.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Complexo do Alemão e as delicadas receitas clássicas portuguesas


-Imagens Google-

-Início do Século XX-subida da Igreja da Penha-Google-

A história conta que entre os anos 1920 e 1940, o que é hoje conhecido por Complexo do Alemão,o conjunto de favelas no subúrbio do Rio de Janeiro, correspondia à imensa fazenda do polonês Kaczmarkiewics, apelidado de "Alemão", e que deu origem do nome à região atual. Nos anos 1950, tal fazenda deu lugar à área industrial próspera, onde, entre outras indústrias, funcionava o maior espaço fabril de curtição e industrialização de artefatos de couro das Américas, o conhecido Curtume Carioca.  
Dali saiam as calças jeans cheias de charme, com bolsos de cantoneiras de metal que chegavam às vitrines da Zona Sul carioca.
-Idos de 1930-Imagem Google-

Eram bairros de classe média e trabalhadora, muitos desses, imigrantes portugueses com comércio ali estabelecido, e a linha férrea levava e trazia as pessoas para outras regiões do Rio, sendo notadamente o principal polo industrial da cidade até o final dos anos 1980. Durante este período de mais ou menos 30 anos, vários bairros foram engolidos e transformando-se então num único bloco a que se intitulou Complexo do Alemão.
Nos anos 1990 e o começo do século XXI houve uma transformação gigantesca e que afastou muitas famílias de suas casas para outras regiões, pois o território fora tomado pela violência da guerra do tráfico de drogas, miséria e total descaso e abandono do poder público.  Parecia fadado ao esquecimento, mas, talvez, a necessidade de se arrumar a cidade para os próximos eventos olímpicos, ou quem sabe a imagem manchada do governo na série Tropa de Elite, que mostrou toda a verdade por trás das cortinas e mexeu com os brios do estado.

O Complexo do Alemão que vemos hoje nas telinhas da tv, é a tentativa que o Governo do Estado está fazendo para devolver aquele imenso número de habitantes, mais de 100000, dignidade e melhorias na qualidade de vida, principalmente, educação e emprego, ainda que tardiamente, mas uma louvável atitude.

E o que tem a ver o Complexo do Alemão e a Arte Conventual dos doces portugueses?

Bem, primeiramente vamos explicar o que quer dizer 'Arte Conventual':

"Os produtos inspirados nas guloseimas dos conventos eram reservados aos monges, às freiras e aos trabalhadores que moravam nos mosteiros.  A Revolução Liberal, 1820, acabou gerando um decreto republicano de 1834 que proibiu as ordens religiosas e ordenou a extinção dos conventos e mosteiros.
Os membros do clero assistiram perplexos ao fechamento dos conventos e mosteiros e ficaram sem ter onde morar e trabalhar.  Numa tentativa de sobrevivência, e para assegurar seu sustento, os monges e freiras passaram a fazer e comercializar os doces que originalmente eram apenas para consumo próprio."

E estas delícias que encontramos facilmente nas Pastelarias* de Portugal, agora são feitas também no  famoso Complexo do Alemão, onde um grupo de empreendedores acreditou na recuperação da área e instalou, num pequeno sobrado, suas batedeiras, fornos, fogões e câmaras frigoríficas, tudo isso com o total apoio e participação da comunidade.
Certamente eles creem, e eu também, na teoria de que este mundo é cíclico, que tudo muda, as pessoas mudam, os lugares, as situações que se transformam e podem voltar, inclusive, a ser como eram antes, na paz e produtividade.

Mas, para que a magia dos pontos de calda, ponto bala, cabelo, caramelo e por aí vai, dos famosos doces Alentejanos fiquem exatamente iguais aos da santa terrinha, experientes profissionais portugueses e também brasileiros, estão lá, ensinando o passo a passo destas receitas clássicas que são fabricadas ali e que abastecem os grandes hotéis, restaurantes e a mesa de muitos gourmets cariocas.

Não é linda esta história que une o clássico aos plebeus? Que sirva de inspiração a outros empreendedores
para que invistam na recuperação daquela e outras regiões necessitadas, trazendo empregos, conhecimentos e além de tudo, arte para as pessoas.

E aqui estão as delícias lá fabricadas e que irão adoçar aos poucos, costumes e vidas.


Esta matéria, sob o título de "A glória, ó pá" saiu no Jornal O Globo deste sábado 1/12 e eu a adaptei aqui com minhas palavras, pois como este jornal é de grande circulação apenas no Rio de Janeiro, achei que seria interessante trazer para vocês conhecerem o que anda acontecendo de bom no meu estado.


Neste site aqui, você poderá ver uma gigafoto do que é o Complexo do Alemão hoje.

*-Em Portugal o que chamam Pastelarias são as nossas Padarias.




24 comentários:

Cristina Pavani disse...

Beth, muito, muito obrigada!
Você não imagina o quanto eu necessitava destes docinhos e de seu doce texto para enfrentar a segunda-feira...

No Rio, só conheço a bela Parati, e a parte que a TV mostra. Foi rico conhecer ou local mais populoso que minha Cidade inteira (80;000 habitantes).
Maravilhoso início de semana!

✿ chica disse...

Especial esse teu post, bem elucidativo. Pra mim foi um presente ver a igrejinha da Penha.

Cada vez que passo pelo Rio, logo ,ainda na pista, procura a igrejinha e rezo. Quando pequena, morando no Rio, minha mãe gostava de ir lá! Subíamos os seus muitos degraus e era uma festa pra mim. Adorei ver tudo de lá e saber contigo!! beijos,chica

pensandoemfamilia disse...

Beth

Morei na Penha 28 anos da minha vida.Não cheguei a presenciar a expansão do morro (cruzeiro) que muitas vezes visitei quando membro de grupo de jovens da Igreja católica.
A Igreja da Penha é uma grande referência da minha adolescência.
Não tinha lido esta matéria, grata por compartilhar.

manuel marques Arroz disse...

Excelente texto.


Beijo.

Priscila Ferreira disse...

Fiquei com água na boca!!!!
beijos

Lúcia Soares disse...

Beth, isso prova que, com boa vontade, tudo pode melhorar, né? Como tanto sabemos que sim e desejamos.
Gostei de saber, realmente podemos mostrar as coisas boas que nossas cidades sempre têm.
As foto são lindas, os doces devem ser deliciosos.
Beijo e boa semana.

Calu disse...

Outra feliz iniciativa tua aqui nessa postagem geminada de história/empreendedorismo, Betinha.
Eu que adoro o 1º tema e aprecio o 2º quando direcionado para a melhoria da vida das pessoas, me deleitei por aqui.

Não conhecia estes detalhes sobre as origens daquela área e toda a sua importância na história industrial da cidade, que agora, está voltando a recuperar sua dignidade assim como a de seus habitantes.
Que as Artes Conventuais espalhem seus sabores por todos os quadrantes da cidade.
Adorei!
Bjos, amiga,
Calu

Luma Rosa disse...

Como leio o jornal sempre com atraso, ainda não tinha lido essa matéria. Parece que nem está no meu jornal - sempre dou uma folheada antes para separar os classificados para o lixo.
Essa nova pastelaria será ótima no sentido de gerar empregos na região e resgatar a tradição que a cidade tinha no passado. Agora é saber para onde vão esses doces! Sempre que quero comer doce português no Rio, vou em Santa Teresa no "Alda Maria".
Boa semana!! Beijus,

ONG ALERTA disse...

Excelente volta ao passado, os doces dão água na boca, beijo Lisette.

Socorro Melo disse...

Olá, Beth!

Sua idéia de nos dar a conhecer, o que de bom está acontecendo no seu Estado, foi maravilhosa. Coisas boas devem ser compartilhadas, pois, podem servir de exemplo e incentivo, e serem aplicadas em outras realidades.
Gostei de conhecer a história do Complexo do Alemão, mas, principalmente, desse novo projeto de empreendedorismo que se ver por lá. Isto é louvável, e esperemos que prospere e se difunda, né?

Um grande abraço
Socorro Melo

Regina Rozenbaum disse...

Ai que esses doces são uma perdição! A-do-ro!!! Não sabia nadica de nada dessa história que nos trouxe...e ter empreendedores assim, creio ser mais que um ato de coragem, uma missão. E eles comercializam a produção no próprio morro? Os cariocas vão até lá pra comprar?
Beijuuss doces Bethita

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi Beth!

Que lindo soeu post!

Adoro historias sobre os lugares.

Beijos

Selma

Beth/Lilás disse...

Regina,

Ali são apenas feitos, mas creio que seja uma espécie de grande fábrica para abastecer somente hotéis e restaurantes do grande Rio.
Eu nunca fui lá e nem imagino como seja este tal Complexo, somente pelas imagens como esta grande que postei aqui embaixo do texto, mas como podem ver, estão mudando de figura alguns lugares por aqui e, espero, que pra melhor.
beijão

===================================


Maria Luiza disse...

Beth, sou fascinada para conhecer a origem das coisas. Eu enlouquecia minha mãe com os meu porquês. Sua história, me encantou! Se se semeiam doces onde antes havia amargor, que bênção essa iniciativa! Parabéns pelo post! Quanto ao seu comentário lá no meu post sobre as minhas velas, eu as comprei branquinhas, antes de me aposentar e a decoração delas eu mesma faço! A decoração que está nelas é do ano passado e acredite se quiser: toalhinha de plástico imitando renda, porém dourada (1,99), um coração feito com papel de partitura no centro e aquele barbantinho vermelho e branco que existe aos montes nos blogues europeus e como por aqui não tem, eu mesma criei o meu barbante! Viu?
Sem segredos e mistérios, só criatividade! Beijão! Te amo!

Beatriz disse...

Ah que saudades do meu Rio......

Um beijo meu Beth!

Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Léia Silva disse...

Querida Beth
Achei esse post muito interessante.
Gostei de saber sobre a "Arte Conventual" e sobre o morro do Alemão, realmente uma linda história!
Também acredito nesse mundo mundo é cíclico.
Quantas delícias! Faz tempo que não como um pastel de Belém:(
Bjos
Léia

She disse...

Menina do Céu! Que post MARAVILHOSO, história pura, não sabia de nada disso, amei conhecer! Olha, não sou chegada a doces e em casamentos não dou a menor bola para o bolo e nem para os doces, mas fui a um casamento português que eu simplesmente enchi a mão e o pratinho com esses doces maravilhosos, são deliiiiiiiiiciosos toda vida, minha nossa. Quando eu for a Portugal tenho que estar em dia com a balança para aproveitar bastante. Parabéns pelo post!
Beijo, beijo!
She

Anne Lieri disse...

Ai que delicia esses pasteis de Belem!...rss...uma excelente iniciativa ensinar as pessoas da comunidade do Alemão a fazer doces portugueses!Adorei a ideia e tb achei super interessante a história do Morro do Alemão,eu não conhecia!bjs e boa semana!

Maria Célia disse...

Oi Bety
Muito interessante suas informações sobre o Complexo do Alemão, não tinha conhecimento destes fatos.
Os doces portugueses nuna provei nenhum, imagino que devam ser delicosos, pelo menos a carinha deles é incrível, de dar água na boca.
Beijo

Heloísa disse...

Beth,
Esses programas de educação e valorização das comunidades pobres são maravilhosos.
Adoro os doces portugueses e, se estivesse por aí, iria tentar provar os do Complexo do Alemão.
Beijo.

Georgia Aegerter disse...

Bethinha que beleza de história. Menina que link é esse maravilhoso?

Mas sabe, quando vejo uma super populacao dessas como é o Brasil, India, China, me preocupo demais com o nosso planeta. Tanto lixo e desperdicio de água...nao sei onde vamos parar.

Eu sou a favor do controle a natalidade. Acho que já está mais do que na hora de se pensar neste assunto.

Bjos e parabéns pelo post

Isabel disse...

Beth, que história boa, e que bom saber que os doces tradicionais portugueses estão de alguma forma a ajudar uma comunidade a ter melhores condições de vida :)
Bjs

Márcia Cobar disse...

Betinha, SUPER interessante o resgate histórico que você nos apresenta!
Gostei mesmo de conhecer o passado dessa área tão peculiar (complexo do polonês seria o correto ;), e mais ainda, de conhecer um ciclo de renovação que lentamente se instala por lá.
Adoro esses doces portugueses...
Ah, essa historinha é boa: quando meu ex estava escutando funk, aquelas letras horríveis e violentes, ele me perguntou:
- Márcia porque as pessoas da favela odeiam tanto os alemães?
Eu escuto a música dizer: mata o alemão, invade o alemão...
Daí expliquei que tratava-se de uma área do Rio de Janeiro, e nada tinha a ver com a nacionalidade dele :)

Bjim
Márcia

ML disse...

Beth: esse post está colocando em risco minha dieta ; > )))))

bjnhssssssssssss