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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Compaixão

(Google imagens)


Há dias leio um livro de memórias de Rubem Alves (O sapo que queria ser príncipe). Levei-o nesta última viagem que fiz, mas confesso que só o peguei no avião, na ida. Depois, foram tantas novidades que ele ficou esquecido na mala.

Vir para minha casa de Petrópolis é uma chance de me desligar da correria do mundo, até do computador um pouco, pois aqui não o possuo, somente uso esta ferramenta quando meu marido chega nas sextas-feiras e me traz seu laptop.

E o livro de Rubem Alves tem me feito companhia, juntamente com a Emmy nestes dias. O estilo do autor, transforma cada relato em uma deliciosa lição de vida repleta de filosofia e poesia.

Observando minha cachorra nestes dias, vendo sua velhice e as doenças advindas da mesma se aproximando, entristeci-me um pouco, pensei no quanto ela foi bela na sua juventude e a fofura que era quando a compramos com apenas dois meses em Juiz de Fora. Filha de campeões da raça, participou somente uma vez de um desfile e ganhou um prêmio de Jovem Campeã, depois não a levamos mais, pois vimos o desgaste que era para ela e para nós a cada evento desses.
Teve sempre uma boa vida, boa ração, carinho e o nosso respeito.
Mas tudo e todos nesta vida passam e ela está se preparando para a despedida.
Sentimos isso a cada vez que a vemos. É a vida!

Fiquei parada numa página ontem e pensando sobre a "Compaixão" que *Rubem Alves descreve em poucas linhas:


"Leia, bem devagar, isso que Ricardo Reis escreveu: "Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Nem distingue a memória do que vi do que fui".
Imagino que aqui se encontra uma das marcas da nossa humanidade. Vejo algo fora de mim. Mas os meus olhos trazem o que está fora para dentro de mim. "Aquele arbusto" - ora, aquele arbusto... Vegetal, nada tem a ver com o poeta. Mas os meus olhos o veem e percebem que ele está fenecendo. Sou movido por uma imensa e irracional compaixão. Recolho o arbusto que fenece dentro de mim. E eu feneço também.
Sou o que penso? Sou o que vejo. Meu corpo é do tamanho do meu olhar. Os olhos do poeta teem braços que vão até as estrelas".

Neste momento acabo de receber um postal que o marido trouxe, recebido lá em Niterói, enviado pela jovem amiguinha Clarissa, sobrinha do coração, em visita à Paris. Tanta juventude e alegria ela me passou em suas breves e gentis palavras e isto me encheu de ânimo e esperança para a vida.
Um ótimo final de semana para todos. Beijos.
*Rubem Alves é pedagogo, poeta, filósofo, cronista do cotidiano, contador de estórias, ensaísta, teólogo e psicanalista. Encanta os leitores com suas palavras e é um dos intelectuais mais respeitados do Brasil.

13 comentários:

Mariana disse...

Foto boa dessa casa com flores, lembrando a primavera nesse texto sobre o outono da vida! Bjs à ti, carinho na tua companheira!

Anny disse...

Beth:
Sabe, tem coisas que nos comovem e nos faz ter uma grande compaixão. Principalmente animais que nos acompanham pela vida afora...

*Anotei o nome do livro de Rubens Alves. Gostei da dica. Obrigada.
Um bom fim de semana.
Beijos.
Anny.

Cristiane A. Fetter disse...

Vida, detalhes, momentos, sentimentos, olhares, tanta coisa.b
bjks

Lúcia Soares disse...

A biografia dele é muito rica. Ele é um intelectual de gabarito, como poucos no Brasil. E como a mioria dos "poucos", ele é mineiro. Tenho muito orgulho da contribuição de Minas Gerais na nossa literatura.
(Sem querer desmerecer nenhum Estado. Todos têm sua contribuição. Vide Erico Veríssimo, Rachel de Queiroz, e tantos e tantos que estão pelo Brasil afora.Eu "puxo a sardinha pra minha brasa", claro, né?!)
Quando digo que há "poucos" representantes das letras no Brasil, refiro-me à dimensão desse país, pois em vista disso, são poucos mesmo, os que escrevem pra nos sensibilizar.

Beth/Lilás disse...

Mariana,
Adorei este colocação sua "sobre o outono da vida"! Acho que vou até mudar o título desse post.
bjs
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Anny,
Pois é, menina! Os bichos são tão amigos, não pedem nada em troca, apenas nosso carinho e estima.
Não deixe de ler este autor, pois é ótimo!
bjs
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Cris,
Você também sabe o que é este amor, náo e? Vi o teu carinho com aquele bichinho peludo e pretinho que é o teu cachorro.
beijocas
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Lúcia,
É mesmo, temos tão poucos representantes intelectuais neste país tão imenso!!!
Estou lendo o livro do Rubem, devagar, sorvendo cada frase dele, pois é de muita profundidade e sensibilidade.
Quanto aos bichinhos queridos nossos, também não penso em ter mais depois dela. A gente sofre muito quando eles se vão.
beijocas

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dácio jaegger disse...

Bem, viagens são altamente enriquecedoras da alma. Aprende-se muito com as experiências diferentes que deram certo. Poder aplicá-las no nosso entorno é melhor ainda. Animais, principalmente os que vivem conosco, acabam fazendo parte da família. E quando vivem dentro de casa em total liberdade, nós os "humanizamos". A vida é finita e assim como compreendemos a dos humanos, sabemos também compreender a dos outros seres. Bjs.

Wilma disse...

Beth já li alguns textos de Rubens Alves e gostei muito, nem sei se já postei algum. Quanto a Amy, é triste tudo o que você descreveu. Que ela não sofra tanto, pois com 12 anos, ultrapassou o que dizem que cachorros maiores duram de 8 a 10 anos. Que neste finalzinho você possa ficar com ela, pertinho, pois é tudo que eles querem da gente.

aminhapele disse...

Quando tiver oportunidade não deixe de ler "No ano da morte de Ricardo Reis",de José Saramago.
Um abraço.

Luciana Håland disse...

Beth, um bom final de semana pra você também.
Esse seu cantinho em Petrópolis deve ser tudo de bom, e se desligar da correria do dia-a-dia faz muito bem, até mesmo ficar longe um tempo, mesmo que curto, do computador.
Ando tentando me desligar do computador e fazer outras atividades, não só pelo problema de coluna, mas pra não me bitolar.
Gostei muito do texto, vou procurar mais desse autor.

beijo

Ana disse...

Isso do "outono da vida" tá mexendo comigo e, por coincidência, tudo que leio, hoje, me faz ficar mais impressionada com este tema...

(Acho que estou entrando na "adolescência da 3ª idade!)

Beijo!!

Beth/Lilás disse...

Dácio amigão,
Que lindo o que vc disse "humanizamos"nossos animaizinhos queridos. É verdade!
Sinto a Emmy como um ente da família que está bem velhinho e com sintomas de esclerose.
Adoro sua visita.
abração

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Wilma,
Você que tem seus lindos dogs sabe bem o que estou falando, né.
Pode deixar que estamos dando a ela todo o carinho que precisa.
beijos
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Rui,
Pode deixar, já anotei aqui.
abração

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Luciana,
Eu tento de vez em quando ficar sozinha comigo mesma, aliás gosto muito e vir prá cá consiste nisso e em dar companhia para a Emmy.
Espero que vc melhore deste problema na coluna.
beijáo

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Ana,
Fica fria! Todos estamos caminhando para este outono e o importante é vivê-lo em plenitude como se fosse um verão de nossas vidas.
E você tá com tudo em cima prá isso, amiga!
beijocas
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ML disse...

Oi, Beth:
Tenho certeza que sua Miss Emmy está felicíssima.
Porque ter uma família querida é melhor do que ganhar sozinho na mega sena acumulada.

bjnhs

Georgia disse...

Recebi da Regina Coeli, uma amiga de blog um livro do Rubem. Nao foi esse, foi um outro. Bezh, fiquei apaixonada, ele é sensacional mesmo.

E receber cartao postal é ótimo, nao?

Um beijo grande