, também faz-se necessário, que se coloque o dedo polegar para certificação biométrica de quem você é. Vejo pessoas idosas em ônibus, demorando-se para que esta leitura identifique suas marcas digitais, muitas vezes já desgastadas pelo tempo. E a fila crescendo!
Em alguns supermercados, além da maquininha fazer a verificação do código de barras, os caixas precisam digitar todo aquele número de identificação do produto, além de conferir se o peso está correto.
Nos bancos temos que deixar numa caixinha todos os nossos pertences e se você usa muletas, sentirá a porta travar para seu constrangimento, e terá que deixar a própria num canto e entrar arrastando a perna defeituosa. O mesmo pode acontecer com pessoas que têm pinos metálicos no corpo, passam pelo vexame de ter até que mostrar alguma parte do corpo para provar ser verdadeira sua explicação.
Estas coisas atingem diretamente as pessoas, causam danos morais, vexames, sentimentos de revolta e sensações negativas.

É muito triste viver num país onde os próprios irmãos em nacionalidade duvidam uns dos outros!

Esta semana, descobrimos estupefatos, que alguém usou o CPF do meu marido para abrir contas numa determinada concessionária de telefonia fixa. Existe no controle da concessionária, um débito de 1300 reais de três linhas em Santo André, SP, onde nunca  botamos os pés na vida.

A cada 14 segundos, uma pessoa está sujeita a uma tentativa de fraude no país. O ano de 2014 registra mais de dois milhões de tentativas de fraude de roubo de identidade. (Serasa)

O texto abaixo, que tenho guardado faz tempo, da Professora Janaína Amado, historiadora e escritora, aposentada da Universidade de Brasília, pode responder ao meu título acima:


Quem somos mesmo?

Uma conhecida anedota conta que, ao criar o Brasil, Deus caprichou: praias belíssimas, terra fértil, água abundante, paisagens de tirar o fôlego, vegetação esplendorosa, clima ameno ... Sentindo-se injustiçados, os outros países logo protestaram e se queixaram a Deus, que lhes respondeu:
- Calma, esperem só para ver o povinho que eu vou colocar lá!

A anedota desnuda uma das mais significativas representações da nação brasileira, presente tanto nas ideias, nos sentimentos e na imaginação populares quanto nas produções e nos círculos de intelectuais, artistas e profissionais da mídia.  O núcleo dessa representação, reside na profunda separação entre, de uma lado, a 'terra boa', o belo país 'abençoado por Deus e bonito por natureza' cantado por Jorge Benjor, de que nós, brasileiros, tanto nos orgulhamos, e, de ouro lado, o 'povo ruim', a gente brasileira que não está à altura da beleza e da fertilidade do país.  A 'ruindade' do povo (ou seja, a 'ruindade' de cada um de nós), dependendo de quem fala, de quando fala e para quem fala, é explicada pela mistura ou degeneração das raças, pela preguiça, corrupção, presença de degredados, falta de patriotismo, séculos de colonialismo, escravidão, superexploração econômica, herança católica ibérica, malandragem, preconceitos, atraso, etc.

Essa postura inferiorizada costuma vir alternada com efusivas, e igualmente obsessivas, afirmações acerca das maravilhas do país Brasil, não só da sua terra, mas do seu povo, apresentado como cordial, guerreiro, alegre, honesto, amigo, sem preconceito racial, inteligente, musical, obediente, capaz, heroico, patriota, atleta e trabalhador, um povo muito melhor do que qualquer outro existente no planeta.  Esse conjunto de ideias, afirmativas e orgulhosas, que com frequência descamba para o nacionalismo exaltado, representa a outra face da mesma moeda.

Os dois tipos de representação, tanto a que nos deprime quanto a que nos exalta, remontam ao início do período colonial e vêm, de muitas formas, se adensando entre nós.  Elas envolvem todos nós em suas teias invisíveis, a ponto de existir hoje no país uma obsessão nacional acerca da própria identidade, num grau e numa intensidade que não se manifestam nos Estados Unidos nem nos países europeus.

Como um pêndulo, nós nos movimentamos entre a sensação de que, no fundo, há algo de extremamente errado conosco, de que nunca 'damos certo' - incapazes que somos de construir a nação que desejamos; e, no polo oposto, a também persistente sensação de somos fantásticos, maravilhosos, capazes de estourar a boca de qualquer balão, e por isso exibimos esse imenso e desmedido orgulho de ser brasileiros.

Nos limites desse pêndulo - que é uma armadilha -, nós vivemos nos  perguntando obsessiva, agitada, angustiadamente que país é este e qual será nosso destino: um mítico abismo infalivelmente nos ronda, mas um pote de ouro e felicidade também nos espera logo ali, na esquina do futuro.
Deslocados, ainda vivemos em busca de nossa própria identidade.












11 comentários:

Cristina Pavani disse...

Olá, Alfazema! Como vai?
Lamentável o estado de coisas a que chegamos.
Se para vocês, acostumados às cidades grandes, já é um horror, imagine para nós, ingênuos do interior... Tenho primos da zona rural que nem usam internet ou celular e perderam parte das economias por caírem em golpes nas ruas da cidade.
Estamos sendo espionados aqui na Net, nas esquinas dos bancos, nas próprias vilas onde moramos. Cada estranho vira um suspeito em potencial, dá até medo de atender à campainha.
Sinto pelo seu marido! O risco é iminente para todos nós, e a dor de cabeça para acertar depois...

Grande beijo

Ivone disse...

Amiga Beth, seu texto abrange bem os tempos modernos, resumi em um dos meus poemas, a ambiguidade de tudo isso!
Mas temos de seguir em frente, pois se ficarmos nos estressando aí sim que tudo fica pior né mesmo?
Não sei se vai mudar esse panorama, acho que pode até piorar, então vamos indo, vendo no que vai dar!
Abraços linda amiga, obrigada pelo seu carinho lá no meu espaço, li com atenção seu comentário!

✿ chica disse...

Beth, as coisas parecem estar desenfreadas descontroladas mesmo! Lindo texto e isso que te aconteceu é fogo e nos dá muita raiva. |Agora, no mínimo incomodação até tudo ser resolvido e provado.

Quanto às notícias, o melhor que podemos fazer é ficar o mais longe possível delas,rs..Só nos irritam!

Que pena!!

bjs ,fica bem, chica

Célia Rangel disse...

Perdidos estamos mesmo! Infelizmente, a conhecida e antiga "piada" torna-se atualizadíssima! estamos nas mãos dos trapaceiros. Sem distinção alguma. Todos estamos à mercê dos mesmos. Confiar? Em quem? Se até nas famílias há o desmoronamento de valores sócio-afetivos? Penso que estamos vivendo "o cada um por si"...
Abraço.

pensandoemfamilia disse...

Oi querida
Esta é realmente nossa trajetória marcada nas raízes. Não creio no impossível, porém temos muito que fazer com nossas atitudes, nossos exemplos e quem sabe as raizes tenham novos enxertos. bjs

Lúcia Soares disse...

Concordo com o texto. Vivo entre a alegria de estar num país tão exuberante e ao mesmo tempo tão pobre de pessoas que o entenda e lute pelo seu progresso. Vc sabe o quanto detesto frases do tipo "isso só acontece no Brasil". Acho que estamos a anos-luz de ser um país bem sucedido, agora mais do que nunca nos distanciando de uma era de progressos e real uso da riqueza que temos.
Nunca fomos tão ricos, com os impostos abusivos, e tão roubados, tão desgovernados. Como digo agora, estamos à deriva...Um barco sem comando, infestado de ratos...
Desejo que resolvam a contento a amolação do cpf roubado.
Beijo, Beth.

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Beth
Qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade, comunga de seus sentimentos expostos nesse texto. Realmente está difícil viver no Brasil. Sinceramente, cada vez me torno mais só e arredio. Vejo tanta coisa errada e sem perspectiva, que a vontade e largar tudo e fugir para não sei onde. Infelizmente não vejo luz no fim do túnel. Dias piores virão.
Bjux

Maria Célia disse...

Ei Beth
Quem somos nós de verdade, eis aí uma boa reflexão e que você tão bem descreveu em seu texto.
A verdade é que não confiamos em nossos semelhantes, desconfiamos de tudo e de todos, até pra se fazer caridade ficou difícil.
Coisa desagradável o acontecido com seu marido, desejo que resolvam logo, e que termine bem, na medida do possível.
Um beijo, querida.

Maria Izabel Viégas disse...

Amiga querida,
Triste por este roubo absurdo!
Somos tão atentos com nossos pertences. Fechamos as portas de nossa casa,pagamos alto valor em seguros de automóveis. Somos cuidadosos com as senhas do cartão de crédito a uma simples senha de e-mail. temos mil seguranças em internet.
Convivemos com o medo de simplesmente andar.
Mesmo assim , do nada, somos escolhidos para sermos roubados vilmente.
Tenho medo deste país, apesar de amá-lo muio.
Não consigo acreditar nas corrupções e desigualdades.
E me assusto com as ridículas e mesquinhas guerras de egos que nos rodeiam.
Entretanto, há também em mim essa esperança de que não nascemos por acaso.
De que se temos essa consciência do errado e optamos pelo Bem, deu certo o caminho que tomamos.
Que vocês resolvam tudo da melhor maneira , sem prejuízos.
aborrecimentos, será esse o preço a pagar?
Vocês vencerão!
Somos sim, minha Bethita uma gente sem identidade, muitos, a maioria com medo de mostrar a verdadeira face.
Muitos beijos, querida!

Nina Sena disse...

Infelizmente, nós todos nao somos "flor que se cheire" :-(
ahhh se eu te contasse o que a Biblia diz a nosso respeito...

Beatriz disse...

Onde foi que nós erramos, Beth?
A humanidade deu vários passos para trás e ainda está dando.....mas até quando?
Infelizmente nosso país está impregnado dessas mazelas. As pessoas do bem acabam sendo envolvidas nisso tudo de alguma maneira, e sem perceber...
Talvez seja isso mesmo, ainda vivemos em busca de nossa própria identidade, e [e nessa busca que muitos se perdem.

Beijinhos minha amiga!!!

<°))))< Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com