.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sua casa ainda mora em você?



Noutro dia li uma coisa interessante, mais ou menos assim:  que somos uma espécie estranha de caramujos, levamos a casa para onde vamos, na imaginação, na memória, casas invisíveis na lembrança, porque somos viajantes precavidos, levamos o abrigo da terra natal e identidade, porque assim evitamos o exílio e nosso próprio desterro.




E é isso que faço todas as vezes que retorno da cidade que amo, e fecho a sete chaves minha casa que deixo na companhia do vento, do canto dos pássaros, do orvalho da manhã e da chuva à noitinha. Eu volto, mas ela está sempre em mim, lembro de cada canto, cada lugarzinho que só eu conheço e sei onde estão as coisas.
Já tenho saudades.


“O importante não é a casa onde moramos mas onde, em nós, a casa mora.”
Mia Couto


13 comentários:

Barbie Girl disse...

Nossa casa realmente tem que ser um lugar de paz e amor, quando era solteira e morava com mamãe e papai, dizia que meu quarto era o meu refúgio, hoje posso dizer que tanto minha casa em Niterói como a da região dos lagos, são para mim meus abrigos, meu refúgio, encontro em cada cantinho, a paz que buscava junto é claro, do meu marido. Eu posso sair, viajar, estar num hotel mas é maravilhoso saber que posso voltar e ter meu lar esperando, com conforto e água fresca.
Beijos

Rose disse...

Que lindo e sensível este post, Beth!
A nossa casa é uma referência de pertencimento. Pertencemos a um tempo, a uma família, a uma história...
Por isso ela segue conosco na memória do coração e para sempre!...
Um beijo de carinho,
Rose.

Lúcia Soares disse...

Beth, seu post vem de encontro ao momento que vivi esses dias, fora da minha casa. Não há lugar melhor no mundo! Todos os dias eu e minhas companheiras falávamos de como estava boa a viagem, mas como estávamos com saudade do lar, da família!
Mas esta não é a realidade de muita gente, há pessoas que simplesmente detestam voltar pra casa no fim do dia. Felizmente somos privilegiadas por uma boa família e nossos lares abençoados.
Bj

RoCosta disse...

'Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu.' - Mário Quintana.
Beijos, muitos e boa semana! :D

Heloísa disse...

Beth,
Essa sensação de fazermos parte da nossa casa, e dela estar "morando" em nós, é muito boa.
Nisso entra não só a parte material da casa, seus móveis, objetos, mas sobretudo seu astral.
Beijos.

Luciana Klopper disse...

Beth, em poucas palavras vc expressou muito! Lindissimo!

Lucia Cintra disse...

A casa na qual morei em Niteroi infelizmente nao existe mais. Foi demolida pra construcao de um predio. O interessante eh que uma das minhas melhores amigas mora na cobertura desse mesmissimo predio e como foi estranho voltar la ano passado pra visita-la e nao a ver minha casa la! Nao sei nem explicar o que senti.

Sim, eu levo essa casa comigo. Minha mae, eu e irmas ate choramos aqui quando soubemos que foi demolida ha anos atras.

Foi onde eu passei os melhores 11 anos da minha vida, um lugar maravilhoso com momentos mais que especiais com minha familia e amigos. Nao tenho palavras pra explicar o que aquele lugar significou e significa pra mim e vai ficar comigo pra sempre!

bjos

Camila Hareide disse...

Beth

Talvez isso explique como aguentamos o expatriamento... O melhor de viajar é sempre voltar pra casa, sempre digo isso!

Tenho andado quietinha mas tô na área, viu?

beijo

Glorinha L de Lion disse...

Beth, que lindo texto, cheio de emoção e poesia...os lugares onde moramos, de alguma forma, ficam na gente...pode até ser uma casa alugada, mas, se fomos felizes lá, carregamos sua lembrança conosco, aonde quer que a gente vá...
Vc fala sempre da minha verve de escritora, mas vc tb não só escreve bem, como em poucas palvras, diz muito...
Te adoro, amiga!
Beijos.

Luma Rosa disse...

James Hillman, seguidor de Jung, escreveu: “Existe relação entre nossos hábitos e nossas habitações, entre o interior de nossas vidas e o dos lugares onde vivemos”.

Por onde passam, os homens deixam suas marcas, sejam as mais rudes, dentro das cavernas, que expressam o impulso ancestral de personalizar o ambiente, comunicando ao grupo social, que aquele é seu espaço. Ou os amantes, que fazem de uma árvore, seu 'lugar' e inserem ali, no tronco, a paisagem refletida de seus corações - Para ali voltar, quando a necessidade de aconchego chamar.

O que guardamos dentro de nós, a casa que nos habita, sentimentos e desejos, memórias e imagens, passado e presente, rituais e ritos pessoais, reflete nossas referências psicológicas e sociológicas.

Para as crianças, a casa é o seu primeiro universo - daí crescemos, damos voltas ao mundo para querer, sempre voltar àquela sensação de aconchego, que tivemos em nosso primeiro universo. Mundo particular!

Eita, me empolguei! Mas este assunto rende viu? :) Boa semana! Beijus,

Lu Olhosde Mar disse...

é onde o coração está. não é o que dizem?? acho que estes é um dos ditados mais corretos!!

ML disse...

Concordo, Beth, claro!

O "doce lar" é onde está quem a gente é de verdade.
Onde a gente se sente bem e não pretende se mudar jamais.
A sua é mesmo maravilhosa, cinematográfica, espetacular!
Eu ainda estou buscando a minha "casa metade"...
Adoraria que 2010 a trouxesse
de presente
pra mim!

bjnhs

Georgia disse...

Beth, que cheiro de saudades esse teu post. Dá prá ver que vc adora essa sua casinha. Pena que vc tenha que viver em outra cidade nao é mesmo?

Um beijo