.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Os saudosos Tic-Tacs


Óleo sobre tela, O Relógio da Glória -  Onild Aquino (Brasil, 1936)

No início da civilização o homem usou a água, a areia ou o sol para marcar as horas, até chegar a criação do relógio mecânico, que marca as horas mesmo à noite. É um dos grandes inventos da humanidade, ajudando-nos a não perder o tempo, mas que nos atormenta às vezes, ao pressentirmos o mesmo escoando, passando rápido e ainda tanto por fazer. 
Nossos movimentos são regidos por frações exatas do tempo, divididos em filigranas, como o poetinha Vinícius de Moraes atesta em sua poesia de onomatopeia - "tic-tac" - para dar ritmo e efeito sonoro:

O Relógio
Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
   Tic-tac...


Os relógios antigos ainda resistem por aqui, mesmo com a era digital distribuindo relógios de LED aos montes por toda a cidade. São antigos e charmosos exemplares, com ponteiros e mostradores, alguns em algarismos romanos,  que resistem em monumentos e fachadas de prédios. Verdadeiros marcos de outra época, testemunhas de uma cidade que se transformou com o tempo, ironicamente, marcado por eles próprios.

Na cidade do Rio de Janeiro, o mais bonito ainda é o da Glória, instalado em 1905 pelo governo de Pereira Passos.



belo relógio de quatro faces sobre suporte cilíndrico em granito esculpido integra-se ao corpo da balaustrada que delimitava a antiga localização da praia da Glória. Foi construído sob a administração do prefeito Pereira Passos em 1905 como parte dos melhoramentos urbanos no bairro, que incluíam iluminação pública e tratamento de esgotos. É um dos marcos mais expressivos do desenvolvimento urbanístico do Rio de Janeiro na República Velha.





Na sede da 9a.DP no bairro do Catete, projetado em 1908, o velho aparelho ainda permanece sóbrio encimando o prédio que viu o centro do poder da antiga capital federal.
      


E o que chama mais atenção por ser o mais alto, fica a 110 metros de altura, na Estação da Central do Brasil bem no coração da cidade, um gigante relógio de quatro faces que ocupa cinco andares do tombado edifício da estação ferroviária de 1937, e que era o norte das milhares de pessoas que circulavam e ainda circulam por aquela região. Ele é visível de várias partes do Rio, devido a sua altura e está sempre funcionando no compasso correto, sob os cuidados de um mecânico de manutenção.

"Com a expansão da malha ferroviária, a noção de tempo mudou. Era preciso controlar os minutos para não perder o trem. E eram os aparelhos de rua que orientavam a maioria." (Via)



Um lindo prédio em estilo Art Dèco.

O velho relógio da Central, altivo, assiste às transformações que veem ocorrendo ao seu redor e resiste.


Infelizmente, muitos outros relógios antigos estão fora de operação, mas continuam em seus lugares e de qualquer forma encantam os olhos, relembram o passado e enfeitam com sua beleza arquitetônica, como é o caso destes abaixo:


Relógio do Largo da Carioca - 1909 -

Os relógios (parados) do Palácio Pedro Ernesto - atual Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Os detalhes da fachada com anjos neo-clássicos.
 



Na antiga Fábrica de Gás, na Presidente Vargas, prédio construído pelo Barão de Mauá em 1853.

                                                                                                                                                 

E no Edifício Mesbla, em estilo art déco, o grande destaque na fachada é a torre de cem metros de altura em que fica o relógio, este ainda em operação desde 1955.








Lembrei de fazer este post para mostrar estes belos e antigos relógios, antes que toda a cidade seja tomada pelos novos relógios de leds.








- Todas as imagens são do Google.















19 comentários:

✿ chica disse...

Beth, que passeio pelos relógios dessa linda cidade que tanto adoro,o Rio! Passei por todos e sempre os contemplei.Era quase menina, mas os adorava ver! Belas recordações. Vou tentar mostrar teu post hoje, já que vou na OMA! Se ela estiver em dias de SIM, poderá entender um pouco...Ela passeava pelo Rio inteiro e sabe (sabia!)cada pedacinho das calçadas ,lojas, igrejas,monumentos...ADOREI!

beijos,tudo de bom,.lindo fds! chica

Pérola disse...

O Tempo...costumo chamar-lhe 'carrasco' pois não espera por ninguém.

Beijo.

amei o lilás!

Célia Rangel disse...

Que aula histórica! Quantas lembranças e comparações entre o "ontem e o hoje"... Obrigada!
Abraços.

Ivone disse...

Rica postagem linda amiga Beth, amei ver essas lindas fotos e explicações, uma linda aula que adorei.
Amiga, conheci o Rio pelas duas vezes que aí fui, mas a última faz trinta anos, portanto preciso voltar, rever essas riquezas, tens uma sensibilidade impar em nos dar de presente tudo isso, amo esse seu belo blogue, parabéns doce amiga!
Beijos e abraços apertados!

Anne Lieri disse...

Beth,achei lindo esse relógio da Glória! Aliás,todos são incriveis e hoje em dia pouco se repara neles,com os celulares e tudo mais. Belo texto! bjs,

Inaie disse...

adorei!

E ainda me lembro dos relógios que você tinha que dar corda todos os dias. O meu vivia parado!

ONG ALERTA disse...

Uma história a ser contada...lindo os relógios.
Beijo Lisette.

Crista disse...

Magnífica postagem!!!!
Nada como o tempo e nada como o relógio para marcá-lo,dia-a-dia!
Tive uma coleção maravilhosa de relógios,mas foi roubada...
Beijão...

Calu B. disse...

Betinha,
me encanto como vc com estas belas peças, testemunhas de um passado refinado, cheio de charme e detalhes harmônicos que emprestam ainda hoje uma certa pompa aos arredores nos quais se encontram.
Todas as vezes que vou ao Rio, me prendo nestas belas redondilhas arquitetônicas...o tempo em suspenso.
Lindo demais.
Bjkas e ótima semana.
Calu

Bianca disse...

Que lindos esses relógios antigos, desses eu só conhecia o da Central do Brasil. Vou prestar mais atenção nos outros quando for ao Rio.
Beijos

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Beth
Passei, na semana passada, pelo da Central do Brasil... caminhando na Presidente Vargas...
Gostei do seu post cheio de movimento do tempo e da vida...
Bjm fraterno de paz e bem

Vera Lúcia disse...


Linda postagem, Beth.
Adorei passear por esses relógios charmosos que marcam época e são testemunhas mudas de grandes fatos históricos. Não só os relógios são belos, mas também as arquiteturas que os sustentam.

Beijo.

Bia Hain disse...

Oi, Beth, como vai?
Gostei muito da seu post sobre relógios, coincidência ou não, é o tema da semana na minha turma de 1º ano.
Eu gosto dos modelos mais antigos e clássicos, sem pre me encantam, como o da Glória. Em minha cidade há dois muito bonitos, um na torre da Catedral e outro na estação ferroviária, esse segundo, infelizmente, anda sem manutenção...
O tempo é uma instituição que nos escapa. Um abraço!

Teresinha Ferreira disse...

Minha amiga, que postagem interessante!
Pena que nem todos estão funcionando como deveriam estar.
Os relógios retratam bem o passar do tempo e da história, marcando cada minuto da evolução de uma época.
Adoro ver os diferentes modelos.
Beijos mil

pensandoemfamilia disse...

Olá Beth Ótima ideia. Os relógios dão um charme a cidade. Bela retrospectiva. bjs

Minha vida de campo disse...

Parabéns pelo interessantíssimo post. Adorei conhecer os relógios do Rio de janeiro. Quando foi ao Rio quero conhecer todos.Obrigada por compartilhar.
Tenha uma ótima semana.
Anajá
http://livingonfarm.blogspot.com.br/

Márcia Cobar disse...

Que resgate bonito você fez, minha amiga carioca! Passear pelas ruas é fácil, difícil é passear pelos relógios lindíssimos que você reuniu para compartilhar nessa postagem!
Será que quele de granito, o primeiro, ainda funciona?
Pergunto porque a conservação do antigo por aqui é tão precária...
Bjo
Márcia

Lúcia Soares disse...

Que lindos, Beth. Fez bem em deixar bem documentado por aqui.
Em BH também temos muitos relógios em prédios públicos, alguns sem manutenção, estão ali só de enfeites, o que é um dó.
O do prédio da Prefeitura é muito parecido com um desses que vc postou. Deu-me ideia para um post. rs
Beijo.

Zilani Célia disse...

OI BETH!
GOSTEI DE PASSEAR PELA CIDADE MARAVILHOSA E CONHECER OS RELÓGIOS QUE AGORA, COMO DIZES E CONCORDO,DEVIDO A NOVA TECNOLOGIA, SERÃO TROCADOS EM ALGUM MOMENTO, ENTÃO PORQUE NÃO OS REVERENCIARMOS?
ELES MERECEM.
MUITO LEGAL TEU POST.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/