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domingo, 28 de junho de 2009

Uma flor para Jean Charles

(Foto-Marielliot)

Nada como um cineminha numa tarde amena de inverno! Fui lá, conferir o Selton Mello que gosto tanto e conhecer melhor a história de Jean Charles, confundido por um terrorista e morto pela polícia inglesa no metrô de Stockwell pelos 'conceituados' agentes da Scotland Yard, em 2005.
Não só o ator Selton Mello trabalha muito bem, como sempre, quanto a atriz Vanessa Giácomo e os outros coadjuvantes excelentes os quais desconheço os nomes.

Mas o que eu queria dizer mesmo é que o filme, apesar de não muito centrado na vida pregressa de Jean Charles no Brasil e daquele tempo em que ele estava em Londres, pois precisava de um retrato mais humano de Jean Charles, mostrando o lado difícil que é para um brasileiro com poucas qualificações morar noutro país, às vezes mostra um rapaz pouco sério, meio fanfarrão e golpista, mas na verdade acaba sendo um filme que prende e nos faz sentir uma tristeza profunda por saber que temos tantos irmãos nesta situação aí fora, trabalhando e sendo tratados com preconceito por povos que precisam dessa mão de obra, já que não querem mais botar as mãos no trabalho duro ou sujo.

Jean Charles virou um mártir até mesmo na Inglaterra e todos os imigrantes, árabes principalmente, usam-no para representá-los em suas reivindicações ou protestos.


Quem produziu este filme é um brasileiro chamado Henrique Goldman que mora atualmente na Inglaterra e sabe exatamente a dureza que é a vida do imigrante pobre na luta pela sobrevivência.


Noutro dia, o amigo Rui lá em Portugal, perguntou-me porque os brasileiros saem tanto hoje em dia para trabalhar lá fora, já que o Brasil está cada dia se colocando melhor no cenário mundial como um país promissor e rico.

Hoje, depois que vi o filme, fiquei pensando e conversando com meu marido a esse respeito e cheguei à conclusão que a resposta é que: o Brasil, na forma de seu governo, não ama o seu povo, não abre caminhos para o trabalho aqui mesmo, não consegue resolver a disparidade salarial secular que há no país, somente enriquece os cofres e os políticos.
Como nos países do primeiro mundo esta pirâmide salarial é bem achatada, isto é, mesmo funções de baixa especialidade, percebem remuneração condizente e várias vezes maior ao que é recebido no Brasil, por isso, muitos Jeans Charles ainda irão sair à procura de mundos melhores e até encontrar um lugar ao sol, sofrerão na pele, atrás da tão sonhada chance para uma vida melhor e de conseguir dinheiro para si e para suas famílias no Brasil.


(Cena do Filme Jean Charles)





21 comentários:

Georgia disse...

É isso mesmo Beth, o Brasil nao ama o seu povo, nao cuida do seu povo.

Mas olha, os portugueses também estao em massa saindo de Portugal. Aqui só na minha cidade é uma loucura de tantos portugueses, eles têm desde um clube, igreja própria, escolas, como fecham uma vez por ano um final de semana com a festa de rua tradicional dele. Luxemburgo, um país pequeno é quase que tomado pelos portugueses. Entao, nao é só o Brasil que nao sabe amar o seu povo nao. Seria um problema de colonizacao???

Um grande beijo e uma linda semana

Camila Castro disse...

Oi! Cheguei aqui pelo blog da Luciana - apesar de já ter lido aqui outras vezes... O títilo de seu post me chamou atenção, porque li aqui http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/06/cri-critica-de-trailer-jean-charles.html um excelente post sobre o assunto.

E sobre os brasileiros fora... Na verdade a grama é sempre mais verde do outro lado. Durante quase 10 anos trabalhando fora, conheci centenas de brasileiros que saíram do Brasil em busca do "sonho da vida melhor", e ao serem apresentados à vassouras e esfregões imediantamente esbravejavam que não haviam saído do Brasil para varrer piso. Bem, esses não triunfam jamais.

Os que tem sucesso fora são poucos, e suas histórias são de resiliência e de coragem de pegar no batente. Não culpo só o governo brasileiro, vai levar algumas gerações pra consertar o que 500 anos de história de injustiça social construiu aqui. Culpo a mídia - o Globo Repórter, jornais e programas do gênero, além da mídia escrita e daquela novela da Globo - não lembro o nome - por difundirem sempre que todo brasileiro que sai se dá bem. Não é assim.

Tomara ao menos que a história de Jean Charles mostre a realidade - apesar de que o tipo sonhador que vai atrás do sonho apenas com a passagem no bolso não seja público típico de cinema...

Mas achei sua perspectiva interessante. Depois conte se o filme tá tendo boa repercussão, fiquei curiosa - e louca pra assistir!

abraço
Camila

Renata disse...

Filmes como esse deveria tambem sair do brasil... vou ateh procurar por aqui, quem sabe, neh?
beijinhos.

aminhapele disse...

Bem minha amiga,a minha pergunta referia-se a brasileiros altamente qualificados,com especialidades de grande procura no mercado de trabalho e que,certamente,aí farão falta.Veja a quantidade de grandes cérebros que andam espalhados pelo mundo.Não me referia aqueles que são obrigados a fazê-lo apenas por uma questão de condições de vida.Nesta saga,infelizmente,continuam milhares de portugueses.

Luciana Håland disse...

Bom ler esse seu ponto de vista.
Em outros blogs vi que tava rolando um boicote ao filme por causa do diretor.
Realmente muita gente procura oportunidades fora do Brasil, mas antes a coisa era melhor, agora já está bem mais difícil conseguir trabalho, conseguir viver bem com o salário que se ganha no exterior, e com essa crise muita gente tem feito o caminho de volta pra casa. Eu tenho uma amiga que largou tudo pra ir tentar a vida nos EUA, mas isso já faz uns 5 anos ou mais, e quando conversei com ela, há dois anos, ela estava pra casar, mas disse que se não fosse isso ia voltar pro Brasil, estava no limite, muito alto o custo de vida, tinha que ralar em vários trabalhos pra conseguir viver ou sobreviver lá.

Beijo

BarbieGirl disse...

É isso mesmo Beth, o Brasil deveria valorizar mais o povo, o trabalho!!
Lá fora se trabalha mto menos e ganha muito mais, e não deixa de ser um país rico, pq não fazem isso aqui??

Me deu uma vontade de pegar um cineminha!!!

bjks

P.s: Para onde mando a foto que vc me pediu? bjks

Beth/Lilás disse...

OI, MEU POVO QUERIDO!

Bem, eu comentei sobre o filme do Jean Charles, mais sobre o enfoque humano e de compaixão que tenho por pessoas como ele que vão para fora do país atrás de um sonho e acabam se machucando muito ou não têm outro tempo na vida a não ser trabalhar e enviar dinheiro para as suas famílias e vivem aquela vida de cão que todo mundo já sabe.

Sobre quem vai numa outra categoria, realmente não sei explicar ao amigo Rui, talvez a convite ou uma colocação boa em áreas de suas empresas e que vale a pena, afinal o dimdim é sempre muito bom e dá até pra fazer um pé de meia legal.

Fui lá na Lola ler seu post sobre o filme, mas vi que ela fala sob outro ponto de vista, o de boicotar o tal diretor que se vangloriou de ter estuprado aos 14 anos a empregada doméstica dele e ao que parece, mesmo depois de 30 anos continua sendo um bestalhão e ainda conta vantagem para a revista Trip.
Talvez se eu tivesse lido isso antes, não teria ido ver o filme porque ficaria sugestionada pensando no canalha, mas como não li, acabei vendo o filme pela ótica que lhes falei - da compaixão.

Uma pena também que o ator Selton Mello esteja em mais outro filme em cartaz neste momento e aí muita gente se interessa para ver o outro que é mais comédia e besteirol, ainda por cima vem as férias do meio de ano e muitos outros filmes divertidos são mais procurados e vistos, como a tal Era do Gelo 2.

Este filme, sobre Jean Charles, na verdade é pequeno, não muito esmiuçou, como lhes falei, a vida antes e depois do rapaz, poderia ser mais completo, retratar mais profundamente a saga deste e milhares de outros brasileiros que sairam para tentar vida lá fora, mas o produtor mostra o filme de uma forma diferente, visto pelo olhar e atitude da prima de J.Charles que foi prá Inglaterra com a ajuda de J.Charles e que depois da tragédia, volta a Londres e continua a fazer sua vida lá pela Europa, mostrando que preferia aquela vida difícil do que aturar a pobreza social e intelectual da cidadezinha do interior que ela pertencia.

Obrigada a todos pela participação e comentários legais que deixaram aqui.
beijos
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Lucia Cintra disse...

O problema eh que se vc vai ou fica ilegal num pais estrangeiro, vc nao tem direito a nada, inclusive nao vai conseguir um emprego decente e tem que aceitar trabalhinhos assim que nao te pagam bem.

Posso falar como eh aqui, que vc necessita ter uma forma de identificacao expedida pelo governo pra ser contratada ou ate mesmo conseguir um lugar decente pra morar. Tem lugares que ate mesmo exige um historico de credito e se vc nao esta aqui legalmente nao tera isso tb. Eh complicado.

Mesmo os que conseguem uma oportunidade antes de sair do pais, o que acontece qdo esse periodo termina e tem que voltar pro Brasil? Ja conheci gente que acabou ficando depois que acabaram uns estudos e alguns se derem bem, outros nao. Poucos conseguem sucesso e ate cidadania eventualmente (os que estao aqui legalmente), mas a maioria acaba trabalhando como baba ou empregada. E fala serio, eh esse o sonho que tiveram?

Nao vi esse filme, mas fiquei interessada. Vou ver se consigo aluga-lo por aqui qdo sair em DVD, pois nao esta passando no cinema. Bjos

Ciça Donner disse...

Maninha aquela foi uma tragédia muito triste e quer saber, mostra nosso medo, nosso panico. O mundo está perdendo a razao!

Cristiane A. Fetter disse...

O Rui está meio por fora. A quantidade de portugueses que existe nos EUA é imensa.
Não sei quanto ao Jean, mas este problema acontece muito com pessoas indocumentadas, ou seja, sem o status legal no país que estão.
Como estão ilegais são sujeitas a situações, as vezes, até mesmo perigosas. Vivem um pouco a parte da sociedade, já que em muitos casos precisam se esconder da polícia.
Mas mesmo assim é muito triste, e mais ainda ver que brasileiros se sujeitam a viver esta situação.
Mas não somos donos do coração dos outros e só estas pessoas sabem pq estão aqui.
bjks

RoCosta disse...

Amanhã vou assistir... depois volto pra comentar aqui.
Beijão!

Déia disse...

Vim te conhecer e adorei! Voltarei em breve! Não vi ainda esse filme!
Adoro o Selton Mello e quero ver..
Esse caso, não desce até hj em minha garganta.. odeio coisas que ficam "por isso mesmo"
bj

Flávia Fayet disse...

To louca pra ver o filme... Mas pra variar vai demorar... Beijosss e uma semaninha maravilhosa

Simone disse...

Oi Beth, vim atrvés do blog Saia Justa, concordo plenamente com vc. se o Brasil desse oportunidade aos seus de ter uma vida digna, muitos não sairiam daqui para se prostituir, morrer lá fora, trabalhar duro morar ecomer mal lá fora.abraços.Simone

ML disse...

Só não entende o Brasil quem não mora aqui.

Por cima filó-filó, por baixo um mulambo só.

É como olhar o Rio da janela do carro - em movimento, claro - e dizer "cidade maravilhosa".

Quando o sinal fecha, não dá para olhar a paisagem: a gente fica de olho mesmo nos assaltantes.

Talvés isso explique ao seu amigo porque tanto brasileiro sai daqui para tentar...

bjnhs

Sonhar é Preciso disse...

Os imigrantes ilegais por aqui sofrem e muito. Os legais que trabalham, ganham seu pao e paga seus impostos e acredito que tambem sofrem, pois aqui se ganham bem, mas tambem se gasta bem, se paga muito imposto, sistema de saude nao existe pra todos. Se vc trabalha(dependendo da empresa) voce tem seguro saude que nao cobre tudo que vc imagina que cobriria e se vc fica desempregado voce perde o seu seguro saude tambem.Pra se receber saude de graça aqui, voce tem que tá na miseria e praticamente morando na rua, sem nem um tostao furado.
Aluguel aqui é caro, comida aqui é cara , custo de vida um absurdo....como eu disse se ganha bem mas se gasta bem mais. Entao de que adianta ganhar mais e gastar mais?
bjs,
me
bjs,

Isabella disse...

Oi Beth, vou ver se tem no Netflix.

bjs

Lúcia Soares disse...

Ah, Beth, eu sempre achei uma ilusão "ir pra fora" pra ganhar a vida.A maioria das pessoas não tem a mínima noção do que é viver longe de família, trabalhando em algo que não faria aqui. A Elena falou tudo. Bj

Heloísa disse...

Oi, Beth,
Também acho muito triste a vida dos imigrantes, principalmente quando têm que se submeter a sub-empregos.
Hoje as coisas mudaram muito. As pessoas que saem em busca de um "pé-de-meia" nada estão conseguindo. Muitos estão voltando. Veja o caso dos dekaséguis.
E entre nós, sinto que as coisas melhoraram para as camadas mais simples da população. Parece que estão conseguindo consumir melhor, e até realizar o sonho da casa própria, com o novo programa de financiamento da CEF.
beijos

Mila Viegas disse...

Passando para dar um "alô" e dizer que, infelizmente, algumas vezes para se ter o reconhecimento merecido aqui em nosso país, a gente precisa sair dele. É pena!

Agora não estou conseguindo desenvolver o meu raciocínio como eu gostaria, mas tenho uma idéia formada a esse respeito justamente pelas coisas que vemos acontecer com conhecidos ou não.

Super beijos!

RoCosta disse...

Gostei muito do filme, Beth. NO mais conversamos pelo email, ok?
Bjs