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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O que pode parecer óbvio, no entanto...


Post reeditado - escrito em 26/07/2009


-Fotos Beth Q.Prédios e novos condomínios aqui no bairro


Morar em grandes áreas urbanas é uma característica de nosso povo, talvez pela nossa raiz colonizadora de viver em casas muito próximas das outras, vilas, vizinhos em cima, embaixo, do lado e hoje em dia em grandes condomínios de prédios com centenas de apartamentos. Estamos tendo que nos adaptar à falta de privacidade, a ouvir o que o outro fala ao celular na maior displicência em lugares públicos ou fechados, o que o outro ouve no seu carro e quer que todos ouçam e aquele convívio mútuo de sociedade urbana que, no fundo é igual desde sempre, porque a humanidade sempre buscou viver em grupos desde a mais remota era.


O texto abaixo, da jornalista Adilia Belotti-editora do IG, mostra com bom humor e simplicidade, o que podemos fazer para sustentar nossa posição de "Homo cordialis".
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"Há que se viver com isso.
Mas como?
A revista européia Monocle fez um estudo entre seus leitores para descobrir como seria o bairro ideal. Juntou tudo com algumas idéias bem modernas sobre autosustentabilidade e economia de recursos naturais e chegou a algumas conclusões. O bairro ideal deve ter casas de tamanhos e estilos variados, misturadas com lojinhas, pelo menos um bar ou restaurante aconchegante, serviços 24h para emergências e esquecidos, supermercado, evidente, um parque, um lago, bondes, janelas em vez de ar-condicionados, escola, abastecimento de frutas e legumes através de produtores locais ou, no mínimo, próximos.
Sim, o bairro ideal…um sonho que a gente começa a construir sendo…o cidadão ideal. E é aí que entra o homo cordialis.
Uma espécie que já esteve ameaçada de extinção, mas que, a julgar pela quantidade de cursos e workshops e livros sobre “empatia”, “rapport”, “comunicação não-verbal”, parece que anda procriando, em cativeiro, mas…!
E como seria esse homem/mulher cordial, vizinhos perfeitos, cidadãos do futuro, habitantes impecáveis de um mundo apinhado e tolerante?
Vamos ver…
- dizer por favor, muito obrigado/a, com licença, básico
- respeitar filas, à pé, de bicicleta, de carro
- ser generoso com os sorrisos
- e muito econômico nas críticas
- saber quando oferecer ajuda
- e quando manter distância
- conhecer o mundo o suficiente para apreciar seus múltiplos aspectos
- e tolerar conviver com seres diferentes de si mesmo
- não deve se intimidar com costumes exóticos, ao contrário, encontrar o vizinho tailandês caçando grilos ao entardecer para fritá-los no jantar deveria no máximo provocar nesse ser cordial um sorriso de cumplicidade e, eventualmente, com graça e elegância, ele poderia oferecer uma lanterna
- precisa dominar a arte de conversar, sobre o tempo, economia, política, futebol e até religião sem perder a expressão afável e, sobretudo, jamais, nestas situações, ameaçar seu interlocutor com a possibilidade de, a qualquer momento, transformar-se num missionário furioso
- e saber ouvir é fundamental, numa proporção de, digamos, três perguntas realmente interessadas sobre o outro, para cada minuto de conversa sobre si mesmo
- manter sua vida privada, privada, o que pode parecer óbvio, mas não é, algumas pessoas insistem em compartilhar suas preferências e hábitos mais íntimos, incluindo nessa longa lista de coisas para fazer apenas entre quatro paredes, singelezas, como coçar-se e arrotar, só para dar dois exemplos banais
- evitar compartilhar com os vizinhos seus gostos musicais também é bom preceito, mas compreender que existem festas para as quais não somos convidados e elas podem acontecer bem do lado da nossa janela também é…
- exercitar o olhar direto, amistoso, ao cruzar com outros seres humanos, ousar um cumprimento: bom dia, boa tarde, boa noite! Ser gentil não é obrigação apenas dos políticos…
- entender que a rua, o bairro, a cidade não são exatamente “seus”, são de todos, agora, o seu cachorro, ele é só seu… (isso, aliás, vale para todo o seu lixo e para o seu carro quando ele está parado na frente da garagem do outro ou em um lugar proibido, por exemplo)
- agradecer, sempre e pedir desculpas, quando for o caso, o outro nem ligou? O ser cordial sabe que a maior parte das vezes em que somos de fato cordiais não é por causa do outro, é para alimentar uma sensação gostosa de que afinal estamos longe das selvas…

Tudo isso porque, você sabe, não basta escolher o prefeito e o vereador, você, e cada um de nós, precisa começar já a escolher o tipo de cidadão que gostaria de ser."



19 comentários:

ML disse...

É, Beth, não é difícil ser cordial com gente educada - pelo menos como a gente.
Difícil é "aturar" o barulho, o non sense, gente espaçosa, "najas", motoristas "djs ambulantes" e afins.
Eu tenho muito o que aprender em matéria de cordialidade.
Porque minha paciência esgota-se rapidamente...

bjnhs

Lúcia Soares disse...

A boa convivência é mesmo fundamental.
Um lugar onde não tivéssemos medo de sair à rua é o que seria ideal.
Um ótimo texto.

Lucia Cintra disse...

Olha, seguinte: eu quero uma casa com MUITO espaco entre a nossa e os visinhos. Nao suporto barulho, nem quero ninguem grudado em mim.

Mas morar em aptm tb tem suas vantagens e dependendo do lugar, ate acho gostoso. Tenho planos de um dia ter minha casa e comprar outra numa praia e ter um aptm ai no Brasil ou em NY. Acho mais facil de cuidar.

E essas fotos ai!!! Sei que quando morava em Niteroi, nao tinhamos nem 1/4 dos predios que ja foram construidos, mas ainda me deixa suspirando ao ver esse lugar onde passei 17 anos de minha vida! Mais do que o seu post, amei as fotos que postou!!! Seu ape fica quase colado na rua onde morava.

bjos

Georgia disse...

Beth, é verdade que as pessoas preferem morar em grupos do que isoladas. Esses costumes pertencem mesmo as nossas raízes; na Turquia, na Tunísia e outros países eles vivem ainda em família até se casar, exatamente como no Brasil...

Bjus

Camila Castro disse...

É, Beth, o "ser cordial" está em extinção... Saí de SP pro meu pequeno paraíso aqui, e venha inverno de montanhas de neve, escuridão e muitos graus negativos, não me arrependerei. Morar na SELVA estava fora de cogitação... Mas vc pensa que o povo aqui é cordial? Nã-não, quantas vezes já fui quase atropelada por carrinhos de supermercado... Mas nada nessa vida é perfeito.

Seu post é extremamente pertimente ao momento em que vivemos - e à situação em que se encontra a humanidade...

beijos

BRUXINHA disse...

Beth , vim te agradecer o carinho num momento difícil pra nós , agora o pior já passou , vamos ver a recuperação dele nos proximos dias. Um lindo fim de semana pra vc , bjs

Somnia Carvalho disse...

Lilas queridinha, assim voce nao me deixa voltar mais... considerando esse belo texto eu poderia concluir que vivo no "bairro ideal" apesar de que eu ate gostaria que as pessoas dividissem um pouco mais da vida delas... o resto: casinhas, parques, lujinhas, tudo é onde moramos.

e respeito e algo que todo dia eu agradeco por estar recebendo.

beijocas

Luciana Håland disse...

Se houvesse essas regrinhas e fossem respeitadas, seria bom demais, aliás, as regras existem, pois são as regras da boa convivência, mas acho que pra o povo seguir teria que ser lei.
Mas os condomínios tem regras/leis e mesmo assim muita gente não respeita, infelizemente.
Adorei o texto.
Beijo

Isabella disse...

Oi Beth, eu ando na dúvida que as pessoas saibam conviver em sociedade, viu? E olhe que aqui as pessoas são bem educadas na maioria das vezes...

bjs

ONG ALERTA disse...

Conviver é aprendizado...se conhece as pessoas quando passamos mais de 24 horas...
Beijo Lisette.

Dani dutch disse...

WEb mae,
Com o stress diario e as horas contadinhas pra chegar no trabalho, levar os filhos na escola, ir ao supermercado, ir a escola e etc... muitas pessoas vao se esquecendo que elas vivem em comunidade, e as vezes vemos cada coisa!!
bjuss

Beatriz disse...

Ah, como eu queria morar neste bairro.....E como falta cordialidade entre os homens na Terra!
Beijinhos minha querida!
Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Misturação - Ana Karla disse...

Beth, que texto perfeito.
Para mim a privacidade é um começo importante. Como no texto, detesto essa banalização de gritar aos quatro cantos do mundo o que se faz e o que se tem.
Respeito.
Cordialidade.
Ouvir...
Todo o conjunto para um bairro perfeito.
Xeros

Liz - Como as Cerejas da Minha Janela... disse...

Oi, Beteh!
Adorei este lindo texto! tomara todos pudessem lê-lo e seguir pelo menos algumas regrinhas...

A harmonia é muto importante para que tenhamos uma vida equilibrada e com mais serenidade. E como diz aquela campanha: gentileza gera gentileza.

Lindo post!

Eu recebi sim seu email de felicitações e agradeci, logo no começo no texto. Que lindo, amei demais! obrigada pela lembrança e pelos lindos cartões, de coração!!
Agora vou esperar o seu para retribuir! avise!!

Estou correndo de novo por causa do trabalho. Só hoje parei para visitar blogs. Rezando para o fim de ano passar rápido e voltar a calmaria.
Beijos com carinho e obrigada de coração pelos lindos cartões!!!

Camille disse...

Bacana isso Beth,
Ser cidadão é uma obrigação e quase um estado de espirito. Aqui no meu predio tenho a oportunidade de exercitar essa coisa. O predio esta cada vez mais "ONU", muitos estrangeiros com costumes bastante diferentes e muitas vezes sem precisar aprender o Portugues...
Quanto as casas e lojinhas, isso me lembra aqueles bairros maravilhosos dos suburbios americanos. Para Sao Paulo ficar assim é preciso apagar e fazer de novo ne? Nao tem jeito.
Quero te dizer que se nao venho sempre aqui é por que alguns blogs, onde se inclui o seu, saem sozinhos da minha lista de atualizaoes e vao parar em outra lista. Nao sei como isso funciona por que nao sou eu quem mexe no blog. Acho que é automatico. Enfim, vou perguntar como posso dar um jeito nisso.
Um beijo para voce e boa semana para todos nos, com muitos sorrisos, da licença e muito gratos.
Cam

Toninhobira disse...

Beth, este texto é fantastico nesta linda receita de ser gente.O mundo carece deste ser,por isso vivemos aos trancos.É preciso exercitar ser independente do outro e assim teremos o lugar ideal,que é aqui e agora.
Em tempo linda sua participação no pensandoemfamilia,viajei com voce pelas ruelas com aroma citrico e cores maravilhosas.
Ah, tomei banho de chuva dançando na chuva.
Meus parabens sempre amiga.
Um carinhoso abraço.
Bju.

gabriela disse...

Oi amiga que saudade tenho andado ausente da net, mas hoje passei por aqui para te deixar um grande beijo com muita saudade

Pitanga Doce disse...

Bom dia, Beth! Nunca a expressão "caos urbano" foi tão acertada para o momento. Principalmente com a chegada do Verão, onde todo mundo pensa que ser jovem e feliz é fazer muuuito barulho.
beijos pitangueiros

Lúcia Soares disse...

Beth, continuo pensando que o ideal, nesse caos urbano, seria que a violência não existisse e pudéssemos viver em paz, saindo e voltando quando quiséssemos.
Mas o que mais vemos são pessoas cada vez mais histéricas, mais mal educadas, mais individualistas. Os jovens, então, perderam o parâmetro do que seja viver bem em sociedade.
Um texto sempre atual, né?
Bj