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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Cadê a Confeitaria que estava aqui???


Uma tendência que vem acontecendo na América do Norte e no Leste Europeu, e que chamam 'gentrificação', tem crescido aqui no país também e no Rio de Janeiro, assustadoramente. Já não vemos mais nenhuma portinha escrito em cima "Sapateiro", por exemplo, em bairros como o Leblon ou qualquer outro bairro que a dinâmica imobiliária abusiva e os projetos de intervenção urbana, como o tal Porto Maravilha se estabelecem sem nenhuma cerimônia e somem com nossos prédios ou serviços tradicionais. E mesmo a expansão dos investimentos imobiliários, cada vez mais caros, pros lados da Barra da Tijuca, seguem galopantes, tudo em nome das obras para os Jogos Olímpicos de 2016.

Já imaginaram ter que pagar um aluguel de 40 mil reais por um estabelecimento no centro de uma cidade como o Rio de Janeiro nos dias de hoje?  Não é invenção, ouvi hoje no rádio, a dona de uma das mais tradicionais confeitarias da cidade, a Manon, antiga Cave, ponto tradicional do Rio há mais de 70 anos e que está fechando suas portas.

A Manon é conhecida por seu Madrilenho, um pão doce especial cuja receita é guardada a sete chaves. Carlos Drumond de Andrade e Manuel Bandeira foram clientes da confeitaria que tem em sua arquitetura uma réplica do restaurante do navio Serpa, que fazia a travessia Lisboa-Rio na década de 1930.


O Rio, como sabem, é uma cidade que apresenta ainda cenários de um passado histórico e que tem grande peso na memória coletiva, não só dos cariocas, como de todos os brasileiros. Assistir o crescimento deste fenômeno que apaga o passado para dar lugar à modernidade globalizada que está por todo este mundo, deixa-nos mais pobres culturalmente e dá uma saudade infinita dos tempos da gentileza. O resultado é isso que vemos, a homogeneização de paisagens comerciais e residenciais ao redor do mundo deixando tudo muito chato e igual. Já repararam como os Shoppings são iguais em quase todo o mundo? Até as confeitarias já têm agora um jeito parecido e modernizado, como: Empório dos Pães, Armazém do Café, Estação do Pão, e é um tal de Gourmet pra tudo, Café Gourmet, Pão Gourmet, Cerveja Gourmet, tudo igualzinho sem aquele aconchego dos antigos cafés, bares e padarias.


Ainda temos a beleza de uma Confeitaria como a Colombo que resiste estoicamente a toda esta vergonhosa especulação imobiliária e que vale a pena visitar vez ou outra, como eu mesma faço, para relembrar quando o meu pai levava a mim e meus irmãos para um passeio no final de semana, de bonde até o centro do Rio e com a maior satisfação e orgulho pedia ao garçom: Seu garçom, por favor, três médias de café com leite, pãozinho na chapa pra ele e pães doces para nós.  Eu, sonhadora como sempre, olhava abobalhada observando ao redor e imaginando um senhor elegante, quem sabe Machado de Assis nos olhando na outra mesinha. Poderia ser comparado ao filme de Woody Allen num café da Belle Époque.

A proprietária da Confeitaria Manon/Cavé estava desolada ao confirmar  para o repórter que a entrevistava, que, para renovar seu contrato teria que desembolsar 40 mil mensalmente e deixou uma pergunta no ar:

"Quem pode abrir todos os dias um comércio pensando que já tem uma dívida de 40 mil reais no mês?"

Enquanto ainda existem e persistem a beleza de alguns lindos prédios desses por aí, aproveitemos!

E onde você mora, tem acontecido muito esta coisa de nome esquisito - Gentrificação -?








Saudade da Sears, da Mesbla, da Sloper ...

E falando de passado, estou hoje lá no Blog da Anne Lieri, contando um pouquinho da minha infância, passa lá pra ver.




Imagens Google







18 comentários:

Bia Jubiart disse...

Beth, que belo post!
Aqui na Jubiart fazendo o caminho inverso da gentrifi..... tudo que posso, estou revitalizando e buscando recuperar a estrutura antiga da casa. Este mês a cidade fará 156 anos,e muitos casarios estão sendo derrubados p/ construção mais modernosa, a memória não é valorizada e tão pouco preservada. Fico triste com essa situação...
Sonhe com os anjos luzes!

Bjossssssss

Silvana Haddad disse...

Beth:
Aqui em Curitiba, ainda existem (e resistem) alguns cantos que contam histórias sobre o passado.
Entretanto, cada vez menos e a maioria desses recantos, ficaram restritos aos bairros.
As confeitarias, se transformaram em elegantes e caras, casas de chá.
Infelizmente, os arranhas-céus, estão tomando conta das cidades...
Bjs.:
Sil

Teresinha Ferreira disse...

Ola Beth,
Quando eu morava no Rio, adorava passar pela confeitaria Colombo. Como trabalhava perto sempre tinha a oportunidade de ver a riqueza e detalhes do lugar.
Fico triste em ver construções antigas sendo derrubadas para dar passagem a modernidade. O Rio esta se descaracterizando e perdendo lugares que poderiam e deveriam ser preservados.
Beijos mil

✿ chica disse...

Beth, que pena que essa tal de gentrificação chegou... Imagino a dona da Manon, fechar as portas, Que dor no coração deve dar! Infelizmente as coisas pioram...Queremos acreditar o contrário,mas coisas assim nos fazem repensar!

Também tenho saudades da Sears, Mesbla, Slopper!

Lindo post! bjs praianos,chica

Anne Lieri disse...

Oi Beth! Nunca tinha ouvido essa palavra,mas em Sampa quase não vemos mais os comercios antigos,aquelas casas de chá que havia no centro, o Mappin, a Mesbla, Sears,os cinemas...é mesmo triste como se perdessemos uma parte de nossa identidade. Adorei sua postagem e hoje vc está em meu blog tb. Deixo o link se quiser ver:
http://menina-voadora.blogspot.com.br/2014/07/eu-tambem-ja-fui-crianca-beth-lilas.html

bjs e obrigada!

Samuel Balbinot disse...

Boa tarde Beth.. muito grato pela tua visita.. mesmo com a página pesada do blog mas carregou.. sofro para entrar em muitos blogs devido ao peso dos mesmos...
acho um absurdo mesmo tal preço num aluguel.. sem condições.. tem que vender muito para se pagar o próprio sustento.. mas dar tudo isso não condiz..
sei aqui na minha cidade de interior que é pequena chegam a pedir mais de 10 mil tb por uma sala ou ponto.. estão alucinados..
mas enquanto o povo se conformar em pagar tem quem dê risada né..
é que nem um jogo de futebol.. pagar como sei aqui no sul 150 ou 200 reais por um ingresso.. mas enquanto tem quem pague eles continuam cobrando..
é a mesma coisa a copa.. muitos ficaram falando mal.. mas a maioria desses tinham 500 reais ou sei lá quanto era para assistir os jogos.. eu nem por 50 pila iria rsrs
tenha um lindo dia..
não consigo seguir teu blog devido a erros do mesmo que não me permite seguir mais ng mas sigo a lista de leitura
abração e um lindo dia

Mirtes Stolze. disse...

Boa tarde Beth,
Conheci o seu blog através da sua linda entrevista no blog da Anne, a sua infância foi tão linda e que fez querer conhece-la.
Um feliz final de semana.
Beijos.

Crista disse...

Quanta saudade está acumulada em nossas vidas,não é???
Especialmente a Colombo...marcou muito a minha vida!!!

Maria Célia disse...

Oi Beth
É lamentável que ocorram fatos como o desta confeitaria.
Desconhecia esta palavra difícil-gentrificação.
Aqui onde moro, cidade do interior mineiro, ainda encontramos lojinhas pequenas, com produtos bem caseiros, artesanais, que resistem aos grandes; até por que acho que não se interessam em vir para cidades pequenas.
Beijo

ONG ALERTA disse...

O passado é história e esta deveria ser mantida.
Beijo Lisette.

Maria Célia disse...

Ah Beth, ia me esquecendo, sobre a cumbuca de sopa, retirei a imagem deste site http://www.thefancy.com.

Taia Assunção disse...

Morro de dó! Moramos em Lavras (Sul de Minas) por quase uma década e vimos vários casarões serem postos no chão...uma tristeza. Amávamos visitar São João Del Rey e Tiradentes, justamente pela história e casarios. A especulação imobiliária também não sei onde vai parar, por isso, nosso ninho é numa cidade pequena. E olha que bastou o Eike (antes de sua queda) passar por lá, para as pessoas enlouquecerem e triplicar os preços dos imóveis. Tem uma casa, feita pelo Zanine Caldas que eu namoro a tempos, quem sabe um dia ela será minha :-D Beijinhos, bom final de semana ;-)

Rose disse...

Sim, Beth, infelizmente este é um fenômeno que vem ocorrendo também em nosso país, para tristeza nossa.
Aqui em minha cidade - Campos dos Goytacazes,uma planície maravilhosa, o espaço geográfico vem sendo modificado desastrosamente... O mercado imobiliário encontrou aqui tudo o de que precisava para crescer: alienação da maioria associada a interesses mesquinhos de autoridades políticas.
JÁ temos sido " DEPREDADOS" DE ALGUNS PATRIMÔNIOS há tempo.Cito, como exemplo, o Teatro Trianon, de estilo neoclássico, tradicional na cidade, e que, foi demolido, para dar lugar ao Bradesco. Nessa linha, também se foram alguns cinemas famosos. Tudo revoltante! Resta-nos aproveitar o que temos, enquanto é tempo!
Seu post foi provocador!
Beijos, querida!
Rose

Beatriz disse...

O quê, a Manon vai fechar???
Essa carioca aqui anda meio desnaturada, pois já não moro mais aí há algum tempo. Mas só de ver a foto do "madrilenho", me lembrei na hora da sua doçura que derrete na boca, literalmente, huuuuuummmm.... Não, definitivamente não posso ficar sem isso! Que especulação #@*$#&*%# essa!!! Se continuar assim, o Rio lindo que conheço (e o da minha mãe desde os anos 60) vai desaparecer de vez! Vou para o Rio em agosto e, como sempre, passarei na rua do Ouvidor para me deliciar com um madrinhenho e e um café com doce de leite da Manon, isso sim!!!

Beijinhos mil Beth!

Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Luma Rosa disse...

Oi, Beth!
Essa valorização dos imóveis tente a diminuir, não somente porque a Copa acabou, mas porque estão todos chiando com os altos preços dos imóveis. Se não há procura, não haverá venda e com o mercado estagnado, o preço desce. A Gentrificação acontece no mundo desde os anos 70 e começou com a melhora visual dos espaços para dar uma aparência melhor, principalmente bairros antigos que antes eram residenciais e depois passaram por processos de decadência. É o caso do centro do Rio, que antes era habitado por quem não podia pagar um salário decente em bairro melhor. Os prédios estavam todos caindo aos pedaços. Aconteceram muitos incêndios e alerta de desabamentos que a prefeitura interviu.
Acho absurdo o fechamento da Manon, pois o locatário não conseguirá alugar o imóvel por esse valor estipulado, assim como quem alugar não fará a manutenção como vem acontecendo, por ser o imóvel tombado como patrimônio histórico. É um tiro no pé! Mas com tantos anos o imóvel abrigando um lugar tradicional, as partes deveriam entrar em acordo.
A prefeitura da cidade do Rio tem uma grande parcela de culpa, afinal, com a valorização dos imóveis, será arrecadado mais iptu... Isso é oportunismo!
Não sabia desse entrave, Beth! Fiquei sem o maravilhoso bolo de carne acompanhado de salada de batatas...
Beijus,

Regina Rozenbaum disse...

Ah Bethita é mesmo lastimável uma confeitaria assim fechar as portas! Imagino a dor da proprietária depois de tantos anos... Por aqui acontece o mesmo. Só os "milionários" sobrevivem a esses aluguéis.
Vou lá espiar você.
Beijuuss

Misturação - Ana Karla disse...

Beth, é uma pena que o modernismo apague a tradição, pois de histórias que ainda vivemos.
Morro de pena.
Agora a pouco aqui em Recife houve uma confusão por causa do cais José Estelita, não sei se você viu o "Ocupe Estelita". Tudo para apagar a história, onde existe a mais pura ganância pelo poder e o dinheiro. E a cidade vai se descaracterizando.
Acho uma lindeza esses prédios antigos.
Um xero grande!

ML disse...

Beth, eu sempre lamento pelo comércio "histórico", mas acho que ... é a vida!
Não dá pra ignorar o "made in China", por exemplo, mas tb não dá pra ignorar a qualidade.
Então, quem quiser se perpetuar centenariamente - como acontece em muitos estabelecimentos no "1ºmundo " tem de ter a tal da excelência.
Não dá pra competir no preço, lógico, mas... diferencial tem seu preço. bjssss