.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Desejos


A vida da gente é permeada por desejos, sejam eles de ordem fisiológica, pessoal, emocional ou social.  Assim, perder peso, escrever um livro, aprender uma outra língua, casar, fazer uma tatuagem, apaixonar-se, viajar pelo mundo e muitos outros, fazem parte dos desejos mais comuns do ser humano.

Mas eu queria falar daqueles desejos que acalentamos,  não em relação a nós mesmos, mas aqueles a quem muito amamos, no caso, nossos filhos.

O desejo que temos em relação aos nossos filhos é que sejam felizes, sadios, amados e bem sucedidos na vida, tanto pessoal quanto profissional um dia.  Porque filhos são como flechas que criamos para serem lançadas na vida as quais esperamos que acertem o alvo.

Agora, desenvolver a capacidade de aceitar as diferenças que eles demonstram no decorrer de suas vidas é que  tem sido, para muitos pais, inclusive eu, coisa difícil de administrar, pois não é de meu feitio ser hipócrita, ou melhor, não sou aquela mãe que vive enchendo a bola de filho e dizendo que ele não tem defeitos, que faz tudo direitinho, que é nota dez, que isso e aquilo, que nunca erra.  Pera lá, erra sim! Principalmente jovens que ainda estão em fase de descoberta do mundo e de si mesmos.  E aí que eu e meu filhote vivemos em desencontros de desejos.

O desejo de que meu filho seja bem sucedido no futuro, infelizmente está atado às questões materiais, quando felicidade na realidade, não se restringe, obviamente a isso.  Mas,  a sociedade também determina, em parte, os nossos desejos e a sua forma de expressão, portanto não há como fugir dessa roda viva.


Deixa eu explicar melhor: o mundo de hoje, capitalista por excelência e vivendo nós neste contexto, não há como evitar a influência ou condução  dos passos de um filho adolescente para o que ele deseja escolher como estudo, por exemplo, para sua vida no futuro.  Muitos adolescentes ficam meio perdidos, precisam de nossa orientação ou até mesmo orientação psicológica e pedagógica.   E é neste momento que temos que estar atentos para que o nosso desejo não embote ou atrofie os desejos de nossos filhos.  Não é raro ver como os pais influenciam as decisões dos filhos e mais na frente poderão se frustrar com o rompimento que os jovens fazem com relação a muitas coisas, inclusive aos estudos, mudando radicalmente da água para o vinho ou vice-versa.

Muitos pais querem que os filhos sejam aquilo que eles não foram na infância ou juventude ou que sejam mais bem realizados do que eles próprios e quando um filho sonha em ser músico ao invés de médico ou qualquer outra profissão considerada 'normal' aí então, o alvoroço na família está deflagrado.

E quando os pais não aceitam as relações amorosas de seus filhos, a moça ou o rapaz não é o que eles desejavam?  Outro alvoroço acontece nas famílias, assim como as separações que acabam deixando não só os filhos em tristeza, como também os pais por não aceitarem esta decisão dos mesmos.

Eu sempre dei espaço e permiti que meu filho fizesse suas escolhas, esperando que isso o ajude para um bom caminho.  Mas, sinceramente, muitas vezes me vi pensando, sonhando, desejando algo para ele que não era o que ele projetava para si mesmo.  

Não podemos esquecer que já fomos jovens e que faz parte deste período a contestação de certos valores para que possamos criar uma identidade própria.  Por isso o erro é importante existir e faz parte do aprendizado.

Atualmente consigo enxergar e aceitar isso com mais clareza e inteligência, tudo isso adquirido com os anos de relação conjunta familiar, exercitando a tolerância, a capacidade de ouvir, a esperança de dias melhores e, principalmente do respeito pelo outro.

O que eu desejo hoje na minha vida em família é um entendimento maior, uma comunicação melhor para que  tudo possa fluir naturalmente, sem imposições, mas com orientações amigas,  sem a prepotência dos mais velhos em querer encontrar os caminhos para os mais novos e que com essa liberdade ele consiga caminhar para uma vida produtiva e feliz.



E para terminar, deixo um texto da jornalista Adília Belotti sobre este tema:







"Os budistas apontam os desejos como sendo a raiz do nosso sofrimento. E, ao que tudo indica, os filósofos parecem concordar. Mas essa coisa de associar felicidade e desejo não parece uma armadilha? Pois é, parece, e é…mas o professor André Comte aponta uma brecha, um filetinho de luz neste emaranhado escuro de desejos realizados ou não, mas sempre frustrantes.
Segundo ele, nosso nó está em tentar viver a esperança. Impossível, dizem os filósofos em uníssono. A gente espera o que não depende de nós, espera o que não sabemos se vai ou não se realizar, espera o imponderável: ganhar na loteria, encontrar o homem dos nossos sonhos, ter saúde…desejar as coisas que só existem no grande saco vermelho do Papai Noel só nos causa sofrimento.
Temos que aprender a desejar aquilo que está ao nosso alcance, na medida da nossa capacidade de agir, no limite da nossa vontade. Esse é o truque. “Quando você desaprender de esperar, eu o ensinarei a querer”, é a fórmula que um outro filósofo, Sêneca, ensina ao amigo Lucílio."















Este post faz parte da Blogagem Coletiva-Sentimentos e Emoções que a amiga Glorinha do Blog Café com Bolo propôs para esta semana.

22 comentários:

orvalho do ceu disse...

Olá,
De fato, desejar somente o bem já é um bom começo de sofrer menos, ainda que a vida nos pregue algumas peças intempestivas...
Desejar o bem... ser mais feliz... eis um desejo impregnado em nosso coração... Fomos criados para a Bondade...
Bjs e serenidade pra vc.

Bordados e Retalhos disse...

Beth seu post ficou encantador e como sempre muito inteligente. Adoro essas abordagens sobre os filhos. Também já sonhei ( e sonho)para eles coisas que não estão nos planos deles. Agoro estou vivendo um dilema, que ainda nem menciuonei com nehuma amiga blogueira. Meu filho passou no concurso da PM aqui do Estado e ventila a possibilidade de deixar a faculdade e o que gosta de fazer (jornalismo) em troca estabilidade. Nem sei o que fazer, estou esperando (olha a espera aí) e sonhando com outros planos pra ele. BJs querida

Chica disse...

Linda postagem e há desejos que oindependem de nós...Nops outros podemos dar um jeitinho,umesforço daqui e de lá pra realizar,não? Um lindo fds,beijos,chica

Astrid Annabelle disse...

E foi assim mesmo, Beth querida!
No dia que eu desaprendi de esperar...
Muito bom e como é verdade tudo o que escreveu. Como mãe de três sei bem o que é isso.
Assisti a muitos passos que ao meu ver não seriam bons para eles...e não foram de fato. Mas foram precisos para o apendizado deles.
Linda mensagem.
Adorei.
Um beijo grande!
Astrid Annabelle

Isadora disse...

Beth estava faltando você! Sim, o desejo por aquele que muito amamos. E sem dúvida temos que ter um cuidado enorme em não influenciá-los com os nossos desejos. Eles terão os próprios, ainda que contrariem os nossos e outros que seguirão exatamente os nossos.
Tarefa difícil essa que temos com nossos filhos, né.
Um beijo grande

Glorinha L de Lion disse...

Betita, só entrou agora? Tá sem conexão? Aqui hj tá uma droga, caindo a toda hora...mas se post está ótimo, apesar de eu já saber pq vc me contou...hehe, mas gostei muito da última frase do S~eneca: quando o amigo desaprendesse a esperar ele o ensinaria a desejar, taí a perfeição que nunca atingiremos. Mas tudo o que vc disse é o que eu tb desejo, compreensão, aceitação na família, entre pais e filhos, pois acho que a partir de nosso núcleo familiar, poderemos aprender a aceitar tb os outros. Bjs amiga, saudades!

Tati Pastorello disse...

OI Beth,
O período das grandes escolhas ainda não chegou. E tenho me policiado desde já, para evitar os conflitos que estão por vir. O Bê tem uma personalidade forte e eu sei que sou bastante controladora. Tenho trabalhado este traço em mim. Ele ajuda, por que já se expressa e diz, "você não me dá nenhum direito". Ele está certo, mas essa realidade vai mudar! hehehe
Amei sua abordagem dos desejos! E sei que está vivendo isso na prática. Um beijo.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Antes de tudo eu adorei o visual que vc deu ao post, com a palavra desejo em destaque.

Toda mãe acaba por sublimar seus desejos. E muitos de seus desejos passam a ser coisas pelos filhos.

Porque no fundo o maior desejo de toda mãe é ver o filho bem, sem sofrer. E pesa a experiência, maior que a do filho... o medo de que o filho erre e se prejudique (sofra).

E como vc disse, sua experiência dá outra visão de mundo. Talvez maior, mais acertada...

acho muito bonito que vc não impõe suas escolhas a seu filho. vc diz pra ele o que vc acha da situação, mas respeita o caminho que ele segue.

Acredito eu que vc é daquelas pessoas que, ao ver o outro, já sente desejo (NO BOM SENTIDO RS).
Desejo de ver o próximo bem, com uma vida melhor, em melhor situação. Te incomoda ver os outros em situação triste, difícil, complicada, não é?

Por isso vc é uma mãe Gaia, unida ao planeta e a todos.

bjs e bom fds

Lúcia Soares disse...

Valeu a pena esperar, Beth. Muito bom o texto.
Também lhe desejo tudo de bom.
Nunca impus minha vontade (nem marido) para que nossos filhos estudassem isso ou aquilo. Tudo foi escolha deles. Boas ou não (acho que foram), eles é que teriam que arcar com as consequências.
O futuro é deles, por mais que nos doa, temos que aceitar.
O mais importante ´que els saibam que podem contar com a gente, se precisarem.
Beijos!

pensandoemfamilia disse...

Olá Beth
É uma complexa questão esta de desejo e filhos. Muitos pais pensam que os filhos são sua extensão e querem se realizar através deles.
Queremos o melhor para os nossos filhos, mas os nossos desejos não são os deles e , portanto, precisamos nos controlar neste sentido.
Bela forma de falar de seus desejos nesta sua etapa de vida.
bjs

Marliborges disse...

É Beth, "o segredo não é fazer o que se gosta, mas gostar do que se faz". Acho que é mais ou menos assim que se pode evitar a desdita de esperar o imponderável...
Quanto aos filhos, a gente sempre quer o melhor para eles, só que o melhor para eles (na concepção deles), nem sempre coincide com aquilo que pensamos. Já passei por isso com os meus. É complicado. Mas nada que não se ajeite. Lembre-se: cada cabeça uma sentença e ninguém foge disso. Cada um com sua vida e seu destino. Bjsssss

Renata disse...

A arte de criar filhos...uma materia que nao se aprende na escola...despejar os desejos nossos na vida deles...eh preciso se policiar pra nao agir assim, pois muitas vezes eh apenas a nossa vontade de protege-los, de querer que nao passem por sofrimentos ate atingir o topo. Mas existem pedras em todos os caminhos, aquelas em que tropecamos fazendo nossa caminhada ardua e cansativa valer a pena no final. E nao nos esquecamos que os filhos sao seres humanos, que precisam viver seus proprios percalcos pra aprender a ser gente, e que sejam gente de valor, de qualidade, onde e como escolherem ser...nao e facil, mas sera possivel,se conseguirmos enxergar o futuro que os espera!

Otima postagem, me fez questionar por onde vai a minha relacao com meus filhos rumo a idade adulta.

Obrigada,
um otimo fim de semana pra voce!

Mari disse...

Taí uma coisa que vou encontrar no futuro, quando for a minha vez de ser mãe.

Minha mãe aceitou -mas com muita dor no coração- a minha vinda pra Turquia.

Eu entendo que vc quer o bem do seu filho, mas acho que ele ta certo, ele tem que seguir o caminho que o coração pede.

Se ganhará dinheiro com a profissão, isso o tempo dirá. Por enquanto ele poderá explorar todas as possibilidades que ele tem pela frente, ele é jovem.

Vc é uma super mãe!

Beijos

manuel marques disse...

"Entre os desejos e as realizações destes. transcorre toda a nossa vida."


beijo.

Nilce disse...

Oi, Beth

Desse mal sofrem os pais. Queremos o que achamos ser o bem deles. Acabamos por temer errar e erramos.
Nossas escolhas batem de frente com o desejo deles no atual, na escolha própria.
Que a felicidade seja o principal objetivo em suas vidas e de seu filho.

Bjs no coração!

Nilce

Manuela Freitas disse...

OLá querida Beth,
Gostei imenso da temática escolhida - os filhos. Compreendo muito bem os problemas que eles são na nossa vida, a inquietação que se vive para os ajudar, quando isso implica contrariá-los. Eu tinha que lhes dizer, que tudo o que eu queria era porque os amava muito e porque desejava o melhor para eles. Passei muito, até que um dia tive que me tornar mais flexível, mais tolerante, como tu bem dizes. Evidentemente que eles não serão o que desejavamos, porque eles têm os seus próprios desejos e acima dos nossos desejos e dos deles, há a realidade do possível, algo que eles por vezes também não querem ver.
Os desejos são vem um dilema, mas são uma constante na vida!
Beijinhos e desejo boa estadia aí na serra.
Manú

Socorro Melo disse...

Beth,

É um prazer estar aqui, e foi muito prazeroso também ler este texto maravilhoso. Creio que todos nós, que somos pais e mães, passamos por situações semelhantes com nossos filhos, tais quais as descritas por você,e é o processo do dia-a-dia que vai nos ensinando como rever nossos procedimentos e considerar os dos nossos filhos, e com muito respeito por parte de todos, conseguimos chegar a um denominador comum.
Também desejo, igualmente, que aconteça com minha família, tudo que você também deseja a sua.

Desejo-lhe harmonia e paz!
Socorro Melo

ELA disse...

Oi, Beth!

Bonita a sua relação com seus filhos. Seu texto ensina muito, principalmente sobre tolerância e compreensão. A sua mensagem traz outras implícitas e apreciei muito.

Um belo exemplo.

Meu abraço carinhoso,
Michelle

ML disse...

Pelo pouco que sei, para a psicanálise, o desejo é uma tormenta porque, como vc disse, não corresponde seguramente à realidade.

Mas como é difícil não apaixonarmo-nos, não desejar...sendo falhos como somos, sendo (apenas)... humanos?

E quando a gente deseja o que está ao alcance... de uma mudança que depende só de nós mesmos? Como acordar o "guereiro interior"?

Eu não sei - mas preciso tanto...

bjnhs e bom final de semana, querida.

Heloísa disse...

Beth,
Sabe que meu grande desejo é também a realização dos meus filhos?
E, agora, também da Isadora.
Beijo.

Liza Souza disse...

Beth,
amei o texto! Estou comecando agora o meu caminho como mae e ainda tenho muito a aprender, mas tenho tentado desde sempre nao conduzir o Miguel para as minhas vontades, mas permitir que ele vivencie as vontades dele. Nem sempre é fácil, a gente tem mania de proteger o outro e essa protecao as vezes atrapalha mais que ajuda. Peco a Deus que me dê muita sabedoria e que me ajude a conduzi-lo no melhor caminho para ele. Com amor a gente chega lá.
Beijos

Lu Souza Brito disse...

Oi Beth...
Seu post está maravilhoso. Tão real tudo isso que citou sobre os pais, o jeito que muitos influenciam os filhos, nao deixando aflorar o que sentem / querem de verdade.
Não tive muito esse problema porque o maior desejo da minha mãe era que eu estudasse (ela é analfabeta), que eu nao dependesse financeiramente de um marido (não dependo).
Os pais mesmo errando eles estão certos, pois so querem mesmo nosso bem, mas nao pode interferir demais né?

Bjooooooos