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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Em memória dos nossos jovens que se foram



A CASA
Sei dos filhos
pelo modo como ocupam a casa:
uns buscam os recantos,
outros existem à janela.

A uns satisfaz uma sombra,
a outros nem o mundo basta.
Uns batem com a porta,
outros hesitam como se não houvesse saída.

Raras vezes sou pai.
Sou sempre todos os meus filhos,
sou a mão indecisa no fecho,
sou a noite passada entre relógio e escuro.

Em mim ecoa a voz
que, à entrada, se anuncia: cheguei!
E eu sorrio, de resposta: chegou?
Mas se nunca ninguém partiu…

E tanto em mim
demoram as esperas
que me fui trocando por soalho
e me converti em sonolenta janela.

Agora, eu mesmo sou a casa,
essa infatigável casa
a que meus filhos
eternamente regressam.


(Mia Couto, em “Tradutor de Chuvas”)

(arquivo pessoal de meu filho Daniel)

Para quem tem filhos e sabe ou soube da espera, da hora de alívio em que retornam, seja de onde for; da boate, da escola, faculdade, do barzinho, da praia, da casa de amigos, do encontro, de qualquer lugar do mundo, onde os jovens gostam de ir e se divertir. Que regressem sempre a nós, aos nossos braços!








15 comentários:

✿ chica disse...

Lindo,Beth! Emocionante e estamos sempre assim>esperando que regressem!!! beijos emocionados,ainda praianos,chica

pensandoemfamilia disse...

Esse é sempre um grande anseio de todos os pais. A dor das famílias que perderam seus entes queridos é imaginável.
bjs

Regina Rozenbaum disse...

Essa espera que tantas vezes nos des_espera..."Sinto que quem acaba de sofrer uma perda cruel tem o direito de ser deixado em paz. Deveríamos mesmo permitir que se prolongasse esse período de tréguas, se o temor de parecermos esquecidos da amizade não nos levasse por fim à manifestação de nossa simpatia. Para quem chora, tudo o que possamos dizer não passará de ruídos vãos. O seu trabalho de luto é um processo íntimo que não admite ingerências." (Freud em Correspondências, 1926)
Beijuuss Beth

Lúcia Soares disse...

Beth, vou levar comigo o texto de Freud, que a Regina colocou aí em cima.
Resume tudo que pensei esses dias todos e não falei.
Lembro-me dos anos que passei, na janela, esperando os filhos chegarem. Noites mal dormidas, muitas vezes conseguia dormir já muito tarde, quando finalmente colocava-os nas mãos de Deus, pedindo que os trouxesse, sãos e salvos.
Nem sei dizer da dor desses pais.
Só peço a Deus que os acalente.
Beijo!

Cristina disse...

Linda escolha Beth, para uma linda homenagem. Somente você sabe garimpar imagens tão maravilhosas...
Beijo caipira.

Teresinha disse...

Olá Beth,
Fiquei aqui arrepiada. Quanta tristeza. Fico imaginando o sofrimentos de tantas pessoas. E horrorizado em pensar na angústia na hora do incêndio. Jovens se amontoando para a morte. Meu Deus!!!
Estamos sempre em alerta com pensamentos intranquilos. É sempre um alívio quando nossos pimpolhos retornam para o lar.
Beijos mil

Calu disse...

Como nos tocam as palavras que nos definem, os versos que nos traduzem, as imagens que nos refletem...e aqui vem tudo isso, nesse conjunto tão marcante de sentimentos e preces.
Obrigada Betinha por mais esta página maravilhosa que vc nos oferta.
Bjos, amiga,
Calu

Maria Célia disse...

Ei Beth
É mesmo, estamos sempre esperando pelos filhos e ansiando que voltem sãos e salvos, o barulho da chave abrindo a porta da frente é um verdadeiro alívio.
Belíssimas palavras.
Beijo

R. R. Barcellos disse...

O poeta canta a espera da esperança.
Mas hoje
O poeta chora a espera do desespero.
Por muito tempo aquelas janelas estarão abertas.
E o relógio soará no silêncio da noite seu tiquetaque indiferente.

Oremos.

Márcia Cobar disse...

Amém, Beth.
Que regressem sempre, pois não há dor maior no mundo que um pai ou mãe perder um filho...
Bjim
Márcia

Wilqui Dias disse...

Minha oracao é que os pais e familiares sejam confortados(como se fosse possivel) a cada vez que leio algo sobre, penso na dor de se perder um alguem que amamos.
Obg por compartilhar esse texto tao lindo.
bjao
O cartao chegou?

ML disse...

Perfeito! bjnhssssssss

Nina disse...

Amém!

Que belo poema Beth. Todos os pais o compreendem.

Tudo mt triste isso que houve no RG. Fiquei horrorizada qd soube aqui,os jornais aqui andam falando mt sobre o fato

:-(

Toninho disse...

Este olhar esticado na varanda, este ouvido apurado na garagem ou escadas,esta espera que as vezes parece infinita.
Esta incerteza oculta da volta que maltrata e vem as noites mal dormidas na vida dos pais.
Que a volta seja sempre um motivo de festa e agradecimento. E que Deus nos proteja da dor de fazer o inverso.
Um abração mineiro.
Bjo.

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