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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Retrocesso histórico e imoral aqui, assim como no mundo.


Desde 2013 muitos imigrantes haitianos chegam ao Brasil pelo Acre e agora já entrando em outros estados brasileiros.  No momento, o MP está levantando uma investigação sobre empresas que vão ao Acre para contratar a mão de obra haitiana e usam alguns requisitos para contratar estas pessoas sofridas de uma forma aviltante e que relembra o fatídico escravagismo em nossa terra, pois como se não bastasse toda a dificuldade por que passaram os mesmos para chegarem até aqui, enfrentam humilhação desumana nestas escolhas, tais como:
- idade inferior a 38 anos, espessura da canela e até a genitália - no momento da contratação.

Oras, se um empregador faz restrições a estes quesitos acima citados, dá a estas pessoas uma condição sub-humana, tratados como animais, um cavalo, por exemplo! 

Vivemos num mundo globalizado e temos que ter a consciência de que este problema dos outros também é um problema nosso.  Uma evidente exploração do ser humano. É a exploração do homem pelo homem!

Mas, não existe uma posição do governo federal! 
As condições que oferecem a estes que lá chegam, são como senzalas do século XIX, onde ficam encostados, amontoados, esperando conseguir trabalho de empregadores semelhantes a de um leilão de escravos. Se há empresas indo lá procurar mão de obra é porque tem trabalho.
Falta, urgentemente, uma posição do governo sobre estas empresas, fiscalizar as condições de vida desses imigrantes antes e depois de conseguirem um emprego aqui no Brasil.
Portanto, colocá-los num ônibus e enviá-los para São Paulo ou o sul, não é a solução. Este 'olhar humanitário' terá que partir, antes de mais nada, do nosso governo e autoridades. São seres humanos, não podemos esquecer disso! Mas, não precisamos fazer mais do que o necessário e o que podemos, ou seja, deixar entrar à vontade sem dar a guarida necessária não é nada bonito!

São tratados como escravos dos dias modernos, não terão futuro e poderão cair na mesma desgraça de antes ou se unirem ao exército de desvalidos que já existe em nosso país.

Como eles estavam numa condição de vida, aparentemente, piores do que estão aqui, aceitam qualquer negócio. Qualquer explorador vendo estra grande e fácil oportunidade de explorar vai explorar mais e mais.
E eles continuarão entrando, assim mesmo!

De nossa parte, devemos exercitar a compaixão por estas vidas que enfrentaram o frio das embarcações nos mares, a fome, a morte aos poucos na noite escura ou pelas manhãs, sem nada em suas mãos secas e olhos desesperados em busca da vida, do simples destino a que lhes foi conferido.




Quando a morte está ao seu lado todos os dias, a vida se torna apenas uma ilusão. Ele se acostumou a isso, a morrer um pouco cada manhã sem saber se verá a noite, e aceitar simplesmente o destino feito de areia quente e nada mais. O que se há de fazer com dois grandes olhos negros, uma alma cabisbaixa e mãos secas? Aguardar na fila apenas, como centenas de outros olhos, almas e mãos. Aos poucos, o barco ia se ocupando de gente assim, gente quase morta.
 Ele lá, sentado, encolhido nos seus nove anos de idade, acenando o último adeus para a sua mãe enquanto tossia a dor de frio e de medo. Calou-se quando alguém avisou que a viagem começaria. Se eu dormir, o medo passa? Quando aperto a minha barriga, a dor passa… Conversar sozinho sempre foi sua brincadeira mais divertida. De vez em quando, o mar respingava no seu rosto, e ele achava bom sentir aquele gosto de lágrima. Fazia-o se sentir em casa.
Abriu um saquinho que estava no seu bolso e comeu três amendoins. O rapaz ao lado olhou curioso para o crac crac que o menino fazia com os dentes. Quer um? As mãos secas agora serviam amendoins. Por que ninguém dormia se a viagem era tão longa? Ele não, ele fazia questão de sonhar que era para ver sua mãe tocar-lhe os cabelos, e imaginá-la no porto, do outro lado do Mediterrâneo, sorrindo ao vê-lo voltar.
A chuva começou lenta, uma garoa para encher os copos com água doce. Ao menos não morreria de sede. Na verdade, ninguém morre de sede menino, morre de falta de esperança. Eu acho que no deserto não há esperança… Mas ela sempre me dizia o contrário, minha mãe. Naquela noite, isso não importava: ele tinha água no copo e não estava mais no deserto. E seus olhos negros agora estavam mais negros ainda porque refletiam o último céu que veriam.
O barco ia e vinha, para lá e para cá, as pessoas caíam e ele também. Vamos afundar? Me diga, moço, falta muito para o barco chegar no porto? Falta? Suas mãos procuravam outras mãos. Mãe! O saquinho de amendoim, cadê? Alguém viu? É pequeno demais o barco para tantas almas cabisbaixas. O mar não, o mar é imenso e consegue abraçar todas elas, de uma só vez.




Imagens-Google images


17 comentários:

✿ chica disse...

Beth, acabamos de ler aqui9, Neno e eu e ficamos emocionado com esse texto. Neno faz questão de ler e acompanhar esses temas, apesar de seus poucos anos! Acho até bom para que possa ver as diferenças!

Tão triste! Aqui em P.Alegre estão chegando e já de logo, mostraram onde ficariam. Faltavam colchões, havia goteiras e isso que ainda nem tinha chovido como desde ontem temos visto chover aqui. Assim, imagino a condição em que se encontram. Uma tristeza. Tomara não se juntem a quem possa ensinar coisas muito boas que por aqui sabem bem fazer... Tomara não os contaminem com as drogas e ensinamentos para coisas ruins e más!

Tomara possam ter vidas dignas, condições de recomeçar .Tem direito a viver...Mas viver, não fazer de conta... Não a ser escravos!

E o governo? Acha que faz sua parte. Mas todos sabemos, como em tudo mais e tantas coisas, NADA FAZ!!! Aliás, sabemos bem o que sabem fazer:taxar, sobrecarregar de impostos e encher os bolsos como vemos...

Um beijo, desculpa o jornal! chica

pensandoemfamilia disse...

Muito triste esta realidade. Cada vez que vejo em reportagens estas pessoas sofridas e como chegam e se instalam no Brasil, fico mais triste, pois o Governo não dá conta das questões do povo brasileiro, quando vão se incomodar com os demais? bjs

Ana Paula disse...

Parece irreal, mas é uma outra roupagem para a escravidão que achávamos nào mais existir.
Teu post é primoroso. O texto que nos trouxe é incômodo, triste e lindo.
Difícil até refletir... necessário porém.
Beijo!

Tina Bau Couto disse...

Tão triste
Tão absurdo
Tanto a fazer e tanto tempo se perde com mesquinharias, com jogos de cena, elefantes brancos
Que Nossa Senhora da Guia, Bom jesus do Navegantes, Iemanjá, Netuno, homens de bem, de atitude deem um provir digno a essas pessoas e tantas outras que passam por situações sub-humanas no mundo

Beatriz disse...

Onde mora a esperança??? Certamente, para essas pessoas, qualquer lugar no mundo que lhes ofereça abrigo. Mas a que condições? É um absurdo o que o ser humano é capaz de fazer a outro ser humano... Sempre me pergunto: onde foi que nós erramos? Em que ponto da história? São as pessoas do Haiti, do Sudão, de Mianmar, da Síria, do Afeganistão... A ONU parece o Papa das nações, sempre com palavras doces e falando de soluções para o mundo. Mas efetivamente não faz nada! É, difícil é saber onde mora a esperança para tanta gente, tantas famílias e crianças inocentes perdidas e sem rumo neste mundo! É triste, mas é a verdade nua e crua... Espero que um dia que as grandes potências mundiais e os governos em particular mudem de fato esta dura realidade.

Grande beijinho Beth querida!

Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

O meu pensamento viaja disse...

Aí como aqui, esta a cruel realidade!
Descohnecia que no Brasil se vivia o drama que tem assolado a Europa!
Beijo

Teresinha Ferreira disse...

Olá Beth,
Só digo que é deprimente ver seres humanos nessa situação. Escravidão total.
Só mesmo o mar para abraça-las?
:(

maria célia disse...

Ei Beth
Deprimente, triste, um verdadeiro absurdo o que você acabou de descrever.
O que o nosso falido governo poderá fazer por este povo, já temos tantos miseráveis por aqui.
Lamentável.
Beijo

Thelma Salles disse...

Olá, vim conhecer seu blog.
Eu cheguei aqui através do blog de uma amiga.
Gostei muito de tudo, parabéns!
Te convido a conhecer e seguir o meu blog de artesanatos se gostar e participar de um sorteio de um kit costurinhas:
http://thelmasallesartesanatos.blogspot.com.br/2015/03/sorteio-kit-costurinhas.html

Faltam só 4 seguidores para fazer o sorteio e tem a visita premiada também.

Cristina Pavani disse...

Triste, Alfazema...
Num país com baixa densidade demográfica como o Brasil, poderia haver formas de abrigá-los condignamente.
A ONU deveria olhar por esses países paupérrimos, onde mulheres parem sem o querer, sem o poder. Uma política de planejamento familiar eficiente deviria ser prioridade da ONU para evitar futuros desastres como esses.

Quanto à Europa, o que mais me chocou foi o fato dos marinheiros terem que deixar morrer os náufragos sob pena de serem presos a aportar, se levarem "clandestinos"!

Regina Rozenbaum disse...

É de uma tristeza ler tudo isso...é tão desumano...é tão arcaico e ao mesmo tempo atual...doido demais! Que mundo é esse de tanta desigualdade??? E no lugar de diminuir só se faz crescer... Ai ai Bethita...ai ai
Beijuuss

Bia Jubiart disse...

Oi Beth!
Lendo o texto, lembrei de um olhar de uma criança dentro do barco, perdido no vazio que vi na GloboNews, me deixou arrasada!
Sinto que a dor humana está se banalizando, são notícias de segundos que passam... O nosso governo fecha os olhos para esse mercado literalmente negro, vi um pouco de perto essa realdade quando viajei para Macapá, e na Europa, os governos ficam jogando a responsabilidade de um para o outro, brincam com a vida humana. E nada se resolve...
Onde fica a nossa compaixão?...
Queria um mundo mais lilás...
Querida Beth, um grande abraço tocantinse!
Bjooooooo

Calu B. disse...

A imensa tristeza que nos abate vai dando forma simultânea à revolta gritante ante tais situações que tem proliferado mundo afora; aqui em cima do nosso chão torna-se ainda mais aviltante, Betinha, como vc muito bem discorreu.
As condições de escravidão e descaso a que estão submetidos deflagra ausência total de ações positivas do poder público ao delegar suas responsabilidades a agentes escusos.Vergonha!
Ignóbil mundo novo!

Bjs amiga,
Calu

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Beth
Tenho acompanhado todos os noticiário e percebendo que a crise mundial é um terror para tentar disseminar nossa esperança de um mundo melhor...
Se a gente corre, o bicho pega...
Se a gente fica...
Que situação lamentável o mundo todo se encontra!!!
Nem sei o que dizer à altura quanto à volta da escravidão em todos os níveis e segmentos da nossa sociedade...
Bjm fraternal

ONG ALERTA disse...

Aonde o mundo vai parar....precisamos de governos eficientes cada país é uma empresa que precisa gerar respeitados ao seu povo não só cobrar e tirar tudo que se ganha....
Beijo Lisette

Crista disse...

Olá...
Muito triste e revoltante.
Não gosto nem de ver e ler,pois sei que nada do que eu fizer adiantará e não se consegue união para fazer a diferença.
Quem sabe surja uma luz para esses sofredores!!!!!
Beijos...

Lúcia Soares disse...

Isto É escravidão, Beth, sem tirar nem por.
Se não temos como ajudar aos nossos, vamos ajudar os de fora? Deus permita que sim, que possam ter um emprego justo e uma boa moradia, para isso temos tanto dinheiro sendo roubado...
Só posso pedir a Deus que olhe por todos, os que chegam e os nossos, que ainda, alguns, vivem em situação de escravidão mesmo.
Que os senhores de escravos, os exploradores de humanos, se sensibilizem e entendam que tratar com vidas humanas é coisa séria.
Ando evitando ver imagens dessas pessoas chegando, é muito sofrimento!
Beijo.