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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quem une a palavra à ação



(Franz Marc Frei/Corbis)


Alguns pensadores, intelectuais, artistas brasileiros, ainda vivos, são verdadeiros baluartes da nossa cultura e não podemos nos abster de conhecê-los mais profundamente, temos muito a aprender com eles e acrescentar na transformação para um país melhor que pensa e não apenas assiste.

Um destes maravilhosos é o poeta, pensador, escritor, professor, cronista do nosso tempo - Afonso Romano de Sant'anna, um dos mais legítimos representantes da literatura brasileira contemporânea. Conheça-o melhor aqui e ouça uma das ótimas crônicas em áudio.

(Imagem UOL)



Amigos, nada mudou
em essência.

Os salários mal dão para os gastos,
as guerras não terminaram
e há vírus novos e terríveis,
embora o avanço da medicina.

Volta e meia um vizinho
tomba morto por questão de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
e como sempre, mulheres portentosas
nos seduzem com suas bocas e pernas,
mas em matéria de amor
não inventamos nenhuma posição nova.

Alguns cosmonautas ficam no espaço
seis meses ou mais, testando a engrenagem
e a solidão.


Em cada olimpíada há recordes previstos
e nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
com a modernidade.

Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
relemos o Quixote, e a primavera
chega pontualmente cada ano.
Alguns hábitos, rios e florestas
se perderam.

Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
ou toma a fresca da tarde,
mas temos máquinas velocíssimas
que nos dispensam de pensar.



Sobre o desaparecimento dos dinossauros
e a formação das galáxias
não avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
países se dividem
e as formigas e abelhas continuam
fiéis ao seu trabalho.

Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,
discutimos futebol na esquina
morremos em estúpidos desastres
e volta e meia
um de nós olha o céu quando estrelado
com o mesmo pasmo das cavernas.

E cada geração , insolente,
continua a achar
que vive no ápice da história.



Afonso Romano de Sant'ana
Nasceu: 27/03/1937
Belo Horizonte, MG









16 comentários:

Chica disse...

Lindas recordações...lembrei das cadeiras nas calçadas...Pena! Hoje, nem nelas caminhando, estamos seguros... Lindo post, mais uma vez,Beth!beijos,lindo dia,chica

Mãe disse...

Lindo!Lucidez desconcertante!
Bjs,

Misturação - Ana Karla disse...

Nossa muito bom!
Vou ler mais no site.
Bom dia Beth.
Xeros

Bia Jubiart disse...

Bom dia Bety!

E como a poesia, as palavras dele continua atuais, parece que ele tinha visão do futuro...Linda!

Amanhã tem surpresa p/ voc na Jubiart...

Beijooooooooooo

Cucchiaio pieno disse...

Super atual, parece que foi escrito ontem! Nos dias de hoje realmente "Nada mudou em essência"!
Bjo grande
Léia

lolipop disse...

Querida Beth...
Mais uma beleza de poesia que descubro aqui.
De facto, nada mudou verdadeiramente, a não ser talvez esta nossa "malaise"...um sentimento de que tudo corre tão velozmente que precisamos de correr também, a ponto de confundirmos a calma com o tédio...e querermos reescrever a Anna Karenina em versão andróide (mashupeando)...

Beijos carinhosos

pensandoemfamilia disse...

Verdades em poesia, vou conhecê-lo um pouco mais.
Bjs

Ana disse...

Que lindooo!
Mandei por email para meus amigos!

Beijão!

pires disse...

Beth, realmente esses artista são verdadeiros suportes da nossa cultura e vida, mesmo que nada mude. Bj! Fique com Deus!

Glorinha L de Lion disse...

Lindo Betita e muito atual. Gosto muito das crônicas dele. Incrível como o mundo roda e tudo continua igual...beijinhos,

Socorro Melo disse...

Oi,Beth! Como vai você?

Uma leitura agradável, e uma grande verdade, em essência, nada mudou. Alguns valores se perderam, costumes vão e vêem, avanços significativos na Ciência, ser humano cada dia mais vazio, enfim.

Excelente!

Grande abraço
Socorro melo

Sônia Cristina disse...

É incrível como os anos passam, as coisas andam e tudo continua exatamente igual..
Será que é a visão do futuro, ou será que nada muda??
bj amiga.
Lindo de viver.

Celia disse...

Valeu. Muito bom. Bj

Teresinha Ferreira disse...

Olá Beth,
Isso que eu chamo de passado presente...
Bjs mil

LILIANE disse...

Menina.
eu adorei....
sem puxar sardinha pra minha brasinha mas "óia da onde o homi é"
de Minas uai,hehehehehe
adoro! rsrs
ai que delicia.
cada linha dá pra fazer um baita comentário.
fantástico como as coisas simples movimentam a vida, não é?
beijinho de carinho procê

ML disse...

Fera o poeta, né?

Sabe tudo...

bjnhs