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quarta-feira, 7 de maio de 2014

O consumo nos consome até o além.


Mergulhados completamente na sociedade de consumo que assola nosso século, uma novidade surpreende, e para dizer a verdade, até assusta alguns mais tradicionais como eu.  Estou falando dos novos velórios que as famílias contratam de empresas especializadas em funerais, geralmente feitos em casas de festas, com as melodias que o finado gostava e até decorações temáticas em suas salas como Paris e New York.
Imaginem o fundo musical com Enya ou My Way, imprescindíveis, ou talvez, aquele sambinha que o sujeito curtia muito em vida. E o tapete persa esticado abaixo do caixão, assim como um helicóptero jogando pétalas de rosas sobre o cortejo. Ahh e os carros funerários com LED e distribuição de lembrancinhas ao final de tudo. Um luxo só para um momento tão simples! Tais cerimônias estão em torno de 20 mil reais, com bufê incluído e têm até, para que tudo dê certo e dentro dos limites de horários, uma Promoter de funerais que promete atender todos os sonhos do falecido.

Casa de festas? A sede da Funeral Home, no bairro paulistano da Bela Vista, onde há manobristas e salas com decoração temática que alude a Paris e Nova York  
-Fonte O Globo-

Como vêem é consumismo até para ir para o andar de cima, ou de baixo se preferirem.

E os docinhos que os convidados recebem ao final da cerimônia, são os bem-velados, bizarros, mas gostosos, garantem.

Se empresários do setor defendem que a personalização dos velórios é uma forma de demonstrar afeto pelo falecido, antropólogos analisam as cerimônias como sintomas da sociedade de consumo e individualismo.
(O Globo)

Mas, se a família do dito cujo falecido, preferir o velório em casa, não tem problema, é só chamar o Funeral Home ou Velório Delivery, afinal não tem segurança em nossos cemitérios. Não é mentira, não! Podem conferir na Fonte aqui.

Sendo assim, já vou providenciar para que tenha o que mais gosto nesta vida - música - e as músicas dos Beatles na vitrola, quer dizer no aparelho de som, é o que mais gostaria neste momento derradeiro. Afinal, perto de tanta bizarrice, um pedido assim é tão simples não acham?

Quem sabe no futuro teremos um poema sobre vida e morte nos dias de hoje, parodiando João Cabral de Melo Neto em Morte e Vida Severina, ao contrário, contando a vida do defunto e suas glórias e inglórias, finalizando com seus bens materiais que, tal qual Severino, ficou pra trás, esquecidos na poeira da memória e dos dias, pois afinal dessa vida não se leva nada, a não ser a nossa própria vida.



— Finado Severino, quando passares em Jordão e o demônios te atalharem perguntando o que é que levas...
— Dize que levas cera, capuz e cordão mais a Virgem da Conceição.
— Finado Severino, etc. ...
— Dize que levas somente coisas de não: fome, sede, privação.
— Finado Severino, etc. ...

— Dize que coisas de não, ocas, leves: como o caixão, que ainda deves.
— Uma excelência dizendo que a hora é hora.
— Ajunta os carregadores que o corpo quer ir embora.
— Duas excelências...
— ... dizendo é a hora da plantação.
— Ajunta os carregadores...
— ... que a terra vai colher a mão.


(in Morte e Vida Severina)











25 comentários:

CamomilaRosaeAlecrim disse...

Menina! Jura que existe isso tudo hoje em dia! Eu não sabia mesmo...mas acho que tudo que se faz é bem para a gradar os vivos exigentes, hehehe!
Beijos!!!
CamomilaRosa

Ana Paula disse...

Queria não acreditar nisto...

Bem-velados, esbarram no humor negro.

Prefiro ficar com o asterisco do poeta Alexandre Reis: * Aproveite cada segundo!
Beijo Beth.

Pitanga Doce disse...

Minha Nossa Senhora! Sempre achei uma esquisitice aquele buffet oferecido, depois do funeral, em filmes americanos. Agora chegou à alta sociedade de São Paulo ?Calcula o Amaury Junior "cobrindo" um velório destes?!

Tina disse...

Oi Beth!

Pelo visto chegou ao Brasil o costume americano de "receber" pessoas para um velório. Estranho no ponto de vista cultural nacional,mas não para eles. Na Inglaterra eles esperam até 15 dias (ou mais) para enterrar alguém, mas o costume vem da época em que os familiares moravam longe e tinham dificuldade para chegar.

Música? Por que não? Eu acho uma boa ideia - afinal será a última vez que vão relacionar você à aquela música. Isso é bom?

Só não imagino como tal prática vá dar certo aqui no Brasil - somos muito festeiros - e esse não é o clima do momento, certo? rs

beijo grande.

pensandoemfamilia disse...

Oi Beth
Disto eu não sabia, fiquei surpresa. Só me fez lembrar dos velórios que eu, na minha pura inocência infantil, gostava de ir com minha avó paterna. Era em casa. Mas os grupos em conversa e o que serviam me encantavam, acredita?
bjs

Ivone disse...

Beth, amei ler aqui, nossa, eu não sabia disso, faz tempo que não vou a um velório, até o preço não está tão alto assim, pois um bem comum para pessoas da classe média baixa não sai por menos de cinco mil!
Acho até bom isso, sou tão alegre que se eu tivesse dinheiro sobrando, deixaria escrito para fazerem o meu bem assim!
Amiga, seu blogue é tão lindo que até combinou esse "luxo" todo da postagem, não estou debochando, por favor entenda, é que levo tão na brincadeira a minha vida, respeito a de todos, mas amo a minha bem assim, descontraidamente!
Mas disseste tudo no final, "...dessa vida não se leva nada, a não ser a nossa própria vida." que sendo eterna nada mudará, só se troca de "roupagem"
Beijos minha linda amiga, gosto muito de você, fico sempre feliz com suas amáveis visitas e comentários!

Cristina Pavani disse...

"Creduincruz", Alfazema! Isso é sacrilégio e passível de punição celestial...
Prefiro mil vezes que doem o montante a um asilo e me enterrem serenamente, bem simplezinha.
Me lembro dos velórios rurais, onde o defunto ficava exposto sobre a mesa da sala, com florzinhas silvestres e servia-se chá de alfavaca adoçado com rapadura.
Um familiar trazia o caixão de ônibus, completando a jornada a pé, com a peça nas costas. Era sinistro encontrá-lo numa curva fechada!

Beijitos parcimônicos.

Anne Lieri disse...

Beth,vc é demais!...rss...só faltava essa agora! Velório em buffet de festas! Achei incrivel,divertido até!...rss...em lugar de lágrimas,um bailão! E os Beatles eu tb gostaria no meu velório. Adorei o post! bjs,

Marli Soares Borges disse...

Beth! Adorei o post.
Gostei dos bem-velados. Pena que o defunto não os pode comer, que sacanagem! Nada contra as festas nos velórios, se tem dinheiro sobrando porque não? Mas seria bem melhor se o defunto parasse de defuntar e fosse festejar também. Depois ele se empacotava e seguia para o além, ou, quem sabe, para o aquém, rsrsrs
Bjs
Marli
Blog da Marli

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Beth
Sabia dos bem velados... rs...
Não os comi ainda, graças a Deus!!! Nem os quero nem tão cedo... rs...
Como se diz que depois de morto todo mundo vira santo... a moda vai pegar, certamente!
Meu papai gostava de Fascinação e coloquei para aquele carro de som que passa pela rua avisando, na Cidade do interior, o comunicado da sua morte... foi muito emocionante!
O consumismo é medonho, menina!!! Ataca a tudo e a todos... impressionante!!!
Seja muito abençoada e feliz!!!
Bjm fraterno de paz e bem

Ivone disse...

Voltei aqui para ler mais comentários a respeito, pois olha que ficou até divertido!!!
Mais abraços!

Teresinha Ferreira disse...

Beth, fiquei aqui rindo muito e imaginando a situação. Será que as lembrancinhas são caveirinhas?kkkkk
Esse mundo capitalista é assim mesmo. Não pode perder nenhuma oportunidade para ganhar um dinheirinho.
Deve ser super divertido e nada chato como os velórios tradicionais. Amei a postagem... Só você amiga.

Beijos mil

Calu B. disse...

Menina,
li esta reportagem no jornal escrito e fiquei pasma...até onde vai o exagero?
Haja motivo para comemoração.Essa gente não perde uma oportunidade, cruzes(!),e o filão consumista cada vez aumenta mais.
Do pacote,eu gostaria também, só do fundinho musical bem escolhido.Pra mim,Sarah ou Billie tava de bom tamanho.
Ô tempos mudernos!!!!
Bjkas, amiga.
Calu

✿ chica disse...

Beth do céu!! Promoter de velório?Credo,rs Essa eu não sabia. nunca imaginei que se chegasse a tal ponto!! O fim da picada!!!beijos,chica

ML disse...

Parece piada, Beth!
"What a bizarre world!"
: > )))))

bjsssssss

Lúcia Soares disse...

Sim, Beth. Aqui em BH também já temos casas de luxo para velórios idem, mas ouvi dizer que os preços são módicos, vai depender mesmo do requinte que se queira dar, quando poderá sair caro.
Gostei da ideia de músicas que o falecido gosta, acho bom. rs
Para mim, o ideal é caixão fechado, tenho horror a gente ficar alisando o morto o tempo todo...
Os "bem-velados" não tinham necessidade de ser em papel preto né? rs
Beijo.

Ana disse...

Óh, céus!!!
:0

Lení disse...

Aiii, que comércio macabro luxuoso! Cada um com suas "crenças!" Respeito as "tradições culturais!" Para mim, um velório, simplório,com os amores de verdade, um foguinho no meu caixão, tmb, simples. E uma boa passagem, só! Abraços, e uma boa hora...kkkk

Bianca disse...

Nossa, não sabia que existia esse tipo de serviço, estou surpresa!
Beijos

Rose disse...

É cada coisa que se vê por aí!...Affff! Aonde vamos chegar com essa proposta consumista de vida?

Rose disse...

É cada coisa que se vê por aí!...Affff! Aonde vamos chegar com essa proposta consumista de vida?

MARILENE disse...

Que loucura! Desconhecia tais cerimônias e confesso que me sentiria fora do planeta ao comparecer a uma delas. Já considero estranho as pessoas irem á casa do falecido, após o enterro, obrigando s família, de certa forma, a ficar "fazendo sala" e oferecendo salgadinhos, como se houvesse festa no lugar. São momentos de dor onde apenas os realmente amigos levam palavras confortadoras. Bjs.

Vera Lúcia disse...


Olá Beth,

Mas que novidade é essa? E absurda demais sob a minha ótica. Para que pompas e circunstâncias para velar um defunto, que logo se transformará em pó? Com certeza, seria pela vaidade da família, pois o falecido, a tal altura, já estaria em outro plano, para onde não se leva nada, a não ser os valores inerentes ao espírito.
Tô chocada!
Mas uma musiquinha básica, tipo Enya e similares até que seria bacana, pois ajudaria a manter o velório em clima de respeito ao defunto homenageado.

Beijo.

Beatriz disse...

Velório? Prefiro evitá-los.
Sou uma manteiga derretida e não gosto de ver ninguém triste, fico acuada num canto. Mas sei que pelo mundo as coisas são bem diferentes....Em Moscou, o funeral é feito com uma reunião pra lá de alegre, e as pessoas vão com roupas bem coloridas, já que é proibido usar preto! No México é como uma festa de aniversário, onde o morto é convidado a participar do banquete, e os vivos festejam com ele para que não se sinta sozinho nessa hora. Vai entender!!!!

Beijinhos e um FELIZ dia das mães!

Bia

pensandoemfamilia disse...

Voltei para desejar Feliz dia das mães. bjs