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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O nosso espaço e como tem gente neste mundo!


Fiquei hoje numa fila enorme nas Lojas Americanas e a sensação era de que o natal já é para amanhã, todo mundo comprando coisinhas ou enfeites para casa, menos uma mocinha que estava atrás de mim, corajosa que só ela, naquela fila, para comprar uma simples barra de chocolate. Mas o mundo é assim mesmo, uns querem muito, gastam muito e outros tão pouco. E como tem gente neste mundo!  Daí lembrei-me desta crônica do Veríssimo abaixo que deixei aqui no blog em maio de 2010 e reproduzo-a novamente porque nosso mundo quase nada  mudou para o cuidado com o planeta e sua gente, o que mudou realmente é que estamos como os americanos, com carros maiores, com muito consumo, crescimento humano em larga escala. O problema maior é que aqui, sequer pensam num controle ou estudo sobre a natalidade, algo que urge há tempos.

"... No Japão, onde muita gente convive há anos com pouco lugar, o espaço é sagrado.  Surpreende a extensão dos jardins do palácio imperial no centro de Tóquio, uma cidade onde nem milionário costuma ter mais de dois quartos, o que dirá um quintal.  É que o espaço é a suprema deferência japonesa.  O imperador sacralizado é ele e sua imensa circunstância.

Já nos Estados Unidos, reverencia-se o espaço com o desperdício.  Para entender os americanos você precisa entender a sua classificação de camas de acordo com o tamanho:  Queen Size, tamanho rainha, King Size, para reis, e, era inevitável, Emperor Size, do tamanho de jardins imperiais.  É o espaço como suprema ostentação, pois - a não ser para orgias e piqueniques - nada é mais supérfluo do que espaço sobrando numa cama, exatamente o lugar onde não se vai a lugar algum.

Os americanos ainda não se deram conta de que, quando chegar o dia em que haverá chineses embaixo de todas as camas do mundo, quanto maior a cama, mais chineses."

Quem escreveu esta pérola foi o maravilhoso escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo em "O Mundo é Bárbaro".

Ótima crítica social e ao mesmo tempo bem humorada a  forma dele colocar a questão do espaço que ocupamos hoje em nosso planetinha, afinal num momento em que o próprio "ser humano trata de perder volume, não por razões estéticas ou de saúde, mas para poder caber no mundo", como ele também diz, vemos o exagero que o mesmo ser humano comete ao adquirir carros gigantescos e pouco econômicos, excesso de produtos à venda e adquiridos sem pensar ou pesar se vale à pena, as cidades crescendo de forma desordenada e alastrante , como também o pouco interesse dos governos em pensarem uma nova forma de controle da natalidade e o planejamento familiar.

Este mundo ainda é mesmo bárbaro!  E Veríssimo começa sua cronica como termino por aqui:
"Já somos 6 bilhões, não contando o milhão e pouco que nasceu desde o começo desta frase.  Se fosse um planeta bem administrado isto não assustaria tanto.  Mas é, além de tudo, um lugar mal frequentado." 




-Imagem Pinterest







13 comentários:

Maria Luiza disse...

Beth, estamos vivendo de espantos em espantos quando aparece alguém a nos dizer sobre as diferenças, em todos os aspectos: econômico territorial,político e social. Fala-se tanto dos espaços japoneses que são minúsculos devido a sua pequena extensão territorial, mas eu nunca pensei sobre a amplidão dos jardins imperiais que Veríssimo fala aqui e através desse exemplo pensemos quantas diferenças há no mundo. Há sempre a classe dominante e desde o tempo de Jesus e até antes dele é a mesma história. Gostei, minha querida Beth! Seu post, rende assunto! Beijos e linda semana!

Toninhobira disse...

As vezes fico olhando os governantes no exercicio do poder e fico a imaginar se tem cabeça de camarão.Faz muito tempo que o Elsimar Coutinho fez duras observações sobre o crescimento populacional e muito preocupado com a questão Brasil e de lá para cá nada se fez.EM contra partida vamos criando assistencialismos baratos, que me parece incentivam o aumento do que deveria ser controlado.Feliz postagem Beth, pois o numero de pessoas sob a cama é cada vez maior.Ainda pior é a onda de avanço imobiliario sobre todas as pequenas reservas urbanas.
Uma bela semana amiga.
Meu abraço mineiro de paz e luz.

Márcia Cobar disse...

Essa crônica é um tabefe com luva de pelica, hein Betinha?
Sabe que aqui no Brasil eu frequentemente tenho a sensação de muita gente num pequeno espaço? E olha que nosso país tem dimensões continentais... No entanto, umas regiões são bem mais densas em termos populacionais que outras...
É gente, viu?
Veríssimo fechou tão bem a crônica...
Bjim querida!

manuel marques Arroz disse...

"Só há espaço quando se vê e só há tempo quando se pensa."

Beijo.

Lúcia Soares disse...

Beth, consumismo sempre foi minha preocupação, não entendo pq as pessoas precisam de tanto. Acho que é uma busca por satisfação pessoal, acaba-se complementando com material o que falta no emocional.
Somos muitos, tão injustamente classificados, separados pelo poder aquisitivo, pela cor, pelo carisma, cada um procurando no outro o que não encontra em si próprio.
O jeito é levar a vida com alegria, descobrir os pequenos prazeres da vida.
Beijo!

✿ chica disse...

Que maravilhosa post e reflexão.

Estamos em muiiiiiiiiiiiiiiiitos mesmo e ainda falta tanto a aprender a cuidar, respeitar por aqui!

E essa pressa desvairada de todos em anteciparm o Natal? O que é isso, meu Deus! Fico p da cara com isso. Pra que antecipar tudo nas lojas? Minha vizinha deporta já está com, um HO_HO_HO grudado me assustando a cada vez que passo,sr...

Ora, bolas. Que volte a simplicidade! Senão dá vontade de sair e ver quem vai apagar a luz, fugindo!! beijos,chica

R. R. Barcellos disse...

Já passamos dos 7.000.000.000... e tem gente saindo pelo ladrão.
Não olhem para mim. Eu só tive três filhos.
Não olhem para meus filhos. Eles só me deram dois netos.
Mas que eu queria ter muitos mais, eu queria...
Me avisem quando começar a colonização da Lua, de Marte ou de Titã... tamos aí.
Abraços nesse aperto. Fui.

Priscila Ferreira disse...

Acho que eu seria a menina do chocolate, rs
como tudo passou rápido, em todo lugar já é Natal!
bjs dinda

Cristina Pavani disse...

Oi Beth!
O Brasil, para continuar crescendo, teria que apresentar uma taxa de natalidade de 2,1 bebês por mulher.
Entre 2000 e 2010, a taxa ficou em 1,9 pelos dados do IBGE.
Estamos encolhendo, todavia saberemos lidar com tantos idosos?
O que acontecerá com a previdência social?
Você só me traz reflexões, menina!
Um abração.

Regina Rozenbaum disse...

Gosto de LFV cumforça. E não conhecia essa crônica dele! Daqui da minha janela fico, muitas vezes, vendo as luzinhas acesas de cada casa e imaginando quantos moram, como vivem etc e tal. Em contrapartida, penso tb em países gigantescos - com áreas enormes desabitadas - e nem com todos os subsídios oferecidos conseguem fazer migrar para lá pessoas, numa tentativa de "desanuviar" as grandes metrópoles. De qualquer maneira nosso planetinha azul continua a inchar desenfreadamente! Você, Beth, sempre nos trazendo assuntos importantíssimos para reflexão e AÇÃO (pq não?).
Beijuuss um pouco mais refrescados (choveu por aqui)

Calu disse...

Betinha,
estamos mesmo nesta estatística assustadora.Na medida que os objetos( posses) crescem de tamanho, diminui na mesma proporção, o espaço das pessoas.A circulação urbana tornou-se uma circunferência restrita e estressante.Não há local, seja de serviços,de atendimento ou de comércio que não se enfrente filas quilométricas.Haja visto os consultórios médicos.E todo mundo que já antevê a muvuca das compras de Natal, está querendo antecipar e os comerciantes felizes com isto.
Ô tempos deste admirável mundo novo;que nos deixa mais que admirados, perplexos.
Adoro o Luiz Fernando e a sua fina ironia sempre muito bem colocada.
Esta conversa é pra mais de metro, heim?
Bjinhos, amiga,
Calu

pensandoemfamilia disse...

O que mais tem me assustado é ver esta enchente populacional e em Niterói, nem se fala!.E como tem idosos, sem planejamentos não sei como ficará esta tão decantada qualidade de vida.

ML disse...

Gente demais no mesmo espaço, é complicado. Basta analisar o trânsito, não tem escapatória. é gente demais, lixo demais, tempo de menos...

bjnhs