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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Glamourização da pobreza

(Rocinha-a maior favela da América Latina com mais de 600 mil habitantes e é um
dos destinos mais procurados para o Tour da Realidade entre as 759 favelas
existentes no grande Rio)

A TV mostra sempre muitas matérias sobre as condições de vida das favelas do Rio ou deste Brasil afora;  no You Tube encontramos diversos filmes sobre a miséria humana nas favelas  das grandes cidades do mundo, como México, Venezuela, Índia, etc... então eu me pergunto porquê as pessoas têm esta curiosidade, pra não dizer voyeurismo em pagar para ir até esses lugares e de dentro de um transporte fechado,como num safari, olhar pela janelinha, filmar ou fotografar a pobreza alheia?
  
O Favela Tour, ao meu ver,  seria a estética da miséria como um prazer para pessoas sem ética, sem verdadeiro sentimento de compaixão ou acham que é necessário ver tudo isto in loco, para que possam se conscientizar de que têm  vidas excelentes e tudo aquilo ali é uma coisa surreal, para ser olhada, espiada medrosamente e esquecida em seguida nas compras dos artesanatos ali feitos e no  breve gingado da mulata que mostra o samba no pé? Eu não iria não!  O que acham desse tour?

(Empilhados, como disse o repórter da CBN-RJ)



21 comentários:

Léo C. disse...

"Fora o tráfico, a favela vai muito bem obrigada..."

Fácil é falar sem passar os perrengues do dia-a-dia por lá.

Qto a curiosidade, isso é normal. O problema é quando essa curiosidade vira uma espécie de zoológico humano.

Aí é foda.

Dona Flor disse...

Eu considero esse Favela Tour um horror. Ver a miséria alheia, como se fosse atração de circo.
Minha sogra uma vez disse que queria visitar uma favela e eu perguntei "porque"? Ela disse "para ver a pobreza". E eu só perguntei "vai tentar resolver depois? vai ajudar alguém? qual é o prazer de ver os sofrimento alheio?". A mulher ficou muda. Acho muito triste um mundo onde "ver a pobreza" seja atração.
Ótimo post! Beijos!

RoCosta disse...

Lilás li em um jornal que muitos milionários contratam agências para que possa passar uma semana como moradores de rua em Paris... Af!
Beijão!

Mila Viegas disse...

Suscintamente... você falou e disse!!
beijocas!

Lúcia Soares disse...

Acho um absurdo, Beth.
Quase imoral.
Bj

Glorinha disse...

A imagem de safári é a que mais define esse tour...safári humano que não mata, mas não faz nada pra evitar o sofrimento dos "animais humanos". Louca vida, mundo cão!
Muito bom esse post web mana!
Mas, por outro lado, graças a gente feito o judoca Flavio Canto com um trabalho maravilhoso de resgate de crianças para o esporte, a favela ganha visibilidade internacional e isso reverte em ajuda para os moradores e principalmente os jovens.
Muita gente vai à Rocinha, conhecer o centro de treinamento do Flavio que é reconhecido e ajudado por ongs internacionais.
Beijos.

Lu Souza Brito disse...

Minha opinião Beth?

Estas pessoas querem de alguma maneira, ao ver a pobreza, reafirmar que nao querem nunca isso para elas. Ou fazer algum tipo de teste com elas mesmas nao sei. É uma coisa meio surreal, eu confesso que nao entendo. Não tem uma justificativa lógica.
Ter este "contato" com a miséria, ainda que dentro de um jeep, protegido muitas vezes por vidros blindados deve fazer com que ache que entenda a miseria alheia. Mas nao passa disso, uma vez que querem apenas ver mesmo, dificilmente farão algo para ajudar.
Coisa de gente louca, eu acho!

Uma Mae das Arabias!!! disse...

Nao consegui ouvir a radio...buaaaaa

Beijos e fiquem com Deus

Barbrinha e Bebejinho

anny-linhaozzy disse...

Beth:
Pois é, não sei que prazer é este em ficar olhando a pobeza humana...
Talvez seja a mesma que leva as pessoas a verem BBB.
Quem sabe?

Um bom Carnaval!
Beijos.
Anny

aminhapele disse...

Porca de vida!
Iremos ter o Haiti Safari?
Afeganistão Safari?
Somália Safari?
rrss...

Ivana disse...

Bathinha, se ao menos o dinheiro destes tours absurdos fosse investido na favela, seria menos absurdo... Do contrario, isso me parece coisa de gente fora da casinha.
Beijos!

Ps- Beth, muito obrigada pelo seu simentario no post sobre a queda do helicoptero...

Daniela Pedrinha disse...

Não entendo o motivo que leva as pessoas a visitarem esses lugares. Qdo Espen veio aqui pela primeira vez eu já avisei, não me peça para te levar numa favela, não levo, não levo e não levo.

Como carioca não iria simplesmente pq tenho medo, sabe-se lá qdo vão resolver fazer uma invasão e vc lá no meio da confusão? Tenho amigos que moram na Rocinha e batem no peito para dizer: aqui não acontece isso.Sei...

Já me basta ver tantas notícias ruins na TV, ser vitima da violência e viver com medo de assalto e bala perdida, me diga para quê vou me enfiar numa favela com tantos outros lugares para visitar?

Dani dutch disse...

OI WEb-mãe, eu fiquei super triste quando vi uma reportagem sobre esse tur, e qunado falam do Brasil, é a primeira coisa que as pessoas lembram.
Bjuss e bom fim de semana e carnaval

Eduardo disse...

Beth a existencia de favelas eh uma vergonha para o pais e um sinal da incompetencia do governo. No caso do Brasil, um pais que arrecada um porcentual de impostos dos mais altos do mundo tem condicoes de sobra para construir habitacoes populares e eliminar as favelas (e impedir o surgimento de novas) - porem os politicos roubam toda essa verba.
Quanto a fascinacao pela desgraca alheia eh uma caracteristica de muitas pessoas, haja visto as aglomeracoes em desastres, o interesse por noticias de acidentes e por ai afora. Nao vejo possibilidade de mudar; apenas num futuro muito distante. Favela nao eh um lugar para visitacao publica, um zoologico de seres humanos mergulhados na pobreza para entretenimento de pessoas pobres de espirito.
Eduardo

Somnia Carvalho disse...

Lilasinha, meu amor, quanto tempo de novo!

entao, se eu falasse assim sem conhecer ninguem que ja fez o favela tour eu talvez dissesse o mesmo que vc e as outras leitoras disseram... mas eu tenho um amigo frances, sociologio, super consciente, tem uma vida super regrada e pensa demais nas causas sociais e como ele pode usar seu conhecimento na universidade, onde mora para mudar essa miseria de paises como o Brasil.

O Olivier fez questao de fazer o favela tour... ele queria muito, mas nao como muita gente quer conhecer a amazonia ou o pantanal. Ele queria tentar ver, sentir as pessoas, ver sua realidade..

ele sabia que nao pode fazer muito, mas a ideia dele e que com o tour ele teria uma ideia da favela que ele nao tem pela tv na franca ou na suica, onde ele nasceu.

Eu realmente creio que como professor da universidade de lousane ele venha a falar disso, ele venha a trazer em seminarios, ele venha a tentar, ao menos tentar, fazer alguma diferenca.

entao, se ele poderia fazer isso sem ir la... talvez mas eu nao diria que ele vai la para se sentir bem nem para ver os pobres como bichos... nao ele, talvez nao muitas outras pessoas que sao o tipo que eu ate hoje sei que querem fazer o tour.

ML disse...

Sabe Beth, me senti meio ignorante e meio insensível, mas não consegui assistir ao filme "quem quer ser um milionário".
pelo pouco que vi, não havia glamurização da miséria no filme, mas mesmo assim não me "pegou".
Acho que turista que faz tou na favela é do tipo que faz safari na Africa.
Tudo muito exótico pra eles. Na verdade, um grande arranjo entre o tráfico e a lei: "na hora "h", no dia "d", nada de tiros, ok?"

bjnhs

Léo C. disse...

Bem, como o tópico rendeu aqui (e até em casa com a Wife), eu decidi voltar e dar uma opinião mais abrangente pq o assunto merece.

Se estamos falando de visita a jipe e sem ter contato com o pessoal (como num zoo), aí sim acho ruim. Mas se o pessoal vai e interage com o povo, pq não? Até onde sei num tem favela tour com veículo blindado. Os carros são abertos. O pessoal desce, anda pelo lugar...

Como a Somnia disse, suponho q a maioria das pessoas (de fora) queira ver de perto (e tentar entender) como as pessoas conseguem viver nessas condicoes. Isso pode ser preocupacao, cidadania, não necessariamente voyerismo.

Pensa, pelo menos eles vão lá. O pior é como a maioria de nós, do Rio, quer manter distância e manter o imaginário cheio de idéias tortas e negativas como se essa fosse a verdade e pronto.

A primeira vez que subi um morro foi há alguns anos, no Cavalão em Niterói. Fiquei impressionado como o local era mto parecido com Magé, onde morava. Fomos conhecer o projeto do Gpae (q Sérgio Cabral copiou e colocou como UPP). Tinha que ver a receptividade do pessoal, o q faz pensar no outro lado.

Acho que muitos moradores gostam dessa visitação. Uma forma de ganhar dinheiro, de se ver incluído em um roteiro que geralmente os coloca como "o q se tem q evitar".

Nesse sentido, mesmo q os visitantes nao facam nada efetivamente, eles já estao de certa forma agindo e se conscientizando além de possibilitar um pouco de dignidade pro pessoal da favela.

Se descobre mto ao sair da zona individual de conforto. Inclusive, pelo que sei da Rocinha - onde a maioria dos tours rola - nem tudo lá é esgoto a céu aberto (como a foto aí). Tem mta coisa bem feita e organizada tb. Entao, pq ficar sempre olhando só pras coisas ruins?

Afinal, das boas a gente nunca vai saber se for ficar só vendo a exploracao midiatica - de empresas e individuos - da violencia e da pobreza.

É preciso subir a ladeira, ou andar as vielas e acima de tudo, conversar com o pessoal de lá. O q num dá é a gente ficar falando sem saber (e demonstrando o desinteresse em ver as coisas com outros olhos).

Uma matéria sobre o favela tour pra quem quer ler mais (apesar do repórter querer forçar tb pro argumento do voyerismo, dá pra ter outras perspectivas tb).

http://viagem.uol.com.br/ultnot/2009/11/10/ult4466u755.jhtm

Abracos!

Beth/Lilás disse...

Oi, pessoal!
Agradeço a todos que participaram deste tópico sócio cabeça, rendeu boas reflexões e é justamente por isso que pergunto a vocês o que acham do que eu falo, do que eu penso.
Desde já, quero deixar registrado que não pretendo impor idéias tampouco sou pessoa de 'opinião formada sobre tudo'. Não. Pelo contrário, gosto de ouvir de outros opiniões que sejam diferentes da minha para que eu possa construir uma idéia melhor sobre o assunto.
Também concordo com o que disse Soninha, Léo e Glorinha, pois a ida a estes locais, quando não é só por pura curiosidade, mas quando serve para levar ajuda, dizer ao mundo o que acontece nas nossas mais profundas e absurdas condições de vida desumanas, quando ajuda na mudança da imagem para aquelas pessoas e levanta sua auto-estima, acho sensacional, super válido e necessário até.
Mas, o que eu percebo é que no fundo, só serve mesmo para que pessoas estrangeiras saciem sua curiosidade, como disse na reportagem que Léo indicou, na vontade de ver o lado mais popular do Rio, sair das belezas e riquezas da zona sul e Barra, mas não pensem que são passeios fáceis, acabam sendo tensos, pois precisam da anuência dos traficantes locais que poderão ser vistos por lá também, assim como numa espécie de filme, cheio de emoção e aventura e isso, sinceramente, turistas estrangeiros, gostam desde sempre.
Deve estar no sangue, tal qual os ingleses, franceses que atravessavam, no passado, sem medo do contato com os primeiros habitantes dos continentes americanos.
Eu vejo isso como uma coisa meio bizarra, comparo até aquelas visitas que pessoas fazem nos lixões do México, da Índia ou até nos locais onde morreram milhões, como campos de concentração da época do nazismo. Eu, não preciso ir a estes lugares para saber e sentir compaixão por todos aqueles que ali sofreram ou perderam suas vidas, ver a miséria, a desordem urbana, o banditismo escancarado, nada disso me impulsiona, somente a vontade de poder fazer algo, ajudar como tenho feito no decorrer de minha existência e gostaria de fazer mais, só que para fazer o bem, infelizmente, é mais difícil que fazer o mal, pois encontramos muitas barreiras, como a que encontrei este ano em Niterói para dar aulas gratuitas numa escola pública, mandando que eu fosse a vários lugares antes, tudo para dificultar quem quer ajudar espontaneamente.
Valeu, pessoal, obrigada pelos comentários.
bjs cariocas

Fernanda disse...

Beth, eu simplesmente nao sabia disso ate dezembro quando minha mae comentou comigo. Nao sei porque nunca pensei nisso, nunca pensei que alguem faria um tour na favela, nunca nem cogitei essa possibilidade. Pra que? Os motivos acho que voce explicou muito bem. E assim caminha a humanidade!

Léo C. disse...

O assunto é bom, Beth. Aí rende a beça. :) Voltando...

Mas pq as visitas tem que se restringir aos lugares bonitos e turísticos? As favelas não são parte do Rio tb?

Isso me faz pensar em outra coisa.

Pq é tão difícil pra tanta gente se imaginar num lugar pobre? Sei que o medo do crime é um motivo compreensível. Mas pq a idéia de ir a um lugar pobre é tão ruim? Ou melhor, porque é ruim querer ver a pobreza?

É mais superficial querer ir ver de perto (mesmo que só por curiosidade) a miséria ou evitá-la porque "a realidade é cruel"? É pior ter compaixão (sentir pena?) a distância ou tentar encontrar motivos pra parar de sentir pena?

Tem um amigo meu aqui da Finlândia que questiona isso em relacao à África. Até que ponto estes servicos de solidariedade a distancia servem pra deixar uma pessoa com a consciência limpa sem ter que dar as caras por lá e ver além do que vê na BBC.

Ficar conversando sobre os motivos que levam os turistas (e como eles se sentem ao ir) é um papo meio vazio pq a gente nunca vai saber.

O interessante é entender pq apesar de ver turistas indo lá e saindo vivos (apesar da tensão), muitos de nós continuam com a idéia de "jamais colocaria os pés lá". Se pode ser seguro (mesmo que tenso), pq não? É mais ou menos o q o pessoal diz da baixada. mta gente duvida qdo eu digo que Magé é tranquila...

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Sobre os outros assuntos levantados pela Beth. No caso dos campos de concentração, parece-me mais interesse histórico. O mesmo q ir à museus, casa de anne frank, etc. E sobre ajudar, é verdade. As coisas podem ser mto burocráticas e complicadas principalmente qdo se trata de propor parcerias à instituicoes.

Beijos :)

Georgia disse...

Beth, a maior favela do mundo está cada vez maior. Dei aulas ai para as criancas na Associacao de bairros, gratuitamente durante muitos anos.

Bjao