.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

sábado, 20 de abril de 2013

Sou 'uma imperfeita bem-intencionada" - feliz por nada.


-Pinterest-

Tem fases nesta vida que a gente fica parecendo um cacto, espinhento, enrugado, seco. Até sua mente fica assim, nem consegue codificar tudo o que lhe aconteceu, só com o tempo e sem cobranças íntimas.
Mas, como na natureza, em meio a tudo isso aparecem flores, daqui e dali, tudo vai se alegrando, ajeitando, mudando e  melhorando, clareando ideias e fortalecendo o corpo.
As florezinhas já começaram a aparecer para mim, mas a minha cabeça ainda continua focada em resolver problemas, em deixar tudo como era antes, digo isso fisicamente mesmo, por isso não tenho tido ideias para escrever ou interagir como sempre.  Enquanto isso, eu leio. No momento são dois livros ao mesmo tempo e muita coisa interessante pela Web  e revistas. Sei lá, parece que preciso também disso para abastecer a alma juntamente com o físico!
Martha Medeiros e seu último livro "Feliz por Nada" tem me acompanhado e alegra meu humor, levanta meu astral e me dá uma sensação gostosa de vida, ela tem o dom de abordar assuntos diversos, mas que se identificam muito com o leitor.  "Feliz por nada, afirma Martha Medeiros, é fazer a opção por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por isso menos visceral."

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Feliz por Nada

Geralmente, quando uma pessoa exclama "Estou tão feliz!", é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo.  Há sempre um porquê.  Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas.  Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável.  Feliz por estar com as dívidas pagas.  Feliz porque alguém lhe elogiou.  Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui e alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje.  Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece.  Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal felicidade inferniza.  "Faça isso, faça aquilo."
A troco?  Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também.  Não estando "realizado", também.
Estando triste, felicíssimo igual.  Porque felicidade é calma.
Consciência.
É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?  Pois é, sã os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos.  Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento.  De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.  Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição.  Demanda a energia de uma usina.  Para que se consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust.  Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria.  Que mania de se autoconhecer.   Chega de se autoconhecer.  Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.


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-Martha Medeiros-Feliz por Nada-página 141-





15 comentários:

Pitanga Doce disse...

Hei, Beth! Vou ter que me policiar para não fazer aqui um outro post em cima deste. O que dizer, então? Nós duas sabemos bem o que as palavras da Martha querem dizer. Sentimos na pele tooodos os dias.

"É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?"

Mas fica difícil não pensar assim. Principalmente porque nos conhecemos bem e sabemos nossa história de vida. Porque sempre ficamos felizes "por nada" , até quando agradecemos pelo vento que nos bate no rosto num fim de tarde de Outono. E apesar do "imprevisto" nos ter pego na curva, continuamos bem intencionadas à espera de dias em que voltemos a nos parecer mais com violetas da cor lilás, do que com cactos espinhentos.


beijos em tarde amena de Outono.

Lúcia Soares disse...

"Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.".
A frase está toda contida no texto, mas peguei só essa parte, que me define bem.
Para mim, ser "feliz por nada" está sendo fácil, agora me pego só pensando que estar com saúde e disposição é a base de tudo.
Desejo que seus dias sejam a cada amanhecer sempre mais felizes, Beth.
Como dizem, tanto, ser feliz é escolha nossa.
Beijo!

Cristina disse...

Oi Beth!
E mudemos de opinião o quanto for preciso, visto que este é um privilégio de nós, mulheres!

Um beijinho florido.

Toninho disse...

Gostei do Ser feliz por nada, uma abordagem interessante nestas felicidades, que se apresentam em nossas vidas.Uma bela companhia a Martha.
Saber destes intervalos e atravessa-los belamente,decididamente reside toda nossa preparação.
Bom voltar e interagir com voce minha amiga.
Um lindo fim de semana a voce e que a paz seja a companheira fiel.
Um carinhoso abraço mineiro de flor.
Bjo.

✿ chica disse...

Beth, te entendo muito bem... E esse período agora é de mais calmaria e de cuidados contigo. Depois, tudo pouco a pouco normaliza. Esse texto da Martha é fabuloso. Adoro o que ela escreve e como coloca coisas simples. beijos,fica bem, lindo domingo!chica e boas leituras!

Calu disse...

Acabo de ter por aqui a confirmação do que já acredito: sou feliz por nada(!)e,isto me faz enorme bem, porque não é de aparência, não, é fato vivido.

Agradeço cada maravilha da vida desde que abro os olhos pela manhã e, só pelo fato de abri-los saudavelmente é pura felicidade.Meus filhos e filhas, netos, marido, amigas e amigos, colegas, todos são os motivos diários da minha felicidade também diária.
Os pequenos percalços do caminho, passarão, mas a minha felicidade não passará; assim como a tua, minha amiga.Ela está em ti e em todos os teus queridos permanentemente.

Estes momentos d'agora são um pausa de alimentação necessária para o corpo e para a alma.Nutra-se!

Um abraço apertado, Betinha.
Viu que céu fez hoje???Lindo!
Bjkas,
Calu

Maria Célia disse...

Oi Beth
Ser feliz por nada- realmente muito interessante e real pra muita gente.
Eu na maioria dos meus dias me sinto assim, só de pensar em deitar na minha cama e ler o meu livro do momento, já me deixa feliz; pensar que amanhã vou almoçar na casa da minha mãe, me faz feliz.
Beijo.

Rosamaria disse...

Como é bom chegar aqui na tua casa, Beth! Tudo limpo, perfumado e boa leitura.
A Martha Medeiros é uma medonha! Adoro o que ela escreve e este livro está entre os que eu não libero.
Bjim, boa semana, coaquirídia.

Teresinha disse...

Olá Beth,
Que texto incrível!
Ser feliz por nada requer muita atenção. Quando nos deparamos com espinhos maiores é que percebemos o quanto somos e temos para não enfraquecer e mostrar a que a felicidade supera alguns pequenos obstáculos.
Vejo que o problema, pelo menos comigo é o agora. O imediato. O hoje. Percebemos o quanto poderíamos rir mais depois que os espinhos maiores nos espetam. Daí refletimos e percebemos que podíamos ter feito diferente para contornar situações simples da nossa vida. Confesso que é um verdadeiro exercício para a mente e para o nosso bem estar.
Vamos caminhando...Refletindo...
Beijos mil

R. R. Barcellos disse...

"Há quem diga que ser feliz é ter sempre motivo para cantar. Eu digo que ser feliz é cantar sem precisar de motivos."
Comentário a Andréya Rosa, 3/5/11

Abraços.

pensandoemfamilia disse...

Oi Beth
Tenho acompanhado pelas suas poucas dicas que algo na sua saúde vem lhe tirando a alegria e vivacidade.
Sei que vc como eu preza em primeiro lugar a saúde, no entanto somos pessoas e elas vão surgir e temos que ficar atentas para não baixarmos a imunidade ficando centrada nela. Buscar as estratégias para melhoras e/ou cura, mas não perder o gosto da vida.
Quando desejar pode me ligar, ok.
Meu fixo mudou, mas o celular é o mesmo. Caso não o tenha envio para vc por e-mail.
bjs

Denise disse...

Na pg 137 tem um trechinho maravilhoso que diz:
"Acaba de ser revelado o que uma mulher quer - e que Freud nunca descobriu. Ela quer uma relação amorosa equilibrada onde haja romance, surpresa, renovação, confiança, proteção e, sobretudo, condição de entrega"... e aí ela vai discorrer sobre essa condição, coisa nunca antes pensada, tanto que ler Ney Amaral nessa sua colocação provocou a elevação do músculo acima da sobrancelha...rsrs.... ela intrigada, produz conteúdo pra caramba, né Bethy??

Adorei a visita e ter vindo matar a saudade!
Boa semana, bjos!

Beatriz disse...

Ei Beth querida!

Engraçado, sempre me senti feliz, por nenhum motivo sequer, como agora! Essa estória de ficar buscando uma desculpa para ser feliz.....acabamos perdendo muita coisa ao nosso redor, as vezes singelas, mas essenciais.

Beijinhos mil

Bia

www.biaviagemambiental.blogspot.com

Ana Paula disse...

Oi Beth! Para quem se diz sem inspiração... você escreveu um texto delicioso!
Lembrei de uma época na juventude em que as pessoas me diziam "nossa você está tão bonita, sorridente, o que é hein?" E eu não hesitava em responder: Estou apaixonada. Apaixonada pela vida!". Depois veio uma fase longa de cactos, onde eu não conseguia enxergar flores, ou não me deixava florir.
Fiquei quietinha e me alimentei muito interiormente e hoje já digo novamente estou apaixonada pela vida, ou como diria Martha Medeiros, estou feliz por nada!
Gostei muito desse livro dela. E você já está florindo, logo estará um jardim.
Obrigada por manifestar a vontade de ler o meu livro. pode adquirí-lo atraves do site da livraria cultura, com o incoveniente da demora, ou direto comigo. Se interessar, dá mais uma espiadinha lá no blog que tem detalhes. Beijo!

http://ladodeforadocoracao.blogspot.com.br

ML disse...

Show, Beth!

bjnhs pra você.

PS: os cactus também são lindos ; > )