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domingo, 30 de março de 2014

50 anos do Golpe Militar, a Casa da Morte e eu quase entrei pelo cano.

-Facebook-

Em 31 de março de 1964 eu tinha recém feito meus 11 anos e, imaginem, não sabia de nada do que ocorria pelos bastidores da política e nem queria saber, afinal o meu mundo era cor de rosa, usava uniforme da rede estadual e meias três quartos com sapato boneca para ficar mais bonitinha. Eu odiava o tal sapato preto que era obrigada a usar, o nome era Sete Léguas da marca Vulcabrás e todos usavam, até mesmo as meninas, mas eu sempre gostei de andar na moda e ia com aquele sapato horroroso na mala, mas quando saia da escola, enfiava meus pezinhos no lindo sapato boneca de verniz preto que meu pai me dera de presente no aniversário daquele ano.

Os ares da ditadura militar começaram a ser sentidos nos anos seguintes, quando eu e todos os alunos da rede pública, como soldadinhos bem treinados, cantávamos com ufanismo e mãozinha no peito o Hino Nacional todos os dias antes de subirmos para as as salas de aula. Alternávamos com o Hino à Bandeira, Hino da Marinha, hino disso e daquilo, sem contar as aulas de Educação Moral e Cívica que tínhamos no curriculum escolar. No entanto, apesar de odiarmos aquela matéria, vejo que aprendemos muito com ela, e poderia ser até reimplantada nos dias atuais, de uma forma menos pragmática,  para que os jovens entendessem melhor o que são estas duas coisas na vida em sociedade.
Um dos lemas da época era este abaixo:  
ameooudeixeo-brasil
Meu pai era um pacato cidadão, trabalhador e confuso com a política, gostava de um tal de Carlos Lacerda, mas não era engajado a nenhum partido, não sobrava-lhe tempo para isto, pois tinha que alimentar uma família de 5 bocas num período difícil até mesmo para aqueles mais abastados. Embora não tivesse nenhuma relação com a política da época, sentíamos em casa que algo tinha mudado, não podíamos falar certas coisas em voz alta, nossos pais tinham medo que repetíssemos na escola o que poderia ser interpretado como conspiração e ele, meu pai, sempre dizia que isso ou aquilo a 'censura' não admitia. E eu lá sabia o que era censura?
Tava tudo muito legal pra mim e meus amigos. Os Beatles abriam caminho para uma música e postura mais descontraídas, nos domingos tinha a turma da Jovem Guarda e o máximo de irreverência que fazíamos era gritar 'Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo o mais vá pro inferno!" música do Roberto que impulsionou minha geração romântica e alienada.
Com o passar dos anos, descobrimos através das letras veladas de músicas dos festivas da canção, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gonzaguinha ... e aí uma luz acendeu lá dentro de nossas consciências, então cantávamos em coro "Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"
Entretanto, nos 20 anos que se seguiram depois de 1964, período que ceifou vidas, roubou mentes inteligentes, exilou, sequestrou, torturou, prendeu e arrebentou, matou tantos que poderiam dar o seu melhor para este país, restando, enfim,  um grande gap para todos nós que vivemos aquele período de chumbo, dali nada se aproveitou e os reflexos estão até hoje na democracia ainda engatinhando e agora em crise.

Nunca estive perto do perigo como tantas pessoas daquele tempo, mas um fato que me aproximou um pouco do horror daqueles dias, da maldade e da tortura que viveram os que reagiram à ditadura militar, foi 
já com a abertura, quando estive num dos calabouços deste horror, numa casa chamada "Casa da Morte", em Petrópolis e que, por pouco, não morei na mesma. A história é a seguinte:

Em 1992 meu marido veio transferido para o Rio de novo e não queríamos retornar à cidade, pois tínhamos filho pequeno e queríamos dar a ele a liberdade de morar num lugar tranquilo, numa casa espaçosa e que fosse próximo ao centro do Rio para ficar mais facilitado para meu marido se deslocar todos os dias.
Escolhemos então Petrópolis, cidade serrana dos meus amores, lugar onde fui feliz e tenho até hoje meus vínculos afetivos e uma casa à minha espera nos finais de semana.
Mas, na época, sem conhecermos bem a cidade e se iríamos nos adaptar ao clima, procuramos primeiramente uma casa para alugar e meu marido perguntou aos colegas de trabalho,  se conheciam alguém que tinha casa para alugar na serra.
No dia seguinte, um colega dele, se aproximou e disse-lhe que soube da sua procura e que tinha uma casa para alugar, justamente em Petrópolis. Deu a ele as chaves da casa e no final de semana, subimos a serra, eu, marido, filho e minha irmã para conhecermos a tal casa que estava uma pechincha no aluguel do momento.
No bairro de Caxambú, em meio à linda vegetação do que restou da Mata Atlântica, estava a casa branca de janelas avermelhadas, um muro alto com portão de ferro. Tinha vaga para uns quatro carros na garagem  e uma varanda aberta, debruçada para o verde das altas árvores e virada de costas para a rua principal, o que causava uma certa intimidade para quem estivesse dentro dela. Um lugar lindo, meio isolado e já começando a se cobrir de neblina naquela tarde de verão da serra, coisa muito comum nos lugares bem altos de lá. Os quartos eram amplos, bem decorados, suítes e confortáveis; lembro-me bem da suíte principal com uma cama enorme emoldurada por uma cabeceira em couro vermelho, a cozinha também ampla e o mais intrigante, dali partia uma escada que descia para o porão, meio escuro e que o marido foi na frente para acender a luz para que pudéssemos descer.
Não gostei nada daquela parte da casa, era meio úmido e eu só pensava que nunca desceria ali sozinha, pois tenho medo de escuro, mas o marido gostou, achou que poderia ficar à vontade naquele porão, mexendo na tão sonhada moto BMW que pretendia comprar para fazer as trilhas pela cidade. Minha irmã, talvez mais sensitiva, disse-nos que sentiu-se mal quando desceu aquele lugar, mas ela só falou isso muito depois que a gente contou pra ela o que tinha sido aquela casa no passado.
No dia seguinte, antes que meu marido entregasse as chaves para o colega dono da mesma, um outro colega o chamou em particular e contou tudo sobre a casa e o que ela tinha sido, a tal Casa da Morte, a casa onde os militares torturaram e mataram muitas pessoas naquele período triste da ditadura militar no Brasil. De uma certa forma, eu estive nos porões da ditadura um dia.
Conclusão: ele entregou as chaves ao dono e disse-lhe que eu, sua mulher, não gostou do local porque era meio distante do centro e que não era bem o que procurávamos. Ficou tudo assim acertado e resolvido, mas quando penso que entrei naquele lugar onde tantas almas foram torturadas e mortas, agradeci aos céus por ter nos livrado de ter alugado aquela maldita casa que, somente em 2012 foi finalmente desapropriada e criado ali o "Centro de Memória, Verdade e Justiça".

Não é uma data para ser comemorada e sim lembrada para que nunca mais se repitam atos insanos como estes sobre nós e à democracia tão duramente conquistada.


 A casa hoje, meio desgastada com o tempo.

-Casa da Morte-Google-



O depoimento da única pessoa que sobreviveu à casa, Inês Etienne Romeupermitiu, com a ajuda de amigos e jornalistas, a localização do imóvel e de seu proprietário, Mario Lodders, que emprestou a casa, em 1971, para o ex-interventor de Petrópolis, Fernando Ayres da Motta, que a cedeu para a repressão.
Veja mais aqui.





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25 comentários:

Lúcia Soares disse...

Apesar de ter mais do que os seus 11 anos, não me lembro de nada desta época, a não ser as notícias mais importantes e como Minas Gerais teve participação grande na deposição do governo, sempre se sabia um pouco dos acontecimentos. Meu pai amava a política em si, não o partidarismo, mas nunca se envolveu com nada, nem tempo tinha, com 9 filhos (na época) e mulher.
Foram tempos difíceis, dos quais ainda não nos livramos, mas ainda não era essa bandalheira de governantes. Deus queira que para nos libertarmos dessa gentalha de agora não tenhamos que ir à luta, de novo...
Ainda bem que não alugaram a casa, imagina que situação, se soubessem depois de feito.
Porões sempre me deram medo...
Beijo e boa semana, Beth.

✿ chica disse...

Ufa, suspirei aliviada aqui, te imaginando ter comprado ou alugado aquela casa maldita! Credo!

Minhas lembranças daquele tempo são tristes. Em 1964, minha irmã na cama com câncer e os notíciários pipocando coisas horríveis. Nós morávamos no Flamengo, bem perto da UNE e ali, eram bombas e mais bomas atiradas.Feridos, sangue derramado.

Triste época, triste ano na minha vida(perda da irmã) e além do mais tudo aquilo!

Hoje pela manhã, no café o neno questionava sobre aquele período, pois ouviu no rádio. Falei que se ele naquela época falasse tudo o que fala e demonstra pensar com relação à política e tudo mais( ele tem cabeça aberta, vai fundo, lê jornal no papel inteirinho), ele acabaria preso. Assim se pode classificar a falta de liberdade de expressão que NUNCA MAIS devemos admitir!

Temos tristes pra serem lembrados e aprender com eles...

beijos,adorei teu post! chica

Calu B. disse...

Betinha,
fazemos parte do que chamou-se a geração perdida, aquela que foi afastada das luzes do conhecimento amplo e verdadeiro em vivência e saberes duma plena cidadania.Como vc eu só comecei a perceber que algo estava fora do comum através das conversas cifradas em casa e das músicas dos festivais da canção.Aos poucos fui tomando conhecimento dos acontecimentos e formando minha opinião sobre os poucos e rasos fatos que sabia.
Hoje não temos o governo que queremos e merecemos, mas temos uma democracia insipiente, porém concreta, que precisa ser ainda muito melhor aplicada e estruturada, mas sem deixar-se perder.

O tempo dos horrores tem de ser lembrado para jamais ser repetido.
Teu post se alia à esta memória necessária.Bravo, amiga!
Abraços,
Calu

Célia Rangel disse...

Memórias! Essas nada agradáveis. Com meus 18 anos, morando e estudando em São Paulo, muito participei desses atos voluntária ou involuntariamente. Como estudante em passeatas pela Pr. da República. Fiz ontem, o que hoje, outros fazem... Mas, na verdade temos que fazer valer e incrementar nossa democracia que anda adoentada...
Abraços.

Maria Célia disse...

Oi Beth, bom dia
Sensacional seu texto, suas memórias, curti cada palavra, cada lembrança sua desta época, que só alguns anos depois tomei consciência.
Em 64 tinha nove anos, morávamos numa fazenda, a falta de informação era muito grande.
A única coisa que me lembro deste golpe de 64, alguém, talvez meu pai, falando que os comunistas iriam invadir a fazenda, tomar tudo, eu e meus irmãos ficávamos apavorados, já imaginou uma coisa desta.
Que este grande erro do passado não volte a se repetir, os anos de chumbo fiquem na história, e muitos que hoje clamam pela volta da ditadura, procurem se informar melhor o que se passou e o perigo que corremos.
Um beijo.

Maria Alice Cerqueira disse...

Querida amiga
vim lhe desejar uma linda e abençoada semana, coberta de muita paz e alegria!
abraço amigo
Maria Alice

Regina Rozenbaum disse...

Eu tinha 04 aninhos e me lembro de nada...a não ser dos avisos de minha mãe para as irmãs mais velhas que tomassem cuidado no colégio, não falassem nada sobre os militares, etc. AVISOS maternos sussurrados. E como morávamos bem próximo ao DOPS, lembro dos camburões pretos. Que história essa Bethita...se livrou de uma casa hein? Imagina a energia?! Credo!
Beijuuss

Toninho disse...

Pois é Beth, esta região era o refugio destas maldades e seu depoimento mostra uma lucidez que encanta.Jamais podemos esquecer estas paginas infelizes de nossa historia,assim como a escravatura.Mas ainda há quem sem procurar ler,entender a historia vem tecer loas a este período, o que me deixa triste e desanimado.Quem leu a obra Brasil Nunca Mais sabe o que uma ditadura é capaz. O mais engraçado que estas mesmas pessoas defendem as teses religiosas devido leitura da Bíblia e não defendem um país democrático conhecendo a historia. Não é preciso ter vivido ou não um período para se ter critica dele. Estes porões como este desta casa, sabem da dor, da agonia.Sítios como este se espalharam pelo Rio,Minas, São Paulo, Pernambuco,Bahia.Que bom Beth que não adquiriu esta casa assombrada.E para este povo que vê a Dita como solução para a onde de corrupção que nos envergonha, apenas digo que ela praga existia lá,apenas não se tinha informação, pois era a época do silencio, do aceita ou morra.Engana-se quem pensa que sigla governa uma nação.
Um abração minha amiga e que Deus nos proteja de todas as maldades.
Beijo de paz e luz amiga.

Yasmine Lemos disse...

Estou vindo lá de Toninho emocionada e agora vc me faz chorar lendo sua crônica . Meus pais firam vitimas dessa época, eu nasci no meio dessa guerra podre , foram exilados , presos , torturados, meu pai so me conheceu côn. 2 anos de idade . Ainda hj dói e a saudade dele não pára. Meu beijo emocionado

Beth/Lilás disse...

Eu sinto muito mesmo, querida Yasmine, por isto não podemos deixar de relembrar o que foram aqueles anos de chumbo, para honrar a memória dos que se foram e dos que sobreviveram como seus pais. Um beijo, com carinho.

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Crista disse...

Tens o meu carinho!!!!

Cantinho da Selminha disse...

Uauuuu, que história, e como você narrou tão bem, poderia ser escritora, sabe eu não estive neste período, mas pelo que vejo hoje não está tão diferente, pelo menos em relação a violência né, mas sou grata pela democracia e principalmente pelo direito de expressão, imagine não poder lutar pelos seus direitos, por mais que hoje em dia não resolva nada, pelo menos temos está liberdade! beijinhos flor lindaaa!

Luma Rosa disse...

Oi, Beth!
Ainda não nos livramos totalmente da ditadura e vivemos uma democracia de fachada. Eu não sofri com a ditadura, mas toda a minha família sim. Meus pais perderam seus sonhos e voltaram para o interior, onde tudo era mais calmo. Tão calmo que muitos brasileiros passaram pela ditadura sem ver e talvez sejam esses que a querem de volta, pois imaginam outra coisa. Só que os militares não agiram sozinhos, esse é o grande erro da história.
O que acho muito hipócrita são aqueles que viveram o período e agora puxam o saco daqueles que tendo oportunidade de ajudar o país, enchem seus bolsos dando um toco nos brasileiros.
Fizemos um caminho parecido, Beth! Porém em época diferente. Também procurei por Petrópolis por ser uma cidade próxima do Rio. Achei muito fria (rs*) e optei por Cabo Frio.
Do período da Ditadura, meus primos contam com mais propriedade. Dois deles se tornaram historiadores para apenas contar para os brasileiros que não viveram a ditadura, o perigo que é imaginar que ela possa ser um caminho. Não podemos retroagir!
Hum... não gostava do sapato colegial? Como são as coisas, a minha sobrinha que nasceu em 1995 foi doida por esse calçado. Era febre entre as meninas o sapato de cadarço.
:)
Beijus,

Anne Lieri disse...

Nossa Beth,que super história! Escapou por pouco mesmo! Um texto excelente,sensato,retrato fiel de uma época que tb vivi em criança. Usava os tais sapatos vulcabrás...rss...mas eu odiava mesmo eram os suspensórios da saia. Achava coisa de bebê e eu me achava uma menina grande!..rss...parabéns pelo comovente relato! bjs,

Teresinha Ferreira disse...

Olá Beth,
Nossa, Educação Moral e Cívica. Eu detestava, mas confesso que era uma matéria de amplos valores.
Ainda bem que vocês não compraram essa casa das torturas. Fiquei imaginando você com o sapato Vulcabrás...
Não deve ter sido fácil esse período da ditadura. Muitos sonhos e conquistas se perderam.
Lindo texto!
Beijos mil

Felisberto Junior disse...

Olá, Beth
Bom dia
...é verdade, um suspiro de alívio, por não terem "ficado" naquela "casa"...sim, apesar que há ainda uma verdadeira máquina de triturar a verdade pelo transformismo dos conceitos e o acolhimento da grande imprensa brasileira , especializadas em distorcer informações , podemos ao relembrar um pouco desse tempo , analisar com mais frieza e objetividade aqueles acontecimentos e compreender que não poderia ter sido diferente, ou a Nação reagia ou sucumbia... houve tortura e mortes etc etc sim, e isso é indefensável. A Comissão da Verdade, precisa ser melhor conduzida para apurar todos os fatos, de todos os lados...
Obrigado pelo carinho, belos dias, beijos!

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Nossa, menina, que história! Tudo, desde os sapatinhos até teu desenvolvimento e da nojenta ditadura. E a casa, que horror, que bom que vcs nao alugaram, que bom que souberam da parte sombria da história antes de alugarem.

Que horror nao? eu sentia a mesma coisa qd fomos em centros de trabalho dos judeus, e olha que nunca quis ir em centros de concentracao aqui? Deus me livre! :-(

Nao era nascida no ditadura, so lembro de cantar os hinos na fila da escola e ter mts soldados em volta da gente sempre.

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Luciana Souza disse...

Oi Beth
Simplesmente fantástica essa sua crônica! É emocionante sem ser melodramática, sem contar que eu viajei na sua história de meia três quartos kkkkk. Realmente a época da ditadura foi um momento muito sombrio do nosso país. Eu não era nascida e meus pais moravam no sítio, então estavam alienados a tudo, mas podemos ver pelas reportagens, e recentemente assisti ao filme Zuzu Angel, fiquei emocionada com a história real de uma de várias mães da ditadura. Quando vejo uma pessoa da minha idade que não viveu esse horror dizer que aquela época é que foi boa, tenho vontade de dar na cara dela! kkkkkk, é sério, outro dia minha amiga disse isso, e eu fale prá ela calar a boca que ela não sabia o que tava dizendo. Parabéns pela crônica!
Bjos.

ML disse...

Nossa, que sorte, Beth!
Imagina morar na casa? Ddevia ter o maior baixo astral pairando no ar, sua irmã bem que percebeu.
Eu tb sou bem desligada, mas minha irmã, como a sua, sente cheiro de "probrema" no ar :)

bjnhs e ótimo final de semana, provavelmente na sua linda casa na serra, ao lado da bela Cici.

Vera disse...

Olá Beth
Historia realmente emocionante, não vivi nesta época e como minha família é todos de militares não há como comentar sobre esta ditadura a qual alguns militares também foram sequestrados e torturados.
Concordo com a Luma onde ela diz que vivemos em uma democracia de fachada. Os poderosos sempre vão falar mais alto.
Bom ainda bem que não fostes morar naquela casa, meu avô espirita diz que a casa absorve tanto coisas boas como ruins e não é nada legal viver em um lugar de sofrimento a alma sente o sofrimento e vive uma tristeza que não é dela.
Beijinhos e um lindo fim de semana.
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Inaie disse...

me arrepiei com o seu relato. Nasci em 71, nao tenho nenhuma lembrança dos anos da ditadura, mas sei que meu avô foi torturado e exilado em fernando de Noronha. Trago comigo a dor que nem cheguei a sentir na pele, mas trago no meu DNA

Elson de Paula disse...

Beth, sua história é de deixar os cabelos "em pe´"... sinto muito por você ter vivido esta experiência, pois acredito que um lugar assim deva estar carregado de vibrações negativas... mas enfim, ainda bem que foram avisados antes de ir morar nesta casa e puderam rejeitar a proposta de aluguel... fico pensando quantas pessoas não foram enganadas assim como vocês... acredito que hoje, esta e outras histórias nos sirvam para jamais permitirmos que esta mancha se repita na vida dos brasileiros.
Gostei muito do seu blog, e obrigado por sua visita e por seu comentário
grande abraço
Elson