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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Amigos - para nunca esquecer



Não gostamos de falar de morte e quando ela acontece e nos envolve, ficamos aturdidos, doídos, sentidos, mas não é de nossa natureza ficar falando e relembrando o fato, pois isto machuca mais a quem fica e precisa tocar a vida, mesmo sabendo que também iremos morrer um dia, já que apenas a dureza do mundo é que separa as almas.


Em menos de 1 ano tivemos aqui mesmo pela blogosfera, duas fortes presenças que nos conquistaram e nos deixaram rapidamente. Foi doloroso demais para suas famílias e nós, amigos, companheiros de viagem, que tivemos o prazer de conhecê-las de perto ou de longe, nos encantando com suas características tão genuínas, marcantes, inesquecíveis posso dizer assim.  Para mim não é raro sonhar com estas pessoas, relembrar algum tempo de alegria ou tristeza vividos, certamente o mesmo ocorre com cada um de vocês que tiveram estes contatos em suas vidas.


Lendo o poema Morte Lenta que Rolando Boldrin tem em seu blog, entendi claramente que as pessoas não morrem de imediato, vão aos poucos morrendo quando a gente não mais lembra delas, não mais fala delas, quando a dor da ausência não é mais sentida neste processo inteligente da vida, lentamente, lentamente.
Parece cruel, mas é a mais pura realidade.
"...Agora sim, falecido!
Agora sim, faleceu!
Anos após ter morrido,
Só – de todos esquecido –
Depois que tudo o esqueceu!..."

Rolando Boldrin também apresenta um outro poema que alguns atribuem a Vinicius de Moraes e outros a Chico Xavier, mas isso não importa tanto e sim o que ele expressa positivamente, numa maneira acalentadora em resposta a todos nós que ficamos e lembramos sempre dessas queridas pessoas. 

Se eu morrer antes de você,
faça-me um favor.
Chore o quanto quiser,
mas não brigue com Deus
por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar,
não chore.
Se não conseguir chorar,
não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem
algum fato a meu respeito,
ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais,
corrija o exagero.
Se me criticarem demais,
defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo,
só porque morri,
mostre que eu tinha um pouco
de santo, mas estava longe
de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer
um demônio mostre
que talvez eu tivesse um pouco
de demônio, mas que a vida inteira
eu tentei ser bom e amigo.
Se falarem mais de mim
do que de Jesus Cristo,
chame a atenção deles.
Se sentir saudades
e quiser falar comigo
fale com Jesus e eu ouvirei.
Espero estar com Ele
o suficiente para continuar
sendo útil á você, lá onde estiver.
E se tiver vontade de escrever
alguma coisa sobre mim,
diga apenas uma frase:
"foi meu amigo,
acreditou em mim
e me quis mais perto de Deus.
Aí então,
derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente
para enxugá-la,
mas não faz mal.
Outros amigos farão isso
no meu lugar.
E, vendo-me
bem substituído,
irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando
dê uma espiadinha na direção de Deus.
Você não me verá,
mas eu ficaria muito feliz
vendo você olhar pra Ele.
E quando chegar a sua vez
de ir para o Pai,
aí, sem nenhum véu
á separar a gente,
vamos viver em Deus
a amizade que aqui
nos preparou pra Ele.
Você acredita nessas coisas?
Sim?
Então ore para que nós dois
vivamos como quem sabe
que vai morrer um dia
e que morramos
como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido
se traz o céu
para mais perto da gente,
e se inaugura aqui mesmo
o seu começo.
Eu não vou estranhar o céu.
Sabe por quê ?
Por que...
ser seu amigo já é um pedaço dele.



A querida Regina enviou-me por e-mail o vídeo deste poema que tocou fortemente meu coração. Obrigada amiga! 






-Pinterest Image





22 comentários:

Calu disse...

As lembranças doídas por estes recentes acontecimentos, ganharam agora com esta tua sensível postagem uma coloração mais suave, um alento poético na voz e criação do artista aqui referido.
Na carta destinada aos amigos(as)encontramos uma oração verdadeira que traduz com leveza e sentimento o que todos nós cremos com fé.
Aqui fica uma bela recordação.
Fiquei emocionada, Betinha.
Bjos,
Calu

✿ chica disse...

Que post lindo esse, embora o tema não seja convidativo...
Falamos na morte apenas quando ela acontece e nos surpreende. Senão, parece, fugimos dela...

E quando amigos, familiares se vão, ficamos tristes, falamos muito e depois as saudades nos calam... Mas não os esquecemos...

Lindo e emocionante poema nesse vídeo... Maravilhoso!!

beijos,tudo de bom e adorei ainda a imagem com as flores! chica

Camille disse...

Lindo post. Li em algum lugar que as pessoas vivem ate que o ultimo ser fale delas. Ai, nessa ultima vez que é mencionada, a pessoa de fato se vai. Enquanto isso esta viva aqui, na memoria, como a sua.
A morte as vezes devasta mesmo e pega todo mundo de surpresa.
Bjos querida, que seu coraçao esteja sereno.
Bjos,
Cam

Liliane Blog Sonhar e Ser disse...

Hoje ainda pensava nisso.
Apesar de ser obrigada a pensar na morte (o que me dói demais) confesso que estou evitando falar destas pessoas tão amigas que me fazem tanta falta....
Dói muito...
Lindo demais sua postagem.
bjs

Regina Rozenbaum disse...

Beth amaaada!
Que lindeza ficou com esse bordado feito por você...bordadeira como você tô pra conhecer. É isso, sentimos tanto as ausências dos que nos são queridos que tem dia(s)que a dor da saudade anestesia. Mas é bem como postei lá no face: "Quando sinto saudade não é pq a pessoa está longe, mas pq ela está dentro."
Beijuuss n.a.

Misturação - Ana Karla disse...

Beth, não dá nem pra comentar a intensidade desse poema.
Fico emocionada, por tantas já vividas e sei que ainda é tão pouco.
Gosto de relembrar das pessoas queridas que já partiram, mas tento compreender ao máximo assim como aqui escrito.
Lindo post amiga do meu coração.
Xerossss

Palavras Vagabundas disse...

Muito lindo e muito sábio!
bjs
Jussara

Marilac disse...

Beth
Intenso e lindo esse poema, assim como seu belo post.
A morte sempre nos deixa parados, confusos e um pouco assustados diante da sua inevitabilidade!
Que possamos usar nosso tempo com amor , alegria e sabedoria!Amigos são anjos e com eles vivemos momentos lindos e inesqueciveis! Bjs

Valéria disse...

Oi Beth!
Um post de muita emoção e sensibilidade. A perda é sempre dolorida, mas é verdade, cada vez que pensamos e falamos nas pessoas que se foram elas permanecem vivas, pois estão em nossos corações. Estas duas pessoas queridas pela forma que encaravam a vida, procurando vivê-la com intensidade se regojilaram-se agora com sua homenagem ao fazer com que todas nós nos lembrássemos delas. Lindos poemas e a voz do Boldrim, nossa, arrepia.
Beijinhos e tudo de bom!

ML disse...

Ai, Beth, fiquei arrepiada. É triste , mas não tem jeito: temos de nos acostumar a conviver com a ausência.
Mas é difícil.

bjnhs

Yasmine Lemos disse...

Emoção Beth, perder quem se ama é cruel demais
meu beijo

pensandoemfamilia disse...

A morte é a nossa única certeza e da qual fugimos. Sempre que alguém querido se vai somos pegos de surpresa, não é mesmo?
A sua imagem, cadeira vazia simbolizou tudo o que as palavras nos disseram..
Não podemos fazer de conta,
a ausência fica ali marcando a presença querida que partiu.
Eu não tirei o link do blog da Glorinha dos meus favoritos, pois o que ali está faz parte de podermos conviver com a sua ausência.

bjs

Lu Souza Brito disse...

Beth,

Ontem, ao ver um montão de livros, lemrei da Glorinha instataneamente e me dei conta que completava 3 meses de sua partida.
E pensei nela, e sorri com as lembranças boas do jeito de escrever, falar. Fiquei pensando que se de onde estiver ela puder nos ver, nos sentir, poderá estar rindo com nossas bobagens aqui, mas também sentindo o nosso coração.


Uma lindeza de post, de poema.
Beijo para você!

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

um post mto lindo, querida mãe Gaia.
antes de ontem eu tava pensando na Glorinha. do nada lembrei dela, deu uma saudade mto forte. dai uma libélula pousou bem no meu ombro, mãe Gaia. se é casualidade ou um recado dela, não sei. mas fiquei feliz ao ver a libélula voando e que parecia feliz.

bjs querida mãe Gaia

Lúcia Soares disse...

Beth, perdi um primo (que faria aniversário hoje, 07/07) no final de junho e no cartão que a família fêz tinha esse poema escrito. Emocionante.
A morte é mesmo um assunto que todos evitam, sendo que é a única certeza da vida.
Lembro-me, quase todos os dias, das nossas amigas. É mesmo uma maneira de mantê-las vivas.
Beijo!

Luma Rosa disse...

Sofremos porque sentimos falta das pessoas que nos foram tão caras e que nos enriqueceram, fizeram os nossos dias diferentes e acrescentaram amor em nossas vidas. Sentir a essência dessas pessoas em nós, nos faz sentir que elas ainda estão vivas, mesmo que materialmente aqui elas não estejam. Fica o legado! A genética é um contribuinte mas algumas pessoas fazem marcas em nós, maiores que os genes. Ah, quem disse o que a Camille escreveu fui eu. Eu citei para ela um texto do Shrek que você também leu. Acho que se lembra... Não sabemos os motivos que as pessoas são colocadas em nossa vida, mas certamente que para Deus existe todo um motivo. Não acredito que a pessoa morra e acabe. Acredito em algo muito além do reencarnar. As pessoas não morrem, apenas largam esse corpo físico para trás. Esse pensar para mim é bastante confortável, pois as pessoas que amo e se desmaterializaram, continuam comigo.
Bom fim de semana!! Beijus,

francy´s disse...

Agradeço por compartilhar este lindo poema.
Um grande abraço.
Bom final de semana.

francy´s disse...

Agradeço por compartilhar este lindo poema.
Um grande abraço.
Bom final de semana.

Lamarque Bezerra disse...

lindo o seu espaço. parabens pelo cuidado dele, pelo investimento. ja estou seguindo. abraços lamarque

Socorro Melo disse...

É Beth, o triste da morte é a separação. Aqui, tudo gira em torno do tempo, mas, após a passagem, tudo é eternidade, e eternidade é grande demais para compreendermos.
O poema é lindo, e nos incita a pensarmos nos nossos amigos que já foram, com muito carinho, e naturalidade.

Um grande abraço
Socorro Melo

Menina no Sotão disse...

Eu sempre achei estranho esse não falar da morte. Eu falo sempre porque e uma das poucas certeza que nos envolve. A morte pra mim e um ponto final. E um desaparecer no fim do dia. E não fico triste quando alguém morre porque me considero com sorte por ter tido a alegria da vida do outro junto a mim...

Bacio

Toninhobira disse...

Sim Beth, eu convivi com todo tipo de perdas e de cadeira sempre falo,isto também passará,como voce bem disse neste processo lentamente e inteligente da vida.É uma dor que arde e arde no rever fotos,lembrar fatos e datas e aos poucos vamos nos moderando na dor e vem o sorriso nas lembranças.
É a vida em toda sua plenitude.
Otima sua reflexão e ilustração com estes textos,que conheço.
Que a dor não nos faça descrentes.
Que a dor apenas nos mostre que valeu.
Um terno abraço minha amiga carioca.
Bjo.