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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mestre cuca aposentada



Na semana passada, quinta-feira, estive com minha amigona Glorinha. Fui lá em seu apartamento na Urca levar presentinhos e dar um abraço de aniversário nela que já tinha sido na semana anterior, mas que ela não pode comemorar porque estava fora do país. E ela é daquelas pessoas que sabem receber, gosta muitíssimo de cozinhar e qualquer coisinha é um pretexto para fazer um verdadeiro banquete, talvez movida ao sangue libanês que lhe corre nas veias e que aprecia iguarias, misturas e descobertas de novos sabores. Levei a minha mãe comigo e passamos um dia super agradável na companhia da Glorinha e sua filhota Clarissa que regressou de um período de um ano no Porto em Portugal.

O aniversário foi dela, mas quem ganhou presentes foi eu, pois além de ganhar delícias lusitanas como azeite e vinho do Porto, miniatura do bondinho de Lisboa, biscoitinhos de Paris e sabonetes coloridos super cheirosos, fomos recepcionadas com um almoço dos deuses. Além do filé mignon macio, saladas verdes e de legumes, um nhoque que nunca comi na vida de tão leve e gostoso, daqueles que não tem gosto de farinha e parece derreter na boca.

Não preciso dizer que comemos muiiiiiiiito e ainda tinha a sobremesa com cafezinho para arrematar tudo aquilo. Fiquei literalmente apaixonada pelo tal nhoque e aí, coisa que já não faço há tempos, pois não tenho cozinhado com frequência como antigamente, pedi à Glorinha a receita do mesmo e me empolguei toda para fazê-lo neste final de semana para o maridex lá em Petrópolis.

A receita é simples, como todo nhoque, mas o pulo do gato é a batata, pois segundo minha amiga, devemos usar a batata Asterix, aquela da casca cor de rosa, pois é mais enxuta e não precisa colocar muita farinha de trigo para dar a liga e tampouco ovos nem manteiga. O nhoque é só de batata, farinha e sal. Outro detalhe importante que ela me avisou é que a cada vez que tiramos as bolinhas de nhoque da água fervendo, devemos colocá-las num pirex regado a azeite de oliva para não deixar que os mesmos grudem uns nos outros.
E sábado fui toda animada para a cozinha, preparei antes uma super salada verde com variedades de verduras, lindos tomates, mussarela de búfala em bolinhas e pedi ao maridex para comprar no Hortifruti as tais batatas Asterix e mais 1 kg de tomates bem vermelhinhos e maduros para fazer o molho, juntamente com manjericão fresco. Fiz um molho delicioso e com um cheiro de dar água na boca.

Aí preparei um pirex com azeite e depois de cozer as batatas, escorri e pedi ao marido para espremê-las, pois tinha esquecido que não tinha um mixer lá na serra, nem o tal espremedor manual, mas as mesmas estavam macias e tenras, fácil de serem amassadas e ficaram no ponto propício para a mistura da farinha que fui colocando devagar, misturando e acertando o sal, uma pitada de pimenta do reino para dar um gostinho mais acentuado na massa e depois, paramentada como uma grande mestre-cuca, de avental e só faltou aquele chapéu branco pro alto, senti-me retornando aos bons tempos em que fazia diferentes pratos e sobremesas para os finais de semana movimentados com o filho, amigos dele e nós mesmos, curtindo o friozinho da serra.

Fiz tudo como mandava o figurino; espalhei farinha sobre a pedra, amassei e enrolei a massa, cortei-a em pedacinhos quase iguais, como travesseirinhos fofinhos cor de creme e ao mesmo tempo, colocava alguns na panela de água fervente e retirava os que subiam à tona, mais durinhos e prontos. Coloquei-os no pirex e reguei-os sempre com o azeite de oliva. Estava apaixonada com minha criação gastronômica e claro, provei alguns para ver o gosto e posso afirmar que estavam leves como de minha amiga, sem gosto de farinha, somente da batata e eu fiquei toda feliz com minha performance retomada na beira do fogão.

Masssssssssss, quando comecei a colocar a terceira camada dos lindos travesseirinhos cor de creme, sempre regando com o azeite, percebi que os que estavam na primeira camada não estavam muito bem acomodados. Pareciam quando a gente cola a cara num vidro e fica com o nariz esborrachado, sabe cumé! E toco eu a mexer o pirex prá lá e prá cá, tentando fazer os 'bichinhos' se desgrudarem uns dos outros, igualzinho minha amiga Glorinha fez antes de colocá-los na mesa e servir-nos. Nada! Decidiram ficar naquela posição "unidos venceremos" e eu com vontade de colocar tudo na posição "Ctrl+Alt+Del" e dar um stop geral naquilo tudo, mas já era tarde, fui até o final da minha fracassada aventura culinária. A vida real não é como a virtual que a gente pode consertar, photoshopar, refazer ou deletar de vez certas coisas.

Fiquei murchinha, tristinha diante do ocorrido. Gastei meu tempo e minha energia e não obtive o sucesso nesta empreitada, porém fui compensada com a gulodice que o maridex demonstrou à mesa, comendo e tri-repetindo o nhoque (ou purê) com o molho e a saladona. Disse ele que, mesmo não tendo ficado soltinho, estava delicioso e o gostinho do azeite português entranhado nele deixou-o mais saboroso ainda. É um marido cúmplice até nisso, nos meus erros ou acertos, então o que eu quero mais, né!

Contei pra Glorinha meu insucesso e ela me alentou, dizendo que com ela aconteceu o mesmo nas primeiras vezes e que tem que ir experimentando, sentindo a firmeza e aos poucos acertando o ponto dos nhoques. Ela simplesmente, ama o que faz, cozinha com prazer e não vê isso de uma forma complicada nem cansativa, pelo contrário, sente-se integrada neste movimento e, talvez por isso, tudo fica tão delicioso e certinho.

Tá, tudo bem, mas perguntem-me se pretendo retornar à beira do fogão tão cedo para outra aventura culinária? Nem morrrrrrta! Perdi a mão, não tem jeito mais!

Sabem, em São Paulo tem a Famiglia Mancini que amo de paixão e sempre vamos lá quando estamos naquela cidade e aqui no Rio temos o La Molle que fica pertinho aqui no bairro onde moro. Em Petrópolis tem o Massas Luigi que é ponto obrigatório nas minhas idas do final de semana e, melhor do que tudo isso, saber que se eu ligar para minha amiga de longas datas, Glorinha, ela me prepara a qualquer hora este prato maravilhoso que só ela mesma sabe fazer na medida certa e ainda posso desfrutar da beleza de cenário que seu apartamento tem, com o Pão de Açúcar e o bondinho subindo e descendo e a Marina da Glória cheia de barquinhos pequenos e branquinhos. Pena que esqueci de carregar a bateria da máquina e lá chegando só deu para fazer estas fotos abaixo das comidinhas gostosas que ela fez!




(Nhoque, Salada Verde, Filé Mignon acebolado, Couve Flor)




18 comentários:

Mila Viegas disse...

Eu não poderia ter lido esse post neste momento. Ai que fomeeeeeeeeeeeeeee!!!! rsrs
Mas, olha, o importante é o gosto! Como sua amiga Glorinha falou, com o tempo você vai pegando a manha.
beijos

Lúcia Soares disse...

Beth, não desanime, não! Você mesma sabe bem que nem sempre a gente acerta, "uai"!
Só há poucos anos tomei conhecimento dessa batata, que é realmente apropriada pro nhoque, mas sempre fiz com a comum, mesmo, tomando o cuidado delas estarem "sequinhas", pra que não fosse preciso usar muita farinha. Mas ia na sorte, não tinha como saber qual batata não estava mais "porosa". Enfim, sempre me dei bem com meus nhoques. Há tempos não faço...Me deu uma vontade...Bj

Lucia Cintra disse...

Ficou tudo com uma cara maravilhosa! Eu bem que queria ter entusiasmo assim pra tentar cozinhar algo, mas se voce acha que nao deu certo tontigo, comigo iria ser pior,haha.

bjinhos

Beth/Lilás disse...

Mila,
Tá, mas não volto tão cedo a esta tentativa. Caaaaaansa!
bjs
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Lúcia,
Eu sei, mas enquanto não passar esta sensação de incompetência, prefiro coer meus nhoques por aí, principalmente na casa da amiga.
E se vc sabe fazer bem, acho que vou dar um pulinho em Belô. hahha
bjs
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Lucinha,
É, mas não é sempre que tenho este entusiasmo, por isso dessa vez estava toda animadinha.
Mas, já passou!
E você ainda tem que tentar muitas vezes, é muito mais nova que eu, oras!
beijos
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Ivana disse...

Beth, que comida linda! E deve mesmo ser muito gostosa também!
Eu, mana, não tenho nenhum talento culinário, infelizmente. Mas acho lindo quem tem e sente aquele prazer de ficar hooooooras no fogão. Pra mim, talvez só na próxima reencarnação!
Beijocas!

Heloísa disse...

Beth,
Achei muito engraçada a descrição do seu nhoque.
Mas que pena, nem bem recomeçou e já vai parar?
E olha que você está mil, vestida de mestre cuca.
Beijo.

Ana disse...

Olhando as fotos parece tudo perfeito!
Fiquei com água na boca!!

:))

Cristiane A. Fetter disse...

Minha boca enchei de água.
Eu sou uma nhoqueira de mao cheia, faço um monte de tipos e o que mais ogsto é com aipim.
bjks

Blog do Óbvio disse...

Beth, não desanime. Você ainda é uma criança e tem muito a aprender para depois, com toda a sua simpatia e habilidade, ensinar. Beijos paulistas. Manoel.

rocosta disse...

Beth... ao contrário de minha mãe sou péssima na cozinha hehe
Beijos!

Georgia disse...

Beth, tô aqui morrendo de fome do seu prato. Ficou com uma cara deliciosa; Ah, eu achei que deu tudo certo.

Vou tentar fazer, depois te digo. Eu adoro cozinhar e inovar...

Beijos

Kálita disse...

afh!

Beth, me sentí um peixe fora dágua...nao sei cozinhar!!!!!!!!
tá, nem tanto assim...faço o basicão mas pratos mais elaborados assim eu não sei...
Esses dias estava pensando, se um dia eu fosse a sua casa ia pedir licença da cozinha e fazer um mega jantar pra oferecer pra vcs...dai logo pensei tb: cozinhar o que mulher?
rs
uai, faço um bife ao molho madeira,arroz branco, batatas fritas e salada deliciosos...
dá pra enganar..hehe
Mas achei tão bonitinha a atitude de seu marido...um fofo!

Beijos

ML disse...

Eu amo nhoque, mas nem me aventuro em fazer a massa (é preciso muita paciência e vontade de limpar a bagunça, já que não tenho empregada).
Minha mãe faz, mas com a batata inglesa.
Vou dar este toque nela: batata Asterix.
Não sei se dá para encontrar lá na serra.

bjnhs

PS: sua amiga preparou um banquete. Fiquei com água na boca...

gabriela disse...

Que aspecto tão bom, e a bela discrição do nhoque,eu não sabia o que era, mas pelos ingredientes deve de ser muito bom.
Olhe amiga qualquer dia vou-lhe mandar umas coisitas visto gostar tanto da nossa gastronomia portuguesa.
Beijinho

Beth/Lilás disse...

ML,
Tem batatas asterix naquele Hortifruti bonitão em frente à Catedral. Foi lá que meu marido comprou. Vá em frente e boa sorte!
beijos
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Gabriela,
Ah, obrigada pela gentil lembrança, não precisa se preocupar, antes disso, espero ir aí conhecê-la pessoalmente.

Não sei porque não consigo postar em seu blog, mando comments e não vejo publicado. Que será?

beijos
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Renata disse...

pode ateh ser que nao ficaram no modelito que vc queria, mas as fotos ficaram lindas, e se o marido lambeu os dedos, nao ha recompensa melhor...
:)
nunca fui no famiglia mancini, mas uma prima sempre aparece por la quando vai visitar a sogra. esse ano, o filho dela de 5 anos ateh ganhou uma camiseta da famiglia...
colocou no orkut dela toda orgulhosa...
kkkkkkkk
quero ir tambem!!!
beijos!

As aventuras de uma brasileira no Egito disse...

Web-Mamys

Eu nao curte nhoque nao.....consigo comer duas ou tres bolinhas no maximo, o resto nao desce.....kkkkk.....mas essa receita ai com batatas me deixou ate com vontade......acho que qualquer dia desses vou tentar fazer pro maridex.....kkkkk

Esse post estava tao real que quase comi a tela.....uhahuuhauha

Saudades de ti.

Beijos e fiquem com Deus

Barbrinha

Dani dutch disse...

OI Beth,tudo bem?
Aqui são 8:57 da noite, e estou morrendo de fome com preguiça de levantar pra comer um paozinho.. eu amo nhoque ..
Beth lembra do Oscar do basquete ele disse que todos os dias treinava incansavelmente, isso é um exemplo pra nós em todos os campos da nossa vida ..
bjusss