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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Palavrão, não!

(Meu irmão, Eu e minha irmã)


Quando eu era criança pequena, lá em Barbacena (brincadeirinha lembrando aquele comediante que tinha este jargão), mas continuando; quando eu e meus irmãos éramos pequenos não me lembro uma só vez de dizermos algum palavrão lá em casa. Apesar de meu pai ser um estilo "carcamano", meio durão, mistura de italiano e português, somente ele é quem falava um ou outro, mas em geral muito mansos perto dos que ouvimos hoje em dia. O máximo era m..... e minha mãe nunca foi de se expressar grosseiramente. Mineira, quietinha e fala mansa, às vezes nem parecia que estava com os três filhos em casa o dia todo. Éramos crianças normais, que brincavam aquelas brincadeiras sadias, tipo amarelinha, pula-corda, queimado, panelinhas, desfile de miss e coisas desse gênero. Meu irmão adorava soltar pipas e jogar bola também. E, se durante alguma brincadeira houvesse perda nalgum jogo, não tinha essa de soltar palavrões, não. Meus pais educavam assim a gente - como não falavam em casa, não era permitido usar isso como expressão de raiva ou insatisfação.

Lembrei-me de tudo isso para exprimir minha indignação ao ouvir há pouco, numa padaria, um menino de aproximadamente 9 anos, acompanhado de sua mãe que empurrava um carrinho com uma linda menininha, possivelmente sua irmãzinha mais nova de alguns meses.
A mãe perguntou ao filho o que ele queria de doces e ele apontou para um brigadeiro com aquelas bolinhas preta e brancas por cima. Quando o atendente deu-lhe o docinho, ao invés dele agradecer, solta um tremendo e sonoro C........, olhando para o docinho com cara de imenso prazer! A mãe, meio sem graça, mas sem chamar-lhe atenção, finge que não ouve e vai logo pro Caixa pagar a compra.
E eu, assim como outras pessoas que presenciaram a cena, fiquei boquiaberta.
Ah, se fosse meu filho!

Imagino que se um guri de 9 anos fala palavras desse calão para expressar sua alegria o que não falará num momento de raiva.

Tá na cara que os pais usam este palavreado dentro de casa e criança repete tudo como um macaquinho.

E, detalhe, que a mãe não era pessoa com aparência humilde, sem instrução ou necessitada e sim uma pessoa que denotava pertencer a uma classe econômica boa.

Está crescendo este tipo de atitude, tanto de crianças, jovens e até mesmo adultos que não se importam de falarem o que querem em público e em alto e bom som. Isto me incomoda muito, pode ser velhice chegando, mas não dá para aceitar e conviver nestes termos.

O Brasil não precisa somente rever sua ortografia e sim a educação de um modo geral e os pais, lembrarem que isto não se aprende na escola, mas sim dentro de suas próprias casas.




14 comentários:

Kenia Mello disse...

Nossa, Lilás, realmente uma criança de 9 anos expressar alegria assim, dá mesmo para prever o modo como ela se expressa num momento de raiva. :)

Não tenho nada contra palavrões - apesar de não ter sido criada falando e ouvindo em casa, meu repertório veio depois. Hehehe
Mas acho que ele deve ser contextualizado e nunca perto de crianças!

Informalmente, falo e escrevo-os, muitas vezes até como recurso estilístico - sem contar que depois de uma topada, um palavrão alivia que é uma beleza! :)

Beijos.

Lilás disse...

Ah, sim! Também aprendi muita coisa depois, mas esse tal aí, hoje em dia aqui pelo Rio, parece que foi incorporado à língua portuguesa.
Todo mundo fala, principalmente homens e perto de senhoras ou crianças. Virou uma palavra para ênfase de alguma coisa. E as meninas também o usam como se fosse normal.
Acho, como você, que até vale xingar depois de uma topada, mas assim gratuitamente é dose!
abraço menina.

aminhapele disse...

Olá!
Aqui,na terrinha,o "futebolês" também ganhou estatuto!
É frequente o uso dessa linguagem,cada vez mais novitos/as.
Conforme o ênfase,o mesmo palavrão dá para a alegria,para a tristeza e para o estrilho...
Felizmente,em casa ou na minha presença,os meus netos não o utilizam.
Pela minha parte,por vezes em caso de infortúnio,solto um ou outro,mas levezinho...
Um abraço.

Lilás disse...

Haha! Levezinho pode, caro amigo!
abraço carioca

Lucia Cintra Stevenson disse...

Concordo com voce quando diz que parece que essas palavras estao se incorporando a nossa lingua e os jovens nao estao nem ai...

Aqui tb e' assim e a cada dia que passa, voce ve mais e mais criancas e adolescentes nao so falando palavroes, mas tb desrespeitando os mais velhos e acho isso muito feio. Acho que eu seria uma mae muito chata, pois eu nao tolero falta de respeito com ninguem, principalmente vindo de uma crianca.

Confesso que como voces, eu tb solto alguns palavroes quando dou uma topada, mas nao faz parte do meu "repertorio diario" - rsrs. O bom e' que ninguem entende o que eu falo se algo assim ocorre na frente de alguem, hihihi. bjos

Menina_marota disse...

Infelizmente cada vez mais se ouvem crianças com esses modo de falar! Tenho 2 filhos e até hoje nunca os ouvi dizer palavrões. Aliás aqui em casa nunca se fala mal, nem meu marido o faz, mesmo quando está zangado algum dia disse "palavrão".

Mas realmente e como disse, isso parte da educação que os Pais dão em casa, porque educação não se aprende na escola.

Um abraço e foi um prazer ter descoberto este blogue. ;)

Uma Brasileira nas Arábias disse...

Eu raramente falo palavrão, raramente mesmo, porque meus pais me acostumaram a não falar. No caso da topada, ok, mas se houver crianças perto, nem pensar, pois elas são papagaios e aprendem rápido demais.
Uma vez que eu fiz uma besteira, minha mãe veio brigar comigo e soltei um "m..." sem querer. Ela perguntou o que eu havia dito e eu não repeti, óbvio, pois não sou boba nem nada. Levei um tabefe na boca e desde sempre lembro disso antes de falar. Óbvio que hoje em dia rimos desta situação, e o tapinha foi de leve. Não sei se é certo, e acho que adotaria outro método se eu tivesse um filho, mas que funcionou, ahaha, funcionou. Bjs.

Kálita disse...

É verdade.Tem algumas crianças que falam palavrões por aqui que me dão uma curiosidade de saber onde é que aprenderam, uma vez que criança somente reproduz o que ouvem.Mas tá demais a liberdade das crianças em falar palavrão como se fosse bom dia...
e não só crianças não, todas as idades adotaram o palavronês no dia a dia...
rs...
saudade dos tempos antigos ;)

Somnia Carvalho disse...

Olá Lilás!
Prazerzão de estar aqui! gostei do seu jeito solto de narrar a infância e as histórias! você escreve gostoso que nem a infância...

e, embora eu ache que palavrão cai muito mal na boca de criança também, eu tô mais é com o Millor... tem hora que a língua portuguesa incorpora o palavrão e a gente só tem mesmo aquele suuuper recurso para expressar o tal do sentimento,..

voce conhece o texto? http://www.lainsignia.org/2005/julio/cul_021.htm

abração!

Isabella disse...

Oi Beth, obrigada e obrigada pela visita ao TQG.

As Marias me lembram tanto a subida da serra pra Petrópolis! Ficava encantada com as cores e não entedia bem o nome Maria sem vergonha... ahahahaha!

volte sempre e bjs cariocas-americanos pra vc.

quanto a esse post, parece deja vú porquê tb sou filha de pai carioca com descendência portuguesa e de mãe mineira e nunca nos foi permitido falar palavrão em casa. Nem que saco, pra vc ter um idéia.

Agora q tenho um menino de 4 anos e moramos na América não deixo q ele fala palavras como stupid, pathetic e boring. Não só pelo significado mas pela atitude q está por trás dessas palavras.

Palavrão tem seu momento mas parece que ficou bonito falar 9 em cada 10 palavras... Se já não basta que essas crianças/adolescentes não saibam escrever em função do vocabulário de mensagens de texto, ainda falam horrores de palavrões...

bjs e vou fuxicar mais ; )

Danton disse...

Olá, Lilás, estou passando para agradecer sua visita ao blog de Danton (sou Cristiane Prates - mãe dele e casada com Giovanni) e comentar que gostei muito da sua "praça". Semana passada num encontro pedagógico discutíamos se devemos ou não ensinar palavrão em inglês. Bom, acho que tanto em inglês quanto em português o palavrão deve estar contextualizado, mas sempre há a opção de evitá-lo...

Beijinhos.

Jacque disse...

Adorei este post, até mesmo porque serve muito para mim, que falo muito algumas "palavrinhas" e acho que não é legal e vivo me policiando.
Adorei a sua visita no meu blog, e fiz um link para o teu blog ok?
Bjos,
Jack - O Cafofo da Jack

aminhapele disse...

O "espaço" sempre foi agradável!
Agora,que encontro a Menina Marota por aqui,o MÃE GAIA fica mais que certificado!
A MM é uma blogueira de referência,uma senhora e uma poetisa de créditos firmados.
Um abraço às duas:Lilás e Menina Marota.

As aventuras de uma brasileira no Egito disse...

Eu presenciei uma cena esses dias que fiquei de boca aberta....um garotinho de 4 anos nervoso batendo na mae, e ela olhava e dizia..."nao posso com ele, soh o pai dele".....e ele socando a mae.....eu fiquei soh olhando e vendo aquela desculpa esfarrapada dela, pois eh muito facil ela dizer que nao aguenta com ele, soh o pai, pois assim ela nao tem o "trabalho" de educar......crianca nao sabe qual eh o limite deles, eles nos testam a toda hora, cabe a nos ensinarmos....parabens para seus pais e para vcs....

Beijos e fiquem com Deus