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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Depois de um post bonito, a realidade atual. Vai encarar?

Filme Harry Potter e suas varinhas mágicas em Hogwarths

"...Minha irmã é professora na pós-graduação em música da UniRio. Na semana passada, me mostrou algumas provas que corrigiu. Os alunos — candidatos a mestrado e doutorado — tinham que traduzir um pequeno trecho do inglês para o português. Era um trecho simples, sem maiores mistérios, sobre o papel do regente na orquestra. Em muitas das provas, a palavra “wand”, batuta, foi traduzida por varinha de condão, sua primeira acepção no dicionário. Como é que um estudante formado em música num curso superior pode chegar a essa conclusão?! Será que não desconfia de que algo está errado numa tradução que põe nas mãos do regente uma varinha de condão no lugar de uma batuta? E não, o trecho a ser traduzido não se passava em Hogwarths!..."

Este é um trecho do excelente artigo que a jornalista Cora Rónai escreveu esta semana em seu blog. É uma análise realista e até certo ponto, desanimadora, de como anda, ou melhor, não anda, a Educação no Brasil. Não é tão somente  a garotinha de 10 anos, filha da minha faxineira que não sabe usar as palavras corretamente, formar frases ou dividir os números, o abandono a que estamos assistindo e que faz do Brasil estar na triste colocação neste ranking mundiade penúltimo lugar no ensino, mesmo que tenhamos filhos em escolas particulares boas, conviver com um país nesse estado é assustador e irá influenciar na vida de todos daqui a poucos anos.

Ontem, dia dos professores, meu marido saiu do trabalho na hora exata, ele e todos os outros, pois foram avisados que teria uma manifestação gigantesca no centro e que ia rolar muito quebra pau. Veio andando pelas ruas, observando a quantidade enorme de manifestantes que chegavam aquela hora, por volta de 17 horas, muitos com crianças, pessoas de bom nível, professores e seus familiares dando apoio a mais uma manifestação contra os atos absurdos de um governo que ainda fala em 'pacto para educação', tudo mentira pra boi dormir, como já dizia minha avó. 
Não vemos nada consistente, as escolas fecham dia a dia, só no Estado do Rio, são mais de 169 escolas já fechadas e as que existem ou sub-existem, algumas com suas fachadas sujas e interiores mal cuidados, parecem mais presídios do que escolas. Vemos isso pelas periferias das grandes capitais, no interior também, e quando não são escolas primárias e secundárias, vemos também o abandono nas principais universidades por aí afora. Hoje mesmo, uma amiga, postou uma foto do filho, que saiu na coluna do jornalista de O Globo, Ancelmo Góis, onde ele e outros colegas, desolados, no primeiro curso de gastronomia da UFRJ, estão sem aulas práticas por falta de alimentos. Esta mesma grande universidade, tem seus quadros docentes e discentes, atacados pela falta de segurança no entorno de seu campus diariamente.

E para onde vão tantos impostos que pagamos? "Nunca na história desse país" tivemos tão pouco retorno.

Sim, as pessoas estão revoltadas, estão nas ruas, reclamam todos os dias, empunham cartazes significativos, com mensagens que parecem nunca são lidas pelos governantes. Basta dar um pulinho no centro do Rio e voltar pelo Castelo, tem sempre manifestantes com placas em frente à Alerj, casa pichada e lavada no dia seguinte, mas lá dentro, o mau cheiro continua exalando dos políticos que articulam sempre contra o povo e não para o povo. As manifestações parecem caindo na rotina, a impressão que dá é que os que lá vão presentes, são baderneiros apenas, mas quem acompanha notícias pela televisão pode ficar meio perdido ou sugestionado pelos interesses destas emissoras de mídia, porém o povo está começando a descobrir isso e seguem o que acontece pela internet que tem sido mais 'honesta' neste sentido, com alguns sites disponibilizando o que acontece em tempo real.  Ontem, inclusive, a manifestação terminou muito antes dos confrontos absurdos entre mascarados e policiais.
Nas imagens que vemos pelos jornais, não aparecem perfis de professores e sim infiltrados, dispostos a destruir mais ainda os sonhos de uma nação. Portanto, não se justifica mais o comentário "tudo bem, mas os vândalos, eu não concordo!" Oras, ninguém concorda, ninguém quer vandalismo, ninguém de boa educação e índole aceita uma barbaridade destas, tanto do lado de civis como de policiais!

Neste atual cenário brasileiro, parece impossível reverter a  situação da educação, 
haja vista o descrédito para com os professores que, sem motivação ou qualificação, e com os salários medíocres que recebem, não conseguem influenciar na construção de um país melhor. 
-Imagem emblemática de professora falando a policiais do Rio de Janeiro-Google-

Falta, nos dias atuais, admiração e respeito para com os professores brasileiros. Falta respeito também aos jovens, pois se um presidente afirma em cadeia nacional que: "ler livros é o mesmo que andar numa esteira", que interesse e incentivo está dando a eles? Que esperança terá o pai trabalhador que exige que o filho estude e se forme para ser alguém na vida?

Leiam o texto da Cora, aqui, e se chegou, com paciência, a ler mais este meu desabafo indignado, deixe por favor, sua opinião a respeito deste assunto. Precisamos usar desta imensa nuvem que é a Internet e sua força, para comentários valiosos, que ajudem a formar opinião, a mostrar os erros e acertos, a nos colocar diante do mundo e dizer que não concordamos com o que assistimos, que não somos um povo bovino, pelo menos nós que estudamos, que usufruimos de um ensino digno nos melhores tempos em que a escola era nossa segunda casa, lugar onde o professor era a autoridade máxima e onde aprendemos o melhor do ensino acadêmico que ainda vem segurando esta nação.

Neste link você verá e ouvirá num pequeno vídeo, o que uma professora universitária carioca, Sra. Luitgarde Barros, comentou de falhas e fatos desprezíveis, e ainda com  coragem e idoneidade, sugeriu medidas para otimizar a educação e o estado do país como um todo, não percam. São de pessoas assim, que precisamos contar para esta luta.


  



(Imagens Facebook)

24 comentários:

Rosamaria disse...

Beth querida, eu já tinha lido este post da Cora Ronai e achei ótimo!
Mas...quanto mais burro o povo, mais fácil de manobrar, não é o que este governo quer? E o povo...ó, que tristeza, acha que com bolsa disso ou daquilo resolve a vida. O pior é que não é só o povinho. Tem muito intelectual, professores, inclusive, e eu conheço uns quantos, que morrem de amores pelo governo que está aí, acabando com a educação no Brasil. E ainda quando alguém puxa o assunto, ninguém mais pode falar, porque aí eles mostram a falta de educação. Eu saio de fininho, pois já sabem a minha opinião.
Vou te dizer, Beth, não vejo futuro para o Brasil se a coisa não mudar. Eu não vou ver. Será que meus netos verão?
Eu fico "inflamada" quando começo a falar nestas coisas, desculpa o enorme comentário. Agora vou ver o post bonito, já que eu encarei este.
Bjim, cosquirídia

Georgia Aegerter disse...

É amiga, eu nao sei aonde vamos parar. Nao culpo só o governo brasileiro, mas também uma grande parte dessa nova geracao que nao se dedica, que nao vê o futuro como esperanca, que só querem viver o hoje e nada mais.
Geracao rebelde que nao querem ouvir conselho dos mais velhos.
Beth, nao é só o governo, pois o governo quem tem escolhido é o povo que rapidamente esquece tudo o que sofrem por uma camiseta nova e colorida.
Eu espero que estejamos amadurecendo politicamente e deixando de comer as migalhas que nos sao oferecidas. Sao mais de 500 anos e tá mais na hora de amadurecermos.

Bjos

Misturação - Ana Karla disse...

Beth, essa situação atual é lamentável, vergonhosa.
Triste realidade DO meu país.
Política a parte, as pessoas são regidas como robôs e enquanto esse quadro continuar assim, não acredito que haja uma solução para amenizar tamanha ignorância.
Mesmo assim, espero por um futuro promissor na educação do meu país.
Xeros

✿ chica disse...

Beth, nem sempre dá pra falar de coisas bnonitas...

A realidade desse país é feia, muiiiiiito feia, diria horrorosa!

Educação anda de mal a pior e como bem falaste, isso será notado dentro de alguns anos, certamente.

Os governos nada fazem, empurram om as barrigas e assim vamos.

Aqui, falamos apenas em educação, mas sabemos muito bem que falta muito, muiiiiiiiiiiito mais.

Há histórias lindas de professores, de suas vidas e o desrespeito com a classe é terrível.


um beijo, indignada como tu, chica

Maria Célia disse...

Bom dia, Betty
Espetacular, fantástico o texto da Cora.
O vídeo da professora Luitgarde, também gostei demais, que mulher corajosa, lutadora, super certa em tudo que falou.
A educação no Brasil vai de mal a pior, todo mundo está cansado de saber disto, mas parece que não há probabilidade de uma melhora, não a curto prazo.
É lamentável que nossos mestres sejam reféns desta situação abominável.
Beijo.

Calu B. disse...

Beth,
me espelho em cada linha deste teu manifesto tristemente verdadeiro.Por atuar dentro dos muros das escolas sou testemunha de todos estes descalabros feitos à educação brasileira ao longo dos últimos 60 anos.Puxar agora o viés histórico seria impensável,porém não se pode tirar de vista as consequências que hoje grassam por toda a nação na área educacional trazendo um lamentoso estado de alheamento e incapacidade na maioria da população adulta e, que seguem de arrasto contaminando as demais gerações seguintes;um cruel funil adequado aos interesses dum Estado omisso e descompromissado com o futuro dum povo cidadão.
As palavras da professora Luitgarde são faróis potentes que, espero iluminem a todos os que reconhecem a importância dum professor.

Existe uma irônica"piada"no magistério que chama o mês de outubro de: licençário, porque nele ocorre o maior índice de licenças médicas pedidas por professores devido ao desgaste físico e mental que se torna presente a esta altura do ano letivo e acaba por adoentar a maioria dos profissionais da área.

Me sinto prestigiada por tuas declarações, minha amiga. Obrigada!
Um grande abraço,
Calu

Vera Lúcia disse...


Olá Beth,

Muito justo o seu desabafo, além de muito bem colocado.
A educação brasileira está carente de muitas soluções e de maior empenho por parte dos governantes para torná-la melhor e mais estruturada.
Os professores encontram-se em desalento e frustrados com a remuneração da categoria. Por outro lado, muitos pais não participam na educação dos filhos, deixando-a a cargo dos professores, o que os sobrecarregam ainda mais com as cobranças. E o pior é que eles têm sido agredidos pelos alunos em sala de aula, sendo que os pais dos agressores ainda se sentem no direito de reclamar e tirar satisfações.
Nos países desenvolvidos os professores gozam de respeito e status social ao passo que em nosso País são deixados à parte pelos governantes.
Um povo com educação adequada jamais se curvará aos desmandos políticos ou de qualquer espécie. Talvez por isso os governos não se empenhem em melhorar o quadro da educação no Brasil.
Nossa sociedade precisa se movimentar no sentido de escancarar a importância exercida pela educação, cobrando a valorização dos profissionais que integram esta área.

Obrigada por sua visita.
Desculpe-me a demora pelo retorno, mas somente neste momento detectei seu email (problemas no computador).

Beijo.



Maria Luiza disse...

Quem é que quer parar com roubalheira? Se investirem na educação ela pára. Quem quer isso? Houve um tempo, graças a Deus que sou dele, onde músicas eram de verdadeiros poetas, educação primorosa ministradas com amor e idealismo, educação moral e cívica e formava-se de fato! Acabou, Beth! Nem sei o que vai ser! Um abraço! Vamos torcer!

JAN disse...

Olá Beth!
A realidade do país é feia, pois a educação vai muito mal. Quando se "quebra" os "pilares de sustentação" (todos os níveis de educação), fragiliza-se toda a nação... me ocorreu agora:
Será que os vândalos mascarados foram "plantados"????

Vamos amenizar... fico imaginando o maestro usando varinha mágica rsrsrs...

Abração
Jan

Michelle Siqueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Márcia Cobar disse...

Betinha,
O tamanho do problema é o tamanho do desafio. Assisti ao vídeo da professora, que fez bom uso daqueles instantes que, seguramente, surpreenderam quem estava no recinto.
Ter coragem para apontar os problemas é um passo importante, mas a solução me parece tão complexa que, qualquer esboço meu, vai soar um tanto quanto incipiente.
Investimento em melhores salários?
Treinamento?
Mas e da ponta dos alunos, que ameaçam os professores com armas, violência e comportamentos brutos?
No meu pensamento, a educação começa em casa... Ao ensinar ao filho regras, disciplina, respeito, para quando ele/ela frequente uma escola, saiba como lidar com os professores.
Bjo
Márcia

Mila Viegas disse...

Querida Bethita,

Antes de tudo quero agradecer seu convite para interagir neste post.

Bom, a nossa situação sempre me pareceu muito complicada. Antes éramos mais respeitados e valorizados pelos nossos alunos. Mas isso ocorreu em tempos onde eu era aluna, pois quando me formei professora a coisa já estava fugindo do controle.

Isso é uma longa discussão e bem mais complexa do que parece. Pelo que me consta, financeiramente, nunca fomos valorizados. Pelo que me consta também, nunca foi do interesse da "cúpula" que o povo realmente tivesse educação. Sei que hoje a luta é a mesma de sempre, melhores condições de vida, de trabalho... Acho certo, acho que é preciso reivindicar nossos direitos, ir as ruas, colocar toda essa indignação para fora, etc.

Mas é um círculo vicioso...

Já sabemos que o governo não investe e nem tem interesse nisso. Mas penso que não é só isso. Hoje, os professores estão tendo muitas dificuldades em lidar não apenas com essas questões já expostas... Estamos tendo que lidar com algo que vai muito além disso, algo que podemos chamar de "inversão de valores". Somos reféns de um sistema e, pior, somos reféns dos nossos alunos, de uma geração mal orientada que não possui noção de respeito com o próximo, que nos tratam como se fôssemos nada. Isso (penso) é o pior, porque podemos reivindicar melhores salários e condições, mas como reivindicar questões tão subjetivas?

Esse rivotril que a professora Luitgarde falou não se refere apenas ao salário, à correria que é sair de uma escola e estar na outra, o trabalho exaustivo que é realizado dentro e fora da escola... Não! Esse "rivotril" também se refere ao modo como somos tratados pelos nosso alunos, ou melhor, pela nossa clientela que cada vez mais exige seus direitos e deixa de lado seus deveres.

Falta educação sim, mas falta família! Hoje, eu posso até dizer que um outro grande problema que se une ao já existente é que a instituição família também está falida... E como isso aconteceu?? Ahhhhh, seria outra longa discussão.

Enfim, o cenário é de tristeza e eu ainda não sei o que esperar dele.

Beijos grandes.

Michelle Siqueira disse...

Ter uma visão fria, aspirante a sociológica -- ou pseudosociológica que seja --, uma visão sobre o macro, é uma opção para tentar compreender o que está acontecendo. As manifestações veem acontecendo em muitos lugares do mundo. Nos países emergentes e menos ricos, portanto mais oprimidos, vem acontecendo há determinado tempo. O capitalismo da forma como vem sendo praticado está insustentável. É difícil convencer alguém que vem de família oprimida, alguém que sofre a opressão do sistema diariamente, do governo, difícil convencê-la que deve expor sua indignação politicamente, pacificamente e deve ter diplomacia. Gente que anseia por uma vida mais digna e confortável, quem não quer?, e dispõem de uma liberdade frívola na teoria e inviável na prática; não se enriquece por fruto de trabalho duro, trabalha-se duro a vida inteira e assim morre-se, a geração seguinte mantém a sina. Por isso, prefiro ver a violência, as manifestações pacíficas ou não, com quebra-quebra ou nem isso, prefiro vê-las como uma consequência em vez de um despropósito. Pouco ou nada a repressão irá impedí-las, quase nada do que acontece pode ser evitado. O desenvolvimento da sociedade humana decorre num abrir e fechar de ciclos, nestes tempos há um iminente ciclo de guerras, novas disputas de poder. Quanto aos professores, especificamente, quero que eles se manifestem muito, que a sociedade reconheça a mediocridade do pagamento que têm em comparação com o poder de transformação que eles podem operar. E também acho que o respeito aos professores deve começar em casa, na educação que damos aos nossos filhos; pais que respeitem os planos pedagógicos, que contribuam com eles, que participem, que apoiem e conheçam a didática utilizada, tudo planejado com sacrifício (ainda que muitos não planejem por falta de tempo ou boas condições de trabalho, alguma didática há na hora de repassar o conteúdo).

Enfim, é um tema para ser discutido sem limite de linhas, sem medo de falar demais, sem receio de ser chata(o). No caso do Brasil, atualmente em destaque no cenário internacional, não basta que o poder de compra do povo aumente, tem de ter instrução, o povo deve ser instruído, aprender a pensar, a construir o pensamento. O político que fez a analogia da esteira à leitura foi infeliz, mas falava de uma urgência, de certa forma. Outros políticos foram levianos igualmente quando supunham que no Brasil, há dez anos, ninguém morria de fome. Foram levianos quando privatizaram grande parte do nosso patrimônio. Por isso, por saturação de uma linha de pensamento político "almofadinha", de quem conhece a sociedade só de dentro dos livros, o povo elegeu o extremo oposto. Pagou o preço. Agora nenhum deles basta. Nem direita, nem esquerda (existe esquerda?). É preciso pensar muito antes de dedicar o voto. A esquerda somos nós, apesar dessa classificação estar defasada. O voto: que pena que é obrigatório. Em Portugal não é, vejo uma experiência política diferente por lá.

Fui professora, tive muitas lágrimas nos olhos em contato com realidades absurdas. Ensinei adultos a soletrar. Foi uma experiência importante. Senti a diferença entre a teoria das universidades e a prática, da universidade pública federal para a escola pública não há ponte alguma. O professor na verdade trabalha sozinho, ninguém o apoia. Ele se vira. Na escola particular os pais "engolem" os professores, crianças são reis e rainhas da escola e do lar. A autonomia do professor, que é quem tem o mérito para educar, é zero em ambas esferas, pública e privada.

Parabéns pelo levantamento do tema, Beth.

Bjs,

Michelle

Sonia H disse...

Beth querida,
Nem sei por onde começar porque eu me sinto no olho deste furacão. Concordo com os outros comentários - é a ausência do Estado, ausência da família e sinceramente, percebo que será assim por muitos anos ainda. Vivemos um ciclo vicioso e doentio. Sabe quando você caminha e vê tantas pedras no caminho, tantos obstáculos? Assim muitos de nós nos sentimos.
Lembro-me quando eu era criança - estudei em escola pública até a antiga oitava série. Mas os primeiros anos foram gloriosos. Os meus professores eram as autoridades - Eu tinha tamanha admiração por eles - e muito respeito. E não precisava da minha mãe ou pai para ficar me mandando estudar, pois esta era a minha única obrigação quando criança: estudar! Não tínhamos vale-transporte, não tínhamos bolsa isso, bolsa aquilo - e eu nunca fui rica. Tenho mais três irmãos. Meus pais compravam os livros, o material, o uniforme. Com dificuldade mas com muito orgulho, pois educação era total prioridade, já que o objetivo era proporcionar algo, uma oportunidade que eles não tiveram. O professor/a era uma espécie de orientador/a também. Tanto é que hoje ao me lembrar dessa época, bate uma nostalgia.
Hoje em dia, como funciona... Todos os 'peixes' são presenteados ao aluno, todos todos todos. O que este aluno deveria fazer? Estudar. Mas os alunos sabotam as aulas. Respeito?? Nossa... raridade, viu.
Você encontra um ou outro por turma. E você dá graças a Deus, porque pensa que nem tudo está perdido. Você prepara as aulas, tenta organizá-la da melhor maneira possível para que o aluno possa interagir melhor e aprender... Tenta oferecer um algo mais, para que ele/a faça a diferença. Mas o que acontece muitas vezes é que este aluno parece um zumbi muitas vezes, dorme durante a aula ou não sai do celular, do facebook, não pára de conversar. Você chama atenção, conversa, mas minutos depois volta tudo como antes.
Muito difícil... eu acho que a ausência da família é o principal fator neste sentido, desta apatia e falta de comprometimento. Sem contar com aquele aluno agressivo, mal educado.... Existem muitas histórias tristes de famílias desestruturadas....e o aluno muitas vezes também é vítima do sistema.
Por outro lado, a desvalorização do professor por parte do governo nos fere não somente na conta bancária, mas no nosso sonho de querer transformar o mundo, de querer colaborar para um Brasil melhor, de verdade.
Não sei se vou me aposentar como professora. Sinceramente, não sei se vou aguentar.
Beijos,

Anônimo disse...

Obrigada pelo carinho com GUilherme, amiga!!! Não vamos desistir...e se ele quiser sair do pais, apesar da saudade, darei mta força...a gente merece o melhor.

Lu Olhosdemar

<3

Palavras Vagabundas disse...

Beth, nem sei como começar! Estou indignada desde as manifestações de julho, sem EDUCAÇÃO não seremos ninguém. A reformar educacional, tem que ser profunda passando pela qualificação de profissionais, salários e principalmente conteúdo. Fora que é preciso acabar esse empurra aluno para frente a qualquer custo, que aluno não pode ser expulso ou advertido, acabou que vimos o que está ai, pais se sentindo no direito de gritar com professores e alunos agredindo fisicamente os mesmos.
Não pense que escolas particulares são muito diferentes, a escola da minha neta em dois anos caiu o nível a um patamar inaceitável, para não peder a "clientela", estamos a procura de outras e está difícil, uma pior que a outra. As melhores são as ligadas a alguma religião (São Bento, Santo Ignácio e outras), acho que minha fílha vai optar por uma ligada aos Batista, em que Ética é matéria obrigatória desde o 4º ano. Enfim, vamos continuar lutando por uma educação melhor, para termos um país melhor.
bjs
Jussara

Samsara SP disse...

Belo post, choque de realidade que vivemos, que Deus derrame muitas bençãos na sua vida, tenha um ótimo final de semana, beijinhos!

Lúcia Soares disse...

Beth, faço minhas as palavras da Rosamaria e da Mila, entre trechos de cada um que opinou.
Você sabe o quanto defendo esse Brasil, até do "indefensável", mas temos uma longa estrada pela frente, em relação à educação.
É fato que um povo sem acesso à educação é um povo menor.
E é fato que a educação no Brasil está deplorável.
Temos professores mal preparados também, tem que ser visto esse lado.
Concordo plenamente com a Mila, quanto às famílias.
Tem muita coisa envolvida, Beth, muita mesmo. Continue com suas considerações, que coloca tão bem. Precisamos ter vozes unidas às de jornalistas (particularmente, não tenho simpatia pela Ronai, mas gosto do que ela escreve), precisamos estar atentos, sermos formiguinhas, cada uma dando sua contribuição e juntas podendo mais. Não sei debater sobre a questão, pq vejo muita coisa errada do lado dos professores também, no que acho que se tornou um círculo vicioso: ganham mal porque trabalham mal ou trabalham mal porque ganham mal?
Uma sobrinha do marido é professora há quase 40 anos, começou aos 17 anos. Super competente, dedicada, um verdadeiro amor à profissão. Só tem uma vida digna porque a prefeitura de BH paga melhor do que o estado. Mas para isso trabalha os dois turnos, passa os fins de semana fazendo os planos, cartazes, preparando para-casas, provas, etc. E ainda tira do seu bolso para fazer murais mais bem feitos, que motivem as crianças. E não pode mandar um aluno se sentar e ficar em silêncio, pq se ele conta em casa que a professora mandou isso ou aquilo, um pai ou mãe possesso chega na escola e dá seus gritos...Mas quando é dia de reunião, meia dúzia aparecem...
Uma loucura, Beth. Só quem vve sabe.
Triste realidade do nosso país...
Beijo!

Lúcia Soares disse...

Beth, perfeita essa colocação da Cora Ronai: "Educação se faz com determinação social, e com a percepção generalizada de que levar os estudos a sério é fundamental para o desenvolvimento do país e de seus habitantes."

Este comentário, tirado do post, também ilustra muito o que eu quero dizer:
Marisa de O. Santos em 4.10.2013 às 16:09 disse:

Cora: como é bom ler seus artigos, sempre tão bem redigidos e oportunos !!
Eu sempre estudei em instituições públicas, desde o antigo “primário” até a universidade e o mestrado (UERJ / UFRJ) e graças a isto tive sólida formação e pude construir amizades que preservo até hoje. Guardo recordações especialmente felizes dos anos de “ ginasial” passados no Colégio Pedro II e do curso técnico da Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca (ETFCSF). Sou grata não apenas pela excelência do ensino que me foi oferecido, mas também pela oportunidade de conviver com colegas das mais diferentes origens e classes sociais, todos nivelados pelo mérito próprio e com o mesmo direito à educação de qualidade . Não eram necessárias cotas ou outros artifícios “pirotécnicos” para assegurar o acesso ao bom ensino e, ao contrário de hoje, as famílias demonstravam enorme satisfação em dizer que seus filhos estudavam em escolas da rede pública.
Sou filha de professores que iniciaram seu ofício na época em que o professor gozava de elevado prestígio e era tido, por alunos e pela sociedade em geral, como um MESTRE, aquele em quem nos espelhávamos e que era capaz de nos transmitir ensinamentos que muitas vezes extrapolavam o currículo das disciplinas convencionais. Meus pais lecionaram até se aposentar, após muitos e muitos anos de dedicação ao magistério. Minha mãe, hoje com 89 anos, concluiu seu curso Normal no tradicionalíssimo Instituto de Educação e iniciou carreira em escolas públicas localizadas em áreas de difícil acesso que, naqueles tempos, eram a zona rural do Rio, como Jacarepaguá, por exemplo. Ela lecionou décadas a fio na rede primária municipal, sempre cuidando de orientar o aprendizado de seus pupilos e dedicando-se com especial carinho às classes de alfabetização. Papai, falecido em 2008 aos 81 anos, foi professor secundário, ministrou aulas em renomados colégios públicos e particulares do Rio de Janeiro e, assim como mamãe, empenhava-se ao máximo no exercício de sua profissão, seja em sala de aula ou em casa, onde muitas horas eram dedicadas à confecção e correção de provas e trabalhos. Minha admiração pelos exemplos de mestres que recebi de meus pais não me deixa dúvidas em afirmar que professores bem qualificados e motivados influenciam decisivamente na construção de um país melhor, com cidadãos mais embasados e conscientes de suas escolhas, direitos e deveres. Lamentavelmente, no atual cenário brasileiro, parece impossível reverter o rumo que leva a educação ao descrédito total.

Somnia Carvalho disse...

Lilás queridona,

Sim é muito triste a situação da Educação no Brasil e eu não sou quem tem mais experiência sobre esta falência, pois lecionar no sistema privado não dá a real situação do problema.

Eu não sei... tem tantas causas envolvidas, tanto problema que de fato parece algo em que nenhuma utopia consegue mudar... ao mesmo tempo, sem pensar no problema da falta de incentivo do Estado, investimento, valorização etc eu vejo uma educação totalmente ultrapassada.

Eu tento de todas as formas criar uma aula que seja interativa, force o aluno a buscar por si mesmo conhecimento, que participe, que seja forçado a pensar e não só copiar, repetir, sem produzir, sem de fato contribuir para o mundo e para o seu proprio crescimento... mas, minha amiga, nossa forma de educar esses jovens do milênio que já nasceram numa era completamente diferente da nossa, ainda é exatamente a mesma na qual nossos avós, tataravós foram educados.

As crianças passam tempo demais na escola, ao meu ver. Elas não brincam, elas vivem em salas de aula, copiando matérias, cansadas, entediadas... os professores ousam muito pouco, ensinam como aprenderam e, no máximo, substituem uma lousa de giz por outra eletronica.

Há milhares de ótimos professores que não tem recursos para ensinar de um outro modo, mas também há milhares que estão estacionados nos modelos arcaicos de ensino... e as escolas públicas que poderiam ousar algo totalmente novo porque não dependem do dinheiro dos pais que pagam pelo ensino, não ousam, roubam o dinheiro que deveria ser investido numa educação que de fato faça algum sentido...

Hoje eu ainda sinto jovens sendo transformados na minha sala de aula e de muitos amigos meus, mas eu vejo jovens exaustos, loucos para sairem da escola... eles ainda são um recipiente onde enfiamos um monte de coisa...

Eu fico triste de pensar que meus filhos terão que viver este modelo para serem educados...

Então, eu vejo que nós professores deveriamos forçar o Estado a ousar algo totalmente inovador, algo que paises desenvolvidos já provam, que é a educação realmente participativa... sala de aula com alunos enfileirados me dá até dor de estomago... é muito ruim e revela o que ainda achamos que seja educar...

bom, chega por hoje! beijos meu amor que tenho uma prova super conservadora amanhã pra fazer! rs

Cristina Pavani disse...

Oi, Alfazema!
Seu texto é tão rico, que me gerou um post...

Abreijos.

Beth/Lilás disse...

No link abaixo está o comentário desta nossa amiga acima, a Cristina Pavani, também professora da rede pública no interior de S.Paulo. Vale a pena ler:

http://tinamaonaroda.blogspot.com.br/2013/10/educacao-quantitativa.html#comment-form

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Gina disse...

Beth,
O vídeo da professora retrata bem a indignação de quem tem larga experiência e convivência com pessoas do sistema educacional. É muito triste essa realidade.
Justamente no dia dos professores, li um depoimento de uma pessoa que tem doutorado e começa seu relato falando que não se formou em engenharia para ser professora... Com passar do tempo, recebeu o convite para lecionar e não "exitou" em aceitar. Pelas reticências e pela grafia errada, você já pode tirar suas conclusões quanto à formação. Tenho visto jornalistas na tv dizendo "se caso...". Mas isso são detalhes diante da conjuntura toda, que passa pela falta de preparo dos professores, de estrutura de ensino, de adequação às novas tecnologias, de salário digno, de interesse por parte de alunos e pais por escolas de qualidade, pela questão da disciplina, do respeito, de não delegar à escola todo o papel da educação, isentando-se a responsabilidade familiar.
Quanto ao quesito governamental, infelizmente, não interessa que o povo seja esclarecido.
Bjs.

Tigre disse...

Desculpe pela demora para comentar.

Eu acho interessante uma visão mais próxima do Rio, já que mesmo internet não dá conta de demonstrar claramente uma situação de confronto à distância (nem vou contar mídia tradicional, claro, que só faz vexame nesse sentido). Me parece realmente que esse grande conflito só pode ser decidido fora da escola; ela há muito está longe de angariar forças para qualquer bom projeto, e as raras escolas públicas com atividades que dão resultado positivo à sua comunidade me parecem ser justamente exceção, não mais que exceção. No entanto, há pequenas vitórias a serem conquistadas na própria escola, mas elas dependem de uma coerência entre vontade da comunidade, projeto político pedagógico e atividade dos professores que É difícil de se conseguir, não?