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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A conspiração das mulheres



Uma das melhores coisas que fiz para mim mesma, foi aprender a dirigir.  Há muito tempo eu tirei minha primeira carteira de habilitação e lembro-me do prazer imenso que foi a primeira vez que me enfiei no carro e fui onde eu queria, voltei com compras, estacionei na garagem do prédio e, bastante emocionada com minha façanha de autosuficiência, não via a hora de chegar a próxima vez de pegar o carrinho e sair por aí, ouvindo música e me sentindo completamente livre e sem precisar da ajuda de ninguém. É bem verdade que o tal carrinho, um fusca branco, porque quase todo mundo da minha geração começou com um fusca na vida, mas o pobrezinho vivia amassado naquelas abas laterais na bendita garagem do prédio em que morava, assim eu consertava e amassava, entretanto utilizei por muitos anos aquele valente carrinho e usava para trabalho, supermercado, levar e pegar filho na escola, pegar a mãe na rodoviária e tantas outras atividades.

Dirigir foi uma das grandes conquistas que nós mulheres conseguimos e, embora ainda haja preconceitos quanto à nossa destreza, em quase todo o mundo vemos mulheres atrás de volantes e alguns até bem pesados, como ônibus ou caminhões e dirigem até melhor do que muitos homens, são mais cuidadosas e menos competitivas no trânsito.
Assim, enfrentando mitos e preconceitos, desde o final do século XIX, quando iniciou-se pela Europa e depois os Estados Unidos, as mulheres ganharam liberdade com esta conquista.

Mas, já imaginou morar num país onde mulheres não têm permissão para dirigir?

O único país do mundo que ainda existe esta restrição é a mais que fechada, a impenetrável, a incógnita, Arábia Saudita.  Apesar de décadas de esforço dos ativistas neste sentido, a lei continua severa para as mesmas e homens que afirmam serem agentes de segurança do rei, utilizam mensagens bem claras em celulares: "Oh, mulheres do reino, não fiquem atrás de volantes!"

O fato é que em tempos de globalização e de grande poder das mídias sociais, algumas dezenas de mulheres neste último sábado, violaram um dos códigos sociais mais difíceis na sociedade saudita firmemente conservadora, entrando em seus carros e dirigindo, algumas até postando fotos ou vídeos de si mesmas.
(Imagem nytimes.com)

Quando se trata de direitos das mulheres, a Arábia Saudita continua a ser um dos países mais restritivos do mundo, alguns políticos e conservadores sociais temem que a ocidentalização ou qualquer coisa que pareça com isto, vá prejudicar o caráter islâmico do reino, mas em contraste com tudo isso, são riquíssimos e têm shoppings com lojas altamente sofisticadas e até mesmo lojas de fast-food por todo o país.
Teve até comentário de um alto clérigo do reino que descrevia a campanha como: "Um grande perigo!" que levaria a casamentos arruinados, a baixa taxa de natalidade, a propagação de adultério,mais acidentes de carros e gastos de quantidades excessivas de produtos de beleza."  Alôôôô!!!

Vou continuar daqui torcendo por estas mulheres sauditas, ativistas e corajosas que através da mídia social, onde levantaram a questão e explodiram centenas de comentários e argumentos, demonstraram mais uma vez que a utilização dessas redes para fins de luta e chamamentos sociais, são verdadeiramente um sucesso.


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"Não importa a cultura pela qual a mulher seja influenciada, ela compreende as palavras mulher e selvagem intuitivamente.
Quando as mulheres ouvem essas palavras, uma lembrança muito antiga é acionada, voltando a ter vida. Trata-se da lembrança do nosso parentesco absoluto, inegável e irrevogável com o feminino selvagem, um relacionamento que pode ter se tornado espectral pela negligência, que pode ter sido soterrado pelo excesso de domesticação, proscrito pela cultura que nos cerca ou simplesmente não ser mais compreendido. Podemos ter-nos esquecido do seu nome, podemos não atender quando ela chama o nosso; mas na nossa medula nós a conhecemos e sentimos sua falta. Sabemos que ela nos pertence; bem como nós a ela."


(Trecho do livro Mulheres que correm com os lobos de Clarissa Pinkola Estés)

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23 comentários:

Inaie disse...

Gostei muito desse post, Beth querida. Principalmente conhecendo a cultura da Arabia Saudita.

bj

✿ chica disse...

Muito bom teu olhar sobre essa tema e tomara que elas consigam se rebelar e conquistar os seus direitos !

Eu também me senti a tal ao dirigir o meu carrinho que voava levando e buscando os 4 nos colégios,atividades todas, escritório, fórum, etc... Porém hoje, não tenho mais o mesmo prazer. prefiro ser levada de táxi,sr,,, Não goto de andar de carro nas nossas ruas! beijos,chica

Calu B. disse...

"Tamo juntas", Betinha,
nesta torcida animada pelas mulheres sauditas.
Viva elas;corajosas guerreiras,ousadas desafiantes duma sociedade retrógrada e opressivamente preconceituosa com o sexo feminino.
Salve elas! Que as vitórias se multipliquem em todas as áreas desta sociedade.Fiat Lix!
Bjkas festivas, amiga.
Calu

Toninho disse...

Tem coisas que ainda não entendemos e nem podemos admitir que existam.As culturas se chocam e cada vez mais estes castelos vão ruindo no mundo.
Legal ter tido um fusquinha,eu curti muito um 66 depois um 68 e por fim um trovão azul de dois carburadores,rsrs.
A independência da mulher há de ser uma constante em cada canto. Nada mais de muros nos comportamentos e rostos escondidos. Hoje eu as vejo operando os caminhões fora de estrada na mineração bem como pilotando o amigo trem de minha infância.
Que seja gradual esta vitória.
Uma linda semana Beth com muita paz e passeio de Táxi.
Um abração mineiro de flor amiga.
Bjo.

Cozinha de Mulher disse...

Oi minha linda... saudade desse cantinho super fofo..
Menina, meu sonho é aprender a dirigir, mas tenho pavor..
Não consigo me ver atrás do volante..
Até pendei em tirar carteira tempos atrás mas o medo me impediu..
Mas acho super lindo, mulheres lindas e belas dirigindo..
Quem sabe um dia né? sr

Um beijo minha linda.. post super lindo..

Orvalho do Céu disse...

olá, querida amiga Beth
Dirigi meu fusquinha branco 72 muito tempo para atividades como as suas... rs....
Ah! Se meu fusca falasse!!! rs...
Vc sempre fundamentasse o seu post e nos dá uma ideia de como andam as coisas por aí... em termos de evolução feminina...
Post muito bom!!!
Bjm de paz e bem

Silvana Haddad disse...

Oi Beth:
Também acompanhei as notícias sobre as mulheres sauditas no volante.
Uma coisa tão simples e corriqueira aqui no Ocidente e por lá ainda é fonte de conflito.
Tomara que elas saiam vitoriosas e consigam conquistar o direito de dirigir livremente.
Bjs.:
Sil
http://meusdevaneiosescritos.blogspot.com.br/

VERINHA TIBURSKI disse...

Olá Beth
Também sou do tempo do fusquinha e até uns anos atras tinha meu fusquinha rosa, ganhei de presente do maridão, mas tive que vende-lo para nossa próxima aventura.
Aos poucos as mulheres vão mostrando para que vieram, claro que o preconceito masculino esta enraizado e é como um vírus quase que sem cura. Graças a Deus que a mulher é mais forte.
Agradeço pelo carinho e palavras em meu blog, me fez bem.
Uma linda semana e parabéns pelo texto. Beijinhos.

Maria Célia disse...

Boa noite, Beth
Sensacional, delícia de post.
Bem, eu estou na contramão das mulheres sauditas, optei por não dirigir, até tentei, mas não passei da autoescola, desisti antes de fazer exame de rua e nunca mais peguei num carro, já se vão uns 28 anos.
Tomara que estas mulheres tão cerceadas em sua liberdade, conquistem esta vitória, tão importante pra elas.
Beijo

Heloísa disse...

Beth,
É incrível que nesses dias ainda exista essa repressão e controle das mulheres.
Felizmente existem as corajosas, que acabam forçando a situação.
Por falar em fusca, eu também tive o meu.
Beijo.

Ives disse...

Colocando na balança temos um país relativamente bem livre, não é! Também torço para esse povo da Arabia saudita acordar! abração

Regina Rozenbaum disse...

Não creio que essas proibições, em muitos países muçulmanos, mudem um dia. Está ligado à religião...tudo eles localizam no alcorão e as mulheres, ah coitadas, não tem valor algum. As novas gerações tentam, mas se são pegas...aff punições horrorosas quando não são condenadas à morte! Também me senti quando tirei carteira de motorista rsrs.
Beijuuss Bethita

pensandoemfamilia disse...

Oi Beth
Eu também tive um fusca , mas não foi ele que me deu liberdade. Eu adorava andar de mobilete e era para mim muito mais prazeroso.
Incrível ainda existir situações como daa mulheres sauditas.
bjs

Maria Luiza disse...

Também eu continuarei torcendo por elas e arrepiei-me quando as vi na TV, dirindo! Isso é digno! Carro é liberdade. Eu dirijo e acho fantástico!Longe de mim ser afoita, sou é medrosa e sento na frase do Vinícius: "Ninguém é universal fora de seu quintal" Beth, vc deliciou-me com seu escrito. Amei! Beijão!

Márcia Cobar disse...

Que coragem essas mulheres tiveram!
Que essas mobilizações continuem, ganhando cada vez mais adeptas, e que a iniciativa não seja repreendida com atos violentos e inibidores.
A luta é grande.
Bjo
Márcia

Elizabeth Gavilan disse...

Oi, Beth...
pelo licença para entrar em sua "casa virtual", que clima agradável (diga-se de passagem que também adoro a cor lilás!), seus post nos fazem refletir, não só o que rola no mundo , mas também como vai o nosso mundo local e interior. Nós, mulheres ainda precisamos avançar em muito, mesmo usufruindo de vários "privilégios" em comparação com outras culturas, a visão universal deve ser de que a mulher, em total condição deve ser respeitada não só como gênero, mas principalmente como ser humano.Só partindo desse princípio que o conjunto de normas autoritárias podem começar a ruir. Obrigada por seu post na defesa da mulher em sua integridade. Abraços.

ML disse...

Beth: eu tenho um desprezo tão enorme pela ignorância que insistem em chamar de cultura (vide as touradas) que nem leio sobre essas "sociedades" que estão, no mínimo, há séculos de distância do "now".
Coincidentemente, minha irmã comentava hoje com a nossa mãe exatamente sobre isso.
Minha sobrinha está lendo a biografia de uma mulher (acho que do Afeganistão)que,ao nascer foi abandona sob o sol (!!!) porque era menina. Conseguiu sobreviver e... o resto eu não sei, nem saberei.
Se quiser o nome do livro, pergunto e te digo.
Eu, prefiro ler sobre... amenidades ;> )))

bjnhssssssssssssss

Calu B. disse...

Bom dia, minha amiga,

vc é hoje( mas não só)o doce do dia lá no Fractais.
Bjkas,
Calu

Anete disse...

Beth, texto muito bom para refletir e torcer por mudanças! A mulher no mundo inteiro precisa ser livre verdadeiramente, ocupando o seu papel, tendo os seus direitos e UMA VIDA DIGNA!

Um abraço

Elisa T. Campos disse...

Beth

Também estou torcendo com você pelas mulheres dessa Arabia Saudita.
Bendita seja.

Nós aqui não temos quase nada a reclamar sobre o papel que exercemos. Também tive um fusca, depois fuscão que você bem sabe como é a sensação de liberdade, de vida.

Bjs.

Carlah Ventura disse...

Culturas completamente diferentes da nossa, quanto a dirigir eu até pensa em aprender mas tenho muito medo do transito.
Bjos!!

Carlah Ventura - Intensa Vida

Lúcia Soares disse...

Um absurdo que ainda exista essa proibição para as mulheres!
Dirigir nos faz sentirmos livres, como tantas outras atividades.
Tomara que as mulheres se imponham e consigam suas carteiras de habilitação.
Beijo!

Nina disse...

Nós, ocidentais, ficamos mesmo,horrorizados com o que vemos em paises árabes, ja estive em três deles e sempre me assusto com o que vejo. Eles adoram dizer e fazem questao de mostrar que as mulheres tem os mesmos direitos que os homens, mesmo tdos vendo que isso nao é verdade. Nunca estive na Arabia Saudita e nem quero, mas tenho uma vizina que é de lá. Ela é um querida! é mulcumana, mas me parece nao ser das mais extremas, pois usa roupas normais, a unica coisa que ela preserva (exteriormente pelo menos) é o lenco na cabeca. E é linda! e uma otima mae, tem dois filhos.

Se a Arabia Saudita fosse somente ela, tava td bem, mas nao é :-( Mulheres nao valem mt coisa em alguns lugares e isso é mesmo uma grande pena.

eu ainda nao dirijo, ate me envergonho disso, mas aqui, eu acho que nem preciso, um país onde o sistema de transporte é quase perfeito? pra que?

Bjs Beth