.....................................................................................................................................................................Porque não só vives no mundo, mas o mundo vive em ti. .....................................................................................................

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Retorno



Acabou o feriado de 7 de Setembro - dia da Independência do Brasil - e milhares de pessoas retornaram das praias ou montanhas. Nem é preciso dizer como se encontram as estradas até esta hora e eu estive numa delas por pelo menos 4 horas nesta segundona, mas depois de dois dias de relax total, vendo e fazendo coisas gostosas, nada estressa e eis-me aqui de volta para contar pra vocês como é a cidadezinha de Búzios que fica na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Aliás, não vou contar, vou mostrar, em fotos, um pouco daquilo que vi e pude desfrutar.
Amanhã, mostrarei as praias, o mar lindo e cristalino desta região privilegiada pela natureza que Deus criou.

Poderão ver as fotos com a música house acima que meu filho criou especialmente para este post. Clica lá!


Até 1950, a península continua como pequena aldeia de pescadores. A partir da década de 60, depois das férias de Brigitte Bardot em praias buzianas,o local passou a ser divulgado e cobiçado na Europa e no mundo, desta vez como mercadoria turística de altíssimo valor, de acordo com o mais novo repertório das demandas modernas.

O nome Búzios deriva de um tipo de concha que era muito encontrado em grande quantidade nas suas praias.

Atualmente Búzios é um dos lugares mais charmosos do Brasil, com lojas sofisticadas, hotéis de alto padrão, praias belíssimas e algumas ainda desertas.

(site Ecoviagem)

Antigas Salinas na Lagoa de Araruama antes de chegar
Estrada com topografia ondulada, interessante
Antiga fazenda de café transformada em Museu Arqueológico
Entrada de Búzios
Condomínios diversos da cidade
Feirinha de verduras e flores na praça
Primaveras sobre os muros
Barzinhos transados
Restaurantes com comidas servidas a kilo e mesinhas na calçada
Ruas coloridas e iluminadas pelo sol na Praia dos Ossos

Pit stop para telefonar (com nosso Porsche na calçada, hehe)
Cerâmica rústica e artesanatos
Bugres para alugar em cores vibrantes

Casarios antigos em cores modernas
Muita arte e decoração
Shopping de galerias
Decoração e arte
Galerias charmosas e esculturas idem
Artesanato
Artesanato e muita arte original
Esculturas em praça pública - menino lendo, menina e cãozinho
Escultura de gatinho liiiiiiinda
Cangas coloridas por todas as partes
Pousadas cheias de gente bonita
Conferindo os chapéus a La Melissa Cadore
Esculturas pra todos os lados nas galerias da Rua das Pedras
Galerias das boutiques na Rua das Pedras
Rua das Pedras com calçamento irregular antigo e boutiques moderninhas

Restaurante Italiano na Rua das Pedras
Jantar um Calzone e Brahma Extra
Botei os pés na água como eu queria



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O mar

(Entardecer em Búzios-foto minha-2007)


Morar no Estado do Rio de Janeiro tem lá suas compensações, afinal temos a montanha e o mar para escolhermos passar um feriadão.

Sou da montanha, adoro os contornos delas, adoro o ar puro e refrescante das manhãs e o frio da noite, adoro os pássaros cantando quase o dia inteiro, a calmaria e a contemplação pacífica e transparente que as janelas de vidro trazem para dentro de minha casa quando o verde das árvores insiste em me chamar a atenção para o lado de fora, para ver as flores que nascem antes mesmo da chegada da primavera. Tudo isso está lá sempre a me esperar.

Mas, neste feriado, vou ver o mar.

Também moro perto dele, fica há três quarteirões do meu apartamento, mas só passo lá olhando de longe, nunca pisei na praia, não gosto de praias urbanas. Por isso vou para praias distantes, de mar aberto, onde o oceano Atlântico mostra toda a sua beleza sem esconder-se atrás dos corpos sarados e os espaços ainda são menos disputados.

Vou ver o mar. Botar os pés nele, mesmo que chova, mas vou ver o mar.

Ficarei longe daqui por estes dias, mas retorno na segunda à noite trazendo as imagens que meus olhos e minha máquina irão captar.

Um ótimo final de semana para todos!

(Búzios-Esculturas de Pescadores-2007-foto minha)



quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Três presentes para o seu dia


Escolhi três maravilhosos poetas para abrilhantar hoje o nosso dia.
Experimente ler a poesia ouvindo a música abaixo, experimente também ler ouvindo sua própria voz e as palavras. Não leia somente com os olhos. Reverencie a poesia.

Sinta a música e a poesia do dia.

Royal Philharmonic Orchestra - Hooked on Romance






Os dias felizes

Os dias felizes estão entre as árvores como os pássaros:

viajam nas nuvens,

correm nas águas,

desmancham-se na areia.

Todas as palavras são inúteis,

desde que se olha para o céu.

A doçura maior da vida

flui na luz do sol,

quando se está em silêncio.

Até os urubus são belos,

no largo círculo dos dias sossegados.

Apenas entristece um pouco

este ovo azul que as crianças apedrejaram:

formigas ávidas devoram

a albumina do pássaro frustrado.

Caminhávamos devagar,

ao longo desses dias felizes,

pensando que a Inteligência

era uma sombra da Beleza.

Cecília Meireles



Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


Ricardo Reis, um dos heterônimos de

Fernando Pessoa



Canção em outras palavras

O melhor cuidado com o amor
é deixar que floresça,
pois amor não se cultiva: é flor
selvagem, bela por ser livre.
Como as estações do ano, ele se abre,
dorme, e volta a perfumar a vida.
Amor é dom que se recebe
com ternura, para que não pereça
sua delicadeza em nossa angústia.

O amor não deve encerrar a coisa possuída,
mas ser parapeito de janela, ou cais
de onde se desprendam os revôos
e partam os navios da beleza
para voltar ou não, conforme amarmos:
nem de menos
nem de mais.

Lya Luft



Mudanças


E se as mulheres se permitissem acreditar na sua própria tristeza e mudar sua vida — mudanças que lhe dariam espaço e tempo para experimentar sua vida, sem pressas, a cada momento? Mudanças que lhe garantissem tempo e espaço para estar presente no seu próprio fogo sagrado e provar a água fresca que nasce na fonte de sua própria experiência…mudanças que lhe convidassem a pegar a estrada e partir, e simplesmente estar, por um momento, aqui e agora, presente em sua própria vida


Judith Duerk, escritora americana


Post dedicado à Aline e a qualquer outra mulher que se identificar com esta bonita reflexão.



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Conforto zen


"A crença na mortalidade, a sensação de que nos vamos extinguir como a chama de um círio, é algo gloriosamente belo. Faz-nos sóbrios, faz-nos um tanto tristes; e a muitos, torna poéticos".
Lin Yutang


Quando a gente teima em continuar fazendo certas coisas que no passado eram fáceis, leves, sem complicações e esquece que o tempo chega para todos, as benditas dores da PVC começam a pipocar ali e dacolá, o negócio então é jogar o pano e se entregar ao conforto, essencialmente conforto mesmo. É isso que procuro há algum tempo e nada mais confortável do que uns calçados como estes para andar por aí, olhando o mundo e as coisas belas dele.

Neste final de semana, esqueci de levar um sapato baixo para a serra, levei minhas duas botas de cano longo porque fico sempre imaginando o frio que poderia fazer. Mas, enganei-me. Fizeram dias absolutamente lindos e ensolarados e andar de botas em dias assim não combina, as tardes pediam andar ao ar livre, olhar o verde em volta e montanhas azuis.

Comprei este par de sapatênis, que é uma delícia, e não consigo mais tirá-lo dos pés. Nunca pensei que um dia iria usar algo assim, sempre gostei de sapatos, com salto baixo também, mas sempre com um saltinho.

Não quero mais saber das amarras que me prendiam aos saltos, mesmo os mais baixos que já usava ultimamente.

E lá vou eu agora, no shoppping com meu 'papatinho'. Dá até vontade cantar aquela musiquinha:
"Livre, nasci como a brisa..." E você gosta?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mestre cuca aposentada



Na semana passada, quinta-feira, estive com minha amigona Glorinha. Fui lá em seu apartamento na Urca levar presentinhos e dar um abraço de aniversário nela que já tinha sido na semana anterior, mas que ela não pode comemorar porque estava fora do país. E ela é daquelas pessoas que sabem receber, gosta muitíssimo de cozinhar e qualquer coisinha é um pretexto para fazer um verdadeiro banquete, talvez movida ao sangue libanês que lhe corre nas veias e que aprecia iguarias, misturas e descobertas de novos sabores. Levei a minha mãe comigo e passamos um dia super agradável na companhia da Glorinha e sua filhota Clarissa que regressou de um período de um ano no Porto em Portugal.

O aniversário foi dela, mas quem ganhou presentes foi eu, pois além de ganhar delícias lusitanas como azeite e vinho do Porto, miniatura do bondinho de Lisboa, biscoitinhos de Paris e sabonetes coloridos super cheirosos, fomos recepcionadas com um almoço dos deuses. Além do filé mignon macio, saladas verdes e de legumes, um nhoque que nunca comi na vida de tão leve e gostoso, daqueles que não tem gosto de farinha e parece derreter na boca.

Não preciso dizer que comemos muiiiiiiiito e ainda tinha a sobremesa com cafezinho para arrematar tudo aquilo. Fiquei literalmente apaixonada pelo tal nhoque e aí, coisa que já não faço há tempos, pois não tenho cozinhado com frequência como antigamente, pedi à Glorinha a receita do mesmo e me empolguei toda para fazê-lo neste final de semana para o maridex lá em Petrópolis.

A receita é simples, como todo nhoque, mas o pulo do gato é a batata, pois segundo minha amiga, devemos usar a batata Asterix, aquela da casca cor de rosa, pois é mais enxuta e não precisa colocar muita farinha de trigo para dar a liga e tampouco ovos nem manteiga. O nhoque é só de batata, farinha e sal. Outro detalhe importante que ela me avisou é que a cada vez que tiramos as bolinhas de nhoque da água fervendo, devemos colocá-las num pirex regado a azeite de oliva para não deixar que os mesmos grudem uns nos outros.
E sábado fui toda animada para a cozinha, preparei antes uma super salada verde com variedades de verduras, lindos tomates, mussarela de búfala em bolinhas e pedi ao maridex para comprar no Hortifruti as tais batatas Asterix e mais 1 kg de tomates bem vermelhinhos e maduros para fazer o molho, juntamente com manjericão fresco. Fiz um molho delicioso e com um cheiro de dar água na boca.

Aí preparei um pirex com azeite e depois de cozer as batatas, escorri e pedi ao marido para espremê-las, pois tinha esquecido que não tinha um mixer lá na serra, nem o tal espremedor manual, mas as mesmas estavam macias e tenras, fácil de serem amassadas e ficaram no ponto propício para a mistura da farinha que fui colocando devagar, misturando e acertando o sal, uma pitada de pimenta do reino para dar um gostinho mais acentuado na massa e depois, paramentada como uma grande mestre-cuca, de avental e só faltou aquele chapéu branco pro alto, senti-me retornando aos bons tempos em que fazia diferentes pratos e sobremesas para os finais de semana movimentados com o filho, amigos dele e nós mesmos, curtindo o friozinho da serra.

Fiz tudo como mandava o figurino; espalhei farinha sobre a pedra, amassei e enrolei a massa, cortei-a em pedacinhos quase iguais, como travesseirinhos fofinhos cor de creme e ao mesmo tempo, colocava alguns na panela de água fervente e retirava os que subiam à tona, mais durinhos e prontos. Coloquei-os no pirex e reguei-os sempre com o azeite de oliva. Estava apaixonada com minha criação gastronômica e claro, provei alguns para ver o gosto e posso afirmar que estavam leves como de minha amiga, sem gosto de farinha, somente da batata e eu fiquei toda feliz com minha performance retomada na beira do fogão.

Masssssssssss, quando comecei a colocar a terceira camada dos lindos travesseirinhos cor de creme, sempre regando com o azeite, percebi que os que estavam na primeira camada não estavam muito bem acomodados. Pareciam quando a gente cola a cara num vidro e fica com o nariz esborrachado, sabe cumé! E toco eu a mexer o pirex prá lá e prá cá, tentando fazer os 'bichinhos' se desgrudarem uns dos outros, igualzinho minha amiga Glorinha fez antes de colocá-los na mesa e servir-nos. Nada! Decidiram ficar naquela posição "unidos venceremos" e eu com vontade de colocar tudo na posição "Ctrl+Alt+Del" e dar um stop geral naquilo tudo, mas já era tarde, fui até o final da minha fracassada aventura culinária. A vida real não é como a virtual que a gente pode consertar, photoshopar, refazer ou deletar de vez certas coisas.

Fiquei murchinha, tristinha diante do ocorrido. Gastei meu tempo e minha energia e não obtive o sucesso nesta empreitada, porém fui compensada com a gulodice que o maridex demonstrou à mesa, comendo e tri-repetindo o nhoque (ou purê) com o molho e a saladona. Disse ele que, mesmo não tendo ficado soltinho, estava delicioso e o gostinho do azeite português entranhado nele deixou-o mais saboroso ainda. É um marido cúmplice até nisso, nos meus erros ou acertos, então o que eu quero mais, né!

Contei pra Glorinha meu insucesso e ela me alentou, dizendo que com ela aconteceu o mesmo nas primeiras vezes e que tem que ir experimentando, sentindo a firmeza e aos poucos acertando o ponto dos nhoques. Ela simplesmente, ama o que faz, cozinha com prazer e não vê isso de uma forma complicada nem cansativa, pelo contrário, sente-se integrada neste movimento e, talvez por isso, tudo fica tão delicioso e certinho.

Tá, tudo bem, mas perguntem-me se pretendo retornar à beira do fogão tão cedo para outra aventura culinária? Nem morrrrrrta! Perdi a mão, não tem jeito mais!

Sabem, em São Paulo tem a Famiglia Mancini que amo de paixão e sempre vamos lá quando estamos naquela cidade e aqui no Rio temos o La Molle que fica pertinho aqui no bairro onde moro. Em Petrópolis tem o Massas Luigi que é ponto obrigatório nas minhas idas do final de semana e, melhor do que tudo isso, saber que se eu ligar para minha amiga de longas datas, Glorinha, ela me prepara a qualquer hora este prato maravilhoso que só ela mesma sabe fazer na medida certa e ainda posso desfrutar da beleza de cenário que seu apartamento tem, com o Pão de Açúcar e o bondinho subindo e descendo e a Marina da Glória cheia de barquinhos pequenos e branquinhos. Pena que esqueci de carregar a bateria da máquina e lá chegando só deu para fazer estas fotos abaixo das comidinhas gostosas que ela fez!




(Nhoque, Salada Verde, Filé Mignon acebolado, Couve Flor)