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domingo, 14 de abril de 2013

Vou de Táxi V


-Pinterest-

O taxista era um coroa de cabelos totalmente  brancos, óculos de aro fino e um modo de falar meio engraçado, parecia de algum interior aqui mesmo do estado, mas tinha experiência nas ruas, conhecia os caminhos e soube até pegar um atalho para sair de um pequeno engarrafamento que começava bem à nossa frente.

Eu: Ah, eu esqueci de dizer-lhe para ir pela praia, porque aqui pelo miolo tem sempre alguma encrenca!

Tx: Pois é, eu ia lhe perguntar quando a senhora entrou, mas o seu telefone tocou e eu não quis incomodar, por isso peguei por aqui, mas fique tranquila que vamos cortar caminho subindo pela próxima rua.

Eu: Ok, tudo bem, acho que o senhor tem razão, por aqui é mesmo mais curto o caminho.

Mais à frente, num sinal, um menino, talvez uns 12 anos, fazendo acrobacias com alguns limões nas mãos.
O pequeno e franzino, equilibrava-se sobre um banquinho que o colocava em evidência, no alto, para que todos os motoristas o vissem em sua elaborada técnica adquirida ali mesmo, nas ruas empoeiradas da cidade.

Eu: Ah, meu Deus, estas crianças jogadas nas ruas, tinham que estar na escola! Como tem criança abandonada nesta terra e não é nem no meio do mato é bem aqui debaixo dos narizes das autoridades!

Tx: Pois é, mas agora criança dessa idade ou um pouco mais, nem vão a escola e nem trabalham. É proibido, o governo, tempos atrás,  impediu que crianças façam qualquer coisa para ajudar em casa ou fora dela, e o que se vê é isto, um monte delas nas ruas sem fazer nada, sequer estudam continuamente.

Eu: É mesmo!  No nosso tempo (tentei igualar-me a ele, mesmo porque minha geração teve ainda os reflexos da criação anterior), a gente ajudava em casa, alguns iam até trabalhar em pequenos serviços, como no armarinho da esquina, na padaria ou com o pai se tivesse um negócio que o filho pudesse exercer sem prejudicar seus estudos, né mesmo?

Tx: O quê!  A senhora sabe que meu pai um dia disse pra mim: toma aí este macacão e desce, venha me ajudar na oficina, nada de ficar parado porque filho meu quando não está na escola tem que estar fazendo alguma coisa de útil, afinal cabeça vazia é oficina do diabo.  E eu fui, aprendi com ele muitas coisas e não morri por causa disto. Falo sempre da minha experiência pro meu filho de 19 anos que é um preguiçoso e não quer nada com trabalho e nem mesmo com o estudo.

O sinal abriu dando passagem aos carros e às pessoas com seus pensamentos ou perplexidade, e o menino com seus limões foi para a calçada, aguardar o próximo sinal de parada para, quem sabe, ganhar as migalhas que o sustentam nesta vida sem horizontes, sem o olhar cuidadoso do Estado, orientada apenas pelos sinais verde e vermelho que marcam o compasso de espera para um futuro vazio.



    * * * * *







17 comentários:

Bombom disse...

Escrevi aqui um longo comentário, mas parece que o Blogger não gostou e duvido que ele tenha entrado, porque me deu sinal de erro e apagou tudo.
Fica mais um beijinho da Bombom

✿ chica disse...

Gosto muito dessa tuas conversas com os taxistas. Sempre bem contadas!.

E o melhor é te ver de volta!

Beijos,te cuida, não exagera! Linda semana, tudo de bom,chica

manuel marques Arroz disse...

Excelente corrida.

"O problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser."

Obs :(corrida) ,palavra utilizada em portugal quando se anda de táxi.

Beijo.

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Beth
Sempre que pego um Taxi pucho papo com o motorista, eles normalmente teem muito conhecimento, pois lidam que pessoas de todos os níveis, o dia todo. Quanto à criança, infelizmente essa é a realidade na maioria das grandes cidades brasileiras, um Estatuto supe rprotetor acaba prejudicando e jogando na marginalidade milhares de crianças.
Boa semana
Bjux

Teresinha disse...

Olá Beth,
Você e os taxistas....kkkk...Adoro!!!
Você já percebeu que hoje tem tantas coisas proibidas. Até dar um tapinha nos filhos, os pais não podem mais. Agora, ver crianças cheirando, pedindo dinheiro no meio da rua e tantas outras coisas...isso pode...É lamentável ver tão pequenos jogados em prol da marginalidade.
Beijos mil

Calu disse...

São mesmo situações lamentáveis estas, que acontecem todos os dias pelas ruas das cidades brasileiras e de algumas outras partes do mundo também.
Temos de continuar cobrando do poder público ações conjuntas em favorecimento das crianças e jovens do país.

Uma linda semana aí, Betinha.
Bjos da amiga,
Calu

ML disse...

O taxi é de lá, mas a história é nossa, né, Beth?

Eu, em taxi, geralmente, entro muda e saio calada, quando tenho sorte.

Mas alguns taxistas são educados e aí a conversa é ótima.

bjnhs e welcome back!

Dani dutch disse...

Olá web-mãe,

Ontem mesmo estava conversando sobre esse assunto das crianças no Brasil, a falta de incentivo de esportes, de um hobby... sempre me perguntam que tipo de esporte praticava quando era criança... sempre ajudava em casa com os trabalhos domesticos, mas no fim da tarde jogavam volley na rua.

São tantos abandonados, é triste vermos eles assim .
Bjuss e uma otima semana

Taia Assunção disse...

Acho lamentável o Estado pegar para si, uma responsabilidade pelo qual ele não está habilitado a exercer. Obviamente, sou contra o trabalho infantil. Mas não há como negar que pequenas obrigações dentro do Lar, sobretudo, sob os olhos atentos dos pais, são de grande valia para o desenvolvimento das crianças. Beijocas!

R. R. Barcellos disse...

Seja seu nome Amor,
Seja Eros ou Cupido,
Esse guri gozador
É um moleque atrevido.

E onde qualquer pivete
Exibe seus malabares,
O moleque se diverte
Lançando flechas aos ares.

E assim breves idílios
Nascem nas breves paradas
De dois carros, nos sinais;

Mas logo serão exílios,
Perdidos pelas estradas,
Sem se reverem jamais.

(Enquanto edis, em concílios,
Ao pivete legam nadas,
Nadas. Nem menos, nem mais.)


Beijos.

Regina Rozenbaum disse...

É Bethita e ainda tem o ECA cheio de artigos e punições para os adultos responsáveis por suas crias... Dia desses ouvi de um adolescente (rico) que iria denunciar seus pais, no conselho tutelar, por abuso de autoridade! Pode?! Seu "vou de táxi" a-do-ro!
Beijuuss

Pitanga Doce disse...

É Beth! Temos um Estado que quer ser paternal e enfia os pés pelas mãos. Estamos vendo no noticiário o que resulta dessas medidas "pseudo-protetoras".

beijos em tarde amena.

✿ chica disse...

Beth, te li agorinha lá e vim agradecer. Tenho certeza que logo logo estarás dando tuas voltinhas com o maridão! beijos,fica bem, te cuida!!! chica

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi Beth!

Adoro conversar com taxistas, sempre tem uma história legal pra compartilhar.

Belo post.

Beijos

Selma

Nina disse...

Papos bons esses que tu leva heim Beth? O taxista tá coberto de razao. Tbm penso assim, menino nao ta na escola? entao vem aqui ajudar papai e mamae...

é mt triste a realidade dessas criancas na rua :-(

Priscila Ferreira disse...

É uma pena que isso ainda aconteça!
estava sentindo falta do "Vou de Táxi"
Saudades, beijos

Toninho disse...

Mais uma viagem neste seu taxi Beth, para fazer uma reflexão sobre o cotidiano. Aqui os meninos da rua abandonados a toda sorte e morte.
Os malabaristas das sinaleiras verdadeiros equilibristas da vida.
Boa viagem amiga nesta sua bela serie.
Carinhoso abraço de paz e luz.
Bjo