.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

domingo, 7 de setembro de 2008

Que dia é hoje?

Amanheceu um domingo de sol, mesmo a meteorologia tendo afirmado que teríamos um final de semana chuvoso. Ótimo!

E ainda por cima é 7 de Setembro. Tá, ninguém se lembra mais que dia é hoje não é mesmo!
Eu também quase não me lembrava, até que um barulho ensurdecedor, me fez virar na cama e perguntar ao marido o que estava acontecendo. Ele me tranquilizou, dizendo que era apenas um caça da Força Aérea Brasileira que passou sobre o prédio e foi dar seus rasantes lá pelas alturas da praia, comemorando o Dia da Independência do Brasil. Máquina poderosa aquilo!

E ali mesmo ficamos relembrando como eram as comemorações desse dia quando éramos crianças.

A gente já levantava feliz, botava o uniforme da Escola Pública que nos idos de 60 ainda eram as melhores escolas do país e saíamos orgulhosos com nossos pais para desfilar.
Sim, nós desfilávamos e usávamos o uniforme impecável com uma luvinha na mão e a outra na cintura. Bandeirinhas eram em montes pelas ruas ensolaradas e a gente sabia cantar o Hino Nacional inteirinho, assim como o Hino da Independência e outros tantos.

Naqueles tempos os alunos faziam fila no pátio todos os dias antes de começar as aulas e cantavam algum dos hinos nacionais, tais como o da Bandeira, da Marinha, etc. Só depois disso é que seguíamos em fila, sem correrias até as salas de aula.

Era tudo muito bonito, pelo menos para nós criancinhas de coração puro e que nem de longe imaginávamos o que rolava por trás dos panos. Enquanto isso o couro comia nos quartéis e nas prisões que faziam daqueles que hoje estão conduzindo os destinos da nação, serem chamados de comunistas e anti-brasileiros. Era a repressão, o AI-5, o totalitarismo, a tortura e a ditadura que os militares impunham sobre a nação, mas que num 7 de setembro ensolarado e com criancinhas alegres e empunhando a bandeirinha brasileira, fazia parecer o melhor dos mundos aqui na terra.

E eu lá, bem pateta, feliz da vida desfilando e sabendo que dali iríamos para o almoço de domingo ou feriado como aquele, o qual meu pai sempre fazia aquela macarronada com o molho que ele aprendeu com sua mãe e era mesmo sensacional.

Sensacional também era esta efeméride que acabava por se tornar familiar, envolvendo a todos, trazendo para as ruas alegria e nas casas o dia inteiro reprisava o desfile militar.

Hoje, se não fosse o vôo solitário do caça, talvez só me lembraria muito mais tarde, quando visse algo na TV ou no jornal. Porque o mais importante parece ser o jogo de futebol do Brasil contra o Chile que pode decidir a vaga na próxima Copa do mundo.


Falta civismo, não ufanismo, falta consideração pela pátria, não saudosismo, mas como? Se hoje, embora estejamos independentes há 176 anos como nação de uma só língua e milhões de almas, temos ainda por conquistar a independência de nossas consciências e atos, já que a grande massa ainda não tem conhecimentos através da luz da educação e cultura.
Quando tivermos tudo isso, aí sim, o Brasil poderá amanhecer um 7 de setembro e comemorar de verdade, sem vergonha de ser feliz.


10 comentários:

Somnia Carvalho disse...

Lilás,

por isso adoro aquela frase "A ignorância é uma benção..."... quer dizer, em alguns casos, estar alheio ao que acontece pode deixar a gente "feliz", curtir algumas coisas sem muita preocupação...
tambem fiz isso quando pequena e amava desfilar na escola.. pena que eu nunca era a menina que punha roupa bonita...

7 de setembro, data tão festiva foi a independencia dessa terra tão querida! ueba!

As aventuras de uma brasileira no Egito disse...

Quando eu era crianca la em Barbacena.....kkkkk.....ops Marilia.....

Eu fazia esses desfiles tbem.....soh que nao era tao chique como o seu, o meu era de calaca jeans e camiseta branca......iamos de roupa novinha desfilar na avenida principal da cidade, em meio a fanfarra, bombeiros, cavalaria.....aiaiaiiai

E uma musiquinha que aprendi qdo crianca, e sempre que me perguntam o que se comemora no dia 7 de setembro, ela esta la na minha radio cabeca....

"7 de setembro, data tao festiva, foi a Independencia dessa Terra tao querida, Viva, Viva, Viva a Independencia do Brasil, do Brasil"

Ai vinham os hinos, a bandeira asteada.....era tao bom, mas tbem nao sabia o que teinha por tras disso tudo.....

Beijos e obrigada pela viagem no passado.....

Fiquem com Deus

Barbrinha

Kenia Mello disse...

A escola na qual estudei quase a minha vida inteira não desfilava no 7 de Setembro. O diretor não via motivos para comemorar o que não existia. :P

Beijos.

Lilás disse...

Somnia,
É mais ou menos por aí mesmo. Quanto mais ignorantes mais felizes, muitas vezes. E para os governos corruptos, uma excelente situação para que não enxerguem seus delitos.
bjks

Barbrinha,
Você é uma figura, menina!
bjks

Kenia,
O cara era consciente, mas meio radical também, não acha?!
bjks

aminhapele disse...

Gostei do seu texto.
Não leve a mal ocupar este seu espaço e contar-lhe uma "istorinha" de miudo.
Na minha provecta idade,por vezes,abusamos...
Em Portugal,no 1º de Dezembro,é feriado e,oficialmente,comemora-se a "restauração da indepedência"(quando os "Braganças" reocuparam o trono e mandaram embora os Felipes de Castela).
Quando era miudo,havia um desfile da Mocidade Portuguesa,com a miudagem fardada a rigor:calças castanhas,camisa verde,um bivaque na cabeça e desfilar de braço estendido(saudação hitleriana)...
Nunca fui a um desfile,porque o senhor meu Pai se recusou a sempre a comprar-me tal farda!
E eu,pequenito,chorava a ver os miudos meus amigos e colegas a desfilar!
Hoje digo-lhe:abençoado Pai que tive a honra de ter!
Enfim,histórias da independência...
Um abraço.

Uma Brasileira nas Arábias disse...

Eu também desfilava, pois estudei em escola de freiras e sabe como elas são... Adoram desfiles cívicos! Haha!
De qualquer forma, preciso confessar que eu só lembrei que era dia da independência à noite, quando saboreava uma pizza e assistia o Fantástico, após ter ralado o dia todo ajudando nos preparativos do aniversário da minha tia.
Este negócio de morar fora nos deixa com a cabeça meio tonta. Quando estou em Bahrain, penduro até bandeira na varanda no dia da independência. Aqui, me esqueci completamente. Só Freud mesmo pra explicar... :P Bjs.

Eternessências disse...

Também já desfilei bastante com as tais luvinhas, boina,etc. e tal... Mas concordo com você: a nossa real independência é outra história!...
Beijo,
Rose.

Renata disse...

Eu me lembrei... Mas jah estava quase no final do dia... Tambem vale, neh??
Na minha escola, a gente fazia fila no patio, cada um com a maozinha no ombro do coleguinha da frente, pra depois comecarmos a cantar o hino...
Agora, ver o desfile, eu nao me lembro de ter ido nao... Uma pena...

Lilás disse...

Rui, querido amigo!
Você pode falar o quanto quiser por aqui, adoramos o seu sotaque, mesmo que no virtual!
Teu pai era um sábio mesmo!
grande abraço

Patricia,
Reparei que muita gente na blogosfera não postou nada sobre o assunto, por isso fiz questão de convidá-los a vir por aqui.
Talvez umas poucas pessoas que moram no exterior tiveram esta lembrança, mas reconheço que morar tão distante como você e outros, dá mesmo para esquecer tais fatos.
bjks

Rose,
Por mais que saibamos hoje que tudo aquilo servia para um intento do governo na época, gostamos de lembrar com nostalgia do nosso passado, né mesmo!
beijão

Renata,
Ah, sim, você até postou aquela foto linda da margherita com a laranja e limão, bem brasileirinha.
beijocas

Lucia Cintra Stevenson disse...

Nao so eu me lembro desses desfiles comemorando a independencia do pais, mas tb participava neles, tb seguando bandeiras, toda arrumadinha com luvas brancas.

E' uma pena as escolas nao fazerem mais isso, era mt legal e meu pai ate filmava.

Confesso q tb nem me lembrei, se bem q nessas ultimas semanas nao estou com a cabeca no lugar. Bjos