.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Vida urbana. Blergh!

Hoje saí para uma missão agradável - comprar presentes. Vem aí o aniversário da sogra e o dia das secretárias, então fui parar no Shopping. Aproveitei e almocei por lá, mesmo não gostando de comida de shopping, mas só em pensar em sair dali, pegar o carro, ir na rua e voltar cansa, então o jeito foi escolher um daqueles restaurantes e comer alguma coisa leve e rápida.

Acontece que hoje em dia, mesmo sendo uma quinta-feira, tem sempre um monte de gente dentro desses centros de consumo e o barulho é aquele comum em quase todos. Lojas de som com música tocando, geralmente Ivete Sangalo, praça de alimentação cheia e gente falando. Aliás, falando alto demais! Não sei porquê essa vontade de se comunicar tanto, acabando em exageros e não respeitando a pessoa ao lado que está tentando almoçar em paz. Como se não bastasse tem televisores ligados e com som alto também. Prá quê isso, gente! Tinha um rapaz, parecia recém-formado em Direito, comendo numa mesa do meu lado e falando ao celular, só que entre uma garfada e outra ele falava alto e explicativo para a pessoa do outro lado, alguma coisa sobre lei para venda de uma moto com algum problema, sei lá! O fato é que isso incomoda e constrange quem está ao lado, pois sem querer ficamos sabendo da vida e das negociações de outra pessoa. Ele falava e gesticulava como se estivesse no sofá de sua casa e volta e meia vejo alguém assim, sentado ou andando, perto dos outros como se fossem os únicos no planeta e quase sempre aos berros como se do outro lado tivesse alguém com problemas auditivos.

No caso dos celulares, invade os ouvidos alheios em ônibus, trens, restaurantes e metrôs. É como um vendedor de peixe na feira anunciando seu produto e poluindo o ar com um som inversamente proporcional ao nosso direito à tranquilidade.


Como se não bastasse nas ruas os carros com equipamentos de som para propaganda política, ou aquele ser idiota que pensa que a música que ele gosta todo mundo gosta também, aí tem que sair por aí ouvindo aqueles funks bregas ou buzinando assim que o sinal abre para o cara da frente andar logo. E tem também o barulhinho pi-pi-pi-pi de entrada e saída de carros em edifícios a qualquer hora do dia e da noite. Criancinhas acostumadas a berrar com a Xuxa em casa aqueles hits fantásticos, tipo: "Vamo pulá, vamo pulá...." e aí chegam na escola, na hora do recreio parece que estão sendo esganados um a um, de tanto que gritam. Aliás, criança brasileira grita muito, só pode ser essa loira quarentona que semeou este mal entre os pequeninos!!! Maledita! Tomara que vá prá Argentina! rsss



A verdade é que o carioca já está acostumado a esta "amplificação do som". Se você vai a qualquer barzinho tem lá um débil com microfone na mão , tudo tem que ser microfonado.
Aí você vai dançar, mas vai com um grupo de amigos, tipo assim na Lapa, por exemplo. Tá, tudo bem, você vai dizer: Mas, lá é lugar prá se dançar somente! Discordo! Acho que você pode levantar-se, dançar na pista e voltar para o seu lugar e conversar com os amigos entre outras coisas, mas não! A música, geralmente, é tão alta que fica todo mundo calado ou então, esticando o ouvido para entender tudo errado do que o outro fala.

Ah, tô fora! Estou na idade do conforto e bem estar! Ok, ok... vou parar por aqui antes que me chamem de velhinha chata. Deu prá sentir que voltei irritada, né!
Mas, experimentem colocar seus ouvidos para escutar de verdade e verão que não estou falando mentira. A cidade é surda!

13 comentários:

denisol disse...

Esse post me lembrou duas reportagens interessantes: essa sobre a cobrança do ECAD em Jaboticabal, o que "calou a boca" das lojas: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u448815.shtml

E essa, antiguinha, sobre a proibição de gritos em feiras paulistanas (coisas do Kassab... mas só quem mora em rua de feira para entender o barulho e a sujeira): http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u133787.shtml

Somnia Carvalho disse...

Querida Lilás,

Senti exatamente a mesma angústia quando visitei o Brasil pela primeira vez, depois de ter passado uns 8 meses só por aqui, sem a poluição sonora...
Era tão exaustivo que eu ouvia o cachorro da vizinha de umas dez quadras longe da minha... construção, buzina, gente fazendo festa dentro do meu quarto, tudo! tudo era tão insuportavelmente barulhento que pensei que não era meu lugar... Depois de uma semana de volta, meu ouvido foi se acostumando àquela coisa de novo... e pensei: que horror! a gente se acostuma! a gente se adapta!

E que maravilha que você consiga sentir tudo isso, porque é triste demais se adaptar a coisas como essas e sentir que tudo é normal!

Tive uma sensação parecida agora em Londres de novo... e eu não percebia isso antes, porque vivia em Sampa... mas só é possível a gente comparar se viveu outra experiência... Talvez o que ocorre é que a maioria das pessoas só conheceu essa opção muito barulhenta de vida, então, elas acham que isso é o máximo e o melhor que podem ter... bem triste....
um beijo!!!

Lúcia Soares disse...

Uns dos tantos "males do mundo moderno". Hoje todos têm pressa. O celular fica na ordem do dia, parece que nasceram grudados nele. Até quem não gostava, aderiu. Não gosto de barulho, bagunça, e desde novinha, não tem a ver com idade. O ritmo de vida hoje é assim, rápido, como se fosse tudo acabar de um momento pro outro. O imediatismo tomou conta do mundo.

Uma Brasileira nas Arábias disse...

Na primeira vez que voltei ao Brasil depois ter morado fora, este foi o meu primeiro susto. Lembro até hoje do homem na porta do avião gritando: "Ô fulaaaaaaano, pega aquilo ali pra mim". Ui! Doeu no ouvido! O avião estava desligado e a pessoa estava ao lado dele, não havia necessidade do berro. Depois, já no saguão, foi a mesma coisa. Acho que lá fora as pessoas falam um pouco mais baixo, ou vai ver, acostumei meus ouvidos a sempre escutar coisas que não entendo, aí nem percebo (ou seja: entra por uma lado e sai por outro).
Até hoje não consegui me acostumar e o barulho me incomoda demais.
Minha mãe, por exemplo, adora almoçar em um restaurante a quilo super barulhento, mas eu sempre dou desculpa e não vou, porque não agüento o barulho infernal. Ela é professora e fala muito alto no trabalho para os alunos escutarem. Volta e meia, ela mesma percebe que está falando alto em casa por reflexo do trabalho e diminui o tom de voz, mas no minuto seguinte, tudo igual de novo. Meu pai e minha irmã falam baixo, marido também, graças a Deus...
Eu também sou meio garota-enxaqueca com barulhos, não é só vc não. Mas descanse e tome um suquinho de maracujá, que agora vc já está no sossego e silêncio do lar. Bjs.

Sonia H. disse...

Você tem toda razão em reclamar. Ontem mesmo eu estava ao lado de uma moça no ônibus e ela ouvia música com headphone. Menina, a música era tão alta que eu ouvia como se ela não tivesse com headphone.
Pensei: será que os tímpanos dela agüentarão por muito tempo?? Ao mesmo tempo, fiquei chateada, pois era uma música que nem conheço, um som desagradável aos meus ouvidos.
A questão do celular é outra novela. Realmente a gente vê cada coisa nas ruas.
Beijos,

Lilás/Beth disse...

Ai, meninas!
Ainda bem que vocês concordaram comigo! Depois que escrevi tudo isso, num misto de raiva e canseira, fiquei pensando que iam me chamar de "velha chata".

Mas, morei fora do grande centro urbano por 20 e poucos anos, daí minha percepção auditiva estar assim tão antenada. As pessoas daqui, não reclamam e nem percebem isso, por estarem dentro deste sistema desde sempre.

beijos para todas
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blogdoronaldo disse...

perfeito. sua avaliação e reflexão dizem exatamente aquilo que muitos de nós gostaríamos de ter falado.

RoCosta disse...

Lilás... estou contigo e não abro.
E aquele sem-noção que abre o capô do carro e aumenta o som que muitas vezes é aquelas porcarias? Odeio mucho.
Quanto ao celular eu até que tentei mas não pegou para mim. Eu esquecia em tudo em quanto é lugar... esquecia de carregar bateria... odiava quem me ligava e antes de mais nada perguntava onde eu estava e o que foi a gota d'água: uma prima me ligou (o assutno nem era importante) e não conseguiu falar comigo, simplesmente me deu a maior bronca desse em dia avisei todos que tinham meu número que estava escostando por tempo indeterminado.
Sei da importância de um celular, e vou acabar voltando a usar uma hora ou pelo menos tentar de novo, pois uma filha adolescente e é bom ne caso de PRECISÃO... mas vou escolher a dedo que darei o número e na hora já vou avisar que é para assuntos urgentes... hehehe
Forte abraço sempre.

Anônimo disse...

Concordo com este post e já reclamei disso em um outro blog que estava falando da cultura festeira dos brasileiros q vão pra outors países. Eu odeio essa barulhada toda neste nosso Rio.vou prestara aternção se estou fazendo barulho sem perceber, pois meu passado adolescênte condena.
Até no concurso q fiz semana passada, tinha um redação sobre isso, de um cara q voltou da Suiça.
Não estamos sós.
Fora barulheira!
bjs

Lilás/Beth disse...

Oi, anônimo!
Poxa vida, podia assinar pelo menos!
È tão bom conhecer novas pessoas.
por favor, heim!
Volte sempre!

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As aventuras de uma brasileira no Egito disse...

Aqui no Egitao, temos o som ensudercedor das buzinas....que funcionam para tirar o pedestre da sua frente, mudar de marcha, virar para direita ou esquerda, ligar oun desligar o carro, e por simples manina mesmo....socorrooooooooooo....kkkkk

Beijos e fiquem com Deus

Lucia Cintra Stevenson disse...

Nossa, se isso e' ser velha, eu estou pra la de sedentaria nos meus 30! Meu marido e eu nao suportamos barulho! Me deixa ate irritada, ao contrario de minhas irmas que gostam de morar no centrao da cidade, onde esta todo o movimento. Na minha opiniao, tem lugar pra isso e vou quando quero (se vou). Crianca gritando, entao!!! Nem me fala que tenho pavor!

Quanto ao celular, as pessoas deveriam ter uma aulinha de etiqueta em como usa-los em publico. ODEIO ter que ouvir conversa dos outros e ainda por cima, super alta! Dependendo onde estou, ou eu ligo de volta pra pessoa (quando recebo um telefonema) ou saio do lugar pra poder conversar.

Exemplo disso foi nesse Sabado mesmo: Estavamos eu e Al entrando numa livraria e precisava falar com minha irma... ela me ligou justo antes de eu entrar e resolvi ficar la fora pra conversar com ela. Nao ia querer que todo mundo escutasse minha conversa, alem do fato de achar que incomodaria os outros. Acho falta de educacao. E se conversasse em Portugues pra ninguem entender, ai que iam ficar me encarando mais ainda! rsrs

bjos

Lilás/Beth disse...

Vejam só o que a jornalista Leila Pinheiro comentou em seu blog sobre este mesmo assunto:

"Há pouco tempo, na minha viagem pra Índia, fiquei surpresa quando cheguei em Dharamshala, cidade onde mora o Dalai Lama, e vi os monges pelas ruas e nos jardins do mosteiro falando sem parar ao celular. Ali, aos pés do Himalaia, numa espécie de paraíso budista, um lugar que inspira quietude e serenidade, pra qualquer canto que você olhe tem um monge conversando animadamente no celular, como se estivesse no aeroporto de Congonhas. Em Dharamshala, perdi as esperanças. E vi que, por algum motivo, estamos fugindo desesperadamente do silêncio. Talvez porque ele, mais do que qualquer outra coisa, nos leva pra dentro de nós – um lugar que cada vez nos interessa menos e onde menos queremos chegar."