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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bem vindo à Globalização!



"Quem me fez assim foi minha gente e minha terra
e eu gosto bem de ter nascido com essa tara.
Para mim, de todas as burrices a maior é suspirar pela Europa.
A Europa é uma cidade muito velha onde só fazem caso de dinheiro
e tem umas atrizes de pernas adjetivas que passam a perna na gente.
O francês, o italiano, o judeu falam uma língua de farrapos.
Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
lê o seu jornal, mete a língua no governo,
queixa-se da vida (a vida está tão cara)
e no fim dá certo."

(Carlos Drummond de Andrade-Explicação)
 

Hoje quando reli este trecho da antologia de Drummond, fiquei pensando se combinava com os dias atuais, se de fato eu concordo com estas palavras, apesar de ver crescer a ignorância em todos os quadrantes deste planeta, mortes pelas guerras que absurdamente ainda são feitas, mortes para se chegar a um continente ou país que não tenha guerra explícita e sim a guerra pelo 'delito de solidariedade' que alguns ainda praticam para afastar ou não permitir a entrada de imigrantes, a xenofobia crescente, o desamor pelo próximo. O filme Bem Vindo que a Glorinha indicou e que vi ontem, juntamente com os comentários inteligentes que fizeram em seu post fez-me refletir demais sobre a questão da imigração no mundo atual.  Isto é um fato e, talvez, um assunto sem fim, mas que gostaria de ver a participação dos amigos.

(Fotos minhas feitas em Washington-DC no Festival de Cherry Blossom)

No ano passado estive em dois continentes (América e Europa) e percebi o imenso fluxo de imigrantes que aquelas duas partes do mundo vem recebendo. Confesso que assusta a quem vê e pensa sobre tanta gente entrando num país diferente, à procura de emprego, muitos sem qualificação ou quando um tem, mas traz o resto da família que enche aquele novo país e que às vezes não se adaptam aos novos costumes ou são levados a viverem em guetos onde só falam a própria língua.  Vi isto de perto, quando estive em Brick Lane, área afastada do centro de Londres, comércio de peças vintages e moradia de muçulmanos, povos de origem curda, turcos, indianos. Andar pelas ruas deste bairro na zona leste da cidade enche os olhos de curiosidade a cada vitrine que se pára, dentro das lojas está um pedacinho do mundo que estes povos trouxeram para  aquele novo país. Vi dezenas de comerciantes já estabelecidos, que vendem para pessoas de sua mesma origem quanto para ingleses ou estrangeiros que tenham interesses  nessas trocas culturais e vi também os hábitos dos mesmos, nas comidas, nos restaurantes, padarias, um mundo dentro de outro mundo.

Assistir a este movimento imigratório em vários outros países é surpreendente e leva-nos à reflexão sobre o tema, afinal para nós que estamos vivenciando o contrário nestas últimas décadas, ou seja, a saída de brasileiros para outros países é maior do que o recebimento de novos povos, muito diferente do que aconteceu no final do século XIX e início do século XX, quando com a expansão das plantações de café, faltava mão de obra nas zonas rurais.  Precisávamos dessas pessoas como hoje a Europa, mas existia também o preconceito muito forte contra o recebimento, por exemplo, de japoneses ou chineses. Considerados raças inferiores e que prejudicariam o 'branqueamento' que ocorria no Brasil com o recebimento de imigrantes europeus e havia também o medo do tal "perigo amarelo", isto é, que as grandes populações orientais se espalhassem étnica e culturamente pelas Américas. (fonte Wikipédia

A questão da imigração que ocorre em massa em diversos países, hoje, é assunto polêmico, pois só quem está dentro de um país que recebe tantos à procura de bom emprego e enriquecimento de currículum é que sabe, que vê também a difícil concorrência de seus compatriotas, tirando-lhes novas possibilidades na vida profissional ou até mesmo se incomodam com o entrosamento de uma cultura tão diferente da sua, mas acho importante ressaltar que muitas vezes a estética dessas culturas, como a indiana por exemplo, está ligada à perspectiva histórica deste povo, por isso o que parece ser estranho ou sujo para muitos ocidentais, não o é para eles, são assim porque se desenvolveram num mundo assim e é claro, nem todos os indianos são assim e nem todos os brasileiros são bagunceiros ou mal educados.

Eu, particularmente, acho que o intercâmbio cultural pode ser rico e maravilhoso se cada um souber fazer a sua parte, principalmente no respeito e aceitação do ser humano, seja ele de qual nacionalidade for. E aos que chegam é prioritário que esforcem-se para engajar-se com a cultura local, procurando aprender a língua, respeitando e aceitando as leis do país que os recebe.















18 comentários:

ML disse...

Pois com a onda "recente" de atentados mais crise financeira, acho até muito explicável uma xerta xenofobia.
O Brasil já nem precisa de imigrantes. Com este tamanho todo e todas as infinitas disparidades culturais e éticas, gostaria de exportar tanta gente... em especial a politicanalhada. Exportar para Marte - onde não há O2
bjnhs ; > )

ManDrag disse...

Olá Beth, amiga

Muito interessante e pertinente o teu texto. Muito bom também, no modo como aborda a questão cada vez mais presente no quotidiano dos países do Hemisfério Norte, para onde todo mundo parece estar querendo ir.
Cada vez há mais estrangeiros nos países europeus, que têm sido mais receptivos à imigração que os EUA. Mas essa avalanche de gente tem trazido consigo um crescendo de tensões sociais, como muito bem dizes, não apenas em termos laborais como em termos culturais. Receia-se mesmo que com o decréscimo contínuo da natalidade entre os europeus (de origem) breve chegará o dia em que os imigrantes suplantarão as populações originais, levando a uma inflexão na caracterização desses países.
É um fenómeno dos tempos.

Um abraço português

Ivana disse...

Bethinha, o desejo de morar em outro país deveria ser impulsionado única e exclusivamente pela sede de saber, de vivenciar e experienciar outras experiências, outras culturas. Maravilha, se assim o fosse! Mas infelizmente, a grande maioria o faz por pura necessidade, quando em seu próprio país não encontram mais nem o básico. Então a distribuição de território e oportunidades começa a fica desigual.
No nosso país eu já perdi a fé, infelizmente. Assistir ao horário eleitoral é pura perda de tempo e triste constatação de não somos e nem nunca seremos um país sério. Quem há de querer estabelecer-se em um lugar assim?
Beijos!

Manuela Freitas disse...

Querida Beth,
Traças uma boa perspectiva do problema, o pior ainda é a não integração dos emigrantes no género de sociedade para onde vão viver. O problema da ordem do dia, são os romenos, os ditos «novos ciganos», que simplesmente chegam para não trabalhar, para mendigar, inclusive com bebés ao colo, uma coisa que há anos este tipo de mendicidade estava neutralizado e para roubar, no entanto a circulação livre das pessoas na Europa está formalizada pela UE! É um problema complexo!!!!
Quanto ao filme, tb vi, é o género de filmes que gosto de ver e é de facto muito bom.
Beijinhos,
Manú

Glorinha L de Lion disse...

Oi Betita muito bom teu post, muito pertinente mesmo. Precisamos refletir muito sobre esse assunto, mesmo tudo isso se passando longe de nós aqui no Brasil. Acho importante nossos amigos europeus mostrarem o que pensam sobre o assunto, levantarem seus pontos de vista.
As questões são múltiplas, temos que tentar entender os dois lados e mesmo a xenofobia com tantos atentados e ameaças terroristas acontecendo a toda hora na Europa. Estamos vivendo uma época muito preocupante, em todos os sentidos. Espero que nossos amigos se posicionem como fez seu amigo Man Drag.
Grande beijo.

aminhapele disse...

É um belo tema.
Suponho que daria pano para mangas(lembra-se da lenda do Jardim da Manga?!).
Teremos que o abordar de uma forma séria.Em todos os paises do mundo há indesejáveis e isso não ter a ver com a nacionalidade nem com a cor da pele.
Aqui,nesta pequena cidade,tenho muitos amigos brasileiros,brancos e pretos.Daqueles de que todos nós não gostamos,não é por derem isto ou aquilo.É apenas porque desrespeitam os valores mínimos,socialmente aceitáveis.
Quanto ao resto sempre pensei,e continuo a pensar,que o sociedade multi cultural é uma sociedade riquíssima.
Um abraço.

aminhapele disse...

Esqueci-me de deixar um pequeno pormenor:a maior parte da minha família,vive no Brasil desde 1920...

Wilma disse...

Dei uma lida rápida, mas gostaria de reler com mais tempo, esse assunto muito me interessa. Sou totalmente a favor da imigração, àquela que a pessoa faz porque se identifica com a cultura, porque admira os costumes, o modo de viver daquele País, acho super válido, e fico triste quando vejo algum país colocando dificuldades a imigração. Porém acho preocupante uma pessoa imigrar somente para buscar um ganho financeiro para investir no seu país de origem, desse modo, creio que não é imigração, é um trabalho, um contrato, coisa assim. Então, vejo de duas maneiras, e até concordo que essas pessoas que vão apenas por um trabalho, para aumentar a renda da família, o patrimônio deveriam ter uma organização que tratasse do assunto e áqueles que gostariam de imigrar para mergulhar na cultura, vivenciar, aprender, trocar, deveriam está submetidos a outras normas, organizações, o problema é que as coisas se misturam. Eu pessoalmente acho meio estranho tantos "Brasilians Days" em alguns países, uma multidão que está ali e muitas vezes se sentindo um estranho no ninho, é meio triste, no meu entendimento, pois a sutileza da sua origem estará no coração, na sua essência e não precisa ficar exacerbando. Mas o assunto não é esse.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

eu vejo muito esse problema aqui, é a tecla que mais bato, que mais pego no pé: respeite a cultura local. Como nós, brasileiros, temos dificuldade com isso, Beth.
Morro de vergonha muitas vezes... senhoras dançando as músicas típicas, alguns brasileiros (De olho puxado ou não) tirando o maior sarro, na cara dura, fazendo sinal de vômito e simulando sambinha, fazendo sinal de positivo. não há o menor esforço para compreensão dos costumes locais, ficam todos isolados em guetos. vc sabia que tem gente aqui que mora ha VINTE anos e não fala uma palavra em japonês e nunca entrou em um restaurante q não fosse brasileiro?

meus avós europeus (italiana e espanhol) n sofreram mta discriminação. Mas minha avó qse morreu, por apanhar na rua, pelo fato de ser japonesa. E meu avô teve tudo tomado na era Vargas, por causa da guerra...

o mundo se globalizou na teoria, no convívio é complicado.

Isadora disse...

Beth, que post ótimo. Concordo que é importante que aqueles que chegam a um novo País, atentem para suas leis, seus costumes, ainda que mantenham sua cultura.
Muitos Países Europeus estão vendo a população envelhecer, e em poucos anos, os jovens existentes nào serão suficientes para fazer a roda girar. A imigração nesse caso é fundamenta, até para manter os benefícios previdênciários concedidos por esses países aos seus que chegam "na melhor idade".
Um beijo

Lúcia Soares disse...

Beth, acho que o Brasil ainda é um país que recebe muitos imigrantes. Nada comparado ao da época da colonização e até os anos 30 do século passado.
Mas o litoral, principalmente o nordeste, está se enchendo de turistas europeus, encantados com o clima e comprando terras, construindo resorts e pousadas.
Acho válido ir para onde possamos viver melhor, aprender mais.
Mas o que sabemos dos que vão daqui para os EUA principalmente, é que fazem trabalhos "menores", mandam quase todo o dinheiro para a família e vivem lá em apartamentos minúsculos, divididos com N pessoas.
Todos têm o direito de ir e vir, fazer o que quiser, mas acho muito triste termos que abandonar a nossa terra para ir em busca de sonhos e realizações.
Mas se estamos em um lugar novo, temos que nos adaptar a ele, sermos estudiosos dos costumes, agradecer a quem nos recebe.
Beijo!

manuel marques disse...

"E aos que chegam é prioritário que esforcem-se para engajar-se com a cultura local, procurando aprender a língua, respeitando e aceitando as leis do país que os recebe. "
Este parágrafo diz tudo.Parabéns por este excelente texto.

Beijos meus.

pensandoemfamilia disse...

A globalização trouxe para o mundo uma aproximação dos mercados, mas as pessoas são resistente as diferenças. Muito bem lembrado pelo Alexandre a importãncia do respeito à cultura.
Numa viagem que fiz, há alguns anos, ao Canadá, fiquei pasma. Num local para refeições , várias ofertas de refeições de várias nacionalidades, pessoas de vários paises, inclusive do oriente.
Considero a saída do seu próprio País por falta de condições de sobrevivência muito triste, mas considero salutar no sentido de aquisição de conhecimento.
Tive relato de colega brasileira que residiu no Japão, por um tempo, de como foi acolhido pelas famílias locais, com muito afeto. e como trouxe boas recordações.
Por outro lado, como A Isadora observa o envelhecimento populacional na Europa é um fato preocupante, sendo a imigração uma possibilidade.

lolipop disse...

Beth,
Seu post é muito pertinente e actual.
Aqui na Europa, em alguns países vivem-se tensões e conflitos, que sentidos de longe podem parecer de forma simplista que dizem respeito a uma certa xenofobia. Mas, a Europa vive uma crise económica muito grave, e se a questão dos empregos (já poucos para partilhar), é importante, há outras questões de fundo como o desrespeito por normas e valores dos países anfitriões, a violência vinda de grupos de imigrantes eslavos ou islâmicos, as escolas públicas com 80% dos alunos falando uma lígua diferente, como acontece na Alemanha, enfim muitas outras situações que fazem que essa globalização e intercâmbio tão sonhados, não sejam os idealizados....
BEIJOSSSS
Gostei muito de seu post!

lynce disse...

Finalmente entendi o titulo do teu blogue. Efectivamente era um arcano que eu tentei várias vezes decifrar sem êxito algum...

:)))

Cristiane A. Fetter disse...

Beth, acho excepcional existir a imigração, tanto que por causa dela estamos tendo a oportunidade de viver aqui nos EUA, e meu marido viveu em vários outros países quando era mais jovem.
O que não concordo é a imigração ILEGAL.
Isso traz problemas não só para quem vive assim, como para o país que as recebe, tendo em vista que não há recursos suficientes para atender a uma demanda tão grande, e os cidadãos deste país acabam sofrendo por isso também.
Acredito sim que a torneira deva ser ajustada para que este movimento seja contido.
Mas saber que existem tantas culturas diferentes dentro de um mesmo lugar é fascinantes, por exemplo, na rua que vivo são estes os países que moram também:
Brasil (é claro), Japão, Cuba, Costa Rica, Polônia, India (os que eu conheço, fora as pessoas que não tenho muito contato e fora aqueles que já são filhos de imigrantes).
bjks

Gina disse...

É isso mesmo, Beth! Viver em outro país é aceitar suas diferenças, adaptando-se a elas. É respeitar e procurar descobrir o que existe de bom em cada canto.
Quando minha filha foi fazer a prática do mestrado nas Filipinas, aprendeu algumas palavras em tagalog, língua oficial do país.
Bjs. e bom final de semana!

Wilma disse...

Voltei para reler o post depois de ler um texto do Jornal de Domingo com o mesmo tema:Forte expansão da economia no país não evita emigração de meio milhão de brasileiros; e vi também no meu comentário que saiu tudo com "i". Mas resumindo espero que nenhum país se feche para imigração e emigração, acho tão triste ser recusado por um país como mais triste ainda é não poder
sair do seu próprio, porém há de ter algum controle de prazo, contrato, imposto...
Uma ótima semana por aí!!!